Guias

› 8 de fevereiro de 2010

Michelã

Juro que imaginei que todo mundo já conhecesse o Via Michelin, o excelente site que a marca criou há tempos para quem viaja pela Europa e arredores. Mas quando desconfiei que a Marcie não conhecia este brinquedinho, me dei conta de que era preciso colocar a dica aqui no blog. Porque se ela não conhece, então um monte de gente nunca nem ouviu falar do Via Michelin.

Via Michellin

Pois bem, a referida maravilha do turismo rodoviário é um site que indica rotas, custos, tempos de viagem e até posições de radares para viajantes da Europa e de alguns países da África e da Ásia, além de hotéis, restaurantes e toda a cauda longa associada a este assunto.

Você vai lá, digita a cidade de saída e a de chegada e espera. Se souber, pode colocar até os endereços dos locais.

Início, meio e fim

Em segundos, ele aparece com o roteiro desenhado e explicado nos mínimos detalhes. Não gostou da sugestão da Michelin? Não tem problema: você também pode pedir as rotas mais rápidas, as mais curtas, as mais turísticas e as mais econômicas (aquelas que fogem de pedágios). E se você for totalmente tecno-hippie, também pode pedir sugestões para ir a pé ou de bicicleta.

Mas, tchê! Não tem a cavalo?

Para um teste ilustrativo, escolhi uma viagem bem longa: Lisboa-Moscou.

É légua pra dirigir

O Via Michelin me apresentou o mapa acima (que pode ser ampliado e impresso), a rota que ele considera a mais adequada, além das infomações de custos de combustível e pedágios, tempo de viagem e distância percorrida.

Raio-x da viagem

E como o negócio é para funcionar mesmo, há até uma planilha indicando cada mísera conversão que você precisar fazer, dentro das cidades e nas estradas.

Real time driving

Claro que com GPS no carro talvez você nem precise do roteiro da Michelin nas suas férias. Mas para planejar quanto vai custar a viagem, ainda não conheci nada melhor.

- Gabriel Prehn Britto

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› 8 de dezembro de 2009

Google, o melhor companheiro de viagem

Pois é, achei que esta semana teria apenas os posts abaixo. Mas então descobri o Google Goggles e tive que voltar para publicar, porque este aplicativo para o Android vai mudar o seu jeito de viajar. Veja o filme e segure o queixo.

- Gabriel Prehn Britto
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› 12 de novembro de 2009

É de grátis

Algumas pessoas vão torcer o nariz para este post. Mas como o tema aqui é viagem (e não o que é certo ou errado na internet) publico mesmo assim. Cada um que use a dica como quiser.

Vamos a ela.

Sabe aquele momento em que você está com uma lista de destinos nas mãos, decidindo o que fazer nas férias? O ideal nesta hora seria ler todos os guias para escolher aonde ir, mas eles são caros e não dá para ficar comprando assim a rodo. Você até poderia passar o dia na sua livraria preferida, ler tudo e anotar o que fosse interessante, mas isso não seria muito confortável. O que fazer, então?

Simples: baixar na internet.

Meu amigo e viajante @peresin me deu a dica de ouro: AvaxHome, um site russo que é uma verdadeira Fnac do Capitão Gancho.

Tem até banner em português, vê só!

Tem de tudo lá. Música, filmes, revistas (atualizadas), livros e, claro, guias de viagem. Você baixa um PDF, guarda na sua máquina e pode ler no conforto do lar, quando quiser, como quiser e com toda a calma do mundo. Perfeito para estudar os destinos e escolher onde ir, sem gastar os tubos.

Minha recomendação é que você use o site exatamente desta forma, para escolher o destino antes de comprar o guia de verdade, com capa, papel e preço (alto). Por mais que você tenha motivos ideológicos ou financeiros para não pagar pelo livro, andar por aí com um calhamaço de folhas A4 grampeadas não é nada prático.

- Gabriel Prehn Britto
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› 16 de outubro de 2009

Programas de índio (ou não)

Mim ter boa dica de viagem para homem branco

Listas de “lugares para não ir” sempre são polêmicas. Gostar ou não de uma atração, uma cidade ou um país é algo extremamente pessoal e influenciado por clima, época, companhia, humor, hotel, taxista, ônibus, voo, sono, dor de cabeça, dor de barriga e uma infinidade de fatores. Mesmo assim, tem gente que faz estas listas e acho até que elas servem para orientar o viajante, desde que ele não esqueça de que tudo que está ali pode ser errado.

O blog O Turista Razoável fez uma lista de 37 lugares que você não precisa conhecer antes de morrer. Veja a lista aqui embaixo (os parênteses são dele). Quem discordar ou quiser acrescentar outros, pode participar na área de comentários lá.

- Águas Calientes, Peru (depois de Machu Picchu, vale tudo. Ou quase, né?)

- Bruxelas (uma cidade cuja atração principal é uma estátua que faz xixi não pode ficar de fora)

- Cairo (o centro, é bom que se diga)

- Cancún (não dá para ficar num lugar onde é preciso atravessar um resort para chegar à praia)

- Chuí

- Cidade da Guatemala

- Cubatão

- Dallas

- Dirkou, Níger (exército na rua, prostitutas, caminhões apinhados de trabalhadores rumo à Líbia. Deu?)

- Emirados Árabes Unidos

- Filadélfia

- Gaza

- Haiti

- Ilhas Malvinas

- Iquique, Chile

- Itanhaém

- La Paz

- Leipzig (tem o túmulo do Bach e o café mais antigo da Europa. And…)

- Lima

- Mar del Plata (“Eu queria ser Punta del Este”)

- Maria Farinha

- Minneapolis (simpática, cheirosa, verde, qualidade de vida nota 10. E a alma de um disco do Richard Claydermann)

- New Jersey

- Oiapoque

- Panama City

- Papeete (de que vale ser capital do Taiti feinha desse jeito?)

- Paraguai

- Piauí

- Porto Seguro

- Rio das Ostras

- Roterdã

- Ruanda

- Sagres, Portugal (fim do mundo? É aqui)

- São José do Ribamar

- Suez

- Tijuana (ir de San Diego pra lá é mole; voltar…)

- Trinidad e Tobago

Já o respeitadíssimo The Times fez uma lista de 5 lugares que “não são isso tudo”.

- Stonehenge - Inglaterra

- Petra - Jordânia

- O Coliseu - Roma

- Machu Picchu - Peru

- Angkor - Camboja

Eu faria duas modificações neste grupo: retiraria Angkor Wat e colocaria a Torre Eiffel, que é linda de longe e de baixo, mas insuportável para quem se dispõe a subir seus andares.

Ou será que era eu que estava com dor de barriga?

- Gabriel Prehn Britto
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› 29 de setembro de 2009

Personal Guia de Organização Turística

CAPÍTULO 2 - ORÇAMENTO SEM COMPROMISSO

No capítulo anterior, em um dos passos para a definição do destino das férias, eu dizia para você calcular quanto a brincadeira custaria. Chegou a hora de mostrar como eu faço isso.

Se você gosta de estudar os destinos, essa é uma etapa maravilhosa, porque é o momento em que você começa realmente a viver as férias. É quando você estabelece um roteiro inicial, vendo quantas cidades merecem ser visitadas e quantos dias ficar em cada uma delas, pesquisa alguns hoteis para saber os preços e descobre algumas maneiras de fazer os trajetos internos. O projeto começa a se tornar realidade na sua frente e você passa a falar sobre a viagem com propriedade de quem entende um mínimo do assunto.

Esse é o lado bom.

O lado ruim é que, se você não for a Mãe Dináh, vai ser impossível saber exatamente quanto a viagem vai custar. Infelizmente, tem coisas que estão além do seu alcance. Não dá para calcular quanto você vai gastar com comida, os hoteis podem mudar os preços na época em que você for, as passagens podem subir ou descer. O que dá para saber é um valor aproximado da conta.

Siga os passos abaixo e veja como fazer. Mas, para garantir que você não vai quebrar na volta, tenha sempre em mente que tudo vai custar um pouco mais do que o calculado. Seja pessimista agora para ser feliz depois.

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- O tempo voa

Fui!

Antes de mais nada, defina quando você vai. Claro que você ainda não precisa saber exatamente as datas em que vai tirar férias, mas apenas a época. Isso é importante para ver se você vai na alta, na média ou na baixa estação, o que é básico para verificar valores de hoteis e passagens, já que eles sobem ou descem de acordo com a temporada.

Para ver quais são as melhores épocas em cada lugar, dê uma lida nos guias nas livrarias, pesquise em fóruns, visite o Lonely Planet e o Routard, coloque “(nome do lugar) melhor época” no Google e dê uma passadinha nesse site que eu descobri há pouco tempo, o Travelika.

Importante: lembre-se de que a melhor época não depende apenas do clima, mas também de eventos religiosos, feriados, férias escolares e um caminhão de outras coisas. Por isso, é importante pesquisar bem antes de decidir.

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- Melhor roteiro original

Senta e escreve

Com a época de viajar decidida, comece a esboçar um roteiro fazendo uma lista de cidades e regiões interessantes nos lugar aonde você está indo. Isso é fundamental para determinar quantos dias você vai precisar e, consequentemente, quanto vai ter que investir para ser feliz.

O primeiro passo para isso é pesquisar em sites de agências de viagens. Como eu disse no Capítulo 1, estas empresas costumam incluir apenas os lugares imperdíveis em seus itinerários, o que é uma boa luz neste início de trabalhos. Como dica de agências pesquisáveis, recomendo a Highland Adventures para roteiros mais aventureiros.

O segundo passo é a boa e velha pesquisa em fóruns, blogs, Lonely Planet e Routard. Este último é ótimo, porque geralmente aconselha itinerários de acordo com o tempo que você tem disponível para tirar férias (clique e veja um exemplo com o Chile).

Depois desta pesquisa de cidades, abra aquele seu velho Atlas do colégio e trace um caminho para a sua viagem. Não existe uma regra para isso, mas se você for entrar e sair da região pelo mesmo aeroporto, a lógica é fazer um círculo, evitando idas e vindas em lugares já vistos. Se você for entrar por um lugar e sair por outro, a lógica é encaixar as cidades de acordo com as suas distâncias, evitando deslocamentos muito longos no meio das férias.

Veja o exemplo do meu roteiro no Sudeste Asiático:

É tosco mais é sincero

A chegada à região aconteceu por Bangcoc. A partir dali, desenhei um círculo que só foi interrompido por Sa Pa e pela Baía de Halong, onde não havia alternativa que evitasse a passagem repetida por Hanói. De resto, um único sentido, saindo da capital tailandesa até voltar a ela.

Lembre-se de que a lista de cidades que você tiver em mãos poderá ser alterada no final disso tudo. O motivo é simples: são grandes as chances de você encontrar outros lugares interessantes ou se desinteressar por algum ao longo da sua pesquisa. Lembre-se que isso é apenas um esboço.

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- Nem um dia perdido

Amor, sua barriga fez barulho...

Com a lista de cidades em mãos, hora de pesquisar cada uma para saber quantos dias de atenção ela merecem. De novo, abuse da internet. Mas desta vez use mais o Google. Coloque “quantos dias (nome da cidade)” e veja no que dá.

Se isso não der resultado, tente o equivalente em inglês (”how many days”) ou procure em blogs e sites. À medida que os resultados forem surgindo, vá anotando o que os outros viajantes recomendam e coloque sempre um dia a mais em cada um, para poder cortar no final, se for preciso.

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- Mi hotel, su casa

Hotel Home

Agora que você já sabe para onde vai e quantos dias precisa ficar em cada cidade, é hora de tirar uma febre dos preços dos hoteis. Ao contrário do que você pode estar pensando, ainda não chegou o momento de decidir em qual hotel você vai ficar, mas apenas ter uma ideia de quanto custa um hotel do seu agrado onde você vai.

Existem vários sites com dicas e opiniões de viajantes sobre hoteis, mas eu costumo utilizar o Trip Advisor.

Trip Advisor

Lá, é só colocar o nome da cidade desejada no espaço indicado e esperar a lista de estabelecimentos. Você pode ordenar alfabeticamente, por popularidade, por preço e por classe.

Uma alternativa é procurar algum site “oficial” da cidade, já que eles normalmente têm indicações de hoteis. Ou ainda colocar “hotel (nome da cidade)” no buscador de sua preferência e ver no que dá.

Depois de encontrar um hotel que pareça bom é só calcular quanto você vai gastar nele, multiplicando a tarifa pelo número de noites esperadas.

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- Falta muito, pai?

Em três dias a gente chega!

Descobrir a melhor forma de ir de uma cidade a outra nem sempre é fácil. Às vezes não há muito para pensar, a única alternativa é um avião e ponto. Mas em outras, é preciso um bocado de pesquisa e paciência, e, para isso, nada melhor que a velha web.

Basicão

As palavras-chave nessa busca são “como ir (nome da cidade)”, e “de (nome da cidade) para (nome da cidade)”, com as variações para o inglês. Depois, é enfiar a cara nos links para ver o que outros viajantes recomendam.

Quando encontrar a(s) melhor(es) forma(s) de se deslocar, aproveite para tentar descobrir quanto custam as passagens, usando a mesma pesquisa.

Importante: nesta etapa, lembre-se que comprar as passagens aéreas internas junto com as passagens internacionais pode significar uma grande economia. Vale fazer muitas simulações nos sites das companhias de cada país, até ver a melhor opção para colocar no seu orçamento. Como exemplo, minha pesquisa para o Peru apontou uma diferença de R$ 1.000 entre uma eventual compra dos trechos separadamente ou em conjunto, pela LAN. Uma economia gigantesca. Infelizmente, algumas companhias não oferecem a opção de ver trechos múltiplos pela internet. Nestes casos, apurrinhe o pessoal pelo telefone mesmo e faça todas as suas simulações com a ajuda do atendente. Além de garantir um orçamento mais fiel à realidade, você ainda colabora para que estas companhias tomem jeito e ofereçam a alternativa digital.

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- Guia não é só de papel

Posso ir, dona?

Se você estiver planejando férias em um lugar civilizado, não vai ser preciso o acompanhamento de um guia. Mas se seus planos incluírem algumas aventuras selvagens ou países menos organizados e seguros, é possível que você precise de uma companhia profissional em determinados momentos. Desbravar cavernas de caiaque na baía de Halong, no Vietnã, não é recomendado para leigos desacompanhados, por exemplo. Então não esqueça de incluir isso no seu pré-orçamento, porque um serviço destes pode custar bem caro.

Para saber se você precisa ou não de um guia, corra para o Google, o Bing ou o seu buscador preferido e pesquise.

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- Saco vazio não para em pé

Beber água pode dar sede

Esta é a parte mais “chute” do orçamento, porque simplesmente não dá para descobrir exatamente quanto custa comer em um determinado lugar. Mas dá para ter uma ideia de se é caro ou barato.

La dolorosa

O que eu faço normalmente é visitar o Lonely Planet e dar uma olhada na seção Practical Information do país pesquisado. Ali é possível saber se ele é considerado uma pechincha ou uma exorbitância. Dependendo da resposta, é só acrescentar um valor médio a cada dia.

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- Peça a conta

Pior que cálculo renal

Depois de toda essa epopeia, some tudo e veja quanto deve sair a sua viagem. Sugiro que você converta os valores para dólar ou euro, para não correr o risco de ver todo o trabalho ir para o lixo em caso de mudanças bruscas no câmbio. E não esqueça que isso é apenas uma estimativa. A única intenção aqui é saber se existe a chance de você realizar o sonho ou se é melhor trocar o destino por outro mais barato.

Aliás, para ver se o outro é realmente mais barato, volte lá para cima e faça tudo de novo.

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Próximo capítulo: depois eu digo, ainda não defini.

- Gabriel Prehn Britto
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› 14 de setembro de 2009

Personal Guia de Organização Turística

Fazia tempo que eu queria me dedicar ao guia que começo nesse post. Já aviso que ele deve demorar para ficar completo porque a ideia é escrever à medida que ocorrem os preparativos para a próxima viagem - que ainda não está definida, algo que só deve acontecer lá por março de 2010, infelizmente.

Em menos de 140 caracteres: a intenção aqui é dar uma mão a quem fica confuso na hora de organizar uma viagem, mas não quer se render a um pacote turístico pré-cozido.

Sem mais enrolação, hey ho, let’s go.

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PERSONAL GUIA DE ORGANIZACÃO TURÍSTICA

CAPÍTULO 1 - QUE DESTINO NOS ESPERA?

Escolher o destino parece bolinho, mas não é. Se você não tiver um lugar ultra-desejado na sua cabeça ou não for financeiramente avantajado, esta pode ser a parte mais difícil da aventura. Afinal, como você vai simplesmente esquecer aquela viagem tão sonhada pelo interior da Itália para fazer aquela viagem tão sonhada pelo interior da França? Nestas horas, é preciso uma dose cavalar de calma, racionalidade e, principalmente, desapego.

Tudo começa com uma lista de destinos almejados. Tente fazer a sua da forma mais enxuta possível e siga as dicas abaixo. Elas estão em uma ordem mais ou menos lógica para mim, mas você pode seguir como preferir, óbvio.

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- Até que as férias nos separem

Foto: siim-teller (Flickr)

Viajantes solitários podem pular esta parte, mas casados não. Estes precisam ser políticos e decidir em dupla, já que satisfazer a vontade de apenas um é uma péssima ideia. Vai por mim: ir para um lugar sem ter curiosidade de conhecê-lo é um convite à frustração. O mau humor pode acompanhar cada passo, cada voo e, principalmente, cada roubada. E o que era para ser um período de prazer, pode virar uma tortura tanto para quem escolheu a viagem quanto para quem foi empurrado para ela.

Se vocês forem aqueles casais estilo “os opostos se atraem”, perfeito: uma boa parte dos integrantes da sua lista vai ser impiedosamente cortada por um lado e por outro.

Mas se vocês forem daqueles que combinam em tudo, provavelmente a lista não será reduzida. É, o amor tem suas desvantagens.

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- Dinheiro na mão

Foto: amalthya (Flickr)

As finanças são uma parte relativamente simples do processo de seleção.

Tenha em mente o máximo que você pode economizar por mês e o máximo que você aguenta esperar até viajar. Faça os cálculos e você vai ter um valor aproximado do seu orçamento para as férias.

Exemplo: você pode economizar 500 paus por mês e topa ficar um ano e meio sem férias? Beleza. Salvo boladas e gastos inesperados, seu limite é 500 X 18 = R$ 9.000.

Feito isso, corte da lista todas as opções que estiverem acima do seu orçamento (calma, Cocada: no Capítulo 2 explicarei como fazer esse pré-orçamento).

Obviamente, quando mais tempo você conseguir suportar sem entrar num avião, mais dinheiro você vai ter para viajar. Esse período de abstinência muitas vezes é imposto pelas melhores épocas para se visitar os lugares que você deseja. Veja o meu exemplo: só poderei tirar férias em junho de 2010, mas como os lugares onde pretendo ir não são bons nesse mês, terei que esperar até setembro. Ou seja, teoricamente eu teria 12 meses para economizar, mas ganhei mais dois por conta do clima. É ruim e bom ao mesmo tempo.

Em algum capítulo mais adiante escreverei sobre como verificar as melhores épocas para viajar.

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- O chefe manda

Foto: [tunchi] (Flickr)

Quantos dias de férias você vai conseguir ter? Essa é uma informação básica para definir aonde você vai.

Se o seu trabalho só permite que você saia 15 dias de uma vez, primeiro você tem que pensar em mudar de emprego, depois você deve cortar os lugares muito distantes e aqueles com muitas atrações que não poderão ser vistas em uma única visita. Reles mortais não podem se dar ao luxo de pagar 2 mil dólares para uma passagem para a Ásia para passar apenas 10 dias por lá. Eu, pelo menos, não posso.

Por outro lado, se você puder tirar seus 30 dias sem problemas, talvez seja a hora de realizar aquela viagem para o outro lado do mundo e postergar aquela para um país vizinho. Nunca se sabe quantos dias você vai conseguir no ano que vem, não é?

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- O tempo ruge

Foto: gentleman-of-sophistication-and-refinement (Flickr)

Pare e analise: quais destinos da sua lista correm risco de mudar de cara radicalmente ou até mesmo desaparecer nos próximos anos?

Cuba tende a virar um grande resort quando o Fidel morrer. Machu Picchu é um sítio arqueológico em perigo. A cada ano, a Antártida derrete e Veneza afunda. O Irã corre o risco de ser destruído em uma guerra com Israel. Os orangotangos de Bornéu estão em extinção.

Isso tudo é triste, mas é mais um estímulo para você deixar para depois aqueles lugares que estão na santa paz e optar pelos que estão ameaçados.

Para saber quais lugares correm risco de existir apenas em cartões-postais num futuro próximo, visite o site da Unesco ou compre o livro 500 Hundred Places to See Before They Disappear, da Frommer’s. Pelo pouco que li do livro, achei que há um pouco de exagero lá. Mas, enfim, fica a dica.

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- Vai estudar, meu filho!

Foto: drewnoakes (Flickr)

Ainda restam candidatos? Então a sua saída é estudar cada um deles com mais atenção. Muitas vezes a gente vê algumas fotos lindas de um lugar e deduz que tudo lá é uma maravilha. Daí resolve estudar um pouco mais e descobre que, na verdade, só existem uma ou duas atrações interessantes. Ou, às vezes, até nenhuma, porque as imagens deslumbrantes eram mais mérito do fotógrafo do que do lugar em si.

Procure imagens no Flickr, vasculhe o Lonely Planet, o Routard, o Viaje na Viagem (tanto o livro quanto o blog), o Google até mesmo os roteiros de agências de turismo. Sim, agências de turismo. Elas geralmente só incluem cidades muito famosas, o que dá para você uma ideia de quantos lugares valem a pena ser visitados onde você quer ir. Então faça a sua escolha.

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Próximo capítulo: ORÇAMENTO SEM COMPROMISSO, ou “como ter uma ideia de quanto você vai gastar na sua viagem”.

- Gabriel Prehn Britto
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› 17 de agosto de 2009

Amigos no mundo todo

Adorei muito isso aqui que descobri na Folha Online de hoje:

Muy amigo

Rent a Local Friend. Um grupo de pessoas que se oferecem para acompanhar viajantes em terras estrangeiras. Não são guias, porque não levam você apenas para os pontos turísticos (a não ser que você queira). Eles levam você àqueles lugares que só quem vive nas cidades conhece, tudo de acordo com a sua preferência. Bem como um amigo faria mesmo.

Quando vivi em Praga, lá entre 2000 e 2001, pensei seriamente em trabalhar como guia particular para brasileiros. Cheguei a comprar livros de história para estudar tudo direitinho, mas depois desisti quando percebi que eu amava demais aquela cidade e que não conseguiria lidar com eventuais clientes que ficassem reclamando do humor “peculiar” dos tchecos.

Agora, essa ideia deles aí, de não ser apenas um guia, mas um “amigo”, é sensacional. Será que eles não querem um representante em Praga? Tô me candidatando.

- Gabriel Prehn Britto
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› 11 de agosto de 2009

Companheiros de uma só viagem

Um dia, aquela pessoa aparece na sua frente. Pode ser no início ou no meio das férias, no hotel ou no aeroporto. Vocês ainda não se conhecem, mas ela está esperando por você, para viver a aventura ao seu lado.

Ela é o seu guia.

Seja em um city tour estilo turistão ou em uma jornada particular, aquela pessoa vai fazer parte da sua viagem. E se ela for simpática e atenciosa, o que fazer quando a aventura acabar? O que fazer com a saudade que os guias deixam?

Sempre penso nisso quando me despeço deles. Confesso que nunca sei como agir. Fico constrangido e triste ao mesmo tempo, porque sei que, apesar dos sorrisos e dos desejos de boa sorte serem sinceros, sei que aquele “See you next time!” é pura formalidade e ambos temos consciência de que é a última vez que nos vemos.

À direita, Mr. Youthni, nosso guia e motorista de tuk-tuk em Siem Reap, no Camboja

Anotamos e-mails, mas o diálogo na volta para casa raramente passa de “Oi, cheguei bem ao Brasil. Adorei o seu país. Obrigado por tudo!” e “Que bom! Venha sempre que quiser!”. Até já troquei outras mensagens com alguns mas não duraram muito.

A distância, o pouco tempo de relação (apesar da simpatia mútua), as dificuldades de comunicação (muitos guias não se dão tão bem com o inglês), as diferenças culturais e até as econômicas e sociais fazem esse contato se perder na rotina. Depois daquele alô formal pela internet, não há mais assunto em comum a ser tratado.

Parece frio, mas a saída para mim é (tentar) encarar tudo como uma relação profissional. Eu estou pagando, ele está trabalhando. Amanhã ele vai guiar outras pessoas e provavelmente nem vai se lembrar de mim. Não preciso me sentir tão mal, afinal.

E assim, lá se vai uma pessoa com quem você compartilhou momentos bons e até inesquecíveis. Alguém que conversou com você por horas, ensinou palavras na língua local e fez você praticar seus conhecimentos de inglês, francês, espanhol ou seja lá o que vocês falaram. Dependendo da duração da convivência, trocou até informações mais íntimas, familiares, pensamentos políticos, religiosos, futebolísticos e tudo que é assunto tratado em uma conversa onde todos os participantes têm curiosidades a satisfazer. Alguém que participou da sua viagem. Mas que, por essas coisas da vida de viajante, você provavelmente nunca mais vai ver.

- Gabriel Prehn Britto

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› 26 de julho de 2009

Um pouco de sexo nesse blog

"Ei, pessoal! Alguém aí quer ir na Acrópole comigo hoje à tarde?!"

Semana passada encontrei, no G1, uma matéria sobre um guia de viagens destinado a estrangeiros que vão para o Rio de Janeiro atrás de festas. O nome do guia é Rio for Partiers e nele estão as melhores dicas, segundo o autor brasileiro, para o gringo pegar as mulheres cariocas.

“Opa, peraí! Turista que quer festa? Gringo em busca de sexo com brasileiras? Não, isso não podemos admitir”, devem ter pensado os burocratas castos do Instituto Brasileiro do Turismo ao tomar conhecimento da publicação. Imediatamente entraram na justiça para tentar impedir a sua comercialização, o que ainda não conseguiram. A razão para tal é, segundo a Advocacia-Geral da União, porque o guia “estimula o turismo sexual” e “expõe o povo brasileiro a situação vexatória”.

Não encontrei nada que dissesse que o tal guia estimula o estrangeiro a procurar prostitutas. Não li nada sobre apologia ao sexo com adolescentes e crianças. Se tivesse ao menos uma única linha a favor destas duas atitudes, eu me colocaria completamente a favor da proibição do livro. Mas não havendo nada disso, fica uma dúvida: é proibido ser um turista que viaja atrás de sexo casual com nativos?

Aposto um Rio for Partiers que, se alguém fizer uma pesquisa com jovens viajantes entre 18 e 24 anos, vai descobrir que 99% deles querem apenas (ou também) fazer festas, beber, beijar e transar nos países visitados. Quem já dormiu em um albergue sabe muito bem disso, porque a movimentação do pessoal em busca de diversão dura a noite inteira, e atrapalha o sono dos velhotes como eu.

Ah, mas o guia divide as cariocas em grupos e denomina algumas de “popozudas”! Sim, e daí? Não tá cheio de mulher por aí que se orgulha em ser considerada uma popozuda? Homens e mulheres não vivem separando seus alvos sexuais em prateleiras diferentes? Não existem os homens “para casar”, “para uma noite só”, entre outros? O que o guia fez foi puramente apresentar estas características de forma clara e divertida, que é o que qualquer viajante procura em uma publicação do tipo.

Amsterdã deve ganhar muito dinheiro com o seu Red Light District. A Grécia e a Espanha faturam horrores com suas ilhas movidas a festas. Até o Mardi Gras de New Orleans pode entrar nesse grupo, já que atrai um monte de turistas em busca de peitos de fora. Ou seja: o sexo é um grande estímulo ao turismo e não há o menor problema nisso, desde que todos os envolvidos sejam maiores de idade e estejam de acordo. O resto é burocracia e hipocrisia.

- Gabriel Prehn Britto
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› 24 de julho de 2009

Tudô pour preparer sua voyage

Para coroar a sexta-feira, aqui está uma dica para quem vai passar o fim de semana montando a sua viagem de férias: o guia Routard.

O mais francês dos guias

Talvez muitos já conheçam, mas como sei que existe um monte de gente que nunca ouviu nada sobre ele, vai a recomendação.

O Routard é um guia francês completo pra caramba. O site dele é zilhões de vezes melhor que o do Lonely Planet, porque dás as informações de forma muito mais clara e objetiva. Para mim, é fundamental na hora de planejar qualquer viagem.

Claro que é necessário saber francês para aproveitar o Routard ao máximo (até procurei um botão “Anglais”, mas não achei nada). Mas até quem sabe muito pouco da língua pode sacar algumas dicas boas.

Acessa lá, coloca no teu Delicious e bonne fin de semaine.

- Gabriel Prehn Britto
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