Por Que Pra Lá?

› 3 de março de 2010

Por Que Pra Lá? - Ilhas Falkland/Malvinas

O governo inglês até já disse que os falklanders (ou malvinos, vá lá) são livres para decidir se querem ser argentinos ou ingleses. Como o pessoal não é bobo, obviamente já declarou que não têm a menor intenção de trocar os Windsor pelos Kirchner, muito menos as libras pelos pesos. Mesmo assim, los hermanos acabaram de nos lembrar que existem ilhas naquela região do Atlântico, entrando em um novo conflito de discursos com os britânicos.

Mapa das Falkland/Malvinas

Em homenagem a este revival dos anos 80, saboreie esta edição especial do Por Que Pra Lá?.

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ILHAS FALKLAND/MALVINAS - POR QUE PRA LÁ?

Falkland, o nome inglês, veio da homenagem que um capitão britânico fez ao seu protetor, Visconde de Falkland. Já o nome espanhol/argentino, Malvinas, tem muito mais charme: entre 1701 e 1720, uma penca de navegadores franceses saídos de Saint-Malo (les “malouins”, en Français) aportaram na região, que ficou conhecida como Malouinas. Daí para virar Malvinas foi só trocar “ou” por “v”. Lindo, não?

Rainha e ovelha

A população local é de míseras 3 mil pessoas, sendo que 80% delas vive em Port Stanley, a capital da região. O resto habita o que eles chamam de “o campo”, que significa as outras 700 ilhas que compõem o arquipélago de 12 mil km2.

O perrengue entre argentinos e ingleses vem de séculos e não vale colocar toda a história aqui. Do que li, deu para deduzir que as ilhas eram formalmente espanholas (e, consequentemente, argentinas depois da independência), mas os ingleses deram uma de João Sem Braço e acabaram tomando tudo numa época em que  a região do Prata estava meio bagunçada.

God Save the Queen!

Mas enfim, vamos ao que interessa: por que ir para as Ilhas Falkland/Malvinas?

1 - Para tentar entender por que raios argentinos e ingleses brigam tanto pelo arquipélago (além do motivo petrolífero).

Oro! Gold!

2 - Para conhecer um lugar com 400 km de ruas e estradas, mas absolutamente nenhum semáforo.

3 - Por que a NatGeo colocou as Falkland/Malvinas ao lado das ilhas Faroe na lista de ilhas mais interessantes do mundo e publicou que “é um privilegio” visitar o lugar.

4 - Para descobrir porque muitos cruzeiros de expedições turísticas à Antártida incluem o arquipélago no roteiro.

Gelo, gelo e pinguins

5 - Para conhecer um lugar cujo brasão oficial ostenta uma ovelha.

Béééé!

6 - Para conhecer um lugar que tem ovelha na moeda.

20 ovelhas (Foto: tigerweet - Flickr)

7 - Para conhecer um lugar com 3 mil habitantes e 700 mil ovelhas.

Nóis que manda aki, dusmeu. (Foto: Raphael Bick Travel Photography - Flickr)

8 - Para conhecer um lugar com apenas 50 km de estradas pavimentadas.

9 - Para voar de Figas - Falkland Islands Government Air Service - a companhia aérea para voos internos.

Que saudades da BRA

10 - Para dar um alô para o Brasil direto de uma legítima cabine telefônica inglesa, sem sair da América do Sul.

Hellô-ôu! (Foto: Peter Macdiarmid/Getty Images)

11 - Se você curte uma corridinha, para participar da Maratona de Stanley, a “maratona mais meridional do mundo”, segundo a AIMS (Association of International Marathons and Road Races)

12 - Para conhecer um lugar que inclui e divulga “Competição de Jardins” no seu calendário anual de eventos.

13 - Para conhecer um dos melhores lugares do mundo onde observar (e fotografar) vida selvagem.

Oi? (Foto: rrm998 - Flickr)

14 - Para relaxar em praias realmente desertas.

Mas a água deve ser gelada (Foto: f0rbe5 - Flickr)

15 - Ou para dividir praias com pinguins.

Foto: http://www.designinnature.com

16 - Para conhecer um lugar que se orgulha de ter a igreja anglicana mais meridional do mundo, que ainda tem um monumento com ossos de baleia em frente.

Igreja anglicana em Port Stanley (Foto: guettier - Flickr)

17 - Para conhecer uma ilha onde Charles Darwin passou um tempo, na sua viagem a bordo do Beagle.

18 - Para conhecer um lugar no mundo onde não existem desempregados.

19 - Para conhecer um lugar onde “ler um livro” está entre as atividades turísticas sugeridas. Fale a verdade: isso não é o paraíso para descansar

A emoção depende do seu livro

20 - Para ler Penguin News, o jornal semanal das Falkland/Malvinas.

Penguin News mente!

21 - Para conhecer um lugar que se considera um país, mas que tem apenas uma cidade, a capital Port Stanley.

23 - Como você deve ter percebido pelas atividades sugeridas, para passar um tempo em uma das ilhas mais isoladas do mundo. Isso porque nas Falkland/Malvinas só se chega de barco ou com dois voos. Um deles é um voo militar que parte da Inglaterra 6 vezes por mês, com apenas 28 lugares para civis. Outro é um voo semanal da Lan que parte de Punta Arenas, no Chile. Voos para lá sobrevoando a Argentina não são permitidos, por isso a Lan parte da Patagônia chilena. Voos da Argentina, então, nem sonham em ir naquela direção.

E aí? Bora lá coçar o saco com os pinguins?

- Gabriel Prehn Britto
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› 17 de janeiro de 2010

Por Que Pra Lá? - Especial Haiti

Isso não é nenhuma dica irresponsável mandando você ir para o Haiti neste momento. É óbvio que não é recomendado fazer turismo por lá agora. Mas como um dia o Haiti vai voltar a ser uma nação com um mínimo de infraestrutura (pode demorar, mas certamente vai) resolvi furar a fila do Por Que Pra Lá? e fazer uma edição especial mostrando as maiores atrações turísticas da meia-ilha caribenha. É para que você inclua o país na sua lista de destinos desejados e ajude os haitianos a se recuperar da forma que eu considero a mais prazerosa: viajando.

Todos já conhecem a parte triste do Haiti. É o país mais pobre das Américas, onde aproximadamente 80% da população está abaixo da linha de pobreza (vive com 1 dólar por dia) e todos têm expectativa de vida de míseros 60 anos. Nos jornais, Haiti vem sempre ligado a “violência”, “milícias”, “soldados”, “tropas” e “Onu”.

O que a maioria não sabe é que o Haiti (palavra que significa “terra montanhosa”) tem praias lindas, um parque considerado patrimônio da humanidade, muita história, potencial para rivalizar turisticamente com vizinhos peso-pesados do setor, como Cancún, Aruba e Bahamas, além de um povo receptivo e simpático.

Pegue sua agenda turística e anote aí: por que ir para o Haiti?

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1) Para conhecer a Cidadela Laferrière (conhecida como La Citadelle), o maior forte do ocidente. Ela foi construída pelos primeiros escravos livres, para proteger o país de um eventual ataque francês logo após a independência do país. Como La Citadelle fica no alto de uma montanha, a vista é maravilhosa. Em dias claros é possível enxergar Cuba.

Foto: arjencito - Flickr

Foto: stanleygee - Flickr

2) Para conhecer o Palácio de Sans-Souci, também construído por escravos, na mesma época e a 5 km da Citadelle. Antes de um terremoto que o destruiu em 1842, o Sans-Souci era conhecido como “Palácio de Versailles do Caribe”.

Foto: Beyond Travel - Flickr

3) Para conhecer o Parque Histórico Nacional, onde estão a Citadelle, o Palácio Sans-Souci e ainda os prédios de Ramiers. Justamente por abrigar estas três atrações (elas foram as primeiras construídas por ex-escravos e, por isso, são consideradas um monumento à liberdade), o Parque foi declarado Patrimônio Histórico da Humanidade, pela Unesco, em 1982.

4) Para visitar o segundo estado independente nas Américas, livre do seu colonizador em 28 de novembro de 1803 (os EUA se tornaram independentes em 1776).

5) Para visitar o único país americano independente (ao lado do Canadá) onde você pode falar francês e ainda aprender crioulo. Mas, ao contrário do que você pensa, não vai dar para escutar Cesária Évora depois, porque o crioulo haitiano é bem diferente do crioulo cabo-verdeano.

Mim não falar crioulo haitiano

6) Para descobrir porque o Lonely Planet, na edição sobre as Ilhas Caribenhas, declarou: “We believe that Haiti may just be one of the most exciting countries of the world in which to travel.”

7) Para comprar um legítimo boneco de vodu (ainda que eles sejam mais folclóricos do que realmente utilizados nos rituais religiosos).

Foto: apesara - Flickr

8 ) Para ver uma legítima sessão de vodu.

Foto: steffiekeith - Flickr

9) Se você não for um medroso como eu, para conhecer Cemitério da Cidade, em Porto Príncipe, famoso por suas histórias de fantasmas, zumbis e outras lendas ligados ao vodu.

Foto: BARBARA BARBARA - Flickr

10) Para conhecer Jacmel, uma cidadezinha calma ao sul do país, com praias lindíssimas, carnaval animado e o melhor artesanado do Haiti.

Baía de Jacmel. Foto: T R L - Flickr

Carnaval em Jacmel. Foto: melindayiti - Flickr

11) Para mergulhar em Bassin Bleu, a 12 km de Jacmel. São piscinas naturais profundas interligadas por cachoeiras e, diz a lenda, habitadas por ninfas que ninguém nunca viu porque fogem quando escutam passos de pessoas.

Bassin Bleu. Foto: melindayiti - Flickr

12) Para os amantes da natureza conhecerem o Étang Saumâtre, o maior lago do país e o melhor lugar para conhecer a fauna e a flora haitiana. E para aproveitar a viagem e conhecer o Plaine du Cul de Sac, uma depressão com cenários incríveis.

Foto: Carlos A. Objio Sarraff - Flickr

13) Para tentar visitar a surreal Labadie, praticamente um enclave turístico particular da Royal Caribbean, cercado e policiado, ao norte do país.

Labadie. Foto: schaefinvegas - Flickr

14) Para estar no único país onde uma revolução de escravos obteve sucesso, na história colonial.

15) Para conhecer a primeira “república negra” do mundo. Em 1804, logo depois da independência, o líder da revolução pegou uma bandeira francesa e rasgou fora a tira branca, dizendo que estava “expulsando os brancos do país”. O vermelho e o azul foram unidos, criando a bandeira haitiana.

A tricolor virou bicolor

16) Para conhecer a Île-a-Vache, uma linda ilha no sul do país. Um lugar cheio de praias paradisíacas, perfeito para mergulhar e para conhecer outras ilhas próximas, como Caye-a-l’Eau, Ilet-a-Bouee ou Saut-Mathurine (onde está a maior queda d’água do Haiti).

Île-a-Vache. Foto: bourgetelpierre - Flickr

Saut-Mathurine. Foto: KAFESUKRE - Flickr

Caye à l'Eau. Foto: patbenoiton - Flickr

17) Para fazer um tour na fábrica e comprar um originalíssimo rum Barbancourt, na cidade de Damiens, perto de Porto Príncipe.

O melhor rum do mundo

18) Para visitar o Marché de Fer, em Porto Príncipe, considerado um mercado extraordinário pelo Lonely Planet.

19) Para passar um tempo em Cap-Haïtien, explorando as praias da região, como Cormier Plage, e conhecendo a arquitetura colonial francesa local, que dizem ser igual à de Nova Orleans, nos EUA.

Cormier Plage. Foto: melindayiti - Flickr

20) Para beber uma Prestige gelada na beira da praia.

Foto: ZenDimz - Flickr

20) Porque “if you want to make local friends, play with kids, spend alot of time talking and mixing with people you will also love it”, como disse este viajante.

Foto: regularojoe - Flickr

21) Para andar nos coloridíssimos tap-taps.

Tap-tap. Foto: Jan Sochor - Flickr

22) Porque é impossível não achar o Haiti lindo depois de ver as fotos do Jan Sochor.

Foto: Jan Sochor - Flickr

23) Porque uma rápida voltinha no Flickr vai mostrar fotos maravilhosas do país, como esta aqui embaixo.

Foto: ajax8055 - Flickr

- Gabriel Prehn Britto

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› 8 de dezembro de 2009

Por Que Pra Lá? - Ilhas Faroe

O Träsel foi o mais rápido e mandou o segundo desafio do Por Que Pra Lá?. Ele me pediu para listar os motivos para alguém passar férias nas Ilhas Faroe.

Pegue o passaporte, o casaco de chuva, a bermuda, o casaco de neve, a camiseta regata, os óculos de sol, as havaianas, as botas impermeáveis e simbora.

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ILHAS FAROE - POR QUE PRA LÁ?

Ilhas Faroe ou Féroe? As duas formas são apresentadas em mais de uma fonte. No Wikipedia estão juntas, mas sem explicar o motivo. No livro A Origem dos Nomes dos Países, está Féroe. Na Folha Online, estão lá as duas de novo. Para manter uma ordem nessa orgia, façamos como os advogados escrevem nos contratos: doravante chamaremos apenas de Ilhas Faroe, com A.

No meio do nada

As pequenas ilhotas vulcânicas, que ficam isoladas entre a Escócia e a Islândia, são um território autônomo da Dinamarca, mas já foram dos Ingleses e também da Noruega. Os primeiros a chegar lá para valer foram monges irlandeses, por volta do ano 700. Construíram igrejinhas aqui e ali até que piratas noruegueses apareceram para se estabelecer definitivamente.

Bandeira faroesa

Além do nome, a quantidade de ilhas que compõem as Faroe também gera polêmica: gira entre 18 e 22, com alguns sites dizendo que todas são habitadas, enquanto outros dizem que apenas 17 têm moradores. As maiores são Strömö, Österö e Vaagö, o que me leva a crer que as Faroe são o maior produtor de trema do mundo. Aliás, Ilhas Faroe significa, para a maioria dos pesquisadores, “ilha das ovelhas”. Mas há correntes que dizem que também pode significar “ilha das velhas” e “ilha dos navegantes”.

É, parece que o isolamento das Faroe fizeram o mundo ter muitas dúvidas sobre elas mesmo.

Bom, vamos aos motivos: por que ir para as Ilhas Faroe?

1) Pelas paisagens lindíssimas que encontrei no Flickr.

Foto: Eileen Sandá - Flickr

Foto: Felix van de Gein - Flickr

2) Para conhecer a capital Tórshavn, considerada uma das menores do mundo, com 19 mil habitantes (a menor, pelo que pesquisei, é Nuuk, na Groenlândia, que será analisada em outro Por Que Pra Lá?).

Foto: http://www.faroephoto.com

3) Porque uma cidade que se orgulha de ter casas pintadas em cores diferentes umas das outras merece ser conhecida. Sim, os habitantes de Tórshavn acham o máximo poder pintar suas casas de azul, amarelo, marrom e até rosa! Inclusive fizeram um vídeo mostrando isso.

4) Para conhecer a Nordic House, um centro que promove a cultura nórdica, em um prédio lindo.

Foto: okidoki kommunikation - Flickr

5) Para fazer trekking por lugares maravilhosos (trekking é uma das maiores atrações faroesas).

http://www.ursispaltenstein.ch/blog/weblog.php?/weblog/faroe_islands/

6) Para ver igrejas e casas com grama nos telhados, uma característica da região, utilizada para proteger os moradores do frio.

Foto: _Zinni_ - Flickr

7) Para conhecer um lugar famoso por ter clima imprevisível (se bem que Porto Alegre anda assim também).

Foto: Jan Egil Kristiansen - Flickr

8 ) Para conhecer um lugar tão cheio de mistérios para o resto do mundo.

9) Porque as Ilhas Faroe são um paraíso para observação de pássaros, com passeios que viajantes elogiam pra caramba.

Foto: Felix van de Gein - Flickr

10) Para ver falésias, gargantas, fiordes e penhascos lindos, todos de frente para o mar.

Foto: Felix van de Gein - Flickr

11) Para conhecer o segundo mais alto fiorde da Europa, o Enniberg, na ilha de Viðoy, com 754 metros.

Foto: Erik Christensen, Porkeri - Flickr

12) Para ver de perto aquelas cenas de baleias mortas na beira da praia, pintando o mar de sangue. (Ok, peguei pesado na piada. Mas é a cultura deles. Eles comem baleias. É preciso respeitar, não?)

Foto: Jan Egil Kristiansen - Flickr

13) E pelo motivo derradeiro: porque, em 2007, a National Geographic classificou as Ilhas Faroe com as mais interessantes do mundo, depois de uma pesquisa em 111 ilhas ao redor da Terra, incluindo Açores e Bermuda, por exemplo. “Lovely unspoiled islands. A delight to the traveller.”, foi o que a NetGeo declarou, depois de avaliar as ilhas em quesitos como preservação da natureza, arquitetura histórica e orgulho nacional.

http://www.internationaleducationmedia.com/faroe_islands/index.htm

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Tá bom assim, Träsel? Aliás, obrigado pelo desafio. Eu não sabia que as Ilhas Faroe tinham tantas atrações. Entraram no meu mapa de destinos desejados.

Mande seus desafio pelo contato ali em cima ou na caixa de comentários. O próximo é o Uzbequistão, a terra do time do Felipão.

- Gabriel Prehn Britto
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› 30 de novembro de 2009

Por Que Pra Lá?

Já faz um tempo que eu tenho uma teoria turística radical: a de que qualquer lugar do mundo tem atrações interessantes para um viajante ver.

Para mim, não importa se falamos da França ou de Burkina-Fasso, pode ser histórica, arquitetônica, natural ou cultural, todo e qualquer país tem alguma experiência rica a nos oferecer. É por isso que o meu Where I’ve Been, do Facebook, tem essa cara:

Um dia tudo isso será meu.

Os países em azul são aqueles onde eu já fui. O país em vermelho (República Tcheca) é onde eu vivi. E os países verdes são aqueles que eu quero conhecer. Sim, eu quero conhecer o mundo inteirinho, apesar de saber que ele acaba em 2012.

Partindo desta convicção, há um tempo pensei em um projeto que viraria um blog novo, mas depois achei que o melhor seria deixá-lo aqui no OQEFNF mesmo. E agora resolvi dar o pontapé inicial na gorduchinha.

Ladies and gentleman, apresento a vocês o “Por Que Pra Lá?”!

What que merda é essa?

O Por Que Pra Lá? vai apresentar motivos para você ir a qualquer buraco do planeta Terra. A ideia é que vocês, queridos leitores, me digam nomes de países/desafios para que eu pesquise e encontre razões para se gastar preciosos dias de férias neles.

Obviamente vocês não precisam me dar apenas nomes de países minúsculos ou desconhecidos. Lugares mais badalados também estão no páreo. Mas, sei lá, desconfio que vocês só vão me colocar em encrenca, então já estou preparado para isso. Acho.

O que vocês ganham com o Por Que Pra Lá?? Além da diversão de saber que eu passarei um bom tempo tenso e correndo atrás de informações, no final vocês ainda ganharão um belo dossiê para mostrar aos amigos quando decidirem ir para os lugares solicitados.

Gostou? Então use a caixa de comentários, o contato ali em cima ou me manda uma DM no Twitter com o seu desafio. Me ajude a ver se essa minha teoria é furada ou não.

Feita a apresentação, aqui vai o primeiro Por Que Pra Lá?, definido por mim mesmo. E já que usei Burkina-Fasso como o extremo oposto da França, começarei por este pequeno país africano.

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BURKINA-FASSO - POR QUE PRA LÁ?

Mapa-bandeira

Burkina-Fasso (que o Google escreve com um S, mas o Manual de Redação do Estadão manda escrever com dois) fica longe do mar, no Oeste da África, entre Gana, Benin, Mali, Níger, Togo e Costa do Marfim.

burkina_fasso en Français

Seu nome significa “país dos homens honestos” e foi criado em 1984, quando já tinha deixado de ser uma colônia da França mas ainda se chamava Haute Volta, ou Alto Volta, por estar na parte Norte do rio Volta.

É um dos lugares mais pobres do mundo, com PIB per capita de míseros 483 dólares anuais, 15 milhões de habitantes, expectativa de vida de 52 anos para homens e 54 para mulheres, não aparece nas estatísticas da Organização Mundial do Turismo e nem chega perto do livro 1000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer.

Mas então por que ir para lá?

1) Para conhecer as cascatas de Karfiguela, uma das maiores atrações naturais do país.

Karfiguela (Foto: the-world-by-road - Flickr)

2) Porque o caminho até Karfiguela passa por uma floresta de mangueiras, onde o cheiro da fruta toma conta do ar, enquanto o barulho das cascatas faz a trilha sonora.

Mangueiras em Karfiguela (Foto: bjackrian - Flickr)

3) Para conhecer o mercado de Gorom Gorom, que acontece todos os dias, mas é nas quintas-feiras que vira uma festa de tribos e cores.

Gorom Gorom (Foto: themanwithsalthair - Flickr)

4) Para ver camelos em momentos de luxúria no mercado de Gorom Gorom.

Sexo explícito africano (Foto: swiatoslaw-wojtkowiak - Flickr)

5) Para observar a cerimônia de Moro-Naba (Nabayius Gou) que acontece todas as sextas-feiras, às 7h em ponto, no Palácio Moro-Naba, em Uagadugu, a capital do país.

6) Para conhecer uma capital chamada Uagadugu. Pô, fala a verdade: existe nome mais legal que esse?

Uagadugu Foto: ferdinand-reus - Flickr)

7) Para participar do maior festival de cinema da África, que tem festa de abertura em um estádio lotado: o Fespaco (Panafrican Film & Television Festival of Ouagadougou), cuja próxima edição acontecerá entre 26/02 e 05/03 de 2011.

Abertura da Fespaco (Foto: flykr - Flickr)

8 ) Para conhecer o Museu Manega, o mais visitado do país,a 50 km de Uagadugu, com mais de 500 máscaras de rituais sagrados locais, entre outras atrações.

9) Para conhecer a Mesquita de Bobo-Dioulasso, um belo exemplo de arquitetura do Sahel

Mesquita de Bobo-dioulasso (Foto: hugo! - Flickr)

10) Para visitar a cidade de Bobo-Dioulasso, considerada a mais agradável do país.

11) Para fazer uma foto sentado em cima de um dos crocodilos sagrados de Sabou, dóceis como coelhinhos.

Um crocodilo sagrado e cheio de paciência em sabou (Foto: trincherojeanfrancois - Flickr)

12) Para conhecer a lindíssima vila de Tiébélé, com sua arquitetura única e sensacional.

Tiebele (Foto: ritawillaert - Flickr)

Tiebele 2 (Foto: ritawillaert - Flickr)

13) Para ver pessoas vestidas com roupas lindas, daquele tipo que só se vê na Africa.

14) Para conhecer o parque de esculturas de Laongo (ou Loango, não consegui confirmar qual a forma correta do nome).

Laongo-Loango (Foto: annemimault - Flickr)

15) Para conhecer o Parque Nacional d’Arly e as falésias de Gobnangou, lugares muito bem recomendados, mas quase sem nenhuma foto na internet. Impressionante.

Foi só isso que eu encontrei de decente

16) Para conhecer o também mega-recomendado Parque Nacional W, que leva esse nome não pelo Washington Olivetto, mas pelo seu formato.

17) Para aproveitar que o país vizinho é o Mali e dar um pulo em Timbuctu.

18) Para aproveitar e fazer um tour pela Africa Ocidental.

19) Para conhecer a região do Sahel, uma delimitação natural entre a África árabe e a África negra. Ou entre a África onde quase não chove e a África onde chove. Ou ainda entre a África saariana e a África sub-saariana. Em resumo, um lugar importante no mundo.

O Sahel

20) E por fim, para voar de Air Burkina ou de Faso Airways.

Vai encarar? (Foto: paul morley)

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Ok, o primeiro desafio foi vencido. Agora é com vocês.

- Gabriel Prehn Britto
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