Egészségetekre!
Esta é especial para quem está com planos de visitar a Hungria.
Em 2000, quando estive lá na companhia do meu amigo Barna Eröss (que na verdade se escreve “Eröss Barna”, porque os húngaros colocam o sobrenome antes do nome), fui em um lugar fantástico chamado Old Man’s Pub, onde estava tocando uma banda ótima, mas com um nome meio bizarro: Boom Boom.
Estávamos em um grupo que incluía o irmão do Barna, Balász, e mais um casal de amigos locais. Feliz pelo momento e embalado pela música e pelo joelho de porco (sim, eu comi joelho de porco), levantei meu caneco de cerveja e gritei “cheers!”.
Neste momento, todos à mesa silenciaram e me olharam. Barna, gentil como sempre, limpou minha barra com os locais e me esclareceu a saia-justa: na Hungria não se brinda com cerveja.
A história que explica essa tradição é curta, mas mostra uma determinação forte e até bonita dos húngaros.

Lá pelos idos de 1848, na época em que o país fazia parte do império Austro-Húngaro e era comandado pelos soberanos da Áustria, 13 líderes revolucionários foram capturados e executados pelos austríacos, que comemoraram o feito bebendo cerveja e fazendo brindes. Ao ver aquilo, os compatriotas dos mortos, juraram que não brindariam com cerveja pelos 150 anos seguintes.
Os 150 anos já se passaram, mas os húngaros não esqueceram a tradição e até hoje não fazem tim-tim em rodadas de cerveja.
Não vá pagar de mal-educado por lá, então.
(A propósito, o título deste post significa “à nossa saúde”, em húngaro. Ou pelo menos foi isso que eu encontrei na internet.)
- Gabriel Prehn Britto

