Mordomias em oferta
(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)
O avião pousa, você segue até as esteiras de bagagem e pega a suas malas. Então você caminha em direção à porta automática de saída. Ela abre, você dá alguns passos e ela se fecha às suas costas.
A partir daqui, tudo é novo e estranho. É o seu primeiro contato real e verdadeiro com uma nova cultura. Você não sabe por onde começar a se virar, a língua e o dinheiro são difíceis e você ainda precisa achar uma forma de ir até o hotel.
Juro que tentei, mas não consegui lembrar de outro momento em que o viajante esteja mais vulnerável à ação dos malandros locais que se aproveitam da sua confusão para conseguir uns trocados extras por seus serviços.
Até 2008, eu ainda me estressava com isso. Mas a pechincha que é o Sudeste Asiático me mostrou o caminho para a salvação: os tranfers dos hoteis.
Foi no meio dos asiáticos que eu tive as minhas primeiras experiências deste tipo. Cheguei no Camboja e nem me preocupei com nada. Logo após a porta automática de saída do aeroporto de Siem Reap, lá estava Mr. Youthni, sorridente, segurando uma plaquinha com o meu nome.

Fiz o mesmo em todos os desembarques aéreos naquela viagem. E quer saber? Digo que não paguei mais do que 25 dólares por todos os serviços (a média era de 5 USD cada).
Semana passada, quando estava fazendo a reserva do hotel em Bogotá, veio a oferta: pick-up service por 36000 pesos. Não é baratinho (19 USD), mas como vão ser apenas 3 noites, resolvi não perder tempo com taxistas e contratei o serviço. Vou ter mais uma plaquinha me esperando no aeroporto e menos rugas na testa.
Claro que não pretendo contar com essa mordomia em todas as minhas viagens daqui para frente. Em alguns lugares isso é desnecessário ou muito caro. Mas desde 2008, perdi o preconceito e nunca mais deixei de perguntar se o hotel tinha esse serviço.
Em culturas e economias diferentes, o conforto pode ser bem mais barato do que a gente imagina.
- Gabriel Prehn Britto


