Por Que Pra Lá?

› 5 de julho de 2010

Por Que Pra Lá? - Paraguai

Arrisco a dizer que, com exceção de eventuais filhos brazucas de funcionários da embaixada do Paraguai em Brasília, todos os brasileiros devem achar que o nobre país vizinho se resume a Assunção, Ciudad del Este e Ponte da Amizade.

Eu, inclusive.

Mas vamos lá. Continuo defendendo minha teoria de que qualquer lugar do mundo tem algo de interessante para ser mostrado/sentido/vivido. Então, depois de ver a Larissa Riquelme, a Larissa Riquelme, a Larissa Riquelme e a garra da seleção paraguaia na Copa do Mundo, fiquei encucado: o que será que existe de turístico no Paraguai?

Grandes momentos da vida de um celular

Fui à cata e admito que não foi fácil. Mas encontrei coisas tão legais quanto celulares entre os peitos, muamba, bons zagueiros e goleiros-artilheiros. Por isso declaro aberto o duro (mas desafiador) Por Que Pra Lá? - Paraguai.

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POR QUE PRA LÁ? - PARAGUAI

Já vou começar a coisa toda com uma curiosidade: a história do nome Paraguai não é 100% segura. Segundo o livro A Origem dos Nomes dos Países, existem várias hipóteses aceitas:

- Pode vir do guarani, língua oficial de lá, significando tanto “rio dos marinheiros” quanto “um lugar com um grande rio”, depende do autor da resposta;

- Dizem que é derivado do nome de aborígenes que habitavam a área, chamados “payaguás”;

- Rolam boatos de que significa “rio do manancial do mar” e vem de uma povoação chamada Tavaparaguay, que ficava onde hoje é Assunção;

- Tem chances de vir da palavra aborígene “Para-cua-I”, que significa “água do Cuacamayo”;

- Alguns apostam que vem da junção de “paragua” e “I”, o que significa “rio coroado de palmas”;

- E ainda pode ser “rio que começa no mar”, “braço de mar” e “lugar de grandes águas.

Enfim, já está aí o primeiro motivo para ir para lá: conhecer um país cujo nome ninguém sabe ao certo o que significa.

Qué passa?

Vamos aos outros:

1) Conhecer a única nação da América do Sul com duas línguas oficiais: o castelhano e o guarani.

2) Conhecer a única nação da América do Sul onde a língua nativa (o guarani) conseguiu resistir às línguas dos colonizadores europeus.

Você falar meu língua?

3) Conhecer o único país do mundo cuja bandeira tem dois lados diferentes.

De frente

De costas

4) Visitar um país que não tem voos diretos para Europa (bem melhor do que um país que não tem McDonald’s, hein, aventureiro?)

5) Conhecer Assunção, uma das capitais mais antigas da América do Sul, fundada em 1537 e conhecida como a “Mãe das Cidades”, porque foi de lá que saíram expedições que criaram grandes cidades sul-americanas (inclusive a segunda fundação de Buenos Aires).

O palácio do governo

6) Ver a arquitetura colonial de Assunção, bem preservada apesar das guerras do país.

7) Fazer parte do seletíssimo grupo de pouco mais de 280 mil turistas que visitam o país a cada ano (isso é metade do que o Altes Museum, em Berlim, recebeu em 2009).

8 ) Para comprar redes (dizem que são ótimas por lá).

La hamaca paraguaya

9) Para conhecer cidades pequenas, coloridas e antigas, como Concepción.

Concepción

10) Para esquecer do mundo no Chaco, a maior atração do Paraguai, o lugar perfeito para aproveitar a natureza por lá. O Chaco toma 60% do país, mas apenas 3% da população paraguaia viva na região.

Chaco

11) Para ver de perto a única atração paraguaia listada como Patrimônio Cultural da Humanidade: as Missões Jesuítas de Jesus e Trindade.

A Missão

12) Para ver os Saltos de Monday, pertinho das Cataratas de Iguaçu.

Segunda-feira

13) Para ver a atual maior represa do mundo, Itaipu (se ela não atrai você turisticamente, que seja religiosamente: vá até lá agradecer por toda a luz alcançada até hoje na sua casa).

14) Para comer locro, mazamorra, baipy e um churrasco com milho.

Come

15) Para descobrir onde o pessoal do site de turismo do Paraguai fez fotos tão bonitas.

16) Para conhecer um lugar que não é mencionado no livro 1000 Lugares Para Conhecer Antes de Morrer, nem nas Blue Lists 2007 e 2008 do Lonely Planet, nem no Viaje na Viagem (edição 1998). Um lugar que não tem restaurantes nos Destemperados, quase nada de fotos decentes no Flickr, sem companhias aéreas e com apenas um patrimônio da humanidade da Unesco. Enfim, para conhecer um país fundamental no passaporte de quem se considera um aventureiro desbravador.

Visado

Se alguém pagar os gastos, eu topo muito ir para lá descobrir mais.

- Gabriel Prehn Britto
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› 10 de maio de 2010

Por Que Pra Lá? - Groenlândia

A Groenlândia é um país estranho. Veja só:

- Pode ser só impressão minha, mas lembro dela sempre apresentada em branco, mesmo nos mapas políticos mais coloridos.

Branquinha

- Tem um nome que significa “Terra Verde”, mas tem 80% do seu território coberto por gelo, o que a transforma no provável maior caso de propaganda enganosa do mundo turístico.

- É a maior ilha do mundo. Tem 2,1 milhões de km2. Para você ter uma ideia, esse tamanho deixa o estado do Amazonas no chinelo. Porém, mesmo com essa enormidade toda, a Groenlândia faz parte do reino da minúscula Dinamarca, com seus míseros 43 mil km2, o mesmo tamanho do estado do Rio de Janeiro.

- Apesar de fazer parte do Reino da Dinamarca, a Groenlândia não faz parte da União Europeia.

Porém, ser estranha não significa que a Groenlândia não seja um belo destino de férias. O país é considerado um dos lugares mais atraentes do mundo para quem gosta de belezas e paisagens naturais, além de atividades incomuns para quem vive abaixo do círculo polar ártico.

Por tudo isso (e porque o Minwer pediu) começa aqui o Por Que Pra Lá? - Groenlândia.

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GROENLÂNDIA - POR QUE PRA LÁ?

Oficialmente descoberta por um viking islandês de codinome redundante (Erik, o Ruivo), a Groenlândia já foi território norueguês e motivo de disputa entre a Noruega e a Dinamarca, teve a sua costa explorada pelos ingleses e foi invadida pelos alemães na 2ª Guerra. Depois disso, voltou ao domínio dinamarquês e, já há algum tempo, pretende ficar totalmente independente (mas, pelo que percebi, isso ainda não aconteceu).

Erik, o Ruivo

Segundo o livro A Origem dos Nomes dos Países, o bizarro nome Terra Verde é creditado ao fato de haver um bosque de bétulas na região onde Erik, o Ruivo, desembarcou no ano de 983. Apressadinho e sem ver que o resto todo era gelo, Erik chamou o país de Groen-Land e assim ficou.

Foto: yidnaMU - Flickr

A bandeira da Groenlândia tem as cores da bandeira dinamarquesa, mas é cheia de significados próprios.

Bandeira groenlandesa

A faixa branca representa a camada de gelo que cobre o país. A faixa vermelha é o oceano. O semi-círculo vermelho representa o sol no horizonte, enquanto o semi-círculo branco representa os icebergs.

Aos que se interessarem pelo destino, um aviso: preparem o bolso. Como o próprio site oficial de turismo do país explica, a Groenlândia só é auto-suficiente em alguns cereais, peixes e cubos de gelo. O resto tem que ser importado, o que deixa os preços aproximadamente 10% mais altos do que na Escandinávia. Em resumo: é caro pra dedéu.

Mas chega de blá blá blá e vamos ao que interesse: por que passar férias na Groenlândia?

1 - Para conhecer a maior ilha do mundo (ou a segunda maior, se você é daqueles que acredita que a Austrália é uma ilha).

2 - Para conhecer um país que tem 80% do território coberto de gelo.

Vai um gelinho?

3 - Para tirar carteira de motorista de trenó.

4 - Para conhecer um país que tem 57 mil habitantes e 30 mil cães de trenó.

5 - Para ver o Festival do Retorno do Sol, quando os groenlandeses festejam o fim das noites intermináveis.

Bom dia, sol!

6 - Para conhecer um país que não tem nenhum trem e nenhuma estrada, o que significa que ir de uma cidade a outra só é possível de trenó, de barco ou de avião/helicóptero (outro motivo para aumentar muito os custos das suas férias).

Air Greenland

7 - Para tentar entender por que a Tele Greenland usa um camelo no seu site.

Animal típico?

8 - Para conhecer um país que diz ter apenas 3 estações no ano: Primavera (março e abril), Verão (maio-setembro) e Inverno (novembro a fevereiro). Não me pergunte onde eles colocaram o mês de outubro, porque eu não sei.

9 - Para ver a corrida de cross-country mais casca-grossa do mundo: a Artic Circle Race.

arctic-circle-race_mg_1381

10 - Para experimentar o Greenlandic Coffee, parecido (mas um pouco mais forte) com o Irish Coffee.

Mijou na cama

11 - Para conhecer o lugar onde ficava a primeira igreja do novo mundo, Thjodhild.

12 - Para conhecer Kulusuk. Segundo o Lonely Planet, este é um dos melhores lugares do mundo para se ficar sozinho e distante de tudo.

Solidão, solidão

13 - Para comer gordura e pele de baleia, o mattak, adorado pelos groenlandeses.

Dilíça!

14 - Para conhecer o Northeast Greenland National Park. O maior parque nacional do mundo, maior que a França e a Inglaterra juntas, repleto de fiordes maravilhosos.

Greenland, Rype Fjord, Iceberg - Foto: Jerzy Strzelecki

15 - Para conhecer a geleira (ou fiorde de gelo) Ilulissat, Patrimônio Natural da Humanidade, que produz mais gelo do que qualquer outro glaciar fora da Antártida. Haja uísque.

Ilulissat

16 - Para voar de Air Greenland.

Air Greenland

17 - Para conhecer um lugar que tem uma média de 45 carros para cada 1000 habitantes (São Paulo tem 1 carro para cada 1,68 habitante).

18 - Para conhecer um país que tem apenas 4 semáforos.

Vermelho

19 - Esse motivo é tão bom que vale a pena repetir: para conhecer um país que tem apenas 4 semáforos.

Vermelho

20 - Para ver a aurora boreal.

Aurora

21 - Para aprender algumas palavras de kalaallisut, ou groenlandês (tão inútil quanto aprender tcheco).

Do you speak greenlandic?

22 - Para conhecer o povo que inventou o caiaque (ou o “qajaq”, em kalaallisut)

23 - Para ver o sol da meia-noite.

Hora de dormir

24 - Para ver icebergs.

A ponta

25 - Para vestir uma roupa que parece uma fantasia de urso polar e fazer “grrau!” para a câmera.

Em extinção

26 - Para observar baleias (ok, isso dá para fazer no Brasil).

Rabão

27 - Para comprar um toupilak, um souvenir inspirado nos “espíritos dos ancestrais”.

Bu!

28 - Para conhecer Nuuk, considerada a menor capital do mundo.

Foto: _Zinni_ - Flickr

29 - Para comer um churrasquinho de boi almiscarado, o maior mamífero terrestre da região.

Muuu!

30 - Para conhecer a Ushuaia do norte, Qaanaaq, a cidade mais ao norte do mundo.

Foto: © Jerry Kobalenko

31 - Para fotografar cenários absurdamente lindos, como os que ficam no topo do site de turismo do país.

32 - Para descobrir porque grandes viajantes dizem que “Quando você já viu o mundo inteiro, sempre tem a Groenlândia”.

33 - Para prestigiar o país que fez o site de turismo mais claro e completo que eu conheci até hoje, de onde tirei a maior parte das informações deste Por Que Pra Lá?.

34 - Para ver que todos estes motivos são apenas a ponta do gigantesco iceberg de atrações groenlandesas.

Clichê

- Gabriel Prehn Britto
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› 6 de abril de 2010

Por Que Pra Lá? - Uzbequistão

Depois de um (bom) tempo parado, voltamos ao Por Que Pra Lá? com o pedido do telespectador André, lá no primeiro post da série. Aliás quando ele me pediu para listar motivos para ir para o Uzbequistão, logo pensei “Putz, isso vai dar trabalho”.

Já andei namorando uma viagem para a ex-república soviética e sei que sobram motivos para conhecer aquele canto do mundo, muito mais do que os euros que atraíram Felipão e Zico, entre outros boleiros brasileiros.

Vamos a eles.

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UZBEQUISTÃO - POR QUE PRA LÁ?

O Uzbequistão (ou Usbequistão, com S, em alguns lugares) fica no meio daquela região asiática cheia de países terminados em “ão” e faz fronteira com uma porção deles: Casaquistão (a terra do Borat), Turcomenistão, Afeganistão, Quirguistão e Tajiquistão.

Bandeira e formato

Cada um dos seus 27 milhões de habitantes produz em média 700 dólares por ano e todos se espalham por uma área que corresponde a um pouco menos do que a Bahia -com a desvantagem de só ter praias no Mar de Aral.

O significado do nome do país é irônico para uma região que foi dominada por britânicos, persas, hunos, árabes, tártaros (aqueles do molho) e outros, além de Alexandre (O Grande), Gêngis Khan e, por último, os bolcheviques russos. “Uzbeque”, que vem a ser o nome dos habitantes da região, quer dizer “dono de si mesmo”, ou “independente”. Logo, Uzbequistão pode ser traduzido como “o país dos independentes”.

E então, por que ir de férias para o Uzbequistão?

1 - Para ver o Felipão berrando em uzbeque na casamata do estádio do Bunyodkor. (PÉÉÉ!!! Motivo gongado! Quem viu, viu. Quem não viu, agora só no Palmeiras.)

Vaaaaaaaaaai!

2 - Para conhecer uma região que, de tão bela, geograficamente estratégica e cheia de riquezas, já foi disputada por todos os povos que eu citei ali em cima.

3 - Porque o Uzbequistão tem 4 patrimônios da humanidade, segundo a Unesco: o centro histórico de Bukhara, o centro histórico de Shakhrisabz, a cidade de Itchan Kala e a cidade de Samarcanda.

4 - Porque o Lonely Planet diz que, “se houvesse um Hall da Fama das cidades da Ásia Central, o Uzbequistão teria os 3 primeiros lugares”, com Samarcanda, Bukhara e Khiva.

5 - Para conhecer o Mar de Aral, entre o Uzbequistão e o Casaquistão, antes que ele suma.

Bye bye, Aral

6 - Para fotografar um cemitério de barcos a quilômetros do Mar de Aral (que encalharam porque o mar secou). Se der sorte, você pega até um camelo ao lado deles.

Olha, mãe! Um barquinho e um camelinho!

7 - Para conhecer a capital Tashkent, a maior da Ásia Central. Tashkent foi quase totalmente destruída por um terremoto em 1966 e reconstruída logo depois com padrões arquitetônicos soviéticos. Hoje, o contraste entre o lado novo, com sua imponência e monumentos comunistas, contrasta com o lado pobre, com casas de barro e os poucos prédios antigos que restaram em pé.

Hotel Uzbekistan

8 - Para conhecer a vida noturna de Tashkent, considerada a melhor do mundo islâmico a leste de Beirute.

Party time

9 - Para conhecer a escola corânica (madrasa) Kukeltash, em Tashkent, construída no século XVI.

Kukeltash

10 - Para conhecer o Chorsu Bazaar, perto da Kukeltash. Pode até não ser uma feira interessante, mas deve render belas fotos.

Bazaar!

11 - Para ver de perto o azul da água do Lago Charvak, na província de Tashkent.

Tudo azul...

12 - Para conhecer a mesquita Khast Imam, onde está o corão de Uthman, considerado o mais antigo manuscrito do corão do mundo.

Khast Imam

13 - Para conhecer Samarcanda, uma das cidades mais antigas do mundo, fundada em 700 a.C. e ponto importantíssimo da Rota da Seda, entre o Oriente e a Europa. Imagina a quantidade de gente diferente que já passou por lá e o que cada um contribuiu para a história/arquitetura da cidade.

Samarkand by M.Bob / © All rights reserved (http://is.gd/bglkw)

14 - Para ver de perto porque Samarcanda é considerada privilegiada na arte islâmica da Ásia Central.

(C) Copyright 2009 Ivan Safyan Abrams. All rights reserved. (http://is.gd/bgl11)

15 - Porque eu desisti de colocar todos os mausoléus, mesquitas e madrasas que encontrei nas pesquisas sobre o país. É muita coisa linda. Clica aqui e dá uma olhadinha na pesquisa do Flickr, para ter uma ideia da quantidade de prédios maravilhosos. E depois, chora.

16 - Para voar de Uzbequistan Airways, também conhecida como O‛zbekiston havo yo‛llari, em uzbeque.

Azul-Calcinha Airways

17 - Para conhecer um país que se orgulha de ter o “turismo dentário” entre suas atrações. Sim, tá lá no verbete Tourism in Uzbekistan, na Wikipedia.

18 - Para encher o bucho de pão, porque o alimento está presente em 100% das refeições uzbeques e nenhum anfitrião deixa o convidade ir embora sem um pedaço. Aliás, até o pão é bonito lá.

Foto: Kelly Cheng - Flickr

19 - Para prestigiar um país que, desde 1994, vem mudando o seu alfabeto do cirílico para o latino, só para que você, ocidental, consiga ler os nomes das ruas.

welcome-to-tashkent-by-uzbek2bek

20 - Para ver o inacreditável: bancos funcionando aos sábados.

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Cansei, André. Tá bom assim de motivos uzbeques?

- Gabriel Prehn Britto
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› 3 de março de 2010

Por Que Pra Lá? - Ilhas Falkland/Malvinas

O governo inglês até já disse que os falklanders (ou malvinos, vá lá) são livres para decidir se querem ser argentinos ou ingleses. Como o pessoal não é bobo, obviamente já declarou que não têm a menor intenção de trocar os Windsor pelos Kirchner, muito menos as libras pelos pesos. Mesmo assim, los hermanos acabaram de nos lembrar que existem ilhas naquela região do Atlântico, entrando em um novo conflito de discursos com os britânicos.

Mapa das Falkland/Malvinas

Em homenagem a este revival dos anos 80, saboreie esta edição especial do Por Que Pra Lá?.

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ILHAS FALKLAND/MALVINAS - POR QUE PRA LÁ?

Falkland, o nome inglês, veio da homenagem que um capitão britânico fez ao seu protetor, Visconde de Falkland. Já o nome espanhol/argentino, Malvinas, tem muito mais charme: entre 1701 e 1720, uma penca de navegadores franceses saídos de Saint-Malo (les “malouins”, en Français) aportaram na região, que ficou conhecida como Malouinas. Daí para virar Malvinas foi só trocar “ou” por “v”. Lindo, não?

Rainha e ovelha

A população local é de míseras 3 mil pessoas, sendo que 80% delas vive em Port Stanley, a capital da região. O resto habita o que eles chamam de “o campo”, que significa as outras 700 ilhas que compõem o arquipélago de 12 mil km2.

O perrengue entre argentinos e ingleses vem de séculos e não vale colocar toda a história aqui. Do que li, deu para deduzir que as ilhas eram formalmente espanholas (e, consequentemente, argentinas depois da independência), mas os ingleses deram uma de João Sem Braço e acabaram tomando tudo numa época em que  a região do Prata estava meio bagunçada.

God Save the Queen!

Mas enfim, vamos ao que interessa: por que ir para as Ilhas Falkland/Malvinas?

1 - Para tentar entender por que raios argentinos e ingleses brigam tanto pelo arquipélago (além do motivo petrolífero).

Oro! Gold!

2 - Para conhecer um lugar com 400 km de ruas e estradas, mas absolutamente nenhum semáforo.

3 - Por que a NatGeo colocou as Falkland/Malvinas ao lado das ilhas Faroe na lista de ilhas mais interessantes do mundo e publicou que “é um privilegio” visitar o lugar.

4 - Para descobrir porque muitos cruzeiros de expedições turísticas à Antártida incluem o arquipélago no roteiro.

Gelo, gelo e pinguins

5 - Para conhecer um lugar cujo brasão oficial ostenta uma ovelha.

Béééé!

6 - Para conhecer um lugar que tem ovelha na moeda.

20 ovelhas (Foto: tigerweet - Flickr)

7 - Para conhecer um lugar com 3 mil habitantes e 700 mil ovelhas.

Nóis que manda aki, dusmeu. (Foto: Raphael Bick Travel Photography - Flickr)

8 - Para conhecer um lugar com apenas 50 km de estradas pavimentadas.

9 - Para voar de Figas - Falkland Islands Government Air Service - a companhia aérea para voos internos.

Que saudades da BRA

10 - Para dar um alô para o Brasil direto de uma legítima cabine telefônica inglesa, sem sair da América do Sul.

Hellô-ôu! (Foto: Peter Macdiarmid/Getty Images)

11 - Se você curte uma corridinha, para participar da Maratona de Stanley, a “maratona mais meridional do mundo”, segundo a AIMS (Association of International Marathons and Road Races)

12 - Para conhecer um lugar que inclui e divulga “Competição de Jardins” no seu calendário anual de eventos.

13 - Para conhecer um dos melhores lugares do mundo onde observar (e fotografar) vida selvagem.

Oi? (Foto: rrm998 - Flickr)

14 - Para relaxar em praias realmente desertas.

Mas a água deve ser gelada (Foto: f0rbe5 - Flickr)

15 - Ou para dividir praias com pinguins.

Foto: http://www.designinnature.com

16 - Para conhecer um lugar que se orgulha de ter a igreja anglicana mais meridional do mundo, que ainda tem um monumento com ossos de baleia em frente.

Igreja anglicana em Port Stanley (Foto: guettier - Flickr)

17 - Para conhecer uma ilha onde Charles Darwin passou um tempo, na sua viagem a bordo do Beagle.

18 - Para conhecer um lugar no mundo onde não existem desempregados.

19 - Para conhecer um lugar onde “ler um livro” está entre as atividades turísticas sugeridas. Fale a verdade: isso não é o paraíso para descansar

A emoção depende do seu livro

20 - Para ler Penguin News, o jornal semanal das Falkland/Malvinas.

Penguin News mente!

21 - Para conhecer um lugar que se considera um país, mas que tem apenas uma cidade, a capital Port Stanley.

23 - Como você deve ter percebido pelas atividades sugeridas, para passar um tempo em uma das ilhas mais isoladas do mundo. Isso porque nas Falkland/Malvinas só se chega de barco ou com dois voos. Um deles é um voo militar que parte da Inglaterra 6 vezes por mês, com apenas 28 lugares para civis. Outro é um voo semanal da Lan que parte de Punta Arenas, no Chile. Voos para lá sobrevoando a Argentina não são permitidos, por isso a Lan parte da Patagônia chilena. Voos da Argentina, então, nem sonham em ir naquela direção.

E aí? Bora lá coçar o saco com os pinguins?

- Gabriel Prehn Britto
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› 17 de janeiro de 2010

Por Que Pra Lá? - Especial Haiti

Isso não é nenhuma dica irresponsável mandando você ir para o Haiti neste momento. É óbvio que não é recomendado fazer turismo por lá agora. Mas como um dia o Haiti vai voltar a ser uma nação com um mínimo de infraestrutura (pode demorar, mas certamente vai) resolvi furar a fila do Por Que Pra Lá? e fazer uma edição especial mostrando as maiores atrações turísticas da meia-ilha caribenha. É para que você inclua o país na sua lista de destinos desejados e ajude os haitianos a se recuperar da forma que eu considero a mais prazerosa: viajando.

Todos já conhecem a parte triste do Haiti. É o país mais pobre das Américas, onde aproximadamente 80% da população está abaixo da linha de pobreza (vive com 1 dólar por dia) e todos têm expectativa de vida de míseros 60 anos. Nos jornais, Haiti vem sempre ligado a “violência”, “milícias”, “soldados”, “tropas” e “Onu”.

O que a maioria não sabe é que o Haiti (palavra que significa “terra montanhosa”) tem praias lindas, um parque considerado patrimônio da humanidade, muita história, potencial para rivalizar turisticamente com vizinhos peso-pesados do setor, como Cancún, Aruba e Bahamas, além de um povo receptivo e simpático.

Pegue sua agenda turística e anote aí: por que ir para o Haiti?

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1) Para conhecer a Cidadela Laferrière (conhecida como La Citadelle), o maior forte do ocidente. Ela foi construída pelos primeiros escravos livres, para proteger o país de um eventual ataque francês logo após a independência do país. Como La Citadelle fica no alto de uma montanha, a vista é maravilhosa. Em dias claros é possível enxergar Cuba.

Foto: arjencito - Flickr

Foto: stanleygee - Flickr

2) Para conhecer o Palácio de Sans-Souci, também construído por escravos, na mesma época e a 5 km da Citadelle. Antes de um terremoto que o destruiu em 1842, o Sans-Souci era conhecido como “Palácio de Versailles do Caribe”.

Foto: Beyond Travel - Flickr

3) Para conhecer o Parque Histórico Nacional, onde estão a Citadelle, o Palácio Sans-Souci e ainda os prédios de Ramiers. Justamente por abrigar estas três atrações (elas foram as primeiras construídas por ex-escravos e, por isso, são consideradas um monumento à liberdade), o Parque foi declarado Patrimônio Histórico da Humanidade, pela Unesco, em 1982.

4) Para visitar o segundo estado independente nas Américas, livre do seu colonizador em 28 de novembro de 1803 (os EUA se tornaram independentes em 1776).

5) Para visitar o único país americano independente (ao lado do Canadá) onde você pode falar francês e ainda aprender crioulo. Mas, ao contrário do que você pensa, não vai dar para escutar Cesária Évora depois, porque o crioulo haitiano é bem diferente do crioulo cabo-verdeano.

Mim não falar crioulo haitiano

6) Para descobrir porque o Lonely Planet, na edição sobre as Ilhas Caribenhas, declarou: “We believe that Haiti may just be one of the most exciting countries of the world in which to travel.”

7) Para comprar um legítimo boneco de vodu (ainda que eles sejam mais folclóricos do que realmente utilizados nos rituais religiosos).

Foto: apesara - Flickr

8 ) Para ver uma legítima sessão de vodu.

Foto: steffiekeith - Flickr

9) Se você não for um medroso como eu, para conhecer Cemitério da Cidade, em Porto Príncipe, famoso por suas histórias de fantasmas, zumbis e outras lendas ligados ao vodu.

Foto: BARBARA BARBARA - Flickr

10) Para conhecer Jacmel, uma cidadezinha calma ao sul do país, com praias lindíssimas, carnaval animado e o melhor artesanado do Haiti.

Baía de Jacmel. Foto: T R L - Flickr

Carnaval em Jacmel. Foto: melindayiti - Flickr

11) Para mergulhar em Bassin Bleu, a 12 km de Jacmel. São piscinas naturais profundas interligadas por cachoeiras e, diz a lenda, habitadas por ninfas que ninguém nunca viu porque fogem quando escutam passos de pessoas.

Bassin Bleu. Foto: melindayiti - Flickr

12) Para os amantes da natureza conhecerem o Étang Saumâtre, o maior lago do país e o melhor lugar para conhecer a fauna e a flora haitiana. E para aproveitar a viagem e conhecer o Plaine du Cul de Sac, uma depressão com cenários incríveis.

Foto: Carlos A. Objio Sarraff - Flickr

13) Para tentar visitar a surreal Labadie, praticamente um enclave turístico particular da Royal Caribbean, cercado e policiado, ao norte do país.

Labadie. Foto: schaefinvegas - Flickr

14) Para estar no único país onde uma revolução de escravos obteve sucesso, na história colonial.

15) Para conhecer a primeira “república negra” do mundo. Em 1804, logo depois da independência, o líder da revolução pegou uma bandeira francesa e rasgou fora a tira branca, dizendo que estava “expulsando os brancos do país”. O vermelho e o azul foram unidos, criando a bandeira haitiana.

A tricolor virou bicolor

16) Para conhecer a Île-a-Vache, uma linda ilha no sul do país. Um lugar cheio de praias paradisíacas, perfeito para mergulhar e para conhecer outras ilhas próximas, como Caye-a-l’Eau, Ilet-a-Bouee ou Saut-Mathurine (onde está a maior queda d’água do Haiti).

Île-a-Vache. Foto: bourgetelpierre - Flickr

Saut-Mathurine. Foto: KAFESUKRE - Flickr

Caye à l'Eau. Foto: patbenoiton - Flickr

17) Para fazer um tour na fábrica e comprar um originalíssimo rum Barbancourt, na cidade de Damiens, perto de Porto Príncipe.

O melhor rum do mundo

18) Para visitar o Marché de Fer, em Porto Príncipe, considerado um mercado extraordinário pelo Lonely Planet.

19) Para passar um tempo em Cap-Haïtien, explorando as praias da região, como Cormier Plage, e conhecendo a arquitetura colonial francesa local, que dizem ser igual à de Nova Orleans, nos EUA.

Cormier Plage. Foto: melindayiti - Flickr

20) Para beber uma Prestige gelada na beira da praia.

Foto: ZenDimz - Flickr

20) Porque “if you want to make local friends, play with kids, spend alot of time talking and mixing with people you will also love it”, como disse este viajante.

Foto: regularojoe - Flickr

21) Para andar nos coloridíssimos tap-taps.

Tap-tap. Foto: Jan Sochor - Flickr

22) Porque é impossível não achar o Haiti lindo depois de ver as fotos do Jan Sochor.

Foto: Jan Sochor - Flickr

23) Porque uma rápida voltinha no Flickr vai mostrar fotos maravilhosas do país, como esta aqui embaixo.

Foto: ajax8055 - Flickr

- Gabriel Prehn Britto

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› 8 de dezembro de 2009

Por Que Pra Lá? - Ilhas Faroe

O Träsel foi o mais rápido e mandou o segundo desafio do Por Que Pra Lá?. Ele me pediu para listar os motivos para alguém passar férias nas Ilhas Faroe.

Pegue o passaporte, o casaco de chuva, a bermuda, o casaco de neve, a camiseta regata, os óculos de sol, as havaianas, as botas impermeáveis e simbora.

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ILHAS FAROE - POR QUE PRA LÁ?

Ilhas Faroe ou Féroe? As duas formas são apresentadas em mais de uma fonte. No Wikipedia estão juntas, mas sem explicar o motivo. No livro A Origem dos Nomes dos Países, está Féroe. Na Folha Online, estão lá as duas de novo. Para manter uma ordem nessa orgia, façamos como os advogados escrevem nos contratos: doravante chamaremos apenas de Ilhas Faroe, com A.

No meio do nada

As pequenas ilhotas vulcânicas, que ficam isoladas entre a Escócia e a Islândia, são um território autônomo da Dinamarca, mas já foram dos Ingleses e também da Noruega. Os primeiros a chegar lá para valer foram monges irlandeses, por volta do ano 700. Construíram igrejinhas aqui e ali até que piratas noruegueses apareceram para se estabelecer definitivamente.

Bandeira faroesa

Além do nome, a quantidade de ilhas que compõem as Faroe também gera polêmica: gira entre 18 e 22, com alguns sites dizendo que todas são habitadas, enquanto outros dizem que apenas 17 têm moradores. As maiores são Strömö, Österö e Vaagö, o que me leva a crer que as Faroe são o maior produtor de trema do mundo. Aliás, Ilhas Faroe significa, para a maioria dos pesquisadores, “ilha das ovelhas”. Mas há correntes que dizem que também pode significar “ilha das velhas” e “ilha dos navegantes”.

É, parece que o isolamento das Faroe fizeram o mundo ter muitas dúvidas sobre elas mesmo.

Bom, vamos aos motivos: por que ir para as Ilhas Faroe?

1) Pelas paisagens lindíssimas que encontrei no Flickr.

Foto: Eileen Sandá - Flickr

Foto: Felix van de Gein - Flickr

2) Para conhecer a capital Tórshavn, considerada uma das menores do mundo, com 19 mil habitantes (a menor, pelo que pesquisei, é Nuuk, na Groenlândia, que será analisada em outro Por Que Pra Lá?).

Foto: http://www.faroephoto.com

3) Porque uma cidade que se orgulha de ter casas pintadas em cores diferentes umas das outras merece ser conhecida. Sim, os habitantes de Tórshavn acham o máximo poder pintar suas casas de azul, amarelo, marrom e até rosa! Inclusive fizeram um vídeo mostrando isso.

4) Para conhecer a Nordic House, um centro que promove a cultura nórdica, em um prédio lindo.

Foto: okidoki kommunikation - Flickr

5) Para fazer trekking por lugares maravilhosos (trekking é uma das maiores atrações faroesas).

http://www.ursispaltenstein.ch/blog/weblog.php?/weblog/faroe_islands/

6) Para ver igrejas e casas com grama nos telhados, uma característica da região, utilizada para proteger os moradores do frio.

Foto: _Zinni_ - Flickr

7) Para conhecer um lugar famoso por ter clima imprevisível (se bem que Porto Alegre anda assim também).

Foto: Jan Egil Kristiansen - Flickr

8 ) Para conhecer um lugar tão cheio de mistérios para o resto do mundo.

9) Porque as Ilhas Faroe são um paraíso para observação de pássaros, com passeios que viajantes elogiam pra caramba.

Foto: Felix van de Gein - Flickr

10) Para ver falésias, gargantas, fiordes e penhascos lindos, todos de frente para o mar.

Foto: Felix van de Gein - Flickr

11) Para conhecer o segundo mais alto fiorde da Europa, o Enniberg, na ilha de Viðoy, com 754 metros.

Foto: Erik Christensen, Porkeri - Flickr

12) Para ver de perto aquelas cenas de baleias mortas na beira da praia, pintando o mar de sangue. (Ok, peguei pesado na piada. Mas é a cultura deles. Eles comem baleias. É preciso respeitar, não?)

Foto: Jan Egil Kristiansen - Flickr

13) E pelo motivo derradeiro: porque, em 2007, a National Geographic classificou as Ilhas Faroe com as mais interessantes do mundo, depois de uma pesquisa em 111 ilhas ao redor da Terra, incluindo Açores e Bermuda, por exemplo. “Lovely unspoiled islands. A delight to the traveller.”, foi o que a NetGeo declarou, depois de avaliar as ilhas em quesitos como preservação da natureza, arquitetura histórica e orgulho nacional.

http://www.internationaleducationmedia.com/faroe_islands/index.htm

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Tá bom assim, Träsel? Aliás, obrigado pelo desafio. Eu não sabia que as Ilhas Faroe tinham tantas atrações. Entraram no meu mapa de destinos desejados.

Mande seus desafio pelo contato ali em cima ou na caixa de comentários. O próximo é o Uzbequistão, a terra do time do Felipão.

- Gabriel Prehn Britto
14 comentários
› 30 de novembro de 2009

Por Que Pra Lá?

Já faz um tempo que eu tenho uma teoria turística radical: a de que qualquer lugar do mundo tem atrações interessantes para um viajante ver.

Para mim, não importa se falamos da França ou de Burkina-Fasso, pode ser histórica, arquitetônica, natural ou cultural, todo e qualquer país tem alguma experiência rica a nos oferecer. É por isso que o meu Where I’ve Been, do Facebook, tem essa cara:

Um dia tudo isso será meu.

Os países em azul são aqueles onde eu já fui. O país em vermelho (República Tcheca) é onde eu vivi. E os países verdes são aqueles que eu quero conhecer. Sim, eu quero conhecer o mundo inteirinho, apesar de saber que ele acaba em 2012.

Partindo desta convicção, há um tempo pensei em um projeto que viraria um blog novo, mas depois achei que o melhor seria deixá-lo aqui no OQEFNF mesmo. E agora resolvi dar o pontapé inicial na gorduchinha.

Ladies and gentleman, apresento a vocês o “Por Que Pra Lá?”!

What que merda é essa?

O Por Que Pra Lá? vai apresentar motivos para você ir a qualquer buraco do planeta Terra. A ideia é que vocês, queridos leitores, me digam nomes de países/desafios para que eu pesquise e encontre razões para se gastar preciosos dias de férias neles.

Obviamente vocês não precisam me dar apenas nomes de países minúsculos ou desconhecidos. Lugares mais badalados também estão no páreo. Mas, sei lá, desconfio que vocês só vão me colocar em encrenca, então já estou preparado para isso. Acho.

O que vocês ganham com o Por Que Pra Lá?? Além da diversão de saber que eu passarei um bom tempo tenso e correndo atrás de informações, no final vocês ainda ganharão um belo dossiê para mostrar aos amigos quando decidirem ir para os lugares solicitados.

Gostou? Então use a caixa de comentários, o contato ali em cima ou me manda uma DM no Twitter com o seu desafio. Me ajude a ver se essa minha teoria é furada ou não.

Feita a apresentação, aqui vai o primeiro Por Que Pra Lá?, definido por mim mesmo. E já que usei Burkina-Fasso como o extremo oposto da França, começarei por este pequeno país africano.

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BURKINA-FASSO - POR QUE PRA LÁ?

Mapa-bandeira

Burkina-Fasso (que o Google escreve com um S, mas o Manual de Redação do Estadão manda escrever com dois) fica longe do mar, no Oeste da África, entre Gana, Benin, Mali, Níger, Togo e Costa do Marfim.

burkina_fasso en Français

Seu nome significa “país dos homens honestos” e foi criado em 1984, quando já tinha deixado de ser uma colônia da França mas ainda se chamava Haute Volta, ou Alto Volta, por estar na parte Norte do rio Volta.

É um dos lugares mais pobres do mundo, com PIB per capita de míseros 483 dólares anuais, 15 milhões de habitantes, expectativa de vida de 52 anos para homens e 54 para mulheres, não aparece nas estatísticas da Organização Mundial do Turismo e nem chega perto do livro 1000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer.

Mas então por que ir para lá?

1) Para conhecer as cascatas de Karfiguela, uma das maiores atrações naturais do país.

Karfiguela (Foto: the-world-by-road - Flickr)

2) Porque o caminho até Karfiguela passa por uma floresta de mangueiras, onde o cheiro da fruta toma conta do ar, enquanto o barulho das cascatas faz a trilha sonora.

Mangueiras em Karfiguela (Foto: bjackrian - Flickr)

3) Para conhecer o mercado de Gorom Gorom, que acontece todos os dias, mas é nas quintas-feiras que vira uma festa de tribos e cores.

Gorom Gorom (Foto: themanwithsalthair - Flickr)

4) Para ver camelos em momentos de luxúria no mercado de Gorom Gorom.

Sexo explícito africano (Foto: swiatoslaw-wojtkowiak - Flickr)

5) Para observar a cerimônia de Moro-Naba (Nabayius Gou) que acontece todas as sextas-feiras, às 7h em ponto, no Palácio Moro-Naba, em Uagadugu, a capital do país.

6) Para conhecer uma capital chamada Uagadugu. Pô, fala a verdade: existe nome mais legal que esse?

Uagadugu Foto: ferdinand-reus - Flickr)

7) Para participar do maior festival de cinema da África, que tem festa de abertura em um estádio lotado: o Fespaco (Panafrican Film & Television Festival of Ouagadougou), cuja próxima edição acontecerá entre 26/02 e 05/03 de 2011.

Abertura da Fespaco (Foto: flykr - Flickr)

8 ) Para conhecer o Museu Manega, o mais visitado do país,a 50 km de Uagadugu, com mais de 500 máscaras de rituais sagrados locais, entre outras atrações.

9) Para conhecer a Mesquita de Bobo-Dioulasso, um belo exemplo de arquitetura do Sahel

Mesquita de Bobo-dioulasso (Foto: hugo! - Flickr)

10) Para visitar a cidade de Bobo-Dioulasso, considerada a mais agradável do país.

11) Para fazer uma foto sentado em cima de um dos crocodilos sagrados de Sabou, dóceis como coelhinhos.

Um crocodilo sagrado e cheio de paciência em sabou (Foto: trincherojeanfrancois - Flickr)

12) Para conhecer a lindíssima vila de Tiébélé, com sua arquitetura única e sensacional.

Tiebele (Foto: ritawillaert - Flickr)

Tiebele 2 (Foto: ritawillaert - Flickr)

13) Para ver pessoas vestidas com roupas lindas, daquele tipo que só se vê na Africa.

14) Para conhecer o parque de esculturas de Laongo (ou Loango, não consegui confirmar qual a forma correta do nome).

Laongo-Loango (Foto: annemimault - Flickr)

15) Para conhecer o Parque Nacional d’Arly e as falésias de Gobnangou, lugares muito bem recomendados, mas quase sem nenhuma foto na internet. Impressionante.

Foi só isso que eu encontrei de decente

16) Para conhecer o também mega-recomendado Parque Nacional W, que leva esse nome não pelo Washington Olivetto, mas pelo seu formato.

17) Para aproveitar que o país vizinho é o Mali e dar um pulo em Timbuctu.

18) Para aproveitar e fazer um tour pela Africa Ocidental.

19) Para conhecer a região do Sahel, uma delimitação natural entre a África árabe e a África negra. Ou entre a África onde quase não chove e a África onde chove. Ou ainda entre a África saariana e a África sub-saariana. Em resumo, um lugar importante no mundo.

O Sahel

20) E por fim, para voar de Air Burkina ou de Faso Airways.

Vai encarar? (Foto: paul morley)

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Ok, o primeiro desafio foi vencido. Agora é com vocês.

- Gabriel Prehn Britto
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