Cultura

› 15 de fevereiro de 2011

Viagens em quadrinhos

A última semana foi belíssima em papos viajantes.

Em um deles, o Gustavo Mini (a.k.a @conector) me sacaneou legal passando uma lista excelente de livros de viagens em quadrinhos.

(Aliás, vale ler os motivos que fizeram o Mini virar fã deste tipo de publicação. Concordo 100%.)

man-in-suitcase, by HikingArtist.com (Flickr)

Na maioria dos casos, são histórias vividas pelos autores em temporadas fora de casa, que acabam virando livros maravilhosos e superinspiradores de novas viagens.

Encomende os seus daí que eu encomendo os meus daqui.

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Shenzen (Guy Delisle) - Relato dos 3 meses em que o autor passou na “Cidade da Ambição”, o maior centro financeiro do sul da China. Um lugar onde as relações pessoais são frias e focadas unicamente em negócios.

Shenzhen - Guy Delisle

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Crônicas Birmanesas (Guy Delisle) - Os 14 meses que o autor passou em um dos países mais pobres do mundo, governado há décadas por uma ditadura militar.

Crônicas Birmanesas - Guy Delisle

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Pyongyang (Guy Delisle) - Sim, o cara é fodão. Ele também passou uma temporada na Coreia do Norte e só pôde publicar seus relatos depois que a empresa para a qual prestou serviço quebrou. Antes disso, ele tinha um contrato de confidencialidade.

Pyongyang - Guy Delisle

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New Orleans After the Deluge (Josh Neufeld) - Josh foi para New Orleans como voluntário da Cruz Vermelha e viu de perto tudo aquilo que só tomamos conhecimento pela TV.

New Orleans After the Deluge - Josh Neufeld

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French Milk (Lucy Knisley) - A experiência de um mês da autora em Paris, entre a adolescência e a adultice.

French Milk - Lucy Knisley

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Carnet de Voyage (Craig Thompson) - Um cartunista em um tour para promover um livro pela Europa e África, alguns momentos como pop star, outros como viajante solitário.

Carnet de Voyage - Craig Thompson

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Conejo de Viaje (Liniers) - Uma reunião de relatos de viagem do cartunista argentino Liniers pela América, pela Europa e pela Antártida.

Conejo de Viaje - Liniers

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Palestina - Uma Nação Ocupada (Joe Sacco) - Esse eu tenho! Joe Sacco passou um tempo perambulando pela Palestina e acabou escrevendo dois livros ótimos (este e o que vem logo abaixo).

Palestina - Uma Nação Ocupada (Joe Sacco)

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Palestina - Na Faixa de Gaza (Joe Sacco) - Continuação do livro anterior. Excelente.

Palestina - Na Faixa de Gaza (Joe Sacco)

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Área de Segurança: Gorazde (Joe Sacco) - Considerada a obra-prima do autor, mostra o horror que os bósnios da região de Gorazde enfrentaram durante a limpeza étnica praticada pelos soldados sérvios durante a guerra nas repúblicas da ex-Iugoslávia.

Área de Segurança: Gorazde (Joe Sacco)

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Uma História de Sarajevo (Joe Sacco) - O período do autor pela cidade mais famosa da Guerra da Bósnia, acompanhado por um morador local que ganhava a vida guiando jornalistas.

Uma História de Sarajevo (Joe Sacco)

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Ainda devem existir muitos outros relatos de viagem no mesmo estilo. Se você tiver algum para recomendar, fique à vontade para usar a caixa de comentários.

- Gabriel Prehn Britto
2 comentários
› 9 de fevereiro de 2011

Oi, eu sou a História

O que você faria se estivesse de férias em um país no exato momento em que começasse uma revolução?

Photo: Nasser Nouri (Flickr)

Todos estes protestos na Tunísia, no Egito e no Iêmen têm me feito pensar sobre o assunto. E a conversa abaixo, no Cairo, transcrita pelo brasileiro Mamede Mustafá Jarouche e publicada na Folha de São Paulo, me atingiu em cheio:

(Mamede, no início dos protestos): “Vou-me embora, estou dando azar (…)”

(Amigo do Mamede): “Se quiser viver um momento histórico de verdade, fundamental para a história do mundo árabe e da região, fique e registre em português. (…)”

(Mamede): “Ok, mas tenho medo de morrer.”

(Amigo do Mamede): “E o que significa a porcaria da tua vida comparada a uma revolução?”

Photo: Ahmad Hammoud (Flickr)

A princípio, eu penso como o amigo do Mamede (digo “a princípio” porque nunca vivi nada parecido e não sei exatamente o tamanho do meu cagaço se vivesse.)

Mas hoje, e desde que eu me conheço por viajante, minha vontade de estar em lugar durante um momento histórico é gigantesca e acho que não perderia esta chance por nada.

Photo: Floris Van Cauwelaert (Flickr)

A gente procura “atrações fora do roteiro turístico” para ver a realidade e conhecer a fundo a cultura de um povo. Pede dicas de lugares onde os turistas não vão. Se emociona com as histórias nos livros lidos antes da viagem. Repete que um viajante precisa de vários dias em um lugar para sentir o seu clima.

Agora me diga: ver uma revolução não é a forma mais profunda, verdadeira e inesquecível para conseguir tudo isso sem ter que morar em um lugar por um tempo?

Photo: darkroom productions (Flickr)

Em que outro momento vemos um povo unido, enfrentando medos e perigos em comum, gritando frases de amor ao seu país e carregando bandeiras?

Photo: Nasser Nouri (Flickr)

Isso é legítimo, é fora do roteiro, é a cultura explícita. É a história acontecendo na sua cara.

Ver uma revolução ao vivo é o ápice do turismo. Mesmo que você não vá além da janela do hotel.

- Gabriel Prehn Britto
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