Burocracia: é ruim mas pode ser bom
Vistos são um pé no saco.
Exigem papelada, comprovação de vida inteira e, em alguns casos, até viagens e entrevistas constrangedoras.

É tanta apurrinhação que muita gente não se importa de pagar caro pelos serviços de despachantes. Os gastos extras acabam sendo incorporados aos outros gastos da viagem.
Essa é uma maneira de encarar o problema, claro. Mas eu ainda prefiro fazer o contrário: incorporar a incomodação do visto à história da viagem.

Já passei por boas e sei de histórias ótimas de amigos - como um que recebeu seu passaporte com o visto russo apenas na noite anterior à viagem, depois de muito tempo sendo enrolado pelo pessoal da embaixada.
Mas desde que fui para o Vietnã e consegui o meu visto sozinho, ligando para a embaixada vietnamita em Brasília e enviando meu passaporte pelos Correios, economizando mais ou menos uns 300 reais, resolvi que sempre tentaria fazer por mim antes de entregar meu suado dinheirinho para um burocrata.
Planejando a próxima, percebi que eu estava até sentindo saudades disso. Quando vi tudo que vou precisar enviar para a embaixada iraniana em Brasília, confesso, deu uma felicidade. Encarar aquela papelada fazia parte da viagem.

Não sei como vai ser. Pode acontecer de eu acabar me irritando e pagando o que os despachantes pedem. Mas se todas as roubadas das viagens acabam virando histórias boas para contar depois, por que não encarar a roubada burocrática dos vistos?
- Gabriel Prehn Britto



















