Compras

› 8 de julho de 2010

Livros, motos e arrependimentos

Comprar livros em viagens é um saco. Eles pesam, ocupam espaço, viram uma chatisse sem alça e sem rodinhas. Quando você se apaixona por um, o ideal é verificar se o livro existe na Amazon e deixar para encomendar quando estiver em casa, sem impostos e provavelmente com um preço mais amigável, praticado longe de lugares turísticos.

Porém, tão chato quanto comprar livros em viagens é anotar os nomes deles para comprar na Amazon, deixar para depois, deixar para depois, deixar para depois… e nunca mais comprá-lo. Infelizmente, foi o que fiz com o Bikes of Burden, que descobri em Hanói.

Bikes of Burden

Uma das características mais marcantes do Vietnã é a quantidade de motos carregando as bagagens mais bizarras que você nunca nem imaginou que pudessem ser levadas sobre duas rodas. O Bikes of Burden (“Motos de Carga”, em uma tradução simples), do fotógrafo Hans Kemp, é o registro visual mais completo desta tradição vietnamita. Dá uma olhada em algumas imagens do livro:

Hans Kemp

Hans Kemp

Hans Kemp

Hans Kemp

Hans Kemp

Não é sensacional? E escrevendo este post, ainda descobri que ele lançou o Carrying Cambodia, com mais ou menos o mesmo assunto, mas com fotos tiradas no vizinho Camboja.

Alguém aí topa fazer uma encomenda conjunta para dividir o frete?

- Gabriel Prehn Britto
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› 3 de agosto de 2009

O arrependimento sempre cabe na mala

"Hm... Acho que vou ter que ir de táxi pro aeroporto" (Foto: Cake Walk - Flickr)

“A hora de comprar é agora!”

Um das expressões mais clichês do varejo também deveria ser a máxima dos viajantes naqueles momentos em que passam em frente a alguma loja e se apaixonam perdidamente por um objeto. Como a Lei de Murphy é extremamente respeitada pelo cosmos, isso geralmente acontece quando o pobre turista está em alguma das situações abaixo:

- Em um bairro distante do seu hotel, cansado e já sem braços para levar mais sacolas;
- No início da viagem, quando pensar em carregar algo pelo resto das férias desanima qualquer um;
- No fim da viagem, quando o cartão de crédito já está esturricado e o viajante está visualizando seu nome na Serasa;
- No fim da viagem, quando a mala já está esturricada e você não tem como levar mais absolutamente nada.

Em pessoas normais, as reações mais comuns nestes casos são:

- Deixar para voltar naquela loja mais tarde;
- Não comprar, pensando no incômodo de carregar aquilo e esperando encontrar algo ainda melhor pela frente;
- Concluir que já gastou demais e segurar os ímpetos consumistas.

Se você é assim, muito bem. Você é uma pessoa ponderada. Mas pode ter certeza: vai se arrepender depois.

Voltar na loja mais tarde é pura ilusão. Os compromissos turísticos não vão deixar isso acontecer e, se deixarem, você vai ter esquecido que amanhã é domingo ou feriado e a loja estará fechada. Esperar por algo melhor mais adiante pode até dar certo, mas o novo objeto de desejo não vai substituir aquele anterior e você vai voltar arrependido por não ter comprado ambos. Segurar os ímpetos consumistas pode ser bom num primeiro momento, mas aqueles dólares que você economizou vão parecer troco depois de alguns anos. Mala cheia? Carregar algo pela viagem inteira? Depois de pegar sua bagagem no aeroporto de chegada, você vai pensar “Pô, nem foi tão difícil, devia ter trazido aquilo”, mas será tarde demais.

Levei um bom punhado de viagens para perceber isso. Deixei de comprar coisas que me arrependo muito e que sei que nunca mais vou encontrar. Hoje aprendi a lição e fui além: vi que o sacrifício para trazer os souvenires acabam tornando eles ainda mais valorizados, sem falar que viram boas histórias mais tarde.

Claro que nada disso vale se você nem gostou tanto assim do objeto ou se o seu valor ultrapassa muito as suas posses. Mas se você se apaixonou perdidamente e, apesar do preço ir além do seu orçamento naquele instante, ele não é assim tão desastroso para as finanças, lembre-se da expressão lá em cima e aproveite. Ou você corre o risco de passar o resto da sua vida de viajante pensando em outra:

“Ah, se arrependimento matasse.”

- Gabriel Prehn Britto
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