Viajar sem ver
(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)
Já pensou se você ficasse cego? Certamente pensou, mas nem quer falar disso. Ficar cego deve ser uma das principais tragédias que podem acontecer com alguém, ainda mais com quem gosta de viajar e ver paisagens diferentes.
Pois foi o que aconteceu com Tony Gilles, um inglês de 32 anos.
Ele nasceu com problemas e foi perdendo a visão ao longo da vida. Com 10 anos de idade, foi estudar em uma instituição para deficientes visuais - e lá aprendeu que poderia ser independente mesmo sem enxergar.

Hoje, Tony tem 3 passaportes preenchidos por vistos de 56 países, a maioria visitado de forma independente.
(E você aí com medinho de “não conseguir se comunicar em outra língua”, hein?)
Em novembro de 2010, Tony lançou o livro Seeing The World My Way, onde conta suas aventuras por tantos lugares. O livro ainda não tem versão em português, mas você pode ter uma ideia de como ele deve ser incrível no papo que a Superinteressante teve com o autor (publicado na edição 292 - jun/2011).

Veja uma palhinha:
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Super: Como você faz para conhecer os locais que visita?
Tony: Não consigo enxergar sequer sombras. Isso significa que preciso de todos os outros sentidos para absorver a cidade de acordo com o tipo de superfície, as músicas e vozes, as comidas, os aromas. Tenho um senso único em relação aos outros turistas, porque uso todos os meus sentidos em conjunto, algo raramente feito por quem enxerga.

Super: Como esses sentidos ajudam a diferenciar os lugares?
Tony: Pelo ar sei se estou perto da praia, como quando sinto o ar salgado de Seattle ou Bodrum, na Turquia. Ou se a cidade é poluída. De Yerevan, na Armênia, minha lembrança é uma combinação de fumaça de escapamentos, chaminés de fábrica e cigarro. Também aprendo sobre a cultura. Sei que estou em Chicago logo ao sair da estação de ônibus por causa do cheiro da carne e do jazz e do blues que ouço. Já Buenos Aires e Lima me dão a sensação de caminhar por cidades interioranas, em vez de grandes megalópoles, pois consigo ouvir o som de pássaros e cachorros.
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O resto do papo está aqui. Não deixe de ler.
Ah, esqueci de dizer: além de cego, Tony tem problemas sérios de audição (precisa usar aparelho o tempo todo) e já fez um transplante de rim.
E, repito, tem 56 carimbos no passaporte.
- Gabriel Prehn Britto




























