Meu primeiro voo com a Azul tinha tudo para ser uma experiência ruim.
Eu sou claustrofóbico até o talo, do tipo que não consegue nem pegar carona no banco de trás de um carro duas portas. Imaginar que teria que passar uma hora dentro de algo menor que um Boeing ou um Airbus me fazia suar frio (para quem não sabe, a Azul voa com modelos Embraer 190 e 195).

Não bastasse o pânico de lugares apertados, eu ainda tinha um receio quanto ao avião de porte menor. Não me pergunte porquê, mas eu relaciono a segurança do bicho com o tamanho dele. Quando maior, mais seguro.
O primeiro passo para minimizar essa expectativa foi conversar com um amigo que trabalha diretamente com a Embraer. Perguntei o que ele tinha para me dizer dos tais 190 e 195 e a resposta foi “são melhores do que todos os outros”. A tensão diminuiu, mas eu ainda estava com um pé atrás.
No dia do embarque, a Lei de Murphy me acordou com um temporal sobre Porto Alegre. Agora, além da claustrofobia e da imaginada insegurança de avião, eu ainda teria que enfrentar nuvens, turbulência, et cétera e tal. Como eu disse lá em cima, aquilo tinha tudo para ser uma experiência ruim.

Mas para minha gratíssima surpresa, não foi.
A primeira sensação de alívio foi ver que os fingers do aeroporto seriam utilizados no embarque (juro que eu pensava que um avião menor teria que ter embarque pela pista). Quando entrei no voo AD4165 (pontual, aliás), outro alívio: o Embraer 190 não era tão pequeno quanto eu imaginava. Na verdade, era até maior do que eu gostaria que fosse quando escolhi meu lugar achando que sentaria no fundão.

Acabei sentando bem no meio do avião. Não sei se o espaço entre as fileiras de poltronas é realmente maior como a Azul diz por aí. Mas certamente a sensação é de ter muito mais espaço, principalmente pelo fato de haver apenas duas poltronas de cada lado. E a sensacão de não estar espremido era tão boa que, na volta, até arrisquei reservar uma janela para mim, coisa que nunca faço.
O serviço de bordo é feito sem aqueles malditos carrinhos que atravancam o corredor. As aeromoças (que não têm nada de especial na atenção, são como todas as outras) passam de fileira em fileira perguntando o que você quer beber e anotando em uma folha. Em seguida, voltam trazendo os pedidos em bandejas. Um pouco depois, passam novamente com outra bandeja repleta de pacotes de salgadinhos e doces. Você escolhe o que quiser e pode até querer repetir, porque (dizem) ninguém olha com cara feia.

Mas a grande atração para o viajante “classe turista” (a.k.a. “pobre”) são as poltronas em couro. Faça as contas: “avião pequeno” + “espaço” + “atendimento cordial” + “rapidez no embarque/desembarque” (graças à capacidade reduzida de passageiros) + “poltrona de couro” = a sensação mais próxima do que é ser um milionário que voa em seu próprio jatinho. Me senti quase um Eike Batista.

Sei que foi apenas uma única e rápida experiência, mas voltei de Navegantes (SC) maravilhado com a companhia. Só fiquei triste quando vi que ela ainda não voa para Brasília, para onde já estou marcando uma viagem familiar em junho.
Pelo jeito terei que enfrentar minha claustrofobia naqueles aviões grandões, com três fileiras de poltronas, das outras companhias.
- Gabriel Prehn Britto