Merda acontece

› 3 de junho de 2011

Wear sunscreen

Bogotá é a 3ª capital mais alta da América do Sul. Ela está 2640 metros acima do nível do mar.

Além de todas aquelas coisas que atrapalham os times de futebol brasileiros em jogos por lá (falta de ar, dor de cabeça, enjoos), essa altitude elevada também traz um problema que eu desconhecia até a última viagem: o alto índice de raios UV.

Juan Diego Velasco (CC BY-NC-SA 2.0)

Se você presta um mínimo de atenção no mundo, sabe que os raios UV são os piores vilões do sol. São eles que queimam, causam câncer de pele e coisa e tal.

Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, a intensidade dos raios UV aumenta 6% a cada 1000 metros acima do mar. Isso significa que, em Bogotá, eles são quase 16% mais fortes do que em uma cidade na mesma latitude, ao nível do mar.

Em português compreensível: não dá para dar mole, magrão.

Veja a previsão de intensidade da radiação nos próximos 8 dias na cidade:

http://www.weatheronline.co.uk

http://www.weatheronline.co.uk

Agora veja o que significa um nível 10, segundo a Organização Mundial de Saúde:

http://www.saude.sp.gov.br/content/previsao_indice_uv.mmp

Em índices assim, a recomendação é “evitar o sol em horários próximos do meio-dia, permanecer na sombra e usar camisa, boné e protetor.”

Eu ignorava esse aviso e senti na pele a minha desinformação. Acabei tomando um torrão na careca que me fez descascar feito um velho caspento.

Então fica a dica: uso filtro solar quando for a Bogotá (ou a qualquer outro lugar alto).

- Gabriel Prehn Britto
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› 5 de janeiro de 2011

Se ficar o zumbi come

Aconteceu.

Por motivos até este momento desconhecidos, os mortos se levantaram de suas tumbas e saíram pelas cidades, famintos, em busca de cérebros humanos.

É o apocalipse zumbi.

Photo: James Calder (Flickr)

O que fazer agora?

Além de todas as recomendações básicas (se você ainda não sabe quais são, leia, sua existência depende disso) também existem duas saídas pouco divulgadas: o aeroporto e o mar.

Mas para onde ir? Quais cantos do mundo são mais seguros contra o ataque destes seres que dançam Thriller?

E em quais lugares você não deve nem pensar em colocar os pés, porque certamente já estão tomados por zumbis?

Photo: Michael Caroe Andersen (Flickr)

Photo: Ollie T. (Flickr)

Comecemos com onde você NÃO DEVE IR.

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1) Haiti, República Dominicana e qualquer lugar do Caribe e do México

Photo: Eyeline Imagery (Flickr)

Não seja besta. O Haiti é a terra do zumbis, a verdadeira Zumbilândia.

O vodu é a religião mais praticada por lá e eram justamente os feiticeiros vodus que, até agora, tinham o poder de reanimar os mortos. A República Dominicana fica na mesma ilha do Haiti e é tão perigosa quanto. Fuja.

Aliás, fuja de qualquer lugar no Caribe e no México. Nunca se sabe se algum feiticeiro vodu já andou por ali reanimando uns cadáveres.

Photo: Christian y Sergio Velasco

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2) Estados Unidos

Photo: jmm (Flickr)

EUA? Você enlouqueceu? Salvo poucas exceções, os maiores (e mais verdadeiros) filmes de zumbis acontecem nos EUA: A Noite dos Mortos-Vivos, O Dia dos Mortos, A Madrugada dos Mortos, Resident Evil, et cetera.

Photo: Cory Doctorow (Flickr) / Painting: Grayson Coffee

Apesar do país ser gigantesco, mais cedo ou mais tarde eles vão encontrar você. Principalmente se você for para alguma cidade grande ou algum dos estados do sul, onde o vodu também é praticado.

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3) Europa, Ásia e África

Photo: jasohill (Flickr)

Esqueça estes continentes. Eles são habitados há milênios e já passaram por uma pá de guerras. O que tem de morto lá não é brincadeira, meu amigo. Certamente já estão tomados por zumbis.

Photo: Philippe Leroyer (Flickr)

Photo: lush-design (Flickr)

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5) Argentina

Desde aqueles 4 X 0 para a seleção alemã na África do Sul, a Argentina tem 40 milhões de zumbis vagando pelas ruas. Esqueça. Você nunca mais vai comer alfajores na sua vida.

Photo: Sebastian Dario (Flickr)

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Agora vamos aos lugares para onde você DEVE IR.

Ilhas são os locais mais indicados. A princípio, zumbis não nadam nem pilotam barcos. Mas quem garante que eles não vão aprender? Por isso também vale a dica: quanto mais longe da costa, melhor.

Photo: M. V. Jantzen (Flickr)

Procure lugares isolados e nunca antes habitados, para evitar que haja pessoas sepultadas.

Se não encontrar nada assim, escolha destinos com poucos habitantes e cemitérios pequenos. Com boa pontaria e munição suficiente, você consegue dar conta de algumas dezenas de zumbis.

Photo: Zanthia (Flickr)

Importante: sua ilha precisa ter solo fértil ou abundância de peixes. Você vai ter que passar o resto da vida ali. É fundamental ter comida.

Vamos aos locais que encontrei:

1) Ilha Pirâmide de Ball

Photo: Fanny Schertzer (commons.wikimedia.org)

Coloco a mão carcomida de um zumbi no fogo: a ilha Pirâmide de Ball é o refúgio mais UAU! para os sobreviventes.

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Ela fica longe de tudo, entre a Austrália e a Nova Zelândia. Hoje, esta pedra gigantesca é um parque natural protegido pelo governo australiano, que não permite desembarcar ali.

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2) Ilha Foula

Photo: c41um (Flickr)

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Apesar de ser bastante gelada no inverno (fica no norte da Escócia), Foula é uma ótima opção. É linda, tem solo fértil e até abrigo, já que é habitada por mais ou menos 30 pessoas (don’t worry, vocês darão conta dos zumbis).

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3) Ilha Pitcairn

Photo: M J Patterson (Flickr)

Já pensou viver em paz e sem zumbis em plena Polinésia? Então voe para a ilha Pitcairn.

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Sol, céu azul, isolamento total e apenas 50 habitantes.

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4) Ilhas Palmyra

Photo: U.S. Fish & Wildlife Service Pacific Region's (Flickr)

Photo: U.S. Fish & Wildlife Service Pacific Region's (Flickr)

Mais uma opção para quem gosta de calor, sol e solidão. Fica entre o Havaí e a Samoa Americana.

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Tem até pista de pouso, construída pelo governo americano durante a Segunda Guerra e nunca foi habitada. Perfeita.

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5) Sealand

Sealand é uma nação fictícia criada por um inglês excêntrico em uma base naval britânica a 10 km da costa do país.

Photo: Casey Hussein Bisson (Flickr)

Não é exatamente um destino bonito, mas certamente é o mais seguro: é isolado e bem acima do nível do mar, mesmo que os zumbis aprendam a nadar, também terão que aprender a levar escadas.

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Nunca teve cemitérios e a população é de 20 malucos.

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6) Ilha Bouvet

Photo: Carl Chun (commons.wikimedia.org)

Em um apocalipse zumbi ninguém tem muito tempo para escolher onde se refugiar. Por isso não reclame se o único lugar que você conseguir for a ilha Bouvet.

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Em certos aspectos ela é perfeita: é considerada a ilha mais remota do mundo e totalmente desabitada. Mas é coberta de gelo e fria como a Antártida. Leve um casaco.

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7) Ilhas Trindade e Martin Vaz

Photo: john.vergari (commons.wikimedia.org)

Ótimas opções e as mais próximas da costa brasileira. Ficam a 1200 km de Vitória (ES) e são separadas por 48 km de mar entre elas.

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Lado negativo: existem 32 militares vivendo por lá.

Sabe como é: trinta homens no meio de uma ilha. Talvez você tenha que fazer favores para ser aceito/aceita. Melhor que ser comido por zumbis, não?

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8 ) Ilha Nova Amsterdã

Para os amantes da França, uma ilha isolada que faz parte do país.

Ilha Nova Amsterdã

A Ilha Nova Amsterdã (ou apenas Île Amsterdam) fica no Oceano Índico. É desabitada e tem solo bom para fazer a sua horta. Se bobear, você até planta umas uvas para fazer vinho e comemorar a sobrevivência em grande estilo.

Ilha Nova Amsterdã

http://commons.wikimedia.org

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Pronto. As dicas foram dadas. Agora salve a sua vida.

- Gabriel Prehn Britto
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› 21 de dezembro de 2010

Fogo de chão

Em um belo dia de 1971, geólogos soviéticos procuravam depósitos de gás natural nos desertos da Ásia Central, quando encontraram o que queriam.

Pena que não foi exatamente como planejaram.

Photo: flydime (Flickr)

O depósito de gás natural encontrado desmoronou de repente e virou um buraco de 70 metros de diâmetro por 20 metros de profundidade, jogando um monte de gás venenoso na atmosfera.

Sem ter como controlar aquele megavazamento os soviéticos não tiveram dúvida: tocaram fogo no buracão.

Photo: flydime (Flickr)

Photo: flydime (Flickr)

Eles achavam que o gás e o fogo acabariam em questão de dias, mas o que aconteceu foi que ele continou queimando, queimando, queimando.

E continua até hoje, quase 40 anos depois.

Photo: flydime (Flickr)

Se você for ao Turcomenistão, pode ver de perto esse buraco que se chama Darvaza e também é conhecido pela alcunha de Porta do Inferno.

Wikipedia

- Gabriel Prehn Britto
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› 6 de novembro de 2010

Unidas (ou Desorganizadas?)

Aterrissei em Belo Horizonte às 22h45 da sexta-feira do feriadão de Finados, cansado, louco para pegar meu carro (reservado quase um mês antes) e ir logo para o hotel. Mas quando cheguei no balcão da locadora Unidas, encontrei aproximadamente 7 pessoas desejando o mesmo na minha frente e apenas uma pobre funcionária atendendo a todos.

Prazer, meu nome é Unidas

Todo mundo sabe que feriadão pede planejamento. Qualquer adolescente indo para a praia sabe que a procura por turismo aumenta nestes dias. Todo mundo sabe disso e eu não preciso repetir.

Agora me diga: se você, pessoa física, assalariado ou estudante, consegue se programar para evitar qualquer chatisse causada pelo excesso de procura, por que uma empresa que trabalha com aluguel de carros, um dos setores mais procurados em feriadões, não consegue?

Unidas em uma só

Saí do aeroporto com o meu carro somente às 0h45. Foram exatamente duas horas de fila e burocracia. Mas, pensando bem, nem posso reclamar: o senhor que chegou logo depois de mim foi simplesmente avisado de que o balcão estava fechado e que ele ficaria sem carro, mesmo que o atraso tivesse sido causado pelo seu voo. Nem fiquei para ver no que aquilo ia dar. Fiquei com medo de que acabasse em sangue e fui embora.

Duas horas. É melhor você planejar esse tempo de espera quando for alugar seu carro com a Unidas em um feriadão. Porque, pelo que eu percebi, não dá para confiar que ela vá se planejar.

- Gabriel Prehn Britto

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› 7 de outubro de 2010

Nem Mãe Dinah salva

Durante um ano você planejou tudo. Foram 12 meses divididos entre o trabalho e os planos de férias. Cada hotel foi checado em todos os sites de opiniões. Os trajetos foram vistos e revistos, e o tempo de viagem entre cada cidade está anotado naquele caderninho comprado especialmente para isso. Você sabe a duração de cada voo, os documentos necessários para entrar em cada lugar, quais atrações você vai ver e os porquês, reduzindo ao nada as chances qualquer movimento sair dos seus planos.

É chato dizer isso, mas… desista: algo vai dar errado.

Ooops!

Não estou agourando a sua viagem. Está certo que as minhas próximas férias devem ser a partir de julho de 2011, mas eu não sou tão invejoso assim.

Escrevo apenas por experiência própria: mesmo com planejamentos que beiram a neurose, nunca enfrentei uma aventura que não tivesse ao menos um imprevisto.

Eu vi isso.

Já fiquei em hoteis vagabundos que, na internet, pareciam decentes; perdi uma grana em euros pagando primeira classe de trem porque era feriado e não havia mais passagens baratas; fiz viagem noturna em ônibus cujas poltronas não reclinavam; tive que procurar hotel novo às 6h da manhã, porque o hotel velho não tinha feito a minha reserva; mudei o roteiro em cima da hora porque enjoei da região; perdi horas de viagem por que os horários de trens na internet não estavam atualizados; enfim, um mundo de roubadas.

Vamos cantar, gente?

E o que fazer nessas horas? Relaxar, respirar fundo e procurar a melhor saída para a situação.

O hotel era um lixo? Pense em quantas noites você vai ter que dormir ali e, se concluir que não vai dar para aguentar, encare a busca por outro como uma aventura extra.

Sobrou apenas a caríssima primeira classe no trem? Coloque no cartão ou mude de planos. Veja o que tem de bonito ao redor de onde você está e decida.

Gostosa

O importante é lembrar de duas regrinhas básicas: (1) você está de férias e não vale a pena se irritar; (2) tudo vira história para contar no futuro.

O imprevisto também deve estar previsto nos seus planos.

- Gabriel Prehn Britto
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› 17 de abril de 2010

Quando a viagem vira cinzas (de vulcão)

Para os viajantes que não entenderam por que os aviões não podem sair do chão quando existe fumaça de vulcão no ar, uma brevíssima explicação que pesquei do Telegraph:

“Cinzas vulcânicas, que consistem em rocha e vidro pulverizado pelas erupções, podem danificar os motores dos aviões se eles entrarem na nuvem, causando o desligamento dos aparelhos. As cinzas também podem ser sugadas para dentro da cabine, contaminando o ambiente dos passageiros e danificando o sistema elétrico do avião.”

MÊ-DÔ!

Aqui embaixo, alguns exemplos de situações de perigo vividas em encontros de aviões com fumaça de vulcões:

“Em 1989, um Boeing 747 da KLM entrou na nuvem de fumaça do vulcão Redoubt, no Alasca, e perdeu toda a sua potência, caindo de 7,5 mil para 3,6 mil quilômetros de altura, antes que a equipe conseguisse religar os motores. O avião pousou com segurança.”

“Nos anos 80, um 747 da British Airways entrou em uma nuvem de cinzas que grudou na janela da cabine. O piloto teve que colocar a cabeça para fora por uma janela lateral para pousar em segurança.”

Quer que eu desenhe?

E para terminar, uma boa notícia:

“O Instituto de Pesquisas Geológicas dos EUA dizem que, entre 1983 e 2000, já ocorreram aproximadamente 100 encontros de aviões com cinzas vulcânicas. Em alguns casos, os motores pararam por algum tempo depois do encontro, mas não aconteceram acidentes fatais.”

Captou?

- Gabriel Prehn Britto
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› 1 de abril de 2010

Adeus, Iugoslávia

R.I.P. Iugoslávia

Na última quarta-feira, dia 30 de março, o derradeiro vestígio do país que um dia foi chamado de Iugoslávia sumiu do mapa.

Ou melhor, sumiu da rede.

O domínio .yu, destinado aos sites hospedados no ex-país do carniceiro Milošević, foi oficialmente tirado do ar pela Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números (Icann, em inglês), a entidade que cuida de todos os domínios de países (e que, certa vez, provavelmente em uma piada de um funcionário brasileiro, resolveu dar a Cuba o domínio .cu).

El cu es nuestro! (Foto: filsinger - Flickr)

Para quem nasceu a partir de 90 e matou algumas aulas de História, a Iugoslávia era formada por Eslovênia, Croácia, Macedônia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Sérvia. Depois de muita guerra, ficou apenas com sérvios e montenegrinos, que, por sua vez, sepultaram o nome original ao virarem o país chamado Sérvia e Montenegro, em 2003.

Em 2006, eles foram oficialmente separados, dando lugar a dois países independentes, cujos domínios na internet agora são .me (de Montenegro) e .rs (da Sérvia, para a provável revolta dos gaúchos).

Isso sem falar em Kosovo, que segue numa pendenga internacional, tentando se livrar dos sérvios e também ficar independentes.

Não é todo mundo que tem a oportunidade de acompanhar o tiro de misericórdia em um país. Muito menos acompanhar o primeiro domínio nacional a deixar de existir (me corrijam se eu estiver errado, por favor). Então, não sei para você, mas, para mim, 30 de março de 2010 foi um dia histórico.

Para comemorar o acontecimento, fiquei aí com a foto da última Miss Iugoslávia (2002), Ana Šargić.

Ana Šargić, a última Miss Iugoslávia (2002)

- Gabriel Prehn Britto
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› 8 de março de 2010

Onde passar o fim do mundo?

Não preciso repetir os grandes desastres que aconteceram nos últimos anos no nosso rico planetinha, né?

Também não preciso explicar toda a lenda de que este rico planetinha vai pro beleléu no finalzinho de 2012, certo?

Agora pense em todas estas coisas que eu não precisei repetir e explicar e decida: você acha que o mundo vai acabar em breve?

D'ho!

Eu estou, gradualmente, entrando para o time dos que acreditam que, sim, vamos todos virar pó no fim do calendário maia.

Por um lado fico bem triste com isso, afinal, em quase 35 meses (e 90 dias de férias, portanto) não conseguirei conhecer nem um micronésimo dos lugares que cobiço nesta vida de viajante.

Por outro lado fico muito feliz. Um fim de mundo assim, avisado com tamanha antecedência, deve ser algo raro na história dos mundos. Pense bem: poderíamos ser atingidos por um asteróide descoberto poucas semanas antes de bater na Terra, o que não nos daria muito tempo para planejar uma morte em grande estilo. Poderia ser um Ahmadinejad apertando o botão de lançamento da sua bomba atômica, o que nos daria apenas algumas horas para procurar um camarote onde assistir ao grand finale.

O botão

Mas não. Nós somos sortudos como ninguém jamais foi. Teremos mais de 30 meses para decidir onde estaremos no fatídico 21/12/2012. E este é motivo deste post: dar dicas aos viajantes sobre onde assistir ao apocalipse para fazer as reservas logo. Porque se na virada de 2000 para 2001 já foi difícil arranjar vaga em hotel, no fim do mundo vai ser um caos.

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NOVA YORK

Não tenho dúvidas de que não haverá lugar mais grandioso no armagedom do que a Big Apple. Afinal, uma média de 9 entre 10 filmes sobre o assunto devem se passar por lá e Hollywood não pode estar tão errada.

Como será dezembro, não recomendo que você espere a catástrofe fazendo um bucólico piquenique no Central Park. Você correria o risco de morrer de frio antes da cena final.

Pelo menos o piquenique não vai ter formigas

Lugares não faltam: a loja da Apple, o alto do Empire State Building, a ponte do Brooklyn e muitos outros. Mas eu tenho algumas sugestões melhores.

Jingle bells

A Times Square ou junto da árvore do Rockfeller Center são boas pedidas. A decoração para o último Natal certamente será exuberante e você pode morrer em meio a um lindo festival de luzes coloridas.

Saque na Saks

Para consumistas inveterados, nada melhor do que a 5a Avenida, em frente às vitrines da Macy’s ou da Saks. Se der sorte, você pode até participar de um saque às duas lojas e morrer cheio de sacolas. Seria a glória para um brasileiro.

Mas minha sugestão preferida é mais cinematográfica. Vá para qualquer lugar de onde você tenha uma belíssima visão da Estátua da Liberdade. Depois, prepare-se para assistir, ao vivo e a cores, à cena clássica do monumento sendo destruído, a mesma cena repetida nos 9 entre 10 filmes de fim de mundo.

Clássico

Nossa, isso seria inesquecível se não fôssemos morrer logo em seguida.

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KIRIBATI

Levando em consideração que o dia 21/12/2012 foi previsto pelo calendário maia, que os maias viviam entre México e Guatemala e que o fuso horário lá é GMT-6, que tal ganhar um dia a mais de vida e enganar todas as previsões, morrendo apenas no dia 22/12/2012?

Gostou? Então reserve já seu lugar em algum hotel charmoso em Kiribati.

Kiribati (Foto: DS355 - Flickr)

A pequena república formada por 32 atois fica na borda da Linha da Data (fuso horário GMT+12) e é o primeiro lugar do mundo a ver o sol nascer.

Quem chega primeiro é o dono

Ou seja: enquanto o dia do juízo final estiver surgindo na região dos maias, você já estará na madrugada do dia seguinte. E até o final do fatídico 21 de dezembro no México, você terá aproveitado mais o dia 22 inteiro na beira das belíssimas praias da Polinésia. Vai ser como ter um dia a mais em um feriadão.

Dica de amigo: procure ficar hospedado na ilha de Kirimati, onde o dia chega primeiro nas Kiribati. Alguns minutos a mais de vida não fazem mal, né?

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USHUAIA

“El fin del mundo”. É assim que os próprios fueguinos definem sua querida Ushuaia, a cidade mais austral do nosso morimbundo planeta.

Foto: grace3737 - Flickr

Nunca fui, mas pelas fotos que vejo, dá para perceber que Ushuaia foi feita para quem quer assistir à catástrofe sem perder o charme a elegância. Além do apelido premonitório, a capital da Patagônia Argentina é uma cidadezinha linda, bucólica, com casinhas coloridas, barcos, bosques, cafés deliciosos, parrillas, doce de leite, alfajores Havanna, tango e dólar baixo, encravada entre belíssimas montanhas nevadas e o mar que a separa da Antártida.

Que belo lugar para morrer (Foto: bridgepix - Flickr)

Além de dar um toque de beleza ao derradeiro adeus da humanidade, Ushuaia ainda deve brindar seus visitantes com uma morte quase indolor.

Como fica entre o mar e as montanhas, você provavelmente será levado pelo tsunami gigante até as enormes paredes da Cordilheira dos Andes, sendo esmagado contra as pedras pela pressão do enorme volume de água. Porém, com a temperatura da água do Canal de Beagle entre 0ºC e 4ºC, você provavelmente não vai sentir dor, já que seu corpo estará amortecido pelo frio.

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TIMBUCTU

Oficial e geograficamente, o fim do mundo é Ushuaia. Mas psicologicamente, é Timbuctu, no Mali.

É longe

A cidade foi um centro comercial importantíssimo entre os séculos XV e XVI, onde mercadores se encontravam para fazer business e trocar camelos. Também foi o local de uma das primeiras universidades do mundo e suas contribuições para a História, o mundo islâmico e a arquitetura são reconhecidas até hoje como patrimônio da humanidade.

Melhores roupas para morrer

Não gostou? Pense duas vezes. Nesta vida, o importante não é “ser”, mas, sim, “parecer ser”. Então, nada é mais Revista Caras do que virar pó no lugar que todo mundo acha que é o mais distante e remoto do planeta.

Sub

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IRAQUE

Parece bizarro ver o apocalipse no Iraque. Mas se você acredita no que diz a Bíblia, viver este dia por lá é como apreciar o fim do mundo no lugar onde ele começou: o Jardim do Éden.

Todo mundo peladão na terra do Saddam

A localização do parque de diversões de Adão e Eva não é bem definido, porque Deus não deixou as coordenadas muito claras, apenas deu a pista de 4 rios e deixou o mistério para que nós resolvêssemos. Pelo que pesquisei na web, a teoria mais forte é a de que o Paraíso ficava entre os rios Tigre e Eufrates, bem no meio do Iraque.

Ali, no meio das linhas azuis

Talvez as coisas mudem nestes 30 meses. Mas a julgar pela situação atual, Bagdá e adjacências não parecem ser os locais mais seguros para o grande momento. Se bobear, você explode antes da Terra e não vê nada dos instantes finais da humanidade.

Sugiro que você vá para o Curdistão iraquiano, no norte do país, onde a paz reina e dá até para encher a cara de álcool. Tá certo que você não vai estar exatamente entre o Tigre e o Eufrates, mas pelo menos não correrá tantos riscos de morrer antes da hora e, mesmo assim, estará a apenas algumas centenas de quilômetros do berço da humanidade, segundo a Bíblia.

Curdistão. Sim, isso é Iraque (Foto: Kurdistan KURD - Flickr)

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ETIÓPIA

Se a menção à Bíblia fez seus cabelos de ateu convicto se arrepiarem, a pedida é ver o fim do mundo no lugar onde a ciência diz que a humanidade começou: na Etiópia.

Foi lá que arqueólogos encontraram os dois fósseis de hominídeos considerados os mais antigos até hoje. Lucy, a mais famosa, viveu há 3,2 milhões de anos e teria essa carinha de anjo aí embaixo.

Lucy in the sky

Ardi viveu bem antes, há 4,4 milhões de anos, mas ainda sofre desconfiança de cientistas que dizem que ele não é ligado aos nossos ancestrais.

Quem veio primeiro, não importa. Ambos foram encontrados na Etiópia que, além do significado científico, ainda tem outros atrativos para apreciar o fim de tudo.

Em Lalibela (Foto: Egon Filter - http://www.egonf.com)

Lalibela, as tribos do rio Omo, o Nilo Azul, montanhas cheias de espécies exóticas, tudo isso pode fazer parte do seu bye-bye-so-long. E se der sorte e pegar terremotos realmente grandes, você ainda pode ver a criação de um novo oceano, quando a fenda de Afar se abrir definitivamente, separando o Chifre da África do continente.

A fenda de Afar (Foto: http://www.apolo11.com)

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Para finalizar, uma dica básica que vale repetir sempre: evite marcar voos para o dia 20 de dezembro de 2012. Tente uma folga no trabalho e saia alguns dias antes.

Os aeroportos costumam parecer o fim do mundo em datas especiais.

Deus nos acuda

- Gabriel Prehn Britto
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› 1 de março de 2010

As lições dos Griswolds*

Em meio a tantos terremotos, maremotos (a.k.a. tsunami) e coisa e tal, pesquei rapidamente algumas dicas para os viajantes que são surpreendidos por alguma catástrofe natural no meio das férias.

Férias Frustradas, um clássico

Em palavras do Ministério das Relações Exteriores:

“Em situações inesperadas, como desastres, catástrofes naturais, atentados, conflitos armados e revoluções, é de grande importância que o nacional entre em contato o mais cedo possível com autoridades consulares brasileiras a fim de solicitar orientação. É importante lembrar, entretanto, que nem os Consulados nem as Embaixadas do Brasil poderão alojar em seu interior cidadãos brasileiros.”

Em palavras compiladas pela internet, para antes de viajar:

“Faça uma pesquisa aprofundada sobre o país para o qual está indo - descubra alertas de viagem, problemas de segurança, acesso à Internet, informação sobre moeda e câmbio e leis e costumes locais.

“Deixe uma cópia do seu plano de viagem com algum familiar. Isso pode ajudar pessoas a encontrá-lo na ocorrência de uma emergência ou crise durante sua viagem.”

“Faça um seguro viagem internacional, para o caso de necessitar de cuidados médicos lá fora.”

Em palavras minhas:

-Não tente se virar sozinho nem tente bancar o machão. Você é forasteiro e não conhece lhufas por ali. Siga as instruções do hotel e/ou das autoridades.

- De qualquer maneira, pense que, se você sair vivo, aquilo vai ser uma experiência única. Viajar é bom até quando dá errado.

*NOTA: Não sabe quem são os Griswolds? Clique aqui e lembre.

- Gabriel Prehn Britto
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› 26 de fevereiro de 2010

Mala suerte

No início bate um medão. Você está em um país estranho. Aquela esteira, que há pouco tempo estava repleta de malas, começa a ficar vazia e, de repente, para sem trazer sua bagagem. Você olha ao redor para ver se está na esteira certa, confirma que está, olha para os lados e não vê nem sinal da sua fiel companheira cheia de roupas.

Sim, a companhia aérea perdeu sua mala.

Jack, Kate, Sawyer, Ben, Locke, Rodrigo Santoro e a sua mala

Na verdade, ela provavelmente não perdeu, apenas colocou em um voo errado ou simplesmente esqueceu de colocar no seu voo naquela conexão anterior. Mesmo assim, na melhor das hipóteses, você vai levar um dia para recebê-la de volta. Levando em consideração que você já está há umas 24 horas com a mesma roupa, a mesma cueca/calcinha e as mesmas meias, isso é péssimo.

Respire fundo e relaxe, porque você não está sozinho. Segundo a Comissão Europeia dos Transportes, 90 mil malas são extraviadas por dia. Ou seja: se você fizer uma viagem de dois dias (tipo Porto Alegre - Bangcoc) você tem 180 mil chances de perder a bagagem.

(Tá, matematicamente não é bem isso, mas eu preciso criar um clima de medo para o que vem a seguir.)

Destas 90 mil, 30 nunca mais voltam para seus donos.

Graças a Alá, nunca passei por esta situação radical de nunca mais ver minha malinha, mas já passei pelo susto descrito ali no primeiro parágrafo. Foi no Marrocos. Desembarquei em Casablanca e fui para Marrakesh no mesmo dia. Passei um dia inteiro me sentindo podre, mas tudo terminou bem, apesar da podríssima Iberia ter me feito pagar um táxi até o aeroporto da cidade para pegar minhas coisas, ao invés de levá-las até o meu hotel.

Foi bom. Aprendi várias lições com aquela experiência e vivenciei outras que já tinha escutado:

- A regra básica de levar uma muda de roupa na bagagem de mão;

- Viajar de óculos, nunca com as lentes de contato;

- Colocar identificação fora e dentro das malas (a de dentro em cima de todas as roupas);

- Dividir o conteúdo das malas com alguém que for viajar com você (se perderem uma, ambos ainda terão roupas);

- Saber descrever as características das malas (isso é solicitado no guichê de bagagem extraviada do aeroporto);

- Ter à mão endereços de todos os hotéis da viagem, para o caso das malas demorarem mais tempo para chegar;

- Na volta, colocar os cartões de memória da máquina fotográfica sempre na bagagem de mão.

- Anotar todos os gastos causados pelo extravio, guardando notas fiscais, para que possam ser ressarcidos pela companhia aérea.

- Manter a calma, porque não há nada que possa ser feito e qualquer chilique só vai estragar a sua viagem. Deixe para execrar a companhia aérea depois.

My sweet love (Foto: wooferSTL - Flickr)

- Gabriel Prehn Britto
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