Rio de Janeiro

› 26 de julho de 2009

Um pouco de sexo nesse blog

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

"Ei, pessoal! Alguém aí quer ir na Acrópole comigo hoje à tarde?!"

Semana passada encontrei, no G1, uma matéria sobre um guia de viagens destinado a estrangeiros que vão para o Rio de Janeiro atrás de festas. O nome do guia é Rio for Partiers e nele estão as melhores dicas, segundo o autor brasileiro, para o gringo pegar as mulheres cariocas.

“Opa, peraí! Turista que quer festa? Gringo em busca de sexo com brasileiras? Não, isso não podemos admitir”, devem ter pensado os burocratas castos do Instituto Brasileiro do Turismo ao tomar conhecimento da publicação. Imediatamente entraram na justiça para tentar impedir a sua comercialização, o que ainda não conseguiram. A razão para tal é, segundo a Advocacia-Geral da União, porque o guia “estimula o turismo sexual” e “expõe o povo brasileiro a situação vexatória”.

Não encontrei nada que dissesse que o tal guia estimula o estrangeiro a procurar prostitutas. Não li nada sobre apologia ao sexo com adolescentes e crianças. Se tivesse ao menos uma única linha a favor destas duas atitudes, eu me colocaria completamente a favor da proibição do livro. Mas não havendo nada disso, fica uma dúvida: é proibido ser um turista que viaja atrás de sexo casual com nativos?

Aposto um Rio for Partiers que, se alguém fizer uma pesquisa com jovens viajantes entre 18 e 24 anos, vai descobrir que 99% deles querem apenas (ou também) fazer festas, beber, beijar e transar nos países visitados. Quem já dormiu em um albergue sabe muito bem disso, porque a movimentação do pessoal em busca de diversão dura a noite inteira, e atrapalha o sono dos velhotes como eu.

Ah, mas o guia divide as cariocas em grupos e denomina algumas de “popozudas”! Sim, e daí? Não tá cheio de mulher por aí que se orgulha em ser considerada uma popozuda? Homens e mulheres não vivem separando seus alvos sexuais em prateleiras diferentes? Não existem os homens “para casar”, “para uma noite só”, entre outros? O que o guia fez foi puramente apresentar estas características de forma clara e divertida, que é o que qualquer viajante procura em uma publicação do tipo.

Amsterdã deve ganhar muito dinheiro com o seu Red Light District. A Grécia e a Espanha faturam horrores com suas ilhas movidas a festas. Até o Mardi Gras de New Orleans pode entrar nesse grupo, já que atrai um monte de turistas em busca de peitos de fora. Ou seja: o sexo é um grande estímulo ao turismo e não há o menor problema nisso, desde que todos os envolvidos sejam maiores de idade e estejam de acordo. O resto é burocracia e hipocrisia.

- Gabriel Prehn Britto
2 comentários