Quando a piada vira história
(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)
Para quem não costuma repetir destinos, as viagens são períodos pontuados por vários momentos únicos, que você aproveita ali, na hora, ou provavelmente não vai aproveitar nunca mais.
Em casos assim, algo que parece ser apenas uma piada bobinha pode se tornar uma boa história (ou pelo menos uma história bobinha e divertidinha) para contar pelo resto da vida.
Em 2006, quando montei o roteiro da viagem Marrocos/Espanha e incluí a Andaluzia, percebi que viveria um momento destes, bobo mas único. Não tive dúvidas: depois de passar a infância vendo o Pica-Pau cantar “Il Barbiere di Siviglia”, eu decidi que faria a barba com um barbeiro de Sevilha.
Aproveitei que os primeiros dias da viagem eram no Marrocos e deixei a barba crescer para me misturar aos árabes. Mas quando cheguei em Sevilha, logo perguntei ao dono do hotel onde eu poderia cortar aquele monte de pelos coçantes.
A primeira indicação foi a rede de lojas El Corte Inglés, que eu não conhecia, mas fui atrás e vi que era um lugar modernete demais.

Voltei ao hotel e fui mais claro: eu precisava de um lugar clássico, antigo, de rua, porque eu queria me barbear com um legítimo barbeiro de Sevilha.
O velhinho me olhou com cara de quem achou aquilo meio ridículo, mas eu ignorei. Pegou meu mapa e apontou a rua onde ele se lembrava que havia uma barbearia.

No dia seguinte, fui até lá. Apesar do ambiente ser ótimo, o barbeiro não era o gordo bigodudo com quem eu sonhava, não se chamava Fígaro e a plaquinha “english spoken” na vitrine dava um ar cosmopolita demais para o que eu queria. Mas me conformei. Nos anos 2000 não deveria haver muitas barbearias clássicas numa cidade moderna como Sevilha. Era melhor aproveitar o que aquela me oferecia, que já era bastante.
O resultado foi o ensaio sensual abaixo.




A brincadeira toda me custou 17 euros (mais ou menos uns 60 reais na época) e algumas horas de turismo perdidas na busca pelo endereço.
Foi bem salgado para um corte a zero e uma barba. Mas baratinho para uma boa história para contar.
- Gabriel Prehn Britto




