O programa It MTV do último fim de semana (ou uma reprise dele, sei lá) mostrou um vendedor de rua de Nova York com um produto que achei sensacional: roupas com história. Perdi o início da matéria, mas deu pra sacar que a coisa funciona mais ou menos assim: o cara compra roupas usadas diretamente dos seus donos e procura saber o que elas têm de especial, o que a pessoa fez com ela, coisa e tal. Daí, usa todo esse histórico como atrativo para as peças, cobrando preços muito altos, na casa das centenas de dólares. Tinha uma camiseta, por exemplo, que cruzou os EUA de moto com o seu dono. Sim, a primeira impressão é de que deve ser algo podre e fedido, mas é uma camiseta comum, lavadinha e com alguns furos, só que com uma puta história por trás. Logo me lembrei de algo que tenho guardado e que também tem muita história pra contar, mas que eu só venderia por uma bela grana:

São essas botas que comprei por volta de 1997 e que usei praticamente todos os dias quando morava em Praga e viajava pela Europa. Apesar de ainda estarem inteiras, hoje elas estão aposentadas por bons serviços prestados, guardadinhas no meu armário como um souvenir da minha vida. Com essas belezinhas, pisei em Londres, Paris, Lisboa, várias cidades do interior da República Tcheca e de Portugal, Cracóvia, Auschwitz, Viena, Berlim e Budapeste. Em 2004, ainda fui com elas para o interior da França, como uma última viagem antes do descanso merecido das guerreiras.
Hoje, meu companheiro de batalhas é esse par de tênis aqui.

Com ele, estive nos desertos do Atacama e do Saara, viajei pelo Marrocos e pela Espanha e, no ano passado, não tirei dos meus pés no Camboja, no Vietnã, no Laos e em Bangcoc. Ele já merece ser guardado com carinho ao lado das botas, mas ainda tem muito a oferecer e vai fazer mais algumas voltas antes de ser substituído por um novo guerreiro.
A propósito: nenhum deles, as botas ou os tênis, têm chulé, ok? Eu cuido das minhas lembranças.
- Gabriel Prehn Britto