Neste fim de semana descobri algo bastante interessante sobre eu mesmo. Mas calma que não vou contar podres da minha vida.
Depois de uns tweets do @trasel sobre a origem do sobrenome dele, resolvi buscar a origem do Britto. Foi quando veio a surpresa: porcamente resumindo uma longuíssima história, descobri que “Britto” vem de “bretão”, ou os habitantes da Bretanha.
Imediatamente me vieram à cabeça (sonolenta pelo feriado) as lembranças da melhor surpresa que tive viajando pelo interior da França, em fevereiro/março de 2004. Foi a minha parada relâmpago e não-programada em Rennes, capital da Bretanha.

Minha intenção era sair de Montpellier para Toulouse, parando um pouco em Carcassone. De lá, seguiria da melhor forma que encontrasse para Bordeaux e, depois, para Mont-Saint-Michel, numa viagem longa e meio burra, mas que eu fazia questão de encarar porque o Mont era um sonho de anos.
Porém, as coisas não rolaram como eu imaginei. Na época, Toulouse não tinha albergues baratinhos e eu, que já tinha morrido com 30 euros em um pulgueiro em Nîmes, abortei a missão e resolvi fazer um trajeto mais burro ainda: ir para Mont-Saint-Michel via Grenoble.
Pegue um mapa e trace esse roteiro: Montpellier-Grenoble-MSM. Sério. Minha ideia foi digna de um asno.
Eu tinha um grande amigo morando em Grenoble (que eu já havia visitado naquelas férias) e poderia passar mais uma noite na casa dele. Perderia um dia inteiro de viagem, mas economizaria uns euros e ainda poderia dizer que havia visitado meu amigo não apenas uma, mas duas vezes em apenas um ano.
Chegando na casa dele (desta vez sem comitê de recepção na estação de trem, afinal eu já havia estado lá naquele ano…) veio a proposta que mudou o meu destino: adiar a minha passagem para Mont-Saint-Michel e esquiar com ele e mais alguns amigos em Deux Alpes no dia seguinte. Topei na hora, apesar de não ser um esquiador fanático e de fazer apenas as pistas mais fáceis.

Na manhã seguinte, já com esquis e roupas nas mochilas e prestes a pegar o ônibus para Deux Alpes, demos uma passadinha na estação de trem. Eu ainda não falava francês, mas entendi perfeitamente quando o vendedor falou “pas des places”: era fim de férias e não havia mais lugares para ir direto a Mont-Saint-Michel no dia seguinte. A saída era ir de trem até Rennes e, de lá, pegar um dos vários ônibus diários para MSM. Não gostei nem um pouco da ideia, mas como o ônibus para a estação de esqui já estava saindo, não tinha muito o que fazer. Paguei uma bolada e troquei a passagem.
À noite, milagrosamente sem nenhum pé quebrado depois de um dia esquiando, comecei a estudar a cidade que me esperava. E a sensação não era agradável.

Mas, enfim, fui.
Cheguei em Rennes quase no fim da tarde. Ao contrário das expectativas, a primeira impressão foi boa: aquele metrô sem “motorista” e as estações envidraçadas mostravam que a cidade tinha dinheiro. Larguei as coisas no albergue e fui procurar passagens para Mont-Saint-Michel. No caminho, já percebi que deveria ficar um pouco mais por ali. Comprei meu lugar no ônibus que saía depois do meio-dia, assim eu teria aquela noite e a manhã seguinte para caminhar pela área. Sábia decisão.
Não sei a que horas fui dormir, mas foi tarde, porque quando comecei a passear pelo centro da cidade, não consegui parar mais. Rennes é lindíssima. Os prédios tortos, com madeirame à vista, são fantásticos à noite. O clima das ruas é ótimo, com muito bares, música e pessoas caminhando. E de manhã cedo, com o sol batendo de frente nos prédios, é ainda melhor.

Mais escassas que as horas em Rennes, apenas a quantidade de fotos que fiz. Sabe como é: 2004, primeira câmera digital, cartão de memória curto, sem sobressalente e com Mont-Saint-Michel me esperando, acabei fazendo apenas 4 fotos da cidade, todas pela manhã. São elas que ilustram este post.
Rennes. Um dia eu volto lá, com mais calma. E se alguém me chamar de Britteaux de novo, vou corrigir:
- Britteaux, não. É Britto. Derivado de bretão. Acho que é por isso que eu gostei tanto daqui.

Para quem quiser conhecer Rennes, algumas informações:
- Apesar de ser a capital da Bretanha, Rennes foi fundada por gauleses e colonizada por romanos.
- Em 1720, um incêndio de 6 dias destruiu a cidade.
- Rennes tem 200 mil habitantes.
- Dá para chegar lá de avião ou trem. O TGV alcança a cidade até duas horas depois de sair de Paris. Os voos, 1h15.
- A cidade fica a 75 km de Mont-Saint-Michel.
- Gabriel Prehn Britto