Vou começar pelo que mais me chamou a atenção em Bogotá: a segurança.
Minha pousada ficava em La Candelária, o bairro colonial e histórico da cidade. Ele tem as principais atrações bogotanas, mas não é o local mais indicado para quem gosta de caminhar à noite, vendo a movimentação e escolhendo restaurantes.

Talvez isso seja a principal razão de todas as indicações de segurança que o atendente da pousada me deu logo que cheguei:
- Ande apenas com a cópia do passaporte.
- Nunca carregue muito dinheiro.
- Deixe suas coisas de valor no cofre do quarto.
- Não coloque mochila nas costas.
- Não ande com a câmera à vista.
- Não use seu iPhone na rua.
- Nunca, jamais!, pegue táxi na rua. Sempre chame por telefone. Se não estiver em algum estabelecimento comercial, entre em qualquer padaria e peça para que façam isso por você. Quando veem que você é turista, os taxistas fazem a “corrida millonária”, passando em bancos para sacar dinheiro do seu cartão.
- Quando chamar um táxi por telefone, confira se a placa do carro que chegou é a mesma indicada pelo telefone. Alguns malandros ficam de olho nos turistas e aparecem logo depois que eles entram em algum lugar para chamar um táxi, prontos para a corrida millonaria.
- À noite, não ande por La Candelária, nem por nenhum outro lugar que não seja a Zona Rosa, a Zona T ou a Zona G (as mais seguras da cidade).
Claro que algumas destas indicações são normais em qualquer lugar, mas eu nunca havia recebido elas de alguém realmente preocupado.

Os avisos foram tão sérios que a primeira noite foi meio estranha. Fui apenas a um restaurante a uma quadra do hotel e, como estava cansado da viagem, aproveitei a desculpa e voltei logo para o meu quarto.
Esse clima não durou o tempo todo, mas não foi embora totalmente.
Se você lê algo antes de desembarcar na cidade, chega lá sabendo que o país avançou muito, muito, muitíssimo na guerra contra as drogas e as Farc. Mas também chega ciente de que a briga não acabou - e isso fica evidente em todo lugar.

As casas são tomadas por aqueles arames farpados casca-grossa, usados em quarteis de exércitos.
O policiamento está em cada esquina e praticamente todas as lojas e restaurantes decentes têm um vigia privado na porta. Muitos seguranças andam com cachorros, alguns para atacar, outros para farejar explosivos em lixeiras e similares (até tive a minha mochila revistada antes de entrar em um shopping).

A região dos prédios governamentais é total e ostensivamente vigiada e você só anda por aquelas ruas depois de uma revista. Carros com autoridades circulam atrolhados de seguranças encarando todo mundo e mostrando suas armas.

Tudo isso deixa qualquer um tenso. Mas uma hora você percebe que as pessoas estão vivendo normalmente e tenta fazer igual.
Então, a câmera fotográfica, que saiu do hotel no primeiro dia dentro da minha mochila, logo estava na minha mão (mas bem amarrada no pulso).
O iPhone foi usado numa boa, com um pouco de cautela.
Peguei 4 táxis na rua, com precaução, escolhendo bem os motoristas velhinhos e indefesos.
Até caminhei por La Candelária no início da noite, mas apenas por ruas movimentadas.

No fim das contas, o dia-a-dia na capital colombiana acabou sendo de atenção e relaxamento intercalados. Às vezes eu ficava alerta, às vezes me sentia totalmente à vontade.
Nada muito diferente do que uma rotina em uma cidade grande do Brasil.
- Gabriel Prehn Britto