Irã

› 30 de março de 2011

Um Irã desconhecido

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Você nunca imaginou ver uma iraniana, em uma praia no Irã, vestida assim.

Before the Chador - R&R Gallery (Los Angeles - USA)

Essa foto fez parte de uma exposição-relâmpago em Los Angeles. O nome do evento era Before The Chador e mostrava 30 imagens de uma família persa nos anos anteriores à Revolução Islâmica de 1979.

Lindo e impressionante.

Clique aqui para ver outras fotos.

A dica veio da dupla @snel e @rossanosnel.

- Gabriel Prehn Britto
2 comentários
› 11 de março de 2011

Na cama que escolherei

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Mesmo que você tenha esquecido do título e do nome do autor, certamente se lembra de uma tal Pasárgada citada em um poema nas aulas de literatura no colégio.

Vou-Me Embora Pra Pasárgada

Lembrou?

O título é Vou-Me Embora Pra Pasárgada e o autor foi Manuel Bandeira, que se inspirou em uma cidade persa para escrever este poema sobre um lugar perfeito.

Photo: unknown

Lógico que a Pasárgada de verdade não era a sem-vergonhice sonhada por Manuelito (creio), mas isso não interessa.

O importante é que as ruínas da cidade ainda existem no Irã, são uma das relíquias mais importantes dos iranianos e eu conhecerei in loco.

Photo: youngrobv (Rob&Ale) (Flickr)

Photo: Ivar Husevåg Døskeland (Flickr)

Pasárgada fica a 50 quilômetros de Persépolis, na província de Fars, região central do país.

Ela começou a ser construída ao redor de 550 a.C, por Ciro, e foi a capital do primeiro grande império multicultural do Leste da Ásia, onde as tradições dos povos conquistados eram respeitadas.

Wikimedia Commons

Mas, apesar da importância, não foi totalmente completada porque Ciro morreu e seu filho transferiu a capital do império persa para outra cidade.

Wikimedia Commons

Photo: dynamosquito (Flickr)

Hoje, as ruínas de Pasárgada são protegidas pela Unesco e lá está o que os arqueólogos acreditam ser a tumba de Ciro (visitada também por onde Alexandre, o Grande).

Photo: LetsGoIran.com (Flickr)

Além de valor histórico, Pasárgada tem valor arquitetônico também.

Sabe aqueles jardins murados, com piscinas retangulares, canais internos e muitas plantas? Tipo os jardins do Taj Mahal e de Alhambra? Pois eles nasceram em Pasárgada e são chamados de Jardins Persas.

Photo: Saad Akhtar (Flickr)

E aí? Vai embora pra Pasárgada também?

- Gabriel Prehn Britto
1 comentários
› 3 de fevereiro de 2011

O aiatolá e a rainha

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Aos poucos as coisas vão se definindo na montagem da próxima viagem.

A época será mesmo em setembro ou outubro. Talvez eu arrisque colocar um fim de agosto para pegar o encerramento do ramadã (que em 2011 vai de 1º a 30 de agosto), mas isso ainda depende de valores de passagens e tal.

Photo: Alireza Teimoury (Flickr)

O mais importante foi a definição do destino-sobremesa que acompanhará o prato principal iraniano.

Mas antes de dizer qual é, vale lembrar de uma das Verdades Absolutas do Gabriel: toda viagem para países “exóticos” deve ser acompanhada de uma visita a alguma metrópole cosmopolita e moderna.

Assim, o docinho do fim da viagem será Londres.

Photo: Bobcatnorth (Away) (Flickr)

Photo: Harshil Shah (Flickr)

Why?

- Londres é um antro de criatividade, modernice e coisas legais. É tudo que eu preciso (e recomendo a qualquer pessoa) ao menos uma vez por ano.

Photo: Trois Tetes (TT) (Flickr)

- O British Museum tem relíquias persas que complementarão a viagem com louvor. A principal delas: o Cilindro de Ciro. Imperdível.

Photo: dynamosquito (Flickr)

- Existem voos diretos de Londres-Teerã-Londres, o que vai me fazer economizar escalas (and money).

- Minha mulher não conhece a capital inglesa e eu não lembro lhufas (estive lá há 12 anos).

Photo: gabebritto

Sem mencionar as relações históricas fortíssimas (e conturbadas) entre Irã e Inglaterra. Sim, os dois países parecem uma dupla que não se combina, mas só até você abrir o primeiro livro de História e ver que, como todos os povos europeus colonialistas dos séculos 18, 19 e início do 20, os ingleses exploraram os iranianos por muito tempo e foram fundamentais na formação política do país hoje.

Photo: Wikimedia Commons

Então foi batido o martelo. A próxima viagem será Irã e Londres. Necessariamente nesta ordem.

Photos: yeowatzup and Rachel Chapman (Flickr)

- Gabriel Prehn Britto
7 comentários
› 31 de janeiro de 2011

Decote diplomático

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Dezoito de fevereiro de 2006. É o que diz a plaquinha pendurada na alça da blusa que minha mulher usou quando foi tirar a foto que está no seu atual passaporte.

Não lembro com clareza, mas certamente era um dia quente feito as entranhas do inferno e, logicamente, ela se colocou em vestes frescas e arejadas para enfrentar a temperatura.

Photo: mylor (Flickr)

Não, não era essa foto. E não vou colocar a verdadeira aqui porque o pau de macarrão voaria na minha cabeça se eu fizesse isso. Mas posso garantir que a roupa que ela usava era algo absolutamente decente para qualquer país ocidental. Para o Brasil, então, tinha até pano demais.

Mas como eu já pretendia viajar para países islâmicos, tremi quando vi a imagem pronta. Até brinquei:

- Tu vai ter que fazer outro passaporte se a gente quiser ir para o Irã.

Cinco anos depois, estamos finalmente planejando nossa viagem para a antiga pérsia. Então eu vi esta notícia:

Folha de S. Paulo 26/01/2011

reproducao-da-capa-do-jornal-22hamshahri22-que-manipulou-a-foto-da-chefe-da-diplomacia-da-uniao-europeia1

Dica: pense em todas as suas possíveis viagens quando for fazer o seu passaporte.

Bora fazer outro agora?

- Gabriel Prehn Britto
1 comentários
› 24 de janeiro de 2011

E se você não tivesse nascido no Brasil?

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Tuitei isso durante a semana passada, mas preciso registrar aqui também.

Olha que maravilha o site If It Where My Home.

screen-shot-2011-01-22-at-124754-pm

A proposta dele é comparar o país onde você nasceu com qualquer outro país do mundo, para você ter ideia de como seria sua vida se você tivesse nascido por lá.

screen-shot-2011-01-22-at-124945-pm

screen-shot-2011-01-22-at-125004-pm

Além da comparação entre indicadores sociais e de consumo, o If It Where My Home ainda dá uma palavrinha sobre a história do país comparado e sugere livros para quem quiser ir mais fundo.

Veja o teste que eu fiz: e se eu tivesse nascido no Irã?

screen-shot-2011-01-22-at-124454-pm

screen-shot-2011-01-22-at-124401-pm

screen-shot-2011-01-22-at-124426-pm

Não é excelente para viajantes que gostam de estudar seus destinos turísticos?

- Gabriel Prehn Britto

1 comentários
› 11 de janeiro de 2011

Momento sensível

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Olha que lindão esse poema do persa Jelaluddin Rumi, do século XIII:

screen-shot-2011-01-11-at-111123-am

Vai dizer que você imaginava algo assim escrito por um iraniano?

- Gabriel Prehn Britto
2 comentários
› 10 de janeiro de 2011

Safety first

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Ontem, um avião da companhia Iran Air caiu.

Photo: tom.arthur (Flickr)

Neste momento, vale dar uma informação.

O Irã tem 6 companhias aéreas que fazem voos internacionais. Entre elas, apenas uma é proibida de voar para a Europa (ou seja, não segue os padrões de segurança europeus).

É a Iran Air.

Photo: smitty42 (Flickr)

E olha que ela nem é totalmente impedida de viajar para lá, já que os voos feitos com alguns modelos são liberados (existem linhas entre Teerã e Amsterdã, Copenhague, Frankfurt, Genebra, Milão, Paris, Roma, Estocolmo e Viena, além de outras cidades).

Photo: Olga Pavlovsky (Flickr)

Esse blablablá todo é para dar a dica: quando for viajar para países que não se encaixam nos padrões de “desenvolvidos”, não custa dar uma checadinha no site da Comissão Europeia de Transportes.

Ele tem a lista completa (e constantemente atualizada) de empresas proibidas de voar no espaço aéreo europeu.

Se sua companhia não aparecer ali, relax and enjoy your flight.

- Gabriel Prehn Britto
2 comentários
› 29 de dezembro de 2010

Embarque imediato

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Meus companheiros destes dias de descanso pré-2011:

O MUNDO ISLÂMICO (Francis Robinson, Série Grandes Civilizações do Passado, editora Folio)

A patroa me deu esse livro em 2008, quando planejávamos ir para o Irã em 2009. Ficou guardadinho e agora será devoradinho. Conta a história do islamismo, falando também sobre arte, cultura, literatura e coisa e tal.

livro1

TODOS OS HOMENS DO XÁ (Stephen Kinzer, editora Bertrand Brasil)

Esse foi comprado na Feira do Livro de Porto Alegre em novembro de 2004, quando eu já namorava o Irã. Faz uma análise sobre a influência dos EUA no Irã e o governo de Mohamed Mossadeg. Já li, mas lerei de novo. É ótimo para entender o Irã de hoje.

livro2

O ATLAS DO ORIENTE MÉDIO (Dan Smith, editora PubliFolha)

Uma geralzona sobre a formação do Oriente Médio. Básico, mas bastante didático. Também foi comprado em 2009, mas em fevereiro.

livro3

Minha viagem começou.

- Gabriel Prehn Britto

0 comentários
› 27 de dezembro de 2010

And the winner is…

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

…Irã!

Hamed Saber

Mesmo com um monte (Fuji?) de gente me dizendo para ir ao Japão nas próximas férias, os persas ganharam.

Os motivos? Poucos, mas importantes:

1) Minha longa admiração pela história dos persas;

2) A vontade de ver ao vivo o t’aarof;

3) Pelo lobby do Egon (e olha que ainda nem conversamos profundamente sobre o assunto);

4) Porque vai sair bem mais barato e, assim, vou poder investir em uma câmera e lentes melhores.

Hamed Saber

O Japão e a Coreia do Norte ficam para uma próxima. Quem sabe em 2012, o último ano do mundo.

Agora é decidir os destinos que vão acompanhar este prato principal iraniano, sejam eles no Oriente Médio ou no país da companhia aérea que vai me levar de POA a IKA.

Hamed Saber

Sugestões e dicas são bem-vindas.

E essas fotos aqui são do Hamed Saber.

- Gabriel Prehn Britto

9 comentários
› 27 de outubro de 2010

O Viajante Pérsico - VI

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Em homenagem ao feriadão que vem aí, um e-mail do Egon falando sobre como é viajar pelas estradas iranianas.

Hit the road, Muhammad.

—————————————-

Sob bekheeyr.

Antes de mais nada quero falar sobre a qualidade das estradas iranianas: 10 x 0 em relação às do Brasil. É isso mesmo! A razão é que até 1979, sob o regime do Mohammad Reza Pahlavi, uma parte dos petrodólares era investida em obras de infraestrutura pelo país (a outra parte parece que “desaparecia” misteriosamente).

Pela estrada afora...

Viajar sobre o platô iraniano do Oriente Médio é como viajar nas costas de um enorme crocodilo, com montanhas e cordilheiras recentes criadas pelo movimento das placas tectônicas – aqui no Irã ocorrem terremotos diariamente, a maioria nem é sentida.

As costas do crocodilo

Praticamente tudo é desértico, com suas tonalidades ocres variando muito pouco (exceto por um ou outro deserto de sal, completamente branco). Pela janela da van sempre somos acompanhados pelas indefectíveis linhas de transmissão de energia elétrica – todo fotógrafo de natureza odeia fios e postes elétricos.

Com músicas persas nos alto-falantes, a paisagem ia passando na janela ao longo das centenas de quilômetros que já percorremos, com eventuais campos de trigo, girassol, batata, roma, figo, oliveiras e pistache. Aliás, o mesmo pistache que íamos roendo o tempo todo na van – só falta a cerveja.

Montanhas, fios, postes e pistache

Aqui e ali, em estradas próximas da fronteira com o Iraque, algumas baterias de artilharia antiaérea. Brrrr!

Deu um medinho quando estávamos entre Kerman e Rayen, já próximo ao Afeganistão: vindo do deserto, um enorme dust-devil (parece um tornado de pó) de cerca de 15m de diâmetro e pelo menos 200m de altura girava furiosamente ao lado da estrada, atirando areia, pó e pedras para todos os lados – vinha na nossa direção e quase atingiu a van. Foi por pouco.

Dust Devil

Khoda hafez, Egon

- Gabriel Prehn Britto
0 comentários