Por Que Pra Lá? - Especial Haiti
Isso não é nenhuma dica irresponsável mandando você ir para o Haiti neste momento. É óbvio que não é recomendado fazer turismo por lá agora. Mas como um dia o Haiti vai voltar a ser uma nação com um mínimo de infraestrutura (pode demorar, mas certamente vai) resolvi furar a fila do Por Que Pra Lá? e fazer uma edição especial mostrando as maiores atrações turísticas da meia-ilha caribenha. É para que você inclua o país na sua lista de destinos desejados e ajude os haitianos a se recuperar da forma que eu considero a mais prazerosa: viajando.
Todos já conhecem a parte triste do Haiti. É o país mais pobre das Américas, onde aproximadamente 80% da população está abaixo da linha de pobreza (vive com 1 dólar por dia) e todos têm expectativa de vida de míseros 60 anos. Nos jornais, Haiti vem sempre ligado a “violência”, “milícias”, “soldados”, “tropas” e “Onu”.
O que a maioria não sabe é que o Haiti (palavra que significa “terra montanhosa”) tem praias lindas, um parque considerado patrimônio da humanidade, muita história, potencial para rivalizar turisticamente com vizinhos peso-pesados do setor, como Cancún, Aruba e Bahamas, além de um povo receptivo e simpático.
Pegue sua agenda turística e anote aí: por que ir para o Haiti?
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1) Para conhecer a Cidadela Laferrière (conhecida como La Citadelle), o maior forte do ocidente. Ela foi construída pelos primeiros escravos livres, para proteger o país de um eventual ataque francês logo após a independência do país. Como La Citadelle fica no alto de uma montanha, a vista é maravilhosa. Em dias claros é possível enxergar Cuba.


2) Para conhecer o Palácio de Sans-Souci, também construído por escravos, na mesma época e a 5 km da Citadelle. Antes de um terremoto que o destruiu em 1842, o Sans-Souci era conhecido como “Palácio de Versailles do Caribe”.

3) Para conhecer o Parque Histórico Nacional, onde estão a Citadelle, o Palácio Sans-Souci e ainda os prédios de Ramiers. Justamente por abrigar estas três atrações (elas foram as primeiras construídas por ex-escravos e, por isso, são consideradas um monumento à liberdade), o Parque foi declarado Patrimônio Histórico da Humanidade, pela Unesco, em 1982.
4) Para visitar o segundo estado independente nas Américas, livre do seu colonizador em 28 de novembro de 1803 (os EUA se tornaram independentes em 1776).
5) Para visitar o único país americano independente (ao lado do Canadá) onde você pode falar francês e ainda aprender crioulo. Mas, ao contrário do que você pensa, não vai dar para escutar Cesária Évora depois, porque o crioulo haitiano é bem diferente do crioulo cabo-verdeano.

6) Para descobrir porque o Lonely Planet, na edição sobre as Ilhas Caribenhas, declarou: “We believe that Haiti may just be one of the most exciting countries of the world in which to travel.”
7) Para comprar um legítimo boneco de vodu (ainda que eles sejam mais folclóricos do que realmente utilizados nos rituais religiosos).

8 ) Para ver uma legítima sessão de vodu.

9) Se você não for um medroso como eu, para conhecer Cemitério da Cidade, em Porto Príncipe, famoso por suas histórias de fantasmas, zumbis e outras lendas ligados ao vodu.

10) Para conhecer Jacmel, uma cidadezinha calma ao sul do país, com praias lindíssimas, carnaval animado e o melhor artesanado do Haiti.


11) Para mergulhar em Bassin Bleu, a 12 km de Jacmel. São piscinas naturais profundas interligadas por cachoeiras e, diz a lenda, habitadas por ninfas que ninguém nunca viu porque fogem quando escutam passos de pessoas.

12) Para os amantes da natureza conhecerem o Étang Saumâtre, o maior lago do país e o melhor lugar para conhecer a fauna e a flora haitiana. E para aproveitar a viagem e conhecer o Plaine du Cul de Sac, uma depressão com cenários incríveis.

13) Para tentar visitar a surreal Labadie, praticamente um enclave turístico particular da Royal Caribbean, cercado e policiado, ao norte do país.

14) Para estar no único país onde uma revolução de escravos obteve sucesso, na história colonial.
15) Para conhecer a primeira “república negra” do mundo. Em 1804, logo depois da independência, o líder da revolução pegou uma bandeira francesa e rasgou fora a tira branca, dizendo que estava “expulsando os brancos do país”. O vermelho e o azul foram unidos, criando a bandeira haitiana.

16) Para conhecer a Île-a-Vache, uma linda ilha no sul do país. Um lugar cheio de praias paradisíacas, perfeito para mergulhar e para conhecer outras ilhas próximas, como Caye-a-l’Eau, Ilet-a-Bouee ou Saut-Mathurine (onde está a maior queda d’água do Haiti).



17) Para fazer um tour na fábrica e comprar um originalíssimo rum Barbancourt, na cidade de Damiens, perto de Porto Príncipe.

18) Para visitar o Marché de Fer, em Porto Príncipe, considerado um mercado extraordinário pelo Lonely Planet.
19) Para passar um tempo em Cap-Haïtien, explorando as praias da região, como Cormier Plage, e conhecendo a arquitetura colonial francesa local, que dizem ser igual à de Nova Orleans, nos EUA.

20) Para beber uma Prestige gelada na beira da praia.

20) Porque “if you want to make local friends, play with kids, spend alot of time talking and mixing with people you will also love it”, como disse este viajante.

21) Para andar nos coloridíssimos tap-taps.

22) Porque é impossível não achar o Haiti lindo depois de ver as fotos do Jan Sochor.

23) Porque uma rápida voltinha no Flickr vai mostrar fotos maravilhosas do país, como esta aqui embaixo.

- Gabriel Prehn Britto


