Guias

› 5 de janeiro de 2011

Se ficar o zumbi come

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Aconteceu.

Por motivos até este momento desconhecidos, os mortos se levantaram de suas tumbas e saíram pelas cidades, famintos, em busca de cérebros humanos.

É o apocalipse zumbi.

Photo: James Calder (Flickr)

O que fazer agora?

Além de todas as recomendações básicas (se você ainda não sabe quais são, leia, sua existência depende disso) também existem duas saídas pouco divulgadas: o aeroporto e o mar.

Mas para onde ir? Quais cantos do mundo são mais seguros contra o ataque destes seres que dançam Thriller?

E em quais lugares você não deve nem pensar em colocar os pés, porque certamente já estão tomados por zumbis?

Photo: Michael Caroe Andersen (Flickr)

Photo: Ollie T. (Flickr)

Comecemos com onde você NÃO DEVE IR.

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1) Haiti, República Dominicana e qualquer lugar do Caribe e do México

Photo: Eyeline Imagery (Flickr)

Não seja besta. O Haiti é a terra do zumbis, a verdadeira Zumbilândia.

O vodu é a religião mais praticada por lá e eram justamente os feiticeiros vodus que, até agora, tinham o poder de reanimar os mortos. A República Dominicana fica na mesma ilha do Haiti e é tão perigosa quanto. Fuja.

Aliás, fuja de qualquer lugar no Caribe e no México. Nunca se sabe se algum feiticeiro vodu já andou por ali reanimando uns cadáveres.

Photo: Christian y Sergio Velasco

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2) Estados Unidos

Photo: jmm (Flickr)

EUA? Você enlouqueceu? Salvo poucas exceções, os maiores (e mais verdadeiros) filmes de zumbis acontecem nos EUA: A Noite dos Mortos-Vivos, O Dia dos Mortos, A Madrugada dos Mortos, Resident Evil, et cetera.

Photo: Cory Doctorow (Flickr) / Painting: Grayson Coffee

Apesar do país ser gigantesco, mais cedo ou mais tarde eles vão encontrar você. Principalmente se você for para alguma cidade grande ou algum dos estados do sul, onde o vodu também é praticado.

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3) Europa, Ásia e África

Photo: jasohill (Flickr)

Esqueça estes continentes. Eles são habitados há milênios e já passaram por uma pá de guerras. O que tem de morto lá não é brincadeira, meu amigo. Certamente já estão tomados por zumbis.

Photo: Philippe Leroyer (Flickr)

Photo: lush-design (Flickr)

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5) Argentina

Desde aqueles 4 X 0 para a seleção alemã na África do Sul, a Argentina tem 40 milhões de zumbis vagando pelas ruas. Esqueça. Você nunca mais vai comer alfajores na sua vida.

Photo: Sebastian Dario (Flickr)

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Agora vamos aos lugares para onde você DEVE IR.

Ilhas são os locais mais indicados. A princípio, zumbis não nadam nem pilotam barcos. Mas quem garante que eles não vão aprender? Por isso também vale a dica: quanto mais longe da costa, melhor.

Photo: M. V. Jantzen (Flickr)

Procure lugares isolados e nunca antes habitados, para evitar que haja pessoas sepultadas.

Se não encontrar nada assim, escolha destinos com poucos habitantes e cemitérios pequenos. Com boa pontaria e munição suficiente, você consegue dar conta de algumas dezenas de zumbis.

Photo: Zanthia (Flickr)

Importante: sua ilha precisa ter solo fértil ou abundância de peixes. Você vai ter que passar o resto da vida ali. É fundamental ter comida.

Vamos aos locais que encontrei:

1) Ilha Pirâmide de Ball

Photo: Fanny Schertzer (commons.wikimedia.org)

Coloco a mão carcomida de um zumbi no fogo: a ilha Pirâmide de Ball é o refúgio mais UAU! para os sobreviventes.

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Ela fica longe de tudo, entre a Austrália e a Nova Zelândia. Hoje, esta pedra gigantesca é um parque natural protegido pelo governo australiano, que não permite desembarcar ali.

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2) Ilha Foula

Photo: c41um (Flickr)

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Apesar de ser bastante gelada no inverno (fica no norte da Escócia), Foula é uma ótima opção. É linda, tem solo fértil e até abrigo, já que é habitada por mais ou menos 30 pessoas (don’t worry, vocês darão conta dos zumbis).

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3) Ilha Pitcairn

Photo: M J Patterson (Flickr)

Já pensou viver em paz e sem zumbis em plena Polinésia? Então voe para a ilha Pitcairn.

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Sol, céu azul, isolamento total e apenas 50 habitantes.

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4) Ilhas Palmyra

Photo: U.S. Fish & Wildlife Service Pacific Region's (Flickr)

Photo: U.S. Fish & Wildlife Service Pacific Region's (Flickr)

Mais uma opção para quem gosta de calor, sol e solidão. Fica entre o Havaí e a Samoa Americana.

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Tem até pista de pouso, construída pelo governo americano durante a Segunda Guerra e nunca foi habitada. Perfeita.

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5) Sealand

Sealand é uma nação fictícia criada por um inglês excêntrico em uma base naval britânica a 10 km da costa do país.

Photo: Casey Hussein Bisson (Flickr)

Não é exatamente um destino bonito, mas certamente é o mais seguro: é isolado e bem acima do nível do mar, mesmo que os zumbis aprendam a nadar, também terão que aprender a levar escadas.

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Nunca teve cemitérios e a população é de 20 malucos.

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6) Ilha Bouvet

Photo: Carl Chun (commons.wikimedia.org)

Em um apocalipse zumbi ninguém tem muito tempo para escolher onde se refugiar. Por isso não reclame se o único lugar que você conseguir for a ilha Bouvet.

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Em certos aspectos ela é perfeita: é considerada a ilha mais remota do mundo e totalmente desabitada. Mas é coberta de gelo e fria como a Antártida. Leve um casaco.

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7) Ilhas Trindade e Martin Vaz

Photo: john.vergari (commons.wikimedia.org)

Ótimas opções e as mais próximas da costa brasileira. Ficam a 1200 km de Vitória (ES) e são separadas por 48 km de mar entre elas.

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Lado negativo: existem 32 militares vivendo por lá.

Sabe como é: trinta homens no meio de uma ilha. Talvez você tenha que fazer favores para ser aceito/aceita. Melhor que ser comido por zumbis, não?

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8 ) Ilha Nova Amsterdã

Para os amantes da França, uma ilha isolada que faz parte do país.

Ilha Nova Amsterdã

A Ilha Nova Amsterdã (ou apenas Île Amsterdam) fica no Oceano Índico. É desabitada e tem solo bom para fazer a sua horta. Se bobear, você até planta umas uvas para fazer vinho e comemorar a sobrevivência em grande estilo.

Ilha Nova Amsterdã

http://commons.wikimedia.org

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Pronto. As dicas foram dadas. Agora salve a sua vida.

- Gabriel Prehn Britto
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› 24 de agosto de 2010

Quer moleza? Senta na 1ª classe

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Thomas Kohnstamm é um gringo que um dia foi convidado pela Lonely Planet para passar um tempo atualizando a edição do seu guia Brasil. Como não é louco, largou tudo e topou a oferta, mas logo percebeu que aquela vida era uma roubada, largou tudo de novo e escreveu Autores de Guias de Viagem Vão Para o Inferno?, um livro que conta o lado difícil de um dos trampos mais desejados do mundo.

Leia

Alguns dos motivos que fizeram Thomas desistir estão em uma entrevista no site da revista Trip: a grana é ridiculamente baixa, o dinheiro que os escritores recebem raramente cobre todas as despesas da viagem, os editores exigem informações impossíveis e não ligam para as dificuldades, os prazos são insanos, a rotina é exaustiva, etc., etc. e etc.

Ter um programa de TV sobre viagens não deve ser muito mais fácil, não. A equipe que me acompanhou durante o Viajante Opanka não estava na mesma moleza que eu (ah, as fé-ri-as!) e o dia-a-dia deles era bem corrido.

O diretor, a produtora, o operador de áudio, o câmera e o motorista (você nem imaginava que era tanta gente, né?) trabalhavam muito. Passavam os dias organizando a agenda. Tinham que resolver os eventuais imprevistos técnicos. Faziam simpatias para que São Pedro ajudasse no clima e malabarismos para que o trânsito não nos atrasasse mais do que o normal. E no final do dia, quando eu já estava de cuecas nos lençois de algodão egípcio da cama king size da minha suíte, eles ainda tinham que analisar, editar e enviar os vídeos para Porto Alegre.

Alguma semelhança com o estresse e a correria que você vive em um escritório? Ah, pois é. Então na próxima vez que invejar mortalmente o povo que ganha para viver em férias, lembre-se do Padre Quevedo:

- Isso NO ECZISTE!

Isso NO ECZISTE!

UPDATE-RELÂMPAGO: Vida de blogueiro de viagem também não é nada fácil.

- Gabriel Prehn Britto
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› 2 de junho de 2010

Futebol, uma caixinha de viagens

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Depois de uma semana em campanha feroz (e às vezes sendo chato, eu sei, desculpe), volto à programação normal deste blog enquanto preparo as malas para partir pelo Brasil como Viajante Opanka.

Volto para dar uma dica que, aparentemente, não tem nada a ver com turismo, mas tem - e muito.

Não sou ligado em futebol. Se você perguntar a escalação do meu time, só conseguirei dizer o nome do goleiro. Sobre a Seleção Brasileira, só lembro das camisas espalhafatosas do Dunga e sei que o tal de Ganso e o Neymar não foram convocados, gerando dúvidas sobre a capacidade intelectual do treinador e um monte de opiniões nada respeitosas sobre a senhora mãe dele.

Mesmo assim, não pensei duas vezes antes de comprar o livro A Copa Que Interessa, da editora Dublinense.

A Copa Que Interessa

Eu sabia que algo escrito pelo genial Eduardo Menezes seria bom até mesmo se o assunto fosse futebol. Logo, foi uma belíssima surpresa descobrir que o futebol é apenas o fio condutor de um livro que fala muito mais sobre história, cultura e curiosidades dos 32 países participantes do campeonato da Fifa.

Sabia que os australianos praticam um esporte que mistura boxe com xadrez?

Chess Boxing

Que metade da seleção da Argélia é formada por filhos de imigrantes argelinos nascidos na França, em um movimento de migração contrário ao que normalmente ocorre nas relações entre colonizadores e colonizados?

Argelinos

Sabia que existem 260 etnias, 520 línguas e pelo menos 10 religiões populares na Nigéria?

Não sei em você, mas, em mim, informações deste tipo acendem aquela vontade de visitar um lugar. Como não querer conhecer um povo tão ingênuo como o ganês, que caiu num boato à la Guerra dos Mundos (de Orson Welles) em pleno século XXI?

Gana de ganhar

É realmente A Copa Que Interessa. Pelo menos para quem gosta de viajar.

- Gabriel Prehn Britto
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› 17 de maio de 2010

Introduzindo o Peru

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Perdão pelo trocadilho infeliz e clichê no título deste post. Tentei, mas simplesmente não consegui resistir. Prometo me esforçar para evitar outros ao longo do texto. Juro que prometo.

Peru

No fim de 2009, eu dormia e acordava com o Peru na cabeça. O país andino era praticamente o destino certo das próximas férias. Tão certo que cheguei a usar o meu Personal Guia de Organização Turística para montar um roteiro que encaixasse o Peru inteiro (ou sua maior parte, porque o Peru é maior do que você imagina) num espaço de 20 dias de descanso. Era bonito ver o Peru ganhando corpo e crescendo na minha frente. Mas então vieram algumas incertezas e o Peru foi se encolhendo até ficar pequeno no meu mapa-múndi. Caiu na lista de destinos e não levantou mais.

Mesmo assim, o roteiro do Peru continuava armado. Firme, forte. E como eu sou um amigo do peru, lembrei de colocar toda a pesquisa neste post. Porque se as minhas férias não serão gozadas no Peru, talvez você possa se divertir muito nele.

A ideia era, na verdade, fazer uma ménage à trois: eu, o Peru e sua amiga Bolívia, salgando a relação com uma visita ao magnífico Salar de Uyuni. O período seria por agora mesmo, maio. O melhor roteiro que tracei foi este:

Brasil - Lima - Cusco - Machu Picchu - Arequipa - Puno (Lago Titicaca) - Copacabana (Bolívia) - La Paz - Uyuni - La Paz - Lima - Brasil

Entraria pelo Peru e seguiria por ele até a Bolívia, de onde voaria de volta a Lima e, depois, ao Brasil, deixando o Peru para trás.

Em cada planejamento de cidade, você verá a quantidade de noites que imaginei (após pesquisas em fóruns pela internet), o nome e o preço de um hotel que me pareceu decente (após pesquisas no Trip Advisor) e o transporte para o próximo destino, incluindo o valor do deslocamento, quando este não estiver no preço da passagem pela LAN (veja lá embaixo).

Importante: certifique-se dos preços nos links indicados. Não dê mole para o Peru. Ele costuma ser duro com quem não faz as contas direito e pode ferrar suas economias.

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O sol no Peru

Lima

3 noites no hotel El Ejecutivo: 120 USD/casal

Viagem Lima-Cusco (1h15 de voo): incluído no valor da LAN

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Cusquitos

Cusco

3 noites no hotel Inkarri ou no Samanapata: 135 USD/casal

Excursão ao Vale Sagrado: 30 USD

Tour por sítios arqueológicos dos arredores: 50 USD

Trem Vistadome de Cusco para Águas Calientes (4h): 70 USD

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Uma foto diferente de Machu Picchu

Águas Calientes (Machu Picchu)

2 noites no hotel Wirachoca: 130 USD/casal

Ônibus para Machu Picchu (30 min): 15 USD

Entrada em Machu Picchu: 40 USD/dia

Trem Backpacker de volta a Cusco (4h): 50 USD

Voo de Cusco para Arequipa (2h15): incluído no valor da LAN

Alternativa: ônibus de Cusco para Arequipa (10h) - 40 USD

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O condor

Arequipa (cânion Colca)

2 noites no hotel Posada Nueva España: 70 USD/casal

Voo de Arequipa até Puno (40 min): incluído no valor da LAN

Alternativa: ônibus Cruz del Sur, de Arequipa a Puno (5 horas): 22 USD

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Lago Titicaca

Puno (Lago Titicaca)

1 noite no hotel Posada Don Giorgio: 40 USD/casal

Passeio pelo Lago Titicaca: 20 USD

Ônibus de Puno a Copacabana:

Ônibus Panamericano, Colectur ou Tour Peru (2h30): 10 USD

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Princesinha do Titicaca

Copacabana (Bolívia)

1 noite no hotel La Cúpula: 36 USD

Passeio: Ilha do Sol: 15 USD

Ônibus Copacabana-La Paz (3h): 10 USD

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La Paz

La Paz

1 noite no hotel Sagarnaga: 30 USD

Ônibus de La Paz a Uyuni (não sei quanto tempo, mas é demorado): 33 USD

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Uyuni

Uyuni

2 noites no hotel Toñito: 80 USD

Ônibus de volta de Uyuni a La Paz: 33 USD

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La Pazita

La Paz (de novo)

1 noite no hotel Sagarnaga: 30 USD

Voo La Paz-Lima: incluído no valor da LAN

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Favelita peruana

Lima (de novo)

1 Noite no hotel El Ejecutivo: 40 USD

Voo para o Brasil: incluído no valor da LAN

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Os voos por dentro do Peru tiveram o melhor preço na compra de todos os trechos pela LAN: GRU-Lima-Cusco-Arequipa / La Paz-Lima-GRU, com saída em setembro/2010 - 1.049 USD.

lan-chile

Como você deve ter percebido, as refeições não estão incluídas neste roteiro. Mas para o Peru não melar seus planos, reserve uma média que varie entre 3,5 a 8,1 euros para cada refeição (conforme indica o Routard).

Que tal comer picarones no Peru?

Ou se você preferir sentir o genuíno gosto do Peru provando os deliciosos pratos locais em restaurantes bons, prepare-se para mais de 12 euros por refeição. É um pouco mais caro e você pode sair do Peru com uma mão na frente e outra atrás, mas permite que você sinta o Peru por inteiro.

Espero que as dicas ajudem você a se preparar. Nada melhor do que chegar em Lima com o Peru na ponta da língua.

- Gabriel Prehn Britto
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› 10 de maio de 2010

Visite o livreiro de Cabul

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(Mãe, não leia isso. Obrigado. Beijo.)

Já pensou em ir para o Afeganistão?

Welcome, my friend - Foto: Jane Sweeney - LP

Se você não for um tarado por viagens, nem tiver sido hippie nos anos 70, é provável que não. Mas talvez seja a hora de mudar de ideia.

Assim como várias zonas de conflito ao redor do mundo, o Afeganistão tem suas regiões consideradas seguras para o turismo. A maior prova disso é o guia do país lançado pela Lonely Planet em 2007, o primeiro depois da queda do Talibã em 2001.

Capa do guia Afeganistão, do LP

O.K. Ir para lá no peito e na raça achando que só vai encontrar crianças empinando pipas é algo um pouco radical demais, para aventureiros extremos. Mas que tal conhecer as regiões consideradas seguras com o acompanhamento de uma empresa de turismo especializada no país?

Sim, existem empresas de turismo especializadas no Afeganistão. Uma delas eu descobri por acaso, lendo uma revista antiga. É a Great Game Travel, do americano Andre Mann. Os caras têm roteiros sensacionais e garantem a segurança do viajante em viagens por regiões onde os conflitos ainda não chegaram e em companhia de guias que sabem tudo das bocadas afegãs.

A vida fácil do afegão médio - Foto: John Mock - LP

Os preços variam, mas são bem menores do que eu imaginei. Segundo o site, uma viagem de 12 dias com quase tudo incluído (exceto passagens aéreas) sai por 4.000 USD.

A Mesquita Azul - Foto: Stephane Victor - LP

Vai dizer que não dá vontade de encarar uma burquinha?

- Gabriel Prehn Britto
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› 8 de fevereiro de 2010

Michelã

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Juro que imaginei que todo mundo já conhecesse o Via Michelin, o excelente site que a marca criou há tempos para quem viaja pela Europa e arredores. Mas quando desconfiei que a Marcie não conhecia este brinquedinho, me dei conta de que era preciso colocar a dica aqui no blog. Porque se ela não conhece, então um monte de gente nunca nem ouviu falar do Via Michelin.

Via Michellin

Pois bem, a referida maravilha do turismo rodoviário é um site que indica rotas, custos, tempos de viagem e até posições de radares para viajantes da Europa e de alguns países da África e da Ásia, além de hotéis, restaurantes e toda a cauda longa associada a este assunto.

Você vai lá, digita a cidade de saída e a de chegada e espera. Se souber, pode colocar até os endereços dos locais.

Início, meio e fim

Em segundos, ele aparece com o roteiro desenhado e explicado nos mínimos detalhes. Não gostou da sugestão da Michelin? Não tem problema: você também pode pedir as rotas mais rápidas, as mais curtas, as mais turísticas e as mais econômicas (aquelas que fogem de pedágios). E se você for totalmente tecno-hippie, também pode pedir sugestões para ir a pé ou de bicicleta.

Mas, tchê! Não tem a cavalo?

Para um teste ilustrativo, escolhi uma viagem bem longa: Lisboa-Moscou.

É légua pra dirigir

O Via Michelin me apresentou o mapa acima (que pode ser ampliado e impresso), a rota que ele considera a mais adequada, além das infomações de custos de combustível e pedágios, tempo de viagem e distância percorrida.

Raio-x da viagem

E como o negócio é para funcionar mesmo, há até uma planilha indicando cada mísera conversão que você precisar fazer, dentro das cidades e nas estradas.

Real time driving

Claro que com GPS no carro talvez você nem precise do roteiro da Michelin nas suas férias. Mas para planejar quanto vai custar a viagem, ainda não conheci nada melhor.

- Gabriel Prehn Britto

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› 8 de dezembro de 2009

Google, o melhor companheiro de viagem

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Pois é, achei que esta semana teria apenas os posts abaixo. Mas então descobri o Google Goggles e tive que voltar para publicar, porque este aplicativo para o Android vai mudar o seu jeito de viajar. Veja o filme e segure o queixo.

- Gabriel Prehn Britto
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› 12 de novembro de 2009

É de grátis

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Algumas pessoas vão torcer o nariz para este post. Mas como o tema aqui é viagem (e não o que é certo ou errado na internet) publico mesmo assim. Cada um que use a dica como quiser.

Vamos a ela.

Sabe aquele momento em que você está com uma lista de destinos nas mãos, decidindo o que fazer nas férias? O ideal nesta hora seria ler todos os guias para escolher aonde ir, mas eles são caros e não dá para ficar comprando assim a rodo. Você até poderia passar o dia na sua livraria preferida, ler tudo e anotar o que fosse interessante, mas isso não seria muito confortável. O que fazer, então?

Simples: baixar na internet.

Meu amigo e viajante @peresin me deu a dica de ouro: AvaxHome, um site russo que é uma verdadeira Fnac do Capitão Gancho.

Tem até banner em português, vê só!

Tem de tudo lá. Música, filmes, revistas (atualizadas), livros e, claro, guias de viagem. Você baixa um PDF, guarda na sua máquina e pode ler no conforto do lar, quando quiser, como quiser e com toda a calma do mundo. Perfeito para estudar os destinos e escolher onde ir, sem gastar os tubos.

Minha recomendação é que você use o site exatamente desta forma, para escolher o destino antes de comprar o guia de verdade, com capa, papel e preço (alto). Por mais que você tenha motivos ideológicos ou financeiros para não pagar pelo livro, andar por aí com um calhamaço de folhas A4 grampeadas não é nada prático.

- Gabriel Prehn Britto
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› 16 de outubro de 2009

Programas de índio (ou não)

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Mim ter boa dica de viagem para homem branco

Listas de “lugares para não ir” sempre são polêmicas. Gostar ou não de uma atração, uma cidade ou um país é algo extremamente pessoal e influenciado por clima, época, companhia, humor, hotel, taxista, ônibus, voo, sono, dor de cabeça, dor de barriga e uma infinidade de fatores. Mesmo assim, tem gente que faz estas listas e acho até que elas servem para orientar o viajante, desde que ele não esqueça de que tudo que está ali pode ser errado.

O blog O Turista Razoável fez uma lista de 37 lugares que você não precisa conhecer antes de morrer. Veja a lista aqui embaixo (os parênteses são dele). Quem discordar ou quiser acrescentar outros, pode participar na área de comentários lá.

- Águas Calientes, Peru (depois de Machu Picchu, vale tudo. Ou quase, né?)

- Bruxelas (uma cidade cuja atração principal é uma estátua que faz xixi não pode ficar de fora)

- Cairo (o centro, é bom que se diga)

- Cancún (não dá para ficar num lugar onde é preciso atravessar um resort para chegar à praia)

- Chuí

- Cidade da Guatemala

- Cubatão

- Dallas

- Dirkou, Níger (exército na rua, prostitutas, caminhões apinhados de trabalhadores rumo à Líbia. Deu?)

- Emirados Árabes Unidos

- Filadélfia

- Gaza

- Haiti

- Ilhas Malvinas

- Iquique, Chile

- Itanhaém

- La Paz

- Leipzig (tem o túmulo do Bach e o café mais antigo da Europa. And…)

- Lima

- Mar del Plata (“Eu queria ser Punta del Este”)

- Maria Farinha

- Minneapolis (simpática, cheirosa, verde, qualidade de vida nota 10. E a alma de um disco do Richard Claydermann)

- New Jersey

- Oiapoque

- Panama City

- Papeete (de que vale ser capital do Taiti feinha desse jeito?)

- Paraguai

- Piauí

- Porto Seguro

- Rio das Ostras

- Roterdã

- Ruanda

- Sagres, Portugal (fim do mundo? É aqui)

- São José do Ribamar

- Suez

- Tijuana (ir de San Diego pra lá é mole; voltar…)

- Trinidad e Tobago

Já o respeitadíssimo The Times fez uma lista de 5 lugares que “não são isso tudo”.

- Stonehenge - Inglaterra

- Petra - Jordânia

- O Coliseu - Roma

- Machu Picchu - Peru

- Angkor - Camboja

Eu faria duas modificações neste grupo: retiraria Angkor Wat e colocaria a Torre Eiffel, que é linda de longe e de baixo, mas insuportável para quem se dispõe a subir seus andares.

Ou será que era eu que estava com dor de barriga?

- Gabriel Prehn Britto
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› 29 de setembro de 2009

Personal Guia de Organização Turística

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

CAPÍTULO 2 - ORÇAMENTO SEM COMPROMISSO

No capítulo anterior, em um dos passos para a definição do destino das férias, eu dizia para você calcular quanto a brincadeira custaria. Chegou a hora de mostrar como eu faço isso.

Se você gosta de estudar os destinos, essa é uma etapa maravilhosa, porque é o momento em que você começa realmente a viver as férias. É quando você estabelece um roteiro inicial, vendo quantas cidades merecem ser visitadas e quantos dias ficar em cada uma delas, pesquisa alguns hoteis para saber os preços e descobre algumas maneiras de fazer os trajetos internos. O projeto começa a se tornar realidade na sua frente e você passa a falar sobre a viagem com propriedade de quem entende um mínimo do assunto.

Esse é o lado bom.

O lado ruim é que, se você não for a Mãe Dináh, vai ser impossível saber exatamente quanto a viagem vai custar. Infelizmente, tem coisas que estão além do seu alcance. Não dá para calcular quanto você vai gastar com comida, os hoteis podem mudar os preços na época em que você for, as passagens podem subir ou descer. O que dá para saber é um valor aproximado da conta.

Siga os passos abaixo e veja como fazer. Mas, para garantir que você não vai quebrar na volta, tenha sempre em mente que tudo vai custar um pouco mais do que o calculado. Seja pessimista agora para ser feliz depois.

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- O tempo voa

Fui!

Antes de mais nada, defina quando você vai. Claro que você ainda não precisa saber exatamente as datas em que vai tirar férias, mas apenas a época. Isso é importante para ver se você vai na alta, na média ou na baixa estação, o que é básico para verificar valores de hoteis e passagens, já que eles sobem ou descem de acordo com a temporada.

Para ver quais são as melhores épocas em cada lugar, dê uma lida nos guias nas livrarias, pesquise em fóruns, visite o Lonely Planet e o Routard, coloque “(nome do lugar) melhor época” no Google e dê uma passadinha nesse site que eu descobri há pouco tempo, o Travelika.

Importante: lembre-se de que a melhor época não depende apenas do clima, mas também de eventos religiosos, feriados, férias escolares e um caminhão de outras coisas. Por isso, é importante pesquisar bem antes de decidir.

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- Melhor roteiro original

Senta e escreve

Com a época de viajar decidida, comece a esboçar um roteiro fazendo uma lista de cidades e regiões interessantes nos lugar aonde você está indo. Isso é fundamental para determinar quantos dias você vai precisar e, consequentemente, quanto vai ter que investir para ser feliz.

O primeiro passo para isso é pesquisar em sites de agências de viagens. Como eu disse no Capítulo 1, estas empresas costumam incluir apenas os lugares imperdíveis em seus itinerários, o que é uma boa luz neste início de trabalhos. Como dica de agências pesquisáveis, recomendo a Highland Adventures para roteiros mais aventureiros.

O segundo passo é a boa e velha pesquisa em fóruns, blogs, Lonely Planet e Routard. Este último é ótimo, porque geralmente aconselha itinerários de acordo com o tempo que você tem disponível para tirar férias (clique e veja um exemplo com o Chile).

Depois desta pesquisa de cidades, abra aquele seu velho Atlas do colégio e trace um caminho para a sua viagem. Não existe uma regra para isso, mas se você for entrar e sair da região pelo mesmo aeroporto, a lógica é fazer um círculo, evitando idas e vindas em lugares já vistos. Se você for entrar por um lugar e sair por outro, a lógica é encaixar as cidades de acordo com as suas distâncias, evitando deslocamentos muito longos no meio das férias.

Veja o exemplo do meu roteiro no Sudeste Asiático:

É tosco mais é sincero

A chegada à região aconteceu por Bangcoc. A partir dali, desenhei um círculo que só foi interrompido por Sa Pa e pela Baía de Halong, onde não havia alternativa que evitasse a passagem repetida por Hanói. De resto, um único sentido, saindo da capital tailandesa até voltar a ela.

Lembre-se de que a lista de cidades que você tiver em mãos poderá ser alterada no final disso tudo. O motivo é simples: são grandes as chances de você encontrar outros lugares interessantes ou se desinteressar por algum ao longo da sua pesquisa. Lembre-se que isso é apenas um esboço.

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- Nem um dia perdido

Amor, sua barriga fez barulho...

Com a lista de cidades em mãos, hora de pesquisar cada uma para saber quantos dias de atenção ela merecem. De novo, abuse da internet. Mas desta vez use mais o Google. Coloque “quantos dias (nome da cidade)” e veja no que dá.

Se isso não der resultado, tente o equivalente em inglês (”how many days”) ou procure em blogs e sites. À medida que os resultados forem surgindo, vá anotando o que os outros viajantes recomendam e coloque sempre um dia a mais em cada um, para poder cortar no final, se for preciso.

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- Mi hotel, su casa

Hotel Home

Agora que você já sabe para onde vai e quantos dias precisa ficar em cada cidade, é hora de tirar uma febre dos preços dos hoteis. Ao contrário do que você pode estar pensando, ainda não chegou o momento de decidir em qual hotel você vai ficar, mas apenas ter uma ideia de quanto custa um hotel do seu agrado onde você vai.

Existem vários sites com dicas e opiniões de viajantes sobre hoteis, mas eu costumo utilizar o Trip Advisor.

Trip Advisor

Lá, é só colocar o nome da cidade desejada no espaço indicado e esperar a lista de estabelecimentos. Você pode ordenar alfabeticamente, por popularidade, por preço e por classe.

Uma alternativa é procurar algum site “oficial” da cidade, já que eles normalmente têm indicações de hoteis. Ou ainda colocar “hotel (nome da cidade)” no buscador de sua preferência e ver no que dá.

Depois de encontrar um hotel que pareça bom é só calcular quanto você vai gastar nele, multiplicando a tarifa pelo número de noites esperadas.

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- Falta muito, pai?

Em três dias a gente chega!

Descobrir a melhor forma de ir de uma cidade a outra nem sempre é fácil. Às vezes não há muito para pensar, a única alternativa é um avião e ponto. Mas em outras, é preciso um bocado de pesquisa e paciência, e, para isso, nada melhor que a velha web.

Basicão

As palavras-chave nessa busca são “como ir (nome da cidade)”, e “de (nome da cidade) para (nome da cidade)”, com as variações para o inglês. Depois, é enfiar a cara nos links para ver o que outros viajantes recomendam.

Quando encontrar a(s) melhor(es) forma(s) de se deslocar, aproveite para tentar descobrir quanto custam as passagens, usando a mesma pesquisa.

Importante: nesta etapa, lembre-se que comprar as passagens aéreas internas junto com as passagens internacionais pode significar uma grande economia. Vale fazer muitas simulações nos sites das companhias de cada país, até ver a melhor opção para colocar no seu orçamento. Como exemplo, minha pesquisa para o Peru apontou uma diferença de R$ 1.000 entre uma eventual compra dos trechos separadamente ou em conjunto, pela LAN. Uma economia gigantesca. Infelizmente, algumas companhias não oferecem a opção de ver trechos múltiplos pela internet. Nestes casos, apurrinhe o pessoal pelo telefone mesmo e faça todas as suas simulações com a ajuda do atendente. Além de garantir um orçamento mais fiel à realidade, você ainda colabora para que estas companhias tomem jeito e ofereçam a alternativa digital.

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- Guia não é só de papel

Posso ir, dona?

Se você estiver planejando férias em um lugar civilizado, não vai ser preciso o acompanhamento de um guia. Mas se seus planos incluírem algumas aventuras selvagens ou países menos organizados e seguros, é possível que você precise de uma companhia profissional em determinados momentos. Desbravar cavernas de caiaque na baía de Halong, no Vietnã, não é recomendado para leigos desacompanhados, por exemplo. Então não esqueça de incluir isso no seu pré-orçamento, porque um serviço destes pode custar bem caro.

Para saber se você precisa ou não de um guia, corra para o Google, o Bing ou o seu buscador preferido e pesquise.

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- Saco vazio não para em pé

Beber água pode dar sede

Esta é a parte mais “chute” do orçamento, porque simplesmente não dá para descobrir exatamente quanto custa comer em um determinado lugar. Mas dá para ter uma ideia de se é caro ou barato.

La dolorosa

O que eu faço normalmente é visitar o Lonely Planet e dar uma olhada na seção Practical Information do país pesquisado. Ali é possível saber se ele é considerado uma pechincha ou uma exorbitância. Dependendo da resposta, é só acrescentar um valor médio a cada dia.

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- Peça a conta

Pior que cálculo renal

Depois de toda essa epopeia, some tudo e veja quanto deve sair a sua viagem. Sugiro que você converta os valores para dólar ou euro, para não correr o risco de ver todo o trabalho ir para o lixo em caso de mudanças bruscas no câmbio. E não esqueça que isso é apenas uma estimativa. A única intenção aqui é saber se existe a chance de você realizar o sonho ou se é melhor trocar o destino por outro mais barato.

Aliás, para ver se o outro é realmente mais barato, volte lá para cima e faça tudo de novo.

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Próximo capítulo: depois eu digo, ainda não defini.

- Gabriel Prehn Britto
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