Irã

› 23 de maio de 2011

Paraíso persa

Por mais fã que você seja dos iranianos, nunca deve ter feito alguma relação entre os persas e o paraíso. Mas vai passar a fazer a partir de agora, quando souber de onde vem a palavra que deu nome à antiga morada de Adão e Eva.

"Das Paradies" - Jan Brueghel (1568–1625)

Sim, “paraíso” vem do persa. Mais precisamente do avéstico, que faz parte do grupo de línguas iranianas antigas (e paremos por aqui, porque esse monte de línguas começa a dar nó no cérebro).

A palavra original é “pairidaeza” e o significado não tem nada a ver com 72 virgens esperando por mártires.

“Pairidaeza” significa “murado” e era usada para se referir aos jardins persas, aqueles jardins lindões, com arquitetura e paisagismo simétricos e, claro, muros ao seu redor.

dynamosquito (CC BY-SA 2.0)

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Ananth BS (CC BY 2.0)

Do persa antigo, “pairidaeza” virou “paradeisos”, em grego, “paradisus”, em latim, e daí seguiu para todos os cantos do mundo.

Hoje, “pairidaeza” não tem mais nenhum significado em persa e nem é mais usada (a língua avéstica foi extinta). A palavra local para “paraíso” é بهشت.

Cuidado aí para não errar a pronúncia.

- Gabriel Prehn Britto

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› 30 de março de 2011

Um Irã desconhecido

Você nunca imaginou ver uma iraniana, em uma praia no Irã, vestida assim.

Before the Chador - R&R Gallery (Los Angeles - USA)

Essa foto fez parte de uma exposição-relâmpago em Los Angeles. O nome do evento era Before The Chador e mostrava 30 imagens de uma família persa nos anos anteriores à Revolução Islâmica de 1979.

Lindo e impressionante.

Clique aqui para ver outras fotos.

A dica veio da dupla @snel e @rossanosnel.

- Gabriel Prehn Britto
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› 11 de março de 2011

Na cama que escolherei

Mesmo que você tenha esquecido do título e do nome do autor, certamente se lembra de uma tal Pasárgada citada em um poema nas aulas de literatura no colégio.

Vou-Me Embora Pra Pasárgada

Lembrou?

O título é Vou-Me Embora Pra Pasárgada e o autor foi Manuel Bandeira, que se inspirou em uma cidade persa para escrever este poema sobre um lugar perfeito.

Photo: unknown

Lógico que a Pasárgada de verdade não era a sem-vergonhice sonhada por Manuelito (creio), mas isso não interessa.

O importante é que as ruínas da cidade ainda existem no Irã, são uma das relíquias mais importantes dos iranianos e eu conhecerei in loco.

Photo: youngrobv (Rob&Ale) (Flickr)

Photo: Ivar Husevåg Døskeland (Flickr)

Pasárgada fica a 50 quilômetros de Persépolis, na província de Fars, região central do país.

Ela começou a ser construída ao redor de 550 a.C, por Ciro, e foi a capital do primeiro grande império multicultural do Leste da Ásia, onde as tradições dos povos conquistados eram respeitadas.

Wikimedia Commons

Mas, apesar da importância, não foi totalmente completada porque Ciro morreu e seu filho transferiu a capital do império persa para outra cidade.

Wikimedia Commons

Photo: dynamosquito (Flickr)

Hoje, as ruínas de Pasárgada são protegidas pela Unesco e lá está o que os arqueólogos acreditam ser a tumba de Ciro (visitada também por onde Alexandre, o Grande).

Photo: LetsGoIran.com (Flickr)

Além de valor histórico, Pasárgada tem valor arquitetônico também.

Sabe aqueles jardins murados, com piscinas retangulares, canais internos e muitas plantas? Tipo os jardins do Taj Mahal e de Alhambra? Pois eles nasceram em Pasárgada e são chamados de Jardins Persas.

Photo: Saad Akhtar (Flickr)

E aí? Vai embora pra Pasárgada também?

- Gabriel Prehn Britto
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› 6 de fevereiro de 2011

Ferdowsi, você. Você, Ferdowsi

Provavelmente você ouviu muito pouco ou nada sobre o poeta persa Ferdowsi.

Wikimedia Commons

Eu nunca havia visto mais barbudo, mas foi só ler algumas páginas sobre a história do Irã para este senhor entrar na minha vida.

Agora eu vou tentar fazer com que ele entre na sua também.

A Pérsia sempre foi uma região cobiçada por conquistadores e acabou sendo multi-invadida trocentas vezes ao longo dos seus milênios, o que fez com que os persas perdessem sua história, cultura e língua em diversos momentos.

Photo: Hamed Saber (Flickr)

Nestes períodos, os grandes guardiães da identidade do povo foram os escritores e os poetas que, por isso, são figuras idolatradas ainda hoje. Dizem até que os poemas são tão consultados por lá quanto o Corão.

Photo: Hamed Masoumi (Flickr)

Entre todos estes herois das palavras, nenhum é mais querido, amado e recitado pelos iranianos de todas as classes sociais quanto Abolqasem Ferdowsi (também escrito Ferdousi, Firdausi, Firdavsi e Firdowsï).

O sujeito viveu 85 anos entre os séculos 10 e 11. E dedicou 35 deles a escrever o épico persa Shahnameh - O Livro dos Reis.

Wikimedia Commons

Shahnameh, que é comparado à Ilíada de Homero, conta a história dos persas desde os primeiros reis e termina na conquista árabe que impôs o islamismo como religião.

Wikimedia Commons

O personagem mais famoso do livro é o cavaleiro Rostam que, segundo o tradutor do Shahnameh para o inglês, é a personificação mítica dos próprios persas.

Wikimedia Commons

Hoje, mil anos depois, ainda acontecem leituras publicas e conjuntas do livro nas ruas, nas residências e nas casas de chá iranianas (que são decoradas com ilustrações das histórias do Shahnameh), acompanhadas de música e comida.

Ferdowsi é considerado o grande salvador da língua e da história persa. Seu mausoléu fica na cidade de Tus, onde nasceu, e é visitadíssimo pelos iranianos.

Photo: Elias Pirasteh (Flickr)

Google Maps

Bom, tudo isso foi apenas para dizer que o meu exemplar do Shahnameh já chegou aqui em casa.

Meu Shahnameh

São 900 páginas de poemas traduzidos para o inglês. Provavelmente nunca vou ler tudo, mas já ganhou espaço nobre na minha biblioteca de viagem.

- Gabriel Prehn Britto
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› 3 de fevereiro de 2011

O aiatolá e a rainha

Aos poucos as coisas vão se definindo na montagem da próxima viagem.

A época será mesmo em setembro ou outubro. Talvez eu arrisque colocar um fim de agosto para pegar o encerramento do ramadã (que em 2011 vai de 1º a 30 de agosto), mas isso ainda depende de valores de passagens e tal.

Photo: Alireza Teimoury (Flickr)

O mais importante foi a definição do destino-sobremesa que acompanhará o prato principal iraniano.

Mas antes de dizer qual é, vale lembrar de uma das Verdades Absolutas do Gabriel: toda viagem para países “exóticos” deve ser acompanhada de uma visita a alguma metrópole cosmopolita e moderna.

Assim, o docinho do fim da viagem será Londres.

Photo: Bobcatnorth (Away) (Flickr)

Photo: Harshil Shah (Flickr)

Why?

- Londres é um antro de criatividade, modernice e coisas legais. É tudo que eu preciso (e recomendo a qualquer pessoa) ao menos uma vez por ano.

Photo: Trois Tetes (TT) (Flickr)

- O British Museum tem relíquias persas que complementarão a viagem com louvor. A principal delas: o Cilindro de Ciro. Imperdível.

Photo: dynamosquito (Flickr)

- Existem voos diretos de Londres-Teerã-Londres, o que vai me fazer economizar escalas (and money).

- Minha mulher não conhece a capital inglesa e eu não lembro lhufas (estive lá há 12 anos).

Photo: gabebritto

Sem mencionar as relações históricas fortíssimas (e conturbadas) entre Irã e Inglaterra. Sim, os dois países parecem uma dupla que não se combina, mas só até você abrir o primeiro livro de História e ver que, como todos os povos europeus colonialistas dos séculos 18, 19 e início do 20, os ingleses exploraram os iranianos por muito tempo e foram fundamentais na formação política do país hoje.

Photo: Wikimedia Commons

Então foi batido o martelo. A próxima viagem será Irã e Londres. Necessariamente nesta ordem.

Photos: yeowatzup and Rachel Chapman (Flickr)

- Gabriel Prehn Britto
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› 31 de janeiro de 2011

Decote diplomático

Dezoito de fevereiro de 2006. É o que diz a plaquinha pendurada na alça da blusa que minha mulher usou quando foi tirar a foto que está no seu atual passaporte.

Não lembro com clareza, mas certamente era um dia quente feito as entranhas do inferno e, logicamente, ela se colocou em vestes frescas e arejadas para enfrentar a temperatura.

Photo: mylor (Flickr)

Não, não era essa foto. E não vou colocar a verdadeira aqui porque o pau de macarrão voaria na minha cabeça se eu fizesse isso. Mas posso garantir que a roupa que ela usava era algo absolutamente decente para qualquer país ocidental. Para o Brasil, então, tinha até pano demais.

Mas como eu já pretendia viajar para países islâmicos, tremi quando vi a imagem pronta. Até brinquei:

- Tu vai ter que fazer outro passaporte se a gente quiser ir para o Irã.

Cinco anos depois, estamos finalmente planejando nossa viagem para a antiga pérsia. Então eu vi esta notícia:

Folha de S. Paulo 26/01/2011

reproducao-da-capa-do-jornal-22hamshahri22-que-manipulou-a-foto-da-chefe-da-diplomacia-da-uniao-europeia1

Dica: pense em todas as suas possíveis viagens quando for fazer o seu passaporte.

Bora fazer outro agora?

- Gabriel Prehn Britto
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› 24 de janeiro de 2011

E se você não tivesse nascido no Brasil?

Tuitei isso durante a semana passada, mas preciso registrar aqui também.

Olha que maravilha o site If It Where My Home.

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A proposta dele é comparar o país onde você nasceu com qualquer outro país do mundo, para você ter ideia de como seria sua vida se você tivesse nascido por lá.

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Além da comparação entre indicadores sociais e de consumo, o If It Where My Home ainda dá uma palavrinha sobre a história do país comparado e sugere livros para quem quiser ir mais fundo.

Veja o teste que eu fiz: e se eu tivesse nascido no Irã?

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Não é excelente para viajantes que gostam de estudar seus destinos turísticos?

- Gabriel Prehn Britto

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› 11 de janeiro de 2011

Momento sensível

Olha que lindão esse poema do persa Jelaluddin Rumi, do século XIII:

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Vai dizer que você imaginava algo assim escrito por um iraniano?

- Gabriel Prehn Britto
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› 10 de janeiro de 2011

Safety first

Ontem, um avião da companhia Iran Air caiu.

Photo: tom.arthur (Flickr)

Neste momento, vale dar uma informação.

O Irã tem 6 companhias aéreas que fazem voos internacionais. Entre elas, apenas uma é proibida de voar para a Europa (ou seja, não segue os padrões de segurança europeus).

É a Iran Air.

Photo: smitty42 (Flickr)

E olha que ela nem é totalmente impedida de viajar para lá, já que os voos feitos com alguns modelos são liberados (existem linhas entre Teerã e Amsterdã, Copenhague, Frankfurt, Genebra, Milão, Paris, Roma, Estocolmo e Viena, além de outras cidades).

Photo: Olga Pavlovsky (Flickr)

Esse blablablá todo é para dar a dica: quando for viajar para países que não se encaixam nos padrões de “desenvolvidos”, não custa dar uma checadinha no site da Comissão Europeia de Transportes.

Ele tem a lista completa (e constantemente atualizada) de empresas proibidas de voar no espaço aéreo europeu.

Se sua companhia não aparecer ali, relax and enjoy your flight.

- Gabriel Prehn Britto
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› 31 de dezembro de 2010

Feliz Nowruz

O réveillon persa só acontece daqui a alguns meses e, obviamente, não é chamado de réveillon.

Também não tem gente de branco, bebedeira, calcinha colorida e essas coisas (talvez até tenha, mas escondido).

Photo: Fatemeh (Flickr)

Ele se chama Nowruz (existem vários jeitos de escrever, mas todos significam “novo dia” ou “nova luz”), tem um monte de tradições e existe há 3000 anos, o que levou a Unesco a considerar a festa como Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade.

A data da comemoração é o início da Primavera no hemisfério norte. Um mês antes, os iranianos fazem uma limpeza geral nas suas casas e compram pelo menos algumas roupas novas.

Photo: Hamed Masoumi (Flickr)

No dia do ano-novo, eles vestem essas roupas e ficam em casa com as famílias. Dizem que se o encontro familar for bom, o ano vai ser bom. Mas se der baixaria e quebra-pau entre a parentada reunida, o ano vai ser péssimo.

Depois do Nowruz, começam 12 dias de visitas rápidas aos parentes mais velhos, aos outros parentes e aos amigos. Cada visita costuma durar 30 minutos, para dar tempo de ver todo o pessoal.

No 13º dia, as famílias saem para fazer piquenique.

Além da mesa de comidas, o Nowruz pede uma outra mesa especial, onde vai o Haft Sin, ou “os 7 S”.

Photo: mohammadali (Flickr)

São 7 alimentos obrigatórios para o início do ano, todos com iniciais S: sabzeh (trigo), samanu (um pudim de gérmen de trigo), senjed (uma fruta seca que eu não consegui descobrir qual é), sir (alho), sib (maçã), somaq (uma “berry” que eu também não captei qual é) e o serkeh (vinagre).

Como 2011 vai ser o ano que eu vou para o Irã (se Alá mantiver tudo dentro do planejado) fica a explicação do Nowruz como o meu desejo de um feliz ano-novo para todos os viajantes.

- Gabriel Prehn Britto
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