Guias

› 10 de julho de 2011

Guias bizarros

Tem mercado para tudo nesse mundo do turismo.

Veja essa lista de guias de viagem bizarros. Encontrei todos em uma seleção do Listverse.com. Coloquei apenas 4 (a lista original mostrava 10, não concordei com os outros 6), mas tenho certeza de que são apenas a ponta do iceberg dos guias estranhos.

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• The Space Tourists Handbook

The Space Tourists Handbook

Quantas pessoas realmente precisam deste guia? Segundo o Wikipedia, apenas 7 privilegiados já conseguiram fazer turismo espacial e, mesmo que o livro não trate apenas de viagens até a Estação Espacial Internacional (ele também fala de voos de gravidade zero, suborbital e assemelhados), o número de turistas que conseguiram ver o mundo azul não é assim tão grande.

É aqui que entra o “detalhe”: um dos autores é o presidente da Space Adventures, a empresa que levou todos os 7 turistas para o espaço. Dinheiro para imprimir um livro apenas por galhofa não é problema para ele.

Custa 15 USD na Amazon.

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• Laid to Rest in California

Laid to Rest in California

Visitar cemitérios famosos: OK. Eu faço isso sempre que posso.

Mas daí a comprar um guia exclusivo dos cemitérios da Califórnia vai uma distância considerável.

Laid to Rest in California é a bíblia de quem quer visitar a moradia eterna de todos os figurões, astros e estrelas vizinhos de Hollywood. Tudo com direito a fotos de túmulos, obituários, contato (com os cemitérios, não com os mortos) e horários de visitação. Também tem dicas de restaurantes para quando você estiver morrendo de fome.

Sai por 15 USD na Amazon.

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• The Complete Medical Tourist

The Complete Medical Tourist

Eu sei que o turismo médico é um setor que vem crescendo. Mas ainda acho estranho existir um guia especializado nisso (na verdade existem vários). Neste livro, são apresentados 24 países e suas sei lá quantas atrações médicas, com detalhes de valores, burocracias e coisa e tal.

O preço (do livro, não das cirurgias) é 20 USD na Amazon.

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• Other People’s Business

Other People's Business

Ainda acho que traduzi errado a descrição desse guia maravilhoso. São 87 tours por empresas e indústrias em Ohio e arredores? É isso mesmo?

Novo, não tem mais para vender na Amazon. Mas você encontra essa belezinha usada por até 1.60 USD.

Acho caro.

EM TEMPO: perdão pelas fotos dos dois últimos aqui em cima. Foi o melhor que eu pude fazer com o que encontrei.

- Gabriel Prehn Britto
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› 11 de abril de 2011

Guias. Ou melhor: guides

Chegou meu guia Lonely Planet do Irã. Hora perfeita para um post sobre onde encontrar, como escolher e comprar guias para destinos “não-convencionais”.

Lonely Planet Irã

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DO YOU SPEAK INGLÊS?

A primeira lição é: você dificilmente vai encontrar este tipo de guia em português.

As coisas até andam melhorando (já tem guia para o Vietnã e Camboja em nossa língua) e talvez você encontre algo em espanhol e em francês. Mas o único certo mesmo é o inglês. Be prepared, babe.

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UNI-DUNI-TÊ, QUE GUIA ESCOLHÊ?

Você não vai ter muitas alternativas na hora de escolher seu guia. Existem zilhões de editoras por aí, mas (até onde eu sei) muito poucas cobrem países exóticos.

Photo: The Hamster Factor (Flickr)

A mais completa, sem sombra de dúvidas, é a Lonely Planet, com guias para qualquer canto obscuro do mundo. Mas vale pesquisar e dar uma olhada mais aprofundada em tudo que você eventualmente encontrar. Às vezes, editoras que não são especializadas em turismo lançam livros muito bons no assunto.

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LIVRARIAS ANALÓGICAS

Faça o óbvio e vá às livrarias mais bem servidas da sua cidade. De novo, dificilmente você vai encontrar algo. Nossas livrarias, mesmo as maiores, costumam ter apenas os guias de destinos mais populares.

Caso você dê sorte e encontre o guia que procura, fique esperto: é bastante normal que seja uma edição antiga. Não compre antes de confirmar isso com um vendedor.

Photo: Carl Parkes (Flickr)

Caso você tenha nascido com a mala para a lua e encontre uma edição atual do guia que procurava, segure seus ímpetos e não compre ainda. Anote o preço e passe vá para o tópico “Livrarias Digitais Gringas”. Os preços de guias são supervalorizados no Brasil e provavelmente vai sair mais barato importar seu exemplar.

(Não seja bobo de se preocupar com coisas como “preciso comprar logo ou alguém vai levar”. Se você teve sorte suficiente para encontrar esta raridade, não vai ter o azar de alguém comprar justamente o seu achado.)

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LIVRARIAS DIGITAIS BRAZUCAS

Antes ou depois da peregrinada pelas livrarias da sua cidade, não esqueça de dar uma passadinha também nos sites delas.

Às vezes, o que você não encontra na loja está no estoque virtual ou em alguma filial perdida pelo Brasil. Se o preço não for muito mais alto do que nas livrarias gringas, vale fazer o pedido ali mesmo, já que as encomendas nacionais costumam chegar bem mais rápido do que as internacionais.

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LIVRARIAS DIGITAIS GRINGAS

Tudo isso é muito bonito, mas o mais provável é que você tenha que encomendar seu guia em alguma livraria gringa. Como a importação de livros é livre de impostos, muitas vezes vale a pena, apesar da espera pela encomenda.

O básico da busca internacional é a Amazon, claro, mas não se prenda a ela.

Faça sempre uma comparação com os sites das próprias editoras. A lova virtual da Lonely Planet faz promoções muito boas e pode valer a pena. O prazo de entrega costuma ser parecido, então não se preocupe com isso se você não estiver em uma urgência.

Isso não é um banner pago no meu blog, infelizmente

Também vale ficar de olho nas ofertas de compras casadas, oferecidas pelos sites. Se aquele livrinho de khmer básico for oferecido por uma pechincha junto com o seu guia do Camboja, coloque no carrinho. Pode ser útil na viagem e, no mínimo, vai ser uma boa recordação.

Barbadinha persa

Dica básica: se você tiver outros livros para encomendar ou amigos que também queiram importar livros, junte todos em um mesmo pedido. O preço do frete de um único exemplar costuma ser o mesmo uma quantidade maior, então faça a grana render.

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DOWNLOAD LEGAL E “DOWNLOAD LEGAL”

Eu ainda prefiro ter o guia em formato de livro, mas se você não se importa com isso, pode economizar uns trocados imprimindo guias em formato PDF.

O site da Lonely Planet oferece essa opção com desconto em relação à versão encadernada.

PDF

Você também tem a opção de comprar apenas os capítulos que interessam a sua viagem - o que pode ser uma boa vantagem naquelas edições que cobrem mais de um país, quando você só vai para um deles.

Ah, claro, você também pode baixar guias de graça por aí, mas eu não vou dizer onde, para não me comprometer.

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I-APLICATIVOS

Não recomendo aplicativos de telefones e tablets para destinos incomuns.

Apesar de lindinhas, essas coisinhas precisam de energia e tomadas. Se já é um porre lembrar de recarregar baterias de câmeras a cada sei lá quantos dias, é ainda mais chato ter que fazer isso com o seu guia - sem falar que pode ser muito difícil em determinados lugares.

Photo: CJ Sorg (Flickr)

Se você tiver um iPhone, então, vai precisar de tomada todos os dias. Um suplício.

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Basicamente, c’est ça. Agora é comprar e viajar.

- Gabriel Prehn Britto
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› 5 de janeiro de 2011

Se ficar o zumbi come

Aconteceu.

Por motivos até este momento desconhecidos, os mortos se levantaram de suas tumbas e saíram pelas cidades, famintos, em busca de cérebros humanos.

É o apocalipse zumbi.

Photo: James Calder (Flickr)

O que fazer agora?

Além de todas as recomendações básicas (se você ainda não sabe quais são, leia, sua existência depende disso) também existem duas saídas pouco divulgadas: o aeroporto e o mar.

Mas para onde ir? Quais cantos do mundo são mais seguros contra o ataque destes seres que dançam Thriller?

E em quais lugares você não deve nem pensar em colocar os pés, porque certamente já estão tomados por zumbis?

Photo: Michael Caroe Andersen (Flickr)

Photo: Ollie T. (Flickr)

Comecemos com onde você NÃO DEVE IR.

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1) Haiti, República Dominicana e qualquer lugar do Caribe e do México

Photo: Eyeline Imagery (Flickr)

Não seja besta. O Haiti é a terra do zumbis, a verdadeira Zumbilândia.

O vodu é a religião mais praticada por lá e eram justamente os feiticeiros vodus que, até agora, tinham o poder de reanimar os mortos. A República Dominicana fica na mesma ilha do Haiti e é tão perigosa quanto. Fuja.

Aliás, fuja de qualquer lugar no Caribe e no México. Nunca se sabe se algum feiticeiro vodu já andou por ali reanimando uns cadáveres.

Photo: Christian y Sergio Velasco

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2) Estados Unidos

Photo: jmm (Flickr)

EUA? Você enlouqueceu? Salvo poucas exceções, os maiores (e mais verdadeiros) filmes de zumbis acontecem nos EUA: A Noite dos Mortos-Vivos, O Dia dos Mortos, A Madrugada dos Mortos, Resident Evil, et cetera.

Photo: Cory Doctorow (Flickr) / Painting: Grayson Coffee

Apesar do país ser gigantesco, mais cedo ou mais tarde eles vão encontrar você. Principalmente se você for para alguma cidade grande ou algum dos estados do sul, onde o vodu também é praticado.

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3) Europa, Ásia e África

Photo: jasohill (Flickr)

Esqueça estes continentes. Eles são habitados há milênios e já passaram por uma pá de guerras. O que tem de morto lá não é brincadeira, meu amigo. Certamente já estão tomados por zumbis.

Photo: Philippe Leroyer (Flickr)

Photo: lush-design (Flickr)

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5) Argentina

Desde aqueles 4 X 0 para a seleção alemã na África do Sul, a Argentina tem 40 milhões de zumbis vagando pelas ruas. Esqueça. Você nunca mais vai comer alfajores na sua vida.

Photo: Sebastian Dario (Flickr)

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Agora vamos aos lugares para onde você DEVE IR.

Ilhas são os locais mais indicados. A princípio, zumbis não nadam nem pilotam barcos. Mas quem garante que eles não vão aprender? Por isso também vale a dica: quanto mais longe da costa, melhor.

Photo: M. V. Jantzen (Flickr)

Procure lugares isolados e nunca antes habitados, para evitar que haja pessoas sepultadas.

Se não encontrar nada assim, escolha destinos com poucos habitantes e cemitérios pequenos. Com boa pontaria e munição suficiente, você consegue dar conta de algumas dezenas de zumbis.

Photo: Zanthia (Flickr)

Importante: sua ilha precisa ter solo fértil ou abundância de peixes. Você vai ter que passar o resto da vida ali. É fundamental ter comida.

Vamos aos locais que encontrei:

1) Ilha Pirâmide de Ball

Photo: Fanny Schertzer (commons.wikimedia.org)

Coloco a mão carcomida de um zumbi no fogo: a ilha Pirâmide de Ball é o refúgio mais UAU! para os sobreviventes.

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Ela fica longe de tudo, entre a Austrália e a Nova Zelândia. Hoje, esta pedra gigantesca é um parque natural protegido pelo governo australiano, que não permite desembarcar ali.

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2) Ilha Foula

Photo: c41um (Flickr)

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Apesar de ser bastante gelada no inverno (fica no norte da Escócia), Foula é uma ótima opção. É linda, tem solo fértil e até abrigo, já que é habitada por mais ou menos 30 pessoas (don’t worry, vocês darão conta dos zumbis).

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3) Ilha Pitcairn

Photo: M J Patterson (Flickr)

Já pensou viver em paz e sem zumbis em plena Polinésia? Então voe para a ilha Pitcairn.

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Sol, céu azul, isolamento total e apenas 50 habitantes.

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4) Ilhas Palmyra

Photo: U.S. Fish & Wildlife Service Pacific Region's (Flickr)

Photo: U.S. Fish & Wildlife Service Pacific Region's (Flickr)

Mais uma opção para quem gosta de calor, sol e solidão. Fica entre o Havaí e a Samoa Americana.

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Tem até pista de pouso, construída pelo governo americano durante a Segunda Guerra e nunca foi habitada. Perfeita.

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5) Sealand

Sealand é uma nação fictícia criada por um inglês excêntrico em uma base naval britânica a 10 km da costa do país.

Photo: Casey Hussein Bisson (Flickr)

Não é exatamente um destino bonito, mas certamente é o mais seguro: é isolado e bem acima do nível do mar, mesmo que os zumbis aprendam a nadar, também terão que aprender a levar escadas.

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Nunca teve cemitérios e a população é de 20 malucos.

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6) Ilha Bouvet

Photo: Carl Chun (commons.wikimedia.org)

Em um apocalipse zumbi ninguém tem muito tempo para escolher onde se refugiar. Por isso não reclame se o único lugar que você conseguir for a ilha Bouvet.

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Em certos aspectos ela é perfeita: é considerada a ilha mais remota do mundo e totalmente desabitada. Mas é coberta de gelo e fria como a Antártida. Leve um casaco.

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7) Ilhas Trindade e Martin Vaz

Photo: john.vergari (commons.wikimedia.org)

Ótimas opções e as mais próximas da costa brasileira. Ficam a 1200 km de Vitória (ES) e são separadas por 48 km de mar entre elas.

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Lado negativo: existem 32 militares vivendo por lá.

Sabe como é: trinta homens no meio de uma ilha. Talvez você tenha que fazer favores para ser aceito/aceita. Melhor que ser comido por zumbis, não?

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8 ) Ilha Nova Amsterdã

Para os amantes da França, uma ilha isolada que faz parte do país.

Ilha Nova Amsterdã

A Ilha Nova Amsterdã (ou apenas Île Amsterdam) fica no Oceano Índico. É desabitada e tem solo bom para fazer a sua horta. Se bobear, você até planta umas uvas para fazer vinho e comemorar a sobrevivência em grande estilo.

Ilha Nova Amsterdã

http://commons.wikimedia.org

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Pronto. As dicas foram dadas. Agora salve a sua vida.

- Gabriel Prehn Britto
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› 24 de agosto de 2010

Quer moleza? Senta na 1ª classe

Thomas Kohnstamm é um gringo que um dia foi convidado pela Lonely Planet para passar um tempo atualizando a edição do seu guia Brasil. Como não é louco, largou tudo e topou a oferta, mas logo percebeu que aquela vida era uma roubada, largou tudo de novo e escreveu Autores de Guias de Viagem Vão Para o Inferno?, um livro que conta o lado difícil de um dos trampos mais desejados do mundo.

Leia

Alguns dos motivos que fizeram Thomas desistir estão em uma entrevista no site da revista Trip: a grana é ridiculamente baixa, o dinheiro que os escritores recebem raramente cobre todas as despesas da viagem, os editores exigem informações impossíveis e não ligam para as dificuldades, os prazos são insanos, a rotina é exaustiva, etc., etc. e etc.

Ter um programa de TV sobre viagens não deve ser muito mais fácil, não. A equipe que me acompanhou durante o Viajante Opanka não estava na mesma moleza que eu (ah, as fé-ri-as!) e o dia-a-dia deles era bem corrido.

O diretor, a produtora, o operador de áudio, o câmera e o motorista (você nem imaginava que era tanta gente, né?) trabalhavam muito. Passavam os dias organizando a agenda. Tinham que resolver os eventuais imprevistos técnicos. Faziam simpatias para que São Pedro ajudasse no clima e malabarismos para que o trânsito não nos atrasasse mais do que o normal. E no final do dia, quando eu já estava de cuecas nos lençois de algodão egípcio da cama king size da minha suíte, eles ainda tinham que analisar, editar e enviar os vídeos para Porto Alegre.

Alguma semelhança com o estresse e a correria que você vive em um escritório? Ah, pois é. Então na próxima vez que invejar mortalmente o povo que ganha para viver em férias, lembre-se do Padre Quevedo:

- Isso NO ECZISTE!

Isso NO ECZISTE!

UPDATE-RELÂMPAGO: Vida de blogueiro de viagem também não é nada fácil.

- Gabriel Prehn Britto
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› 2 de junho de 2010

Futebol, uma caixinha de viagens

Depois de uma semana em campanha feroz (e às vezes sendo chato, eu sei, desculpe), volto à programação normal deste blog enquanto preparo as malas para partir pelo Brasil como Viajante Opanka.

Volto para dar uma dica que, aparentemente, não tem nada a ver com turismo, mas tem - e muito.

Não sou ligado em futebol. Se você perguntar a escalação do meu time, só conseguirei dizer o nome do goleiro. Sobre a Seleção Brasileira, só lembro das camisas espalhafatosas do Dunga e sei que o tal de Ganso e o Neymar não foram convocados, gerando dúvidas sobre a capacidade intelectual do treinador e um monte de opiniões nada respeitosas sobre a senhora mãe dele.

Mesmo assim, não pensei duas vezes antes de comprar o livro A Copa Que Interessa, da editora Dublinense.

A Copa Que Interessa

Eu sabia que algo escrito pelo genial Eduardo Menezes seria bom até mesmo se o assunto fosse futebol. Logo, foi uma belíssima surpresa descobrir que o futebol é apenas o fio condutor de um livro que fala muito mais sobre história, cultura e curiosidades dos 32 países participantes do campeonato da Fifa.

Sabia que os australianos praticam um esporte que mistura boxe com xadrez?

Chess Boxing

Que metade da seleção da Argélia é formada por filhos de imigrantes argelinos nascidos na França, em um movimento de migração contrário ao que normalmente ocorre nas relações entre colonizadores e colonizados?

Argelinos

Sabia que existem 260 etnias, 520 línguas e pelo menos 10 religiões populares na Nigéria?

Não sei em você, mas, em mim, informações deste tipo acendem aquela vontade de visitar um lugar. Como não querer conhecer um povo tão ingênuo como o ganês, que caiu num boato à la Guerra dos Mundos (de Orson Welles) em pleno século XXI?

Gana de ganhar

É realmente A Copa Que Interessa. Pelo menos para quem gosta de viajar.

- Gabriel Prehn Britto
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› 17 de maio de 2010

Introduzindo o Peru

Perdão pelo trocadilho infeliz e clichê no título deste post. Tentei, mas simplesmente não consegui resistir. Prometo me esforçar para evitar outros ao longo do texto. Juro que prometo.

Peru

No fim de 2009, eu dormia e acordava com o Peru na cabeça. O país andino era praticamente o destino certo das próximas férias. Tão certo que cheguei a usar o meu Personal Guia de Organização Turística para montar um roteiro que encaixasse o Peru inteiro (ou sua maior parte, porque o Peru é maior do que você imagina) num espaço de 20 dias de descanso. Era bonito ver o Peru ganhando corpo e crescendo na minha frente. Mas então vieram algumas incertezas e o Peru foi se encolhendo até ficar pequeno no meu mapa-múndi. Caiu na lista de destinos e não levantou mais.

Mesmo assim, o roteiro do Peru continuava armado. Firme, forte. E como eu sou um amigo do peru, lembrei de colocar toda a pesquisa neste post. Porque se as minhas férias não serão gozadas no Peru, talvez você possa se divertir muito nele.

A ideia era, na verdade, fazer uma ménage à trois: eu, o Peru e sua amiga Bolívia, salgando a relação com uma visita ao magnífico Salar de Uyuni. O período seria por agora mesmo, maio. O melhor roteiro que tracei foi este:

Brasil - Lima - Cusco - Machu Picchu - Arequipa - Puno (Lago Titicaca) - Copacabana (Bolívia) - La Paz - Uyuni - La Paz - Lima - Brasil

Entraria pelo Peru e seguiria por ele até a Bolívia, de onde voaria de volta a Lima e, depois, ao Brasil, deixando o Peru para trás.

Em cada planejamento de cidade, você verá a quantidade de noites que imaginei (após pesquisas em fóruns pela internet), o nome e o preço de um hotel que me pareceu decente (após pesquisas no Trip Advisor) e o transporte para o próximo destino, incluindo o valor do deslocamento, quando este não estiver no preço da passagem pela LAN (veja lá embaixo).

Importante: certifique-se dos preços nos links indicados. Não dê mole para o Peru. Ele costuma ser duro com quem não faz as contas direito e pode ferrar suas economias.

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O sol no Peru

Lima

3 noites no hotel El Ejecutivo: 120 USD/casal

Viagem Lima-Cusco (1h15 de voo): incluído no valor da LAN

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Cusquitos

Cusco

3 noites no hotel Inkarri ou no Samanapata: 135 USD/casal

Excursão ao Vale Sagrado: 30 USD

Tour por sítios arqueológicos dos arredores: 50 USD

Trem Vistadome de Cusco para Águas Calientes (4h): 70 USD

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Uma foto diferente de Machu Picchu

Águas Calientes (Machu Picchu)

2 noites no hotel Wirachoca: 130 USD/casal

Ônibus para Machu Picchu (30 min): 15 USD

Entrada em Machu Picchu: 40 USD/dia

Trem Backpacker de volta a Cusco (4h): 50 USD

Voo de Cusco para Arequipa (2h15): incluído no valor da LAN

Alternativa: ônibus de Cusco para Arequipa (10h) - 40 USD

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O condor

Arequipa (cânion Colca)

2 noites no hotel Posada Nueva España: 70 USD/casal

Voo de Arequipa até Puno (40 min): incluído no valor da LAN

Alternativa: ônibus Cruz del Sur, de Arequipa a Puno (5 horas): 22 USD

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Lago Titicaca

Puno (Lago Titicaca)

1 noite no hotel Posada Don Giorgio: 40 USD/casal

Passeio pelo Lago Titicaca: 20 USD

Ônibus de Puno a Copacabana:

Ônibus Panamericano, Colectur ou Tour Peru (2h30): 10 USD

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Princesinha do Titicaca

Copacabana (Bolívia)

1 noite no hotel La Cúpula: 36 USD

Passeio: Ilha do Sol: 15 USD

Ônibus Copacabana-La Paz (3h): 10 USD

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La Paz

La Paz

1 noite no hotel Sagarnaga: 30 USD

Ônibus de La Paz a Uyuni (não sei quanto tempo, mas é demorado): 33 USD

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Uyuni

Uyuni

2 noites no hotel Toñito: 80 USD

Ônibus de volta de Uyuni a La Paz: 33 USD

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La Pazita

La Paz (de novo)

1 noite no hotel Sagarnaga: 30 USD

Voo La Paz-Lima: incluído no valor da LAN

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Favelita peruana

Lima (de novo)

1 Noite no hotel El Ejecutivo: 40 USD

Voo para o Brasil: incluído no valor da LAN

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Os voos por dentro do Peru tiveram o melhor preço na compra de todos os trechos pela LAN: GRU-Lima-Cusco-Arequipa / La Paz-Lima-GRU, com saída em setembro/2010 - 1.049 USD.

lan-chile

Como você deve ter percebido, as refeições não estão incluídas neste roteiro. Mas para o Peru não melar seus planos, reserve uma média que varie entre 3,5 a 8,1 euros para cada refeição (conforme indica o Routard).

Que tal comer picarones no Peru?

Ou se você preferir sentir o genuíno gosto do Peru provando os deliciosos pratos locais em restaurantes bons, prepare-se para mais de 12 euros por refeição. É um pouco mais caro e você pode sair do Peru com uma mão na frente e outra atrás, mas permite que você sinta o Peru por inteiro.

Espero que as dicas ajudem você a se preparar. Nada melhor do que chegar em Lima com o Peru na ponta da língua.

- Gabriel Prehn Britto
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› 10 de maio de 2010

Visite o livreiro de Cabul

(Mãe, não leia isso. Obrigado. Beijo.)

Já pensou em ir para o Afeganistão?

Welcome, my friend - Foto: Jane Sweeney - LP

Se você não for um tarado por viagens, nem tiver sido hippie nos anos 70, é provável que não. Mas talvez seja a hora de mudar de ideia.

Assim como várias zonas de conflito ao redor do mundo, o Afeganistão tem suas regiões consideradas seguras para o turismo. A maior prova disso é o guia do país lançado pela Lonely Planet em 2007, o primeiro depois da queda do Talibã em 2001.

Capa do guia Afeganistão, do LP

O.K. Ir para lá no peito e na raça achando que só vai encontrar crianças empinando pipas é algo um pouco radical demais, para aventureiros extremos. Mas que tal conhecer as regiões consideradas seguras com o acompanhamento de uma empresa de turismo especializada no país?

Sim, existem empresas de turismo especializadas no Afeganistão. Uma delas eu descobri por acaso, lendo uma revista antiga. É a Great Game Travel, do americano Andre Mann. Os caras têm roteiros sensacionais e garantem a segurança do viajante em viagens por regiões onde os conflitos ainda não chegaram e em companhia de guias que sabem tudo das bocadas afegãs.

A vida fácil do afegão médio - Foto: John Mock - LP

Os preços variam, mas são bem menores do que eu imaginei. Segundo o site, uma viagem de 12 dias com quase tudo incluído (exceto passagens aéreas) sai por 4.000 USD.

A Mesquita Azul - Foto: Stephane Victor - LP

Vai dizer que não dá vontade de encarar uma burquinha?

- Gabriel Prehn Britto
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› 5 de abril de 2010

A Batalha Final

Graças ao History Channel, descobri outro lugar para conhecer e, melhor ainda, para passar o fim do mundo.

Escolham seus lugares, porque a luta vai começar

É Megiddo, em Israel, que já foi uma cidade-estado importante nos tempos (muito) antigos, mas hoje é “apenas” uma colina repleta de ruínas, tombada como Patrimônio Histórico da Humanidade, pela Unesco.

O que tem de tão legal lá? Foi o que descobri assistindo ao History: além de ter sido palco de acontecimentos históricos da humanidade, Megiddo é o lugar onde, segundo a Bíblia, vai acontecer o combate final entre Deus e o Coisa-Ruim.

Jesus e Satã: a batalha final

Será a batalha do Armagedon, palavra que deriva de “Har Megiddo” e que significa “Monte Megiddo”, em hebraico.

Reserve já o seu assento, porque essa luta não vai passar no pay-per-view.

- Gabriel Prehn Britto
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› 8 de fevereiro de 2010

Michelã

Juro que imaginei que todo mundo já conhecesse o Via Michelin, o excelente site que a marca criou há tempos para quem viaja pela Europa e arredores. Mas quando desconfiei que a Marcie não conhecia este brinquedinho, me dei conta de que era preciso colocar a dica aqui no blog. Porque se ela não conhece, então um monte de gente nunca nem ouviu falar do Via Michelin.

Via Michellin

Pois bem, a referida maravilha do turismo rodoviário é um site que indica rotas, custos, tempos de viagem e até posições de radares para viajantes da Europa e de alguns países da África e da Ásia, além de hotéis, restaurantes e toda a cauda longa associada a este assunto.

Você vai lá, digita a cidade de saída e a de chegada e espera. Se souber, pode colocar até os endereços dos locais.

Início, meio e fim

Em segundos, ele aparece com o roteiro desenhado e explicado nos mínimos detalhes. Não gostou da sugestão da Michelin? Não tem problema: você também pode pedir as rotas mais rápidas, as mais curtas, as mais turísticas e as mais econômicas (aquelas que fogem de pedágios). E se você for totalmente tecno-hippie, também pode pedir sugestões para ir a pé ou de bicicleta.

Mas, tchê! Não tem a cavalo?

Para um teste ilustrativo, escolhi uma viagem bem longa: Lisboa-Moscou.

É légua pra dirigir

O Via Michelin me apresentou o mapa acima (que pode ser ampliado e impresso), a rota que ele considera a mais adequada, além das infomações de custos de combustível e pedágios, tempo de viagem e distância percorrida.

Raio-x da viagem

E como o negócio é para funcionar mesmo, há até uma planilha indicando cada mísera conversão que você precisar fazer, dentro das cidades e nas estradas.

Real time driving

Claro que com GPS no carro talvez você nem precise do roteiro da Michelin nas suas férias. Mas para planejar quanto vai custar a viagem, ainda não conheci nada melhor.

- Gabriel Prehn Britto

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› 8 de dezembro de 2009

Google, o melhor companheiro de viagem

Pois é, achei que esta semana teria apenas os posts abaixo. Mas então descobri o Google Goggles e tive que voltar para publicar, porque este aplicativo para o Android vai mudar o seu jeito de viajar. Veja o filme e segure o queixo.

- Gabriel Prehn Britto
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