Mongólia

› 4 de novembro de 2009

Mais duas chances de ver a Mongólia

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Quem não pôde ir nas duas primeiras apresentações das fotos do Egon na Mongólia ainda tem outras duas chances.

A primeira é uma apresentação extra que ele vai fazer na Bazkaria, em Porto Alegre, ali na frente do Parcão. Olha o flyer aqui:

Imperdível

A segunda é visitar o site do cara, que finalmente recebeu os uploads das imagens. Dá uma olhada em algumas maravilhas que tem por lá:

Deserto de Gobi (Foto: Egon Filter)

Lago Khovsgol Nuur ((Foto: Egon Filter))

Naadam Festival (Foto: Egon Filter)

Recomendo FORTEMENTE uma visita a ambos (assim, em caixa alta, mesmo).

- Gabriel Prehn Britto
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› 19 de outubro de 2009

A Mongólia em Porto Alegre

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

A semana começa com uma belíssima dica para quem mora em Porto Alegre, gosta de viajar, fotografar e aquela coisa toda: Egon Filter finalmente vai apresentar as fotos da sua viagem à Mongólia.

Serão duas oportunidades para ver as imagens e ouvir as histórias do cara.

A primeira é amanhã, terça, dia 20, no Brasas Chat. Como o nome indica, o lance é todo em inglês.

Mongolia em English

A segunda é na quinta-feira, dia 22, desta vez em português mesmo.

Mongólia in português

Ambos são no mesmo lugar, endereço e horário: Espaço STB Brasas - Anita Garibaldi, 1515 - 19h30. Reserve seu cantinho pelo telefone 4001 3010.

Eu estarei lá na quinta. E se tudo der certo, levarei meu avô, que certa vez me disse que a viagem que ele gostaria de ter feito era justamente para a Mongólia.

- Gabriel Prehn Britto
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› 20 de agosto de 2009

Não mais entre os mongóis

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Egon está de volta ao Brasil e a Porto Alegre. Aguardo ansiosamente pelas fotos e pelos relatos ao vivo, e comunicarei aqui as prováveis palestras que ele fará na STB.

Pra finalizar, uma foto com a cara do cara, pra quem não conhece e nunca visitou o site dele.

Bonito esse chapéu, hein?

- Gabriel Prehn Britto
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› 17 de agosto de 2009

Entre os Mongóis - 11

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Tá, eu sei que isso aqui tá parecendo o blog do Egon. Mas o que eu vou fazer se o cara tá na Mongólia e eu morro de vontade de ir para lá? Eu preciso mostrar o que ele escreve!

Desta vez não é nenhum lugar em especial dentro do país. É “apenas” um post sobre o companheiro das viagens por lá: o jipe. Fotos do site do fabricante do jipão.

Deve funcionar até com vodca

EGON SACOLEJANDO NO JIPE UAZ

Sain bainuu,

Tem gente me perguntando se estou andando de cavalo ou camelo nesta expedicao pelo interior da Mongolia, qual eh o meio de transporte. Utilizamos os valentes jipes russos UAZ - Ulyanovsky Automobilnt Zavoo, fabricados a 700 km de Moscou desde a 2a Guerra Mundial. O modelo continua o mesmo ateh hoje e eh conhecido como “THE BEST OFF-ROAD” em toda a Asia - nao tem Land Rover, Landcruiser ou Bandeirantes para competir, eh bom demais.

Nestas ultimas 6 semanas, a expedicao passou por “estradas”, trilhas, buracos, rios, areia, lama, etc - e os 3 UAZ modelo 2206 seguiram firmes. Eles se parecem com uma kombi, mas sao mais largos e muito altos do chao, 4×4, suspensao com feixes de molas 3 vezes maiores que os do Toyota Bandeirantes e motor entre o motorista e o carona. Se nao pegavam via ignicao/bateria bastava ir na frente e girar uma manivela para partir o motor.

Na verdade, deve funcionar MELHOR com vodca

Levavamos muitas bombonas com agua, combustivel, barracas, mochilas, mantimentos e pecas reserva - seguiamos sempre carregados prontos para as roubadas, afinal o clima na Mongolia eh imprevisivel. E um dos detalhes mais legais eh que eram estofados nas laterais e no teto - nao doia tanto as pancadas nos saltos nas trilhas… hehehe. E haja Dramin. Em cada jipe iamos em 3 ou 4 passageiros. Alias, para os passageiros de tras tambem tinha uma mesinha, acho que eh projetada para as rodadas de vodka…

Atolamos na lama (a ponto das portas nao abrirem mais, de tao fundo). Atolamos em areia. Um UAZ teve o motor fundido. Outro o motor de arranque queimado. Mas nada parava o trio - um rebocava o outro, motor era desmontado completamente no meio do deserto e arrumado aa base de martelada… diversao de marmanjo garantida… hehehe

Bayartai,
Egon

- Gabriel Prehn Britto
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› 13 de agosto de 2009

Entre os Mongóis - 10

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Já imaginou encarar Gengis Khan na Mongólia? O Egon encarou e escreveu pra dizer como foi.

Como de praxe, fotos do Flickr.

Foto: Le Hub (Flickr)

EGON ENCONTRANDO GENGIS KHAN

Sim, ele estah muito vivo e bem, obrigado: em selos, dinheiro e outdoors, eh nome de bar, vodca, cerveja, avenida, restaurante, hotel, etc. Ele eh, na verdade, motivo de orgulho nacional da Mongolia.

Apesar da imagem que outros paises fazem dele (cruel e sanguinario), os habitantes locais reverenciam Gengis Khan por simbolizar forca, unidade, ordem e lei. Quando nasceu, em 1162, os mongois nada mais eram do que uma confederacao de clans rivais. Aos 20 anos recebeu este nome, que significa “ Rei Universal”.

Uniu os mongois sob sua lideranca, cavalgou sobre a China e a Russia. Quando estava voltando para casa, soube do assassinato de seus embaixadores na Asia Central. Voltou-se com furia, marchando sobre o Kasakhistan - onde pessoalmente derramou prata fundida nos olhos do sultao local.

Os mongois eram mestres na guerra psicologica: cidades que se rendiam sem lutar eram poupadas, as que resistiam nao sobrava nada nem ninguem (para induzir a rendicao nas proximas…). E a chave para o sucesso de sua maquina de guerra eram os cavalos e seus arco-e-flecha muito superiores aos dos outros povos (as flechas alcancavam 250m e os rivais apenas 100m). Gengis Khan conquistou da China ateh o Mar Caspio, incluindo boa parte da Russia. Seus filho e neto continuaram sua “obra”, avancando ateh o Egito, Polonia e Hungria. Foi, simplesmente, o maior imperio continuo jah visto na face da terra!

Mas foi um general chines que sentenciou: “Um imperio conquistado sobre o cavalo nao pode ser assim governado…”. E tudo acabou no seculo XIV - para alivio generalizado da Europa, Africa e Japao…

Pois estavamos sacolejando no interior do rustico jipe russo pela estrada quando, inesperadamente, lah esta ele: com cerca de 30 m de altura, sobre seu cavalo, Gengis Khan fitava as estepes sob seu dominio. Toda de aco-inox, polido e brilhando, esta estatua simboliza o orgulho dos habitantes atuais da Mongolia. Imponente e impressionante.

Foto: theOriginalLimey (Flickr)

Descobri que se podia subir no interior do mesmo, chegando ateh a cabeca do cavalo. E lah estava eu, cara-a-cara com Gengis Khan!!! No meio das estepes gramadas a perder de vista, confesso que foi meio magico o momento.

Bayartai,
Egon  www.egonf.com

- Gabriel Prehn Britto
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› 10 de agosto de 2009

Entre os Mongóis - 9

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

A hospitalidade local em mais um relato do Egon na Mongólia. A primeira foto é da maravilhosa Lucie Debelkova. As outras são de outros fotógrafos do Flickr.

Um ger

EGON E OS GERS

Sain bainu (ola, como vai - em mongol),

Por ser essencialmente nomade, estima-se que mais da metade da populacao da Mongolia viva em Gers, aas vezes conhecidos como yurts (palavra de origem russa). Consiste essencialmente em uma tenda de formato circular e teto baixo, arquitetura excelente para resistir aos fortes ventos invernais das estepes. Sao feitos de feltro, com armacao em trelicas de madeira e cobertos com uma lona branca, com a chamine saindo pelo centro (aqui faz -40 C no inverno!). No verao, a parte de baixo eh dobrada para cima, permitindo assim uma boa ventilacao.

Pois eu estava caminhando por entre montanhas e vales gramados de manha cedinho, quando avistei um rebanho de cabras e uns cavalos junto a um Ger, possivelmente de uma familia de nomades. Mas, chegando a uns 300m, os 2 cachorros acoaram e correram em minha direcao - com cara de poucos amigos. Todos Gers tem seus cao-de-guarda, cachorros pretos grandes, maiores que o pastor-alemao, e com cara de brabos. Eu? Bem, apos cristalizar por alguns segundos com o frio da espinha, gritei:

- Nokhoi khorio! (segura os buldogues, em mongol - frase essencial para a sua integridade fisica no interior da Mongolia).

E veio o dono gritando algo para os cachorros (eu acho), e eles pararam, para meu alivio - ufa!

A hospitalidade eh ponto caracteristico da cultura nomade e, entrando na seguranca do Ger, o dono jah encheu a tigela e me deu, para tomar como drinque de boas-vindas, o airag - leite de egua fermentado (tem uns 3% de alcool). E tomei tu-di-nho…

Foto: alastairslade (Flickr)

Por dentro, o Ger me pareceu realmente confortavel. A porta de madeira, sempre colocada para o lado sul (considerado auspicioso), era toda pintada de laranja, com desenhos geometricos coloridos. No lado oposto estah um pequeno altar budista, inclusive com a imagem de Dalai-Lama. A parte da esquerda eh da mulher, com objetos da cozinha e carne seca pendurada (para o inverno), sendo que o fogao ocupa a parte central do Ger - o fogo eh considerado sagrado. Tudo muito simples, minimalista como devem ser os bens materiais de nomades.

Foto: Arriving at the horizon (Flickr)

Papo vai e papo vem, em mimiquez, entendi que vivem ali criando cabras - cavalos sao para o leite e o transporte. A filha pequena soh me entreolhava, desconfiada, das cobertas…

E assim tomei meu cafe-da-manha: queijo de leite de cabra (amargo e duro como pedra), mais airag (jah estou ateh gostando, hehehe…) e buuz (parece com enormes capeletes, recheados com carne ?, mergulhados em chah de leite de cabra salgado). Hmmmmm…

Retruibui a hospitalidade com as barras de chocolate (era o que eu tinha na mochila) e, entre muitos sorrisos, me despedi da familia (nokhoi khorio!).

Bayartai,
Egon   www.egonf.com

PS.: Em alguns dias eu tive a oportunidade de dormir em Gers: dormi bem e profundamente. Dizem que devido aa sua forma redonda, nao tem cantos, o mesmo nao acumula energias negativas. Desta maneira, dormir em um Ger rapidamente remove a agitacao das pessoas…

PS2.: A paisagem aqui na Mongolia eh, principalmente, de campos e coxilhas. Em uma visao romantica, dizem que os Gers sao como perolas brancas colocadas sobre um tecido de seda verde…

Foto: n0madical (Flickr)

- Gabriel Prehn Britto
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› 7 de agosto de 2009

Entre os Mongóis - 8

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

A vontade de conhecer a Mongólia aumenta a cada e-mail do Egon. Fotos do Flickr.

Foto: Gimbo (Flickr)

EGON NO INCRÍVEL LAGO KHOVSGOL NUUR (Siberia)

Sain bainu (olah, como vai - em mongol)!

O Lago Khovsgol Nuur fica no extremo norte da Mongolia, junto aa divisa com a Siberia/Russia. Eh uma entrada do territorio mongol dentro da Siberia, onde a vegetacao eh formada pela taiga, a floresta  boreal de pinheiros. Na verdade, a maior parte da Siberia pertencia aa Mongolia - incluindo o famoso Lago Baikal, que fica somente a cerca de 100km a leste do Lago Khovsgol Nuur.

Esta regiao eh, possivelmente, a mais bonita do pais. Um lago de agua cristalina (com tom azul-turquesa) e limpissima, em um ambiente alpino da floresta de pinheiros verde-claros, com flores explodindo em cores por entre a grama, ceu azul e montanhas com 3000m de altitude na sua volta. Cena de cartao-postal.

Mas eh frio, mesmo agora no verao. Aa noite a temperatura cai a quase zero, ficando em agradaveis 15 C durante o dia (mas, no inverno, tudo congela com os -50 C…). Aqui o solo eh classificado como “permafrost”, ou seja, o solo estah permanentemente congelado por pelo menos 5m de profundidade.

Com a barraca montada a 3m da agua, acordei com o nascer-do-sol. Jah saih com a maquina fotografica na mao, pois as mudancas de cores do ceu no alvorecer foram espetaculares. E o contraste do encontro da floresta de pinheiros com o lago alpino azul-turquesa, separados apenas por uma estreita faixa de praia de pedrinhas arredondadas brancas eh uma imagem-show, ainda mais com a baixa luz do inicio da manha.

Cheio de energia, subi uma montanha chamada Tsatai Ekh Uul (levei 4 horas para subir os 1000m…). Parecia que eu estava caminhando em um jardim florido, com flores de todas as cores - em alguns momentos o verde da grama desaparecia… E, lah no topo, que visao fantastica: o azul Lago Khovsgol Nuur com seus 140×40km, montanhas (algumas somente de rochedos, outras com a floresta de taiga) cercando o mesmo e, lah ao longe, o pico nevado que faz divisa com a Siberia/Russia. Desci for um desfiladeiro, escorregando ateh 3m a cada passo nas pedras soltas - confesso que foi “meio” emocionante esta descida (o angulo era de 60 graus, talvez 70…). E, apos cerca de 2 horas, cheguei aa beira do lago novamente: me deitei na prainha e dormi pelo menos 30 mim - eu estava exausto.

Quando pretendia reiniciar a caminhada de volta ao acampamento, um enorme arco-iris se formou sobre o lago - cena digna de se guardar na memoria (e fotografar, afinal nao confio muito na minha… hehehe).

Bayartai,
Egon www.egonf.com

PS.: Mas as 3horas restantes de caminhada para chegar ao acampamento foram bem dificieis - nem uma carona com algum nomade a cavalo apareceu. Mas cheguei - foram 14 horas de caminhada puxada, acho que estou meio fora de forma…

PS2.: Suado, nao tive alternativa: me joguei na agua congelante (3 graus), dei umas bracadas e saih rapidinho, tremendo de frio… brrrrrrrr. Me sequei, coloquei roupas limpas, sentei aa beira da fogueira, comi alguma coisa e curti a magia do lugar… e desmaiei de exaustao/sono na barraca!

Foto: gremillot (Flickr)

- Gabriel Prehn Britto

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› 6 de agosto de 2009

Entre os Mongóis - 7

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

E no meio de um dos desertos mais quentes do mundo, o Egon conseguiu encontrar gelo.

Bom, saber. Quando for para lá, levarei uma garrafinha de uísque.

(Foto: www.dailytravelphotos.com - Flickr)

EGON ENCONTRANDO GELO NO DESERTO

Eu estava caminhando dentro de um canion chamado Yolyn An (”Boca do Abutre”, em lingua local), dentro das Montanhas Zuun Saikhan Uul no Deserto de Gobi da Mongolia, quase divisa com a China. Fazia um calor de pelo menos 40 C, mas as paredes eram muito proximas - abertura variando de 50 m a apenas 1 metro! Eu olhava para cima e enxergava somente uma faixa de ceu azul acima das escarpas de ateh 300m de altura. Nos meus pes corria um filete de agua muito fria.

De repente, gelo. Sim, blocos de gelo de mais de 1 metro de altura se esgueirando pelo canion. Na verdade eh neve compactada, remanescente do inverno passado. Como nesta parte do desfiladeiro nao hah incidencia de raios solares, o gelo demora muitos meses para derreter - pois no inverno chega a acumular 20m de altura por mais de 10 km! E tirei foto para comprovar, pois gelo no Deserto de Gobi, um dos locais mais quentes e secos da Terra, parece estoria de pescador…

Montamos as barracas em um desfiladeiro proximo (Khautsgait), aproveitando a rara presenca de uma fonte de agua. As montanhas sao extremamente aridas, com cristas de rochas subindo em todas direcoes - esta regiao eh tambem resultado da colisao da placa tectonica da India com a da Eurasia (pode-se dizer que esta eh uma pre-pre-cordilheira do Himalaia). E se tem agua, lah vou eu: aa beira do pequeno curso dagua, peguei uma tigela de agua congelante e me esbaldei. Lavei a roupa (agua saiu marrom), lavei o cabelo (agua saiu marrom) e lavei o corpo (agua saiu marrom). Lavei tu-di-nho… e bati queixo de frio o tempo todo… brrrrrr. Ateh a barba eu fiz!!!. Renovado geral, nem me reconheci no improvisado espelho amarrado no tripeh (mais uma utilidade para o mesmo… hehehe).

E, no final da tarde (aui isto significa 21-22hs), subi por entre os paredoes de pedra ateh o topo, uns 300m acima do acampamento. E que visao fantastica de 360 graus eu tive lah de cima: as montanhas, os desfiladeiros e as rochas pintadas de laranja do por-do-sol - junto aas planicies secas do Deserto de Gobi.

Bayartai,
Egon

PS.: As mensagens de internet aqui vao de camelo…

PS2.: Tem gente me pedindo imagens - ainda nao tenho technologia para mandar durante a viagem. Se quiserem ver algumas fotinhos da viagem anterior deh uma olhada no sitezinho que estou iniciando: www.egonf.com - tem umas boazinhas.  :)

- Gabriel Prehn Britto
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› 4 de agosto de 2009

Entre os Mongóis - 6

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Fantasmas, sol e lua no novo relato do Egon, diretamente da Mongólia. Foto roubada do Flickr.

Foto: lupus83 (Flickr)

EGON E AS DUNAS DE KHONGORYN ELS

Ao contrario do que se costuma pensar, os desertos do planeta nao sao apenas montes de areia. Aqui no Deserto de Gobi apenas 3% de sua area eh formada de dunas (o Sahara chega a 20%), sendo o resto apenas monotonas planicies de cascalho ou aridas formacoes rochosas.

As dunas de Khongoryn Els sao uma faixa de 100 km de comprimento por 12 km de largura, situadas no sul da Mongolia - junto aa fronteira com a China. Sao as maiores e mais espetaculares dunas de areia do Pais. Me instalei em um Ger (yurt, tenda de feltro branca - tipica dos nomades mongois), tomei o chah de leite salgado de boas-vindas junto com a familia e saih em direcao aas dunas.

A primeira agradavel surpresa foi que, paralelo e quase junto aa base das dunas hah um tapete de grama verde - mantido por um filete de agua corrente que brotava ali proximo. Eh um “rio” de 30cm de largura e que desaparece apos uns 2km. E ali, os nomades sustentam seus rebanhos de cavalos, cabras, ovelhas e camelos - imagine soh a foto: os fortes cavalos mongois pastando em um gramado verdinho, dunas amarelas logo atras e o ceu azul ao fundo (tirei fotos ateh nao poder mais…hehehe).

Mas aih pegou: comecei a subir as dunas e, apos 5 minutos, eu estava exausto. Os pes afundavam e eu quase nao avancava. E sao cerca de 300m de altura! Levei mais de 1 hora para chegar ao topo - jah tendo bebido mais de 1.5 litros da minha preciosa agua (marca: “Miracle of Gobi”…)

E entao, lah em cima, a visao no entardecer era de tirar o folego: um mar de dunas amarelas, o ceu azul e o por-de-sol laranja - simplesmente fantastico!!! Pois eu estou ali, na maior curticao, e comeco a ouvir sons meio fantasmagoricos: Uuuuuuuhhh, uuuuuhhh… Me deu um arrepio na espinha, pois eu estava sozinho ali… brrrrrr…. Fiz de conta de que nao era comigo e continuei a fotografar a impressionante paisagem.

- Uuuuuuhhhhh… (acho que peguei sol demais na cabeca)

- Uuuuuuhhhh… (alguem deve estar me tirando)

- Uuuuuuhhh… (nao, nao escutei isto)

Como o sol jah se pos, comecei a descer (rapidinho sim) - e foi bem facil se comparado com a subida. Uma vez na base das dunas, olho para cima e vejo, jah escurecendo, a grande lua minguante bem no topo - montei o tripeh de novo e nova sessao de fotos… hehehe

Bayartai,
Egon

PS.: Caminhei os ultimos 3km ateh o Ger da familia nomade e contei, em “mimiques”, do fantasma que queria me assustar lah nas dunas. Deram risado do gringo moscao, me explicando que estas dunas sao conhecidas por eles como “duut mankhan” (dunas que cantam). Eh um efeito do vento na crista da duna que emite este som…

- Gabriel Prehn Britto
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› 28 de julho de 2009

Entre os Mongóis - 5

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Egon manda mais notícias da Mongólia. Desta vez, o relato é sobre o deserto de Gobi (que, acabei de descobrir, significa… “deserto”, em mongol).

Foto roubada do Flickr.

Foto: Telepatica (Flickr)

EGON NO DESERTO DE GOBI

Tomando o rumo sul na Mongolia, nos valentes jipes russos, a estepe gramada cede lugar a um deserto pedregoso, com vegetacao rala e escassa. Os Gers (yurts em russo, tendas de feltro que sao as casas dos nomades) tambem se tornavam escassos e os cavalos/ovelhas vao sendo substituidos por cabras/camelos. Seguindo deserto adentro, ateh estes sinais de ocupacao humana passam a ser raros.

Ao longo dos dias, a expedicao avancava (e eu cozinhava nos 42 C dentro do jipe). Na maior parte do tempo, a “planicie plana” nos cercava de fantasminhas da terra assando e miragens de lagos inexistentes. Ossadas no caminho nos davam o alerta: o proximo pode ser voce… Estrada? Que nada, era dirigir no meio do vazio, sem bussola ou GPS - sei lah como os motoras se orientavam.

O Deserto de Gobi, junto aa divisa com a China, cobre 1/3 do territorio da Mongolia e os locais me disseram que foi formado pelo tanto cavalgar e pisotear das tropas de Gengis Khan nas suas conquistas… (cientistas afirmam, porem, que a bacia do Gobi foi um grande lago interior hah milhoes de anos). Aqui as temperaturas variam de 50 C no verao para -40 C no inverno (sim, muuuuuuito frio).

Em um final de tarde, quando terminavamos de montar as barracas, um paredao de poh e areia laranjas e nuvens cinzas vinham rapido em nossa direcao. Assim que terminei a minha, soh deu tempo de jogar as mochilas lah dentro e entrar. Segundos depois a tempestade de areia nos atingiu e soh escutei os gritos do meu vizinho, entre as trovoadas e o zunido do vento. Espiei pelo fecho e a cena era hilaria: a barraca dele, com mochilas e tudo, estava rolando deserto afora e o ingles corria desesperado atras da mesma… hehehe. Enquanto isso, coloquei todo o meu peso do lado do vento para evitar que eu seja o proximo!!

Bayartai (ateh logo, em mongol),

Egon

PS.: Nao, nao saih voando nao… Mas a noite foi meio tenebrosa, pois relampejava sem parar - tive a sensacao de que as trovoadas e os raios passavam a poucos metros da barraca… Chuva? Acho que soh 3 gotas cairam na barraca, afinal este eh o famoso Deserto de Gobi.

- Gabriel Prehn Britto
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