Israel

› 1 de setembro de 2009

Uma viagem terrível

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Hoje, no aniversário de 70 anos do início da Segunda Guerra Mundial, me vieram à cabeça minhas duas visitas a Auschwitz, na Polônia. Na primeira, fui para conhecer Cracóvia e o campo de concentração. Na segunda, fui acompanhando meus pais, que estavam me visitando em Praga.

Em ambas voltei chocado com o lugar. E acabei colocando o meu choque em um texto que foi publicado no saudoso Cardosonline, o melhor fanzine por e-mail da história da internet.

Graças ao Cardoso, editor do COL, todos os textos ainda estão disponíveis para leitura. Então fui lá e encontrei o meu, publicado na edição 213, distribuída na segunda-feira, 13 de novembro de 2000.

Por favor, desconsidere a quantidade exorbitante de pontos-finais. Cacoete de redator publicitário metido a besta e em início de carreira.

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EU VI O INFERNO

Acabei de voltar de quatro dias em Cracóvia. Pra quem não sabe, fica no sul da Polônia. Cracow em inglês, Cracovie em francês e Kraków em polonês. Procure naquele atlas do colégio. Perto dela fica a cidade de Oswiecim. Um nome impossível de pronunciar do jeito certo, já que os poloneses conseguiram ter uma língua pior que os tchecos.

É terrível que essa cidade não seja conhecida pelo nome original, mas pelo nome alemão: Auschwitz. Acho isso muito estranho, esse lance de uma cidade ter um nome original e outro completamente diferente em outra língua. Geralmente acontece com rios, como o Vltava que corta Praga, chamado pelos alemães de Moldava, ou o Wisla, em Cracóvia, também chamado de Vistula. Ora, se um gringo chegar em Praga e procurar uma plaquinha indicando o rio Moldava, não vai achar nunca. Mas Auschwitz todo mundo encontra, não importa em que língua peça informação.

Aproveitei que ficava a uma hora de trem de Cracóvia e fui ver com meus próprios olhos. Foi a viagem mais terrível que já fiz na vida. Culturalmente falando, foi sensacional, inesquecível. Mas humanamente falando, me deixou acabado. Se eu já não acreditava na humanidade, agora fudeu tudo de vez.

O antigo campo de concentração de Auschwitz é um lugar que todo mundo deveria visitar, só pra ver a que nível o ser humano é capaz de chegar em nome da ganância e do poder. É muito baixo. Deprimente. Nojento. Absurdo. Triste. No colégio a gente aprende que Auschwitz foi um horror, o pior exemplo de desrespeito ao ser humano de toda a história. O cinema vive mostrando isso. Os livros tentam dizer como era terrível. Mas chegando lá a gente percebe que foi muito pior. Muito, muito pior. Um lugar onde os seres humanos eram tratados como nem os bichos devem ser.

Pessoas serviam de ratos de laboratórios. Tinham bactérias, produtos químicos e venenos injetados nos seus corpos só pra terem suas reações analisadas. Tinham pedaços dos seus cérebros retirados e eram esterilizados, pra que os doutores nazi pudessem saber mais sobre os mistérios da humanidade. Tinham seus cabelos cortados e vendidos pra indústrias de tecidos por 50 centavos o quilo. Eram mortos em câmaras de gás, fuzilados ou sufocados em porões minúsculos, depois tinham seus corpos queimados, muitas vezes pelos próprios amigos e parentes obrigados a trabalhar nos fornos. Quando não morriam assim, acabavam pela fome, pela tortura, pelo frio, por doenças. Ganhavam pouca comida e muito trabalho braçal: 1600 calorias pra 11 horas de serviço pesado diário. Sarcasticamente, na entrada do campo tá escrito em alemão “o trabalho liberta”. Dormiam no chão, amontoados, e morriam poucos meses depois de chegar.

Isso foi Auschwitz. Perto dele, fica outro ex-campo de concentração. Birkenau é o nome. Cerca de 10 vezes maior que Auschwitz, centenas de vezes mais mortal e milhares de vezes mais deprimente. Foi construído exclusivamente pra ser o que foi, ao contrário de Auschwitz, que era um presídio transformado. Nasceu pra ser o inferno e conseguiu. Fez Auschwitz me parecer um hotel 5 estrelas.

As pessoas eram alojadas em galpões de madeira, inspirados em estábulos, onde a temperatura média no inverno ficava abaixo de zero. Dormiam na lama e cagavam e mijavam nas calças durante à noite. Na tentativa de manter a dignidade, muitos faziam nos sapatos. Durante o dia, tinham 10 segundos pra usar as privadas, que eram poucas pra muita gente. Depois iam trabalhar, sob o olhar de dezenas de guaritas nazistas prontas pra fuzilar o primeiro que caísse no chão exausto.

E se engana quem não dá bola pro que aconteceu lá porque pensa que eram apenas judeus que iam. Todo mundo podia ir, bastava que um nazi desconfiasse que tu era contra o regime. Eu, tu, tua mãe, teu pai, tua mulher, todo mundo. Russos, poloneses, tchecos, gays, prisioneiros políticos, criminosos. Crianças, mulheres, velhos e jovens.

A distância entre a vida e o inferno era a desconfiança de um nazi.

Auschwitz e Birkenau. Dois lugares que hoje são museus gratuitos e abertos todos os dias, pra que ninguém esqueça o que aconteceu lá dentro.

Eu não vou esquecer.

- Gabriel Prehn Britto

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› 28 de abril de 2009

Sem conexão na Europa

Bela notícia para quem pretende ir para o Oriente Médio:

“Aérea inaugura vôo direto entre Brasil e Israel

A aérea israelense El Al inaugura no próximo domingo seu primeiro vôo direto entre o Brasil e Israel. O vôo está programado para partir às 19h15 e fará a rota São Paulo (Cumbica)-Tel Aviv. A previsão da empresa é de três freqüências semanais (domingo, terça-feira e quinta-feira) e a viagem deve durar 14 horas e meia.

Atualmente, segundo a empresa, atualmente para ir do Brasil a Israel é necessário fazer vôos com escala na Europa. Como destaque em seu serviço de bordo, a El Al aponta o cardápio, com pratos típicos israelenses e mediterrâneos.

Segundo a aérea, os vôos entre Brasil e Israel da companhia terão preços a partir de US$ 999 com tarifas de embarque incluída (aproximadamente R$ 2,2 mil) e serão realizados pela aeronave modelo Boeing 777-200, com capacidade para 270 passageiros, sendo 12 na primeira classe, 35 na classe executiva e 232 na econômica”

Informações do Terra.

- Gabriel Prehn Britto
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