Espanha

› 1 de setembro de 2010

Quando a piada vira história

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Para quem não costuma repetir destinos, as viagens são períodos pontuados por vários momentos únicos, que você aproveita ali, na hora, ou provavelmente não vai aproveitar nunca mais.

Em casos assim, algo que parece ser apenas uma piada bobinha pode se tornar uma boa história (ou pelo menos uma história bobinha e divertidinha) para contar pelo resto da vida.

Em 2006, quando montei o roteiro da viagem Marrocos/Espanha e incluí a Andaluzia, percebi que viveria um momento destes, bobo mas único. Não tive dúvidas: depois de passar a infância vendo o Pica-Pau cantar “Il Barbiere di Siviglia”, eu decidi que faria a barba com um barbeiro de Sevilha.

Aproveitei que os primeiros dias da viagem eram no Marrocos e deixei a barba crescer para me misturar aos árabes. Mas quando cheguei em Sevilha, logo perguntei ao dono do hotel onde eu poderia cortar aquele monte de pelos coçantes.

A primeira indicação foi a rede de lojas El Corte Inglés, que eu não conhecia, mas fui atrás e vi que era um lugar modernete demais.

Modernete

Voltei ao hotel e fui mais claro: eu precisava de um lugar clássico, antigo, de rua, porque eu queria me barbear com um legítimo barbeiro de Sevilha.

O velhinho me olhou com cara de quem achou aquilo meio ridículo, mas eu ignorei. Pegou meu mapa e apontou a rua onde ele se lembrava que havia uma barbearia.

Aqui, ó

No dia seguinte, fui até lá. Apesar do ambiente ser ótimo, o barbeiro não era o gordo bigodudo com quem eu sonhava, não se chamava Fígaro e a plaquinha “english spoken” na vitrine dava um ar cosmopolita demais para o que eu queria. Mas me conformei. Nos anos 2000 não deveria haver muitas barbearias clássicas numa cidade moderna como Sevilha. Era melhor aproveitar o que aquela me oferecia, que já era bastante.

O resultado foi o ensaio sensual abaixo.

Barbearia Melado. O nome não ajuda em nada

Um Fígaro moderninho

Olhar 43

English spoken here

A brincadeira toda me custou 17 euros (mais ou menos uns 60 reais na época) e algumas horas de turismo perdidas na busca pelo endereço.

Foi bem salgado para um corte a zero e uma barba. Mas baratinho para uma boa história para contar.

- Gabriel Prehn Britto
0 comentários
› 2 de abril de 2010

Felices Pascuas

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Sevilha, Espanha.

Entre 8 ou 9 de abril de 2006.

Comemorações da Semana Santa.

Bizarro

- Gabriel Prehn Britto
0 comentários
› 31 de agosto de 2009

Hoteis, futebol e marroquinos

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Normalmente eu dou sorte nos hoteis que escolho. Com exceção de pouquíssimos lugares onde tive problemas, sempre gostei de todos e em alguns até bati longos papos com os proprietários.

Lembrei disso neste sábado, quando revi algumas fotos das férias de 2006, no Marrocos e na Espanha. No meio de muitas imagens, encontrei esta:

Nada como um futebolzinho e um chazinho de menta

Sou eu assistindo a Real Madrid X Barcelona com os irmãos Ali e Youssef Oubassidi, e alguns empregados do seu hotel, o Ksar Bicha (o nome é estranho, mas não é o que você está pensando), em Merzouga, no Marrocos. A pequena cidade é na verdade um oásis no meio da parte marroquina do Saara e junto da região com as maiores dunas do país.

Neste dia, eu e minha mulher chegamos no hotel, depois de zilhões de horas de carro desde Marrakesh, e fomos recebidos com os sorrisos do pessoal do Ksar. Após o tradicional chá de menta de boas-vindas, fomos para o quarto, tomamos banho e coisa e tal, jantamos e estávamos descansando quando bateram na porta:

- Brasileiros, os Ronaldos estão jogando!

Na época, Ronaldo Nazário jogava no Real Madrid e Ronaldinho jogava no Barcelona. Os marroquinos, fanáticos por futebol, deduziram que os compatriotas não gostariam de perder aquele jogão e foram nos chamar. Apesar de não ser fã do esporte, não pude perder a oportunidade de assistir a uma partida daquelas junto de pessoas tão diferentes e no meio do Saara. Foi inesquecível.

Hoje, Ali Oubassidi é meu contato no Facebook e volta e meia pratico meu francês com ele. Foi ele quem me encontrou na rede, mais de dois anos depois da minha visita ao seu país. Foi a primeira vez que vi um dono de hotel fazer isso.

É, eu dou sorte com os hoteis que escolho.

- Gabriel Prehn Britto
0 comentários
› 7 de julho de 2009

Gol + AA

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Falei na Gol no post aqui embaixo e vou ter que falar de novo agora: a companhia aérea brasileira e a American Airlines anunciaram hoje parceria nos seus programas de milhagem.

Os pontos acumulados no Smiles vão poder ser trocados pelo AAdvantage (festival do trocadilho nesses nomes, hein?) e vice-versa. Barbada para quem costuma ir para os EUA.

- Gabriel Prehn Britto
0 comentários
› 6 de março de 2009

Um pequeno passo

Tudo bem, não é nada assim muito espetacular. Mas para quem gosta de fotografia e de turismo (e até mesmo pretende um dia ganhar a vida com isso), ter uma foto selecionada para um guia de viagens é uma felicidade, ainda que não receba nem um centavo por ela.

Foi o que acabou de acontecer comigo. A foto abaixo, que tirei em Barcelona, foi selecionada para o próximo guia Schmap sobre a cidade. O pagamento é crédito para meu nome e link para o meu Flickr.

De puta madre!

A Sagrada Família vista de La Pedrera

- admin
0 comentários
› 15 de janeiro de 2009

Espanha? No, gracias.

Já faz um bom tempo que os nossos meios de comunicação vêm relatando casos de brasileiros barrados no aeroporto de Barajas, em Madri. Em 2008, fomos o povo com o maior número de pessoas impedidas de entrar na Espanha. Claro que muitas delas estavam, sim, indo para a Europa atrás de emprego ilegal ou coisa pior – o que torna legítima a ação da polícia de fronteira espanhola. Mas também já ficou evidente que muitas delas não tinham intenção nenhuma que não fosse passar férias, participar de algum evento por lá e gastar seus suados reais convertidos em euros (um exemplo, outro exemplo).

Nunca soube se é verdade, mas já escutei várias histórias que dizem que fiscais de fronteira não se contentam em barrar apenas aqueles que visivelmente estão em busca de imigrar clandestinamente. Por pura maldade e falta do que fazer, dizem as histórias, eles definem que vão barrar “o próximo que tiver cabelo comprido”, ou “o próximo que vier de bermudas”, por exemplo. E assim, a título de brincadeira, estragam o que pode ter sido um planejamento de meses (ou anos), causam um prejuízo financeiro enorme e frustram profundamente alguém que não pretendia fazer nada de ilegal.

E vou dizer: eu acredito muito nessas histórias.

Nunca fui barrado. Já tive que mostrar papéis, voucher de hotéis, passagens e essas coisas, mas sempre passei. Entretanto, na minha viagem à Espanha, não ganhei nem ao menos um carimbo dos oficiais em Algeciras (e olha que eu estava vindo do Marrocos). Na saída por Barcelona, ninguém, além da moça do guichê da Ibéria, viu meu passaporte. Não sei o que você pensa, mas para mim isso é um bom exemplo de que os fiscais espanhóis não têm esse rigor que eles mesmos alegam ter para impedir a entrada de brasileiros. Isso, junto com os exemplos que vimos ao longo de 2008, me deixa margem para pensar que, realmente, eles param as pessoas por pura diversão mórbida.

Ser barrado na fronteira é algo que pode acontecer em qualquer lugar. Sei que brasileiros também estão entre os mais impedidos de entrar em Portugal (onde um fiscal me parou muito depois do guichê da imigração, só porque viu o passaporte brasileiro na minha mão) e na Inglaterra - e também devem estar entre os mais barrados nos EUA, mesmo que eles facilitem a nossa vida e nos impeçam de viajar logo na hora de tirar o visto. Mas por tudo que vem acontecendo nos últimos anos em Madri, e ainda mais depois deste acontecimento aqui, já seria mais do que urgente que o governo tupiniquin tomassem alguma providência junto às autoridades espanholas.

Porém, todavia, contudo… todos sabemos que pedir ação para o governo brasileiro é o mesmo que pedir presente para o Papai Noel. Então, tá mais do que na hora dos próprios viajantes brasileiros tomarem duas atitudes: tirar a Espanha do mapa de roteiros e parar de voar para a Europa via Madri. Se os motivos expostos nos links que coloquei não forem motivos fortes o suficiente, vale dizer que a Ibéria é a pior companhia aérea que eu já conheci (veja esse exemplo) e a Espanha, apesar de ter lugares legais para se conhecer, não tem nada de muito melhor em relação a outros países onde os brasileiros não encontram (ou encontram menos) problemas para entrar.

Se, mesmo assim, você fizer questão de ir um dia, pelo menos coloque o país no final da sua lista. Talvez, até lá, os policiais espanhóis tenham aprendido a não brincar com a vida dos viajantes.

- Gabriel Prehn Britto
0 comentários