Fenômenos Naturais

› 8 de março de 2010

Onde passar o fim do mundo?

Não preciso repetir os grandes desastres que aconteceram nos últimos anos no nosso rico planetinha, né?

Também não preciso explicar toda a lenda de que este rico planetinha vai pro beleléu no finalzinho de 2012, certo?

Agora pense em todas estas coisas que eu não precisei repetir e explicar e decida: você acha que o mundo vai acabar em breve?

D'ho!

Eu estou, gradualmente, entrando para o time dos que acreditam que, sim, vamos todos virar pó no fim do calendário maia.

Por um lado fico bem triste com isso, afinal, em quase 35 meses (e 90 dias de férias, portanto) não conseguirei conhecer nem um micronésimo dos lugares que cobiço nesta vida de viajante.

Por outro lado fico muito feliz. Um fim de mundo assim, avisado com tamanha antecedência, deve ser algo raro na história dos mundos. Pense bem: poderíamos ser atingidos por um asteróide descoberto poucas semanas antes de bater na Terra, o que não nos daria muito tempo para planejar uma morte em grande estilo. Poderia ser um Ahmadinejad apertando o botão de lançamento da sua bomba atômica, o que nos daria apenas algumas horas para procurar um camarote onde assistir ao grand finale.

O botão

Mas não. Nós somos sortudos como ninguém jamais foi. Teremos mais de 30 meses para decidir onde estaremos no fatídico 21/12/2012. E este é motivo deste post: dar dicas aos viajantes sobre onde assistir ao apocalipse para fazer as reservas logo. Porque se na virada de 2000 para 2001 já foi difícil arranjar vaga em hotel, no fim do mundo vai ser um caos.

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NOVA YORK

Não tenho dúvidas de que não haverá lugar mais grandioso no armagedom do que a Big Apple. Afinal, uma média de 9 entre 10 filmes sobre o assunto devem se passar por lá e Hollywood não pode estar tão errada.

Como será dezembro, não recomendo que você espere a catástrofe fazendo um bucólico piquenique no Central Park. Você correria o risco de morrer de frio antes da cena final.

Pelo menos o piquenique não vai ter formigas

Lugares não faltam: a loja da Apple, o alto do Empire State Building, a ponte do Brooklyn e muitos outros. Mas eu tenho algumas sugestões melhores.

Jingle bells

A Times Square ou junto da árvore do Rockfeller Center são boas pedidas. A decoração para o último Natal certamente será exuberante e você pode morrer em meio a um lindo festival de luzes coloridas.

Saque na Saks

Para consumistas inveterados, nada melhor do que a 5a Avenida, em frente às vitrines da Macy’s ou da Saks. Se der sorte, você pode até participar de um saque às duas lojas e morrer cheio de sacolas. Seria a glória para um brasileiro.

Mas minha sugestão preferida é mais cinematográfica. Vá para qualquer lugar de onde você tenha uma belíssima visão da Estátua da Liberdade. Depois, prepare-se para assistir, ao vivo e a cores, à cena clássica do monumento sendo destruído, a mesma cena repetida nos 9 entre 10 filmes de fim de mundo.

Clássico

Nossa, isso seria inesquecível se não fôssemos morrer logo em seguida.

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KIRIBATI

Levando em consideração que o dia 21/12/2012 foi previsto pelo calendário maia, que os maias viviam entre México e Guatemala e que o fuso horário lá é GMT-6, que tal ganhar um dia a mais de vida e enganar todas as previsões, morrendo apenas no dia 22/12/2012?

Gostou? Então reserve já seu lugar em algum hotel charmoso em Kiribati.

Kiribati (Foto: DS355 - Flickr)

A pequena república formada por 32 atois fica na borda da Linha da Data (fuso horário GMT+12) e é o primeiro lugar do mundo a ver o sol nascer.

Quem chega primeiro é o dono

Ou seja: enquanto o dia do juízo final estiver surgindo na região dos maias, você já estará na madrugada do dia seguinte. E até o final do fatídico 21 de dezembro no México, você terá aproveitado mais o dia 22 inteiro na beira das belíssimas praias da Polinésia. Vai ser como ter um dia a mais em um feriadão.

Dica de amigo: procure ficar hospedado na ilha de Kirimati, onde o dia chega primeiro nas Kiribati. Alguns minutos a mais de vida não fazem mal, né?

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USHUAIA

“El fin del mundo”. É assim que os próprios fueguinos definem sua querida Ushuaia, a cidade mais austral do nosso morimbundo planeta.

Foto: grace3737 - Flickr

Nunca fui, mas pelas fotos que vejo, dá para perceber que Ushuaia foi feita para quem quer assistir à catástrofe sem perder o charme a elegância. Além do apelido premonitório, a capital da Patagônia Argentina é uma cidadezinha linda, bucólica, com casinhas coloridas, barcos, bosques, cafés deliciosos, parrillas, doce de leite, alfajores Havanna, tango e dólar baixo, encravada entre belíssimas montanhas nevadas e o mar que a separa da Antártida.

Que belo lugar para morrer (Foto: bridgepix - Flickr)

Além de dar um toque de beleza ao derradeiro adeus da humanidade, Ushuaia ainda deve brindar seus visitantes com uma morte quase indolor.

Como fica entre o mar e as montanhas, você provavelmente será levado pelo tsunami gigante até as enormes paredes da Cordilheira dos Andes, sendo esmagado contra as pedras pela pressão do enorme volume de água. Porém, com a temperatura da água do Canal de Beagle entre 0ºC e 4ºC, você provavelmente não vai sentir dor, já que seu corpo estará amortecido pelo frio.

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TIMBUCTU

Oficial e geograficamente, o fim do mundo é Ushuaia. Mas psicologicamente, é Timbuctu, no Mali.

É longe

A cidade foi um centro comercial importantíssimo entre os séculos XV e XVI, onde mercadores se encontravam para fazer business e trocar camelos. Também foi o local de uma das primeiras universidades do mundo e suas contribuições para a História, o mundo islâmico e a arquitetura são reconhecidas até hoje como patrimônio da humanidade.

Melhores roupas para morrer

Não gostou? Pense duas vezes. Nesta vida, o importante não é “ser”, mas, sim, “parecer ser”. Então, nada é mais Revista Caras do que virar pó no lugar que todo mundo acha que é o mais distante e remoto do planeta.

Sub

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IRAQUE

Parece bizarro ver o apocalipse no Iraque. Mas se você acredita no que diz a Bíblia, viver este dia por lá é como apreciar o fim do mundo no lugar onde ele começou: o Jardim do Éden.

Todo mundo peladão na terra do Saddam

A localização do parque de diversões de Adão e Eva não é bem definido, porque Deus não deixou as coordenadas muito claras, apenas deu a pista de 4 rios e deixou o mistério para que nós resolvêssemos. Pelo que pesquisei na web, a teoria mais forte é a de que o Paraíso ficava entre os rios Tigre e Eufrates, bem no meio do Iraque.

Ali, no meio das linhas azuis

Talvez as coisas mudem nestes 30 meses. Mas a julgar pela situação atual, Bagdá e adjacências não parecem ser os locais mais seguros para o grande momento. Se bobear, você explode antes da Terra e não vê nada dos instantes finais da humanidade.

Sugiro que você vá para o Curdistão iraquiano, no norte do país, onde a paz reina e dá até para encher a cara de álcool. Tá certo que você não vai estar exatamente entre o Tigre e o Eufrates, mas pelo menos não correrá tantos riscos de morrer antes da hora e, mesmo assim, estará a apenas algumas centenas de quilômetros do berço da humanidade, segundo a Bíblia.

Curdistão. Sim, isso é Iraque (Foto: Kurdistan KURD - Flickr)

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ETIÓPIA

Se a menção à Bíblia fez seus cabelos de ateu convicto se arrepiarem, a pedida é ver o fim do mundo no lugar onde a ciência diz que a humanidade começou: na Etiópia.

Foi lá que arqueólogos encontraram os dois fósseis de hominídeos considerados os mais antigos até hoje. Lucy, a mais famosa, viveu há 3,2 milhões de anos e teria essa carinha de anjo aí embaixo.

Lucy in the sky

Ardi viveu bem antes, há 4,4 milhões de anos, mas ainda sofre desconfiança de cientistas que dizem que ele não é ligado aos nossos ancestrais.

Quem veio primeiro, não importa. Ambos foram encontrados na Etiópia que, além do significado científico, ainda tem outros atrativos para apreciar o fim de tudo.

Em Lalibela (Foto: Egon Filter - http://www.egonf.com)

Lalibela, as tribos do rio Omo, o Nilo Azul, montanhas cheias de espécies exóticas, tudo isso pode fazer parte do seu bye-bye-so-long. E se der sorte e pegar terremotos realmente grandes, você ainda pode ver a criação de um novo oceano, quando a fenda de Afar se abrir definitivamente, separando o Chifre da África do continente.

A fenda de Afar (Foto: http://www.apolo11.com)

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Para finalizar, uma dica básica que vale repetir sempre: evite marcar voos para o dia 20 de dezembro de 2012. Tente uma folga no trabalho e saia alguns dias antes.

Os aeroportos costumam parecer o fim do mundo em datas especiais.

Deus nos acuda

- Gabriel Prehn Britto
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› 1 de março de 2010

As lições dos Griswolds*

Em meio a tantos terremotos, maremotos (a.k.a. tsunami) e coisa e tal, pesquei rapidamente algumas dicas para os viajantes que são surpreendidos por alguma catástrofe natural no meio das férias.

Férias Frustradas, um clássico

Em palavras do Ministério das Relações Exteriores:

“Em situações inesperadas, como desastres, catástrofes naturais, atentados, conflitos armados e revoluções, é de grande importância que o nacional entre em contato o mais cedo possível com autoridades consulares brasileiras a fim de solicitar orientação. É importante lembrar, entretanto, que nem os Consulados nem as Embaixadas do Brasil poderão alojar em seu interior cidadãos brasileiros.”

Em palavras compiladas pela internet, para antes de viajar:

“Faça uma pesquisa aprofundada sobre o país para o qual está indo - descubra alertas de viagem, problemas de segurança, acesso à Internet, informação sobre moeda e câmbio e leis e costumes locais.

“Deixe uma cópia do seu plano de viagem com algum familiar. Isso pode ajudar pessoas a encontrá-lo na ocorrência de uma emergência ou crise durante sua viagem.”

“Faça um seguro viagem internacional, para o caso de necessitar de cuidados médicos lá fora.”

Em palavras minhas:

-Não tente se virar sozinho nem tente bancar o machão. Você é forasteiro e não conhece lhufas por ali. Siga as instruções do hotel e/ou das autoridades.

- De qualquer maneira, pense que, se você sair vivo, aquilo vai ser uma experiência única. Viajar é bom até quando dá errado.

*NOTA: Não sabe quem são os Griswolds? Clique aqui e lembre.

- Gabriel Prehn Britto
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› 15 de janeiro de 2010

Um outro mundo é possível

O blog Mundo Gump fez uma bela seleção para viajantes. São 10 lugares que parecem de outro planeta. Dá uma olhada em algumas fotos sensacionais do post.

Floresta de Pedra de Madagascar

Sangue de Dragão, na ilha de Socotra, Iêmen

Vale da Lua, na Chapada dos Veadeiros, Brasil

Lagos Plitvice, na Croácia

Para ver mais fotos e saber mais sobre estes lugares estranhos/maravilhosos, vá lá e leia os textos.

- Gabriel Prehn Britto
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› 28 de outubro de 2009

Aurora congelada

Foto: Rezmutt (Flickr)

Se me disserem que ver a aurora boreal é uma das 5 atrações mais desejadas pelos viajantes do mundo, eu acredito. Até porque vê-la também está na minha lista de top 5.

Então, neste fim de semana, enquanto aproveitava um tempo livre para pesquisar as melhores épocas e os melhores lugares para ver o fenômeno (mesmo que eu não tenha nada planejado para isso), me dei conta de um “detalhe”: fotografar a aurora não deve ser nada fácil. A escuridão e as temperaturas baixíssima devem atrapalhar muito, inclusive congelando equipamentos. Na mesma hora comecei a pesquisar sobre isso e encontrei dicas preciosas em vários lugares, mas o melhor foi o Alaska Photographics.

É um site de fotógrafos que vivem no Alasca, ou seja, gente que vive a Aurora Boreal todos os anos e que deve estar careca (e com uma touca, por causa do frio) de saber como fazer isso.

Congele seus melhores momentos

Entre vários toques, inclusive sobre que roupas usar para enfrentar a noite congelante ao ar livre, tem até um check-list para ser feito antes de começar a clicar. Selecionei alguns para colocar aqui, mas lá tem muito mais.

- Ajustar a câmera para o formato em RAW
- Acionar o redutor de ruído digital
- Colocar o brilho do visor no nível mínimo
- Acionar o redutor de ruído para longas exposições
- Tirar qualquer filtro da lente
- Pré-focar a lente em “infinito”
- Testar a exposição e consultar o histograma
- Certificar-se de que tem 2 baterias e 2 cartões de memória
- Usar um tripé alto e firme
- Usar um cabo de disparo
- Checar as previsões de aurora
- Procurar um lugar bom ainda de dia
- Não respirar sobre o visor
- Usar a tampa da lente para evitar geada e condensação nela
- Enquanto espera pela aurora, deixe sua câmera apontada para baixo, para evitar geada sobre a lente.

Se você estiver a caminho de lá, me avise quando voltar. Preciso saber mais sobre essa experiência.

- Gabriel Prehn Britto
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› 28 de julho de 2009

Entre os Mongóis - 5

Egon manda mais notícias da Mongólia. Desta vez, o relato é sobre o deserto de Gobi (que, acabei de descobrir, significa… “deserto”, em mongol).

Foto roubada do Flickr.

Foto: Telepatica (Flickr)

EGON NO DESERTO DE GOBI

Tomando o rumo sul na Mongolia, nos valentes jipes russos, a estepe gramada cede lugar a um deserto pedregoso, com vegetacao rala e escassa. Os Gers (yurts em russo, tendas de feltro que sao as casas dos nomades) tambem se tornavam escassos e os cavalos/ovelhas vao sendo substituidos por cabras/camelos. Seguindo deserto adentro, ateh estes sinais de ocupacao humana passam a ser raros.

Ao longo dos dias, a expedicao avancava (e eu cozinhava nos 42 C dentro do jipe). Na maior parte do tempo, a “planicie plana” nos cercava de fantasminhas da terra assando e miragens de lagos inexistentes. Ossadas no caminho nos davam o alerta: o proximo pode ser voce… Estrada? Que nada, era dirigir no meio do vazio, sem bussola ou GPS - sei lah como os motoras se orientavam.

O Deserto de Gobi, junto aa divisa com a China, cobre 1/3 do territorio da Mongolia e os locais me disseram que foi formado pelo tanto cavalgar e pisotear das tropas de Gengis Khan nas suas conquistas… (cientistas afirmam, porem, que a bacia do Gobi foi um grande lago interior hah milhoes de anos). Aqui as temperaturas variam de 50 C no verao para -40 C no inverno (sim, muuuuuuito frio).

Em um final de tarde, quando terminavamos de montar as barracas, um paredao de poh e areia laranjas e nuvens cinzas vinham rapido em nossa direcao. Assim que terminei a minha, soh deu tempo de jogar as mochilas lah dentro e entrar. Segundos depois a tempestade de areia nos atingiu e soh escutei os gritos do meu vizinho, entre as trovoadas e o zunido do vento. Espiei pelo fecho e a cena era hilaria: a barraca dele, com mochilas e tudo, estava rolando deserto afora e o ingles corria desesperado atras da mesma… hehehe. Enquanto isso, coloquei todo o meu peso do lado do vento para evitar que eu seja o proximo!!

Bayartai (ateh logo, em mongol),

Egon

PS.: Nao, nao saih voando nao… Mas a noite foi meio tenebrosa, pois relampejava sem parar - tive a sensacao de que as trovoadas e os raios passavam a poucos metros da barraca… Chuva? Acho que soh 3 gotas cairam na barraca, afinal este eh o famoso Deserto de Gobi.

- Gabriel Prehn Britto
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› 13 de julho de 2009

Momentos certos, horas certas

Não sei o que você pensam, mas eu sou fascinado por eventos como esse aqui:

Foto: Mike Segar/Reuters

É o “Manhattanhenge“, um fenômeno que acontece duas vezes por ano em Nova York, nos dias em que o sol nasce exatamente no meio do horizonte da rua 42. O nome é uma brincadeira com Stonehenge, aquele sítio arqueológico místico na Inglaterra, que também tem um dia de alinhamento completo com corpos celestes e que atrai milhares de turistas.

Certa vez li uma matéria da Reader’s Digest (sim, eu estava na sala de espera de um consultório, onde mais se encontra uma Reader’s?) sobre uma cidadezinha no norte do Alasca chamada Barrow. A pequena vila de menos de 5000 habitantes fica completamente no escuro por 65 dias durante o inverno. E, segundo a revista, quando finalmente chega o dia do sol reaparecer no horizonte, ela vira uma festa. Mesmo que a bola alaranjada só apareça por alguns minutos, as crianças olham vidradas para ela e a festa come solta. Fiquei louco de vontade de me meter no Alasca em pleno janeiro só para viver esse momento junto com aquelas pessoas.

Ok, Nova York não tem nada a ver com o Alasca. Mas agora que descobri que lá também ocorre um fenômeno astronômico, fiquei com vontade de ir só para vê-lo de perto.

- Gabriel Prehn Britto
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