Burocracia

› 18 de fevereiro de 2011

Burocracia: é ruim mas pode ser bom

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Vistos são um pé no saco.

Exigem papelada, comprovação de vida inteira e, em alguns casos, até viagens e entrevistas constrangedoras.

Photo: Shockadelic (Flickr)

É tanta apurrinhação que muita gente não se importa de pagar caro pelos serviços de despachantes. Os gastos extras acabam sendo incorporados aos outros gastos da viagem.

Essa é uma maneira de encarar o problema, claro. Mas eu ainda prefiro fazer o contrário: incorporar a incomodação do visto à história da viagem.

Photo: Ars Electronica (Flickr)

Já passei por boas e sei de histórias ótimas de amigos - como um que recebeu seu passaporte com o visto russo apenas na noite anterior à viagem, depois de muito tempo sendo enrolado pelo pessoal da embaixada.

Mas desde que fui para o Vietnã e consegui o meu visto sozinho, ligando para a embaixada vietnamita em Brasília e enviando meu passaporte pelos Correios, economizando mais ou menos uns 300 reais, resolvi que sempre tentaria fazer por mim antes de entregar meu suado dinheirinho para um burocrata.

Planejando a próxima, percebi que eu estava até sentindo saudades disso. Quando vi tudo que vou precisar enviar para a embaixada iraniana em Brasília, confesso, deu uma felicidade. Encarar aquela papelada fazia parte da viagem.

Photo: Don Shall (Flickr)

Não sei como vai ser. Pode acontecer de eu acabar me irritando e pagando o que os despachantes pedem. Mas se todas as roubadas das viagens acabam virando histórias boas para contar depois, por que não encarar a roubada burocrática dos vistos?

- Gabriel Prehn Britto
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› 31 de janeiro de 2011

Decote diplomático

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Dezoito de fevereiro de 2006. É o que diz a plaquinha pendurada na alça da blusa que minha mulher usou quando foi tirar a foto que está no seu atual passaporte.

Não lembro com clareza, mas certamente era um dia quente feito as entranhas do inferno e, logicamente, ela se colocou em vestes frescas e arejadas para enfrentar a temperatura.

Photo: mylor (Flickr)

Não, não era essa foto. E não vou colocar a verdadeira aqui porque o pau de macarrão voaria na minha cabeça se eu fizesse isso. Mas posso garantir que a roupa que ela usava era algo absolutamente decente para qualquer país ocidental. Para o Brasil, então, tinha até pano demais.

Mas como eu já pretendia viajar para países islâmicos, tremi quando vi a imagem pronta. Até brinquei:

- Tu vai ter que fazer outro passaporte se a gente quiser ir para o Irã.

Cinco anos depois, estamos finalmente planejando nossa viagem para a antiga pérsia. Então eu vi esta notícia:

Folha de S. Paulo 26/01/2011

reproducao-da-capa-do-jornal-22hamshahri22-que-manipulou-a-foto-da-chefe-da-diplomacia-da-uniao-europeia1

Dica: pense em todas as suas possíveis viagens quando for fazer o seu passaporte.

Bora fazer outro agora?

- Gabriel Prehn Britto
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› 28 de junho de 2010

#Ficadica #Gol #voosinternacionais

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Depois de uma semana retomando a vida, volto para avisar que em breve retomarei também o ritmo normal deste espaço.

Por enquanto, vai uma dica rápida que aprendi ontem, quando voltei de Brasília: segundo a moça da Gol, voos da companhia com número iniciado em 7 são internacionais.

Olha o 7 ali

Ou seja, mesmo que você só queira ir de um cidade brasileira para outra, vai ter que se submeter às regras gringas para bagagem de mão, o que significa restrições à líquidos e pastas na bolsa.

Eu, que fui preparado para não precisar despachar nada, tive que fazer a operação de troca de bagagens para poder embarcar.

Por isso, fique ligado.

De nada.

- Gabriel Prehn Britto
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› 1 de março de 2010

As lições dos Griswolds*

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Em meio a tantos terremotos, maremotos (a.k.a. tsunami) e coisa e tal, pesquei rapidamente algumas dicas para os viajantes que são surpreendidos por alguma catástrofe natural no meio das férias.

Férias Frustradas, um clássico

Em palavras do Ministério das Relações Exteriores:

“Em situações inesperadas, como desastres, catástrofes naturais, atentados, conflitos armados e revoluções, é de grande importância que o nacional entre em contato o mais cedo possível com autoridades consulares brasileiras a fim de solicitar orientação. É importante lembrar, entretanto, que nem os Consulados nem as Embaixadas do Brasil poderão alojar em seu interior cidadãos brasileiros.”

Em palavras compiladas pela internet, para antes de viajar:

“Faça uma pesquisa aprofundada sobre o país para o qual está indo - descubra alertas de viagem, problemas de segurança, acesso à Internet, informação sobre moeda e câmbio e leis e costumes locais.

“Deixe uma cópia do seu plano de viagem com algum familiar. Isso pode ajudar pessoas a encontrá-lo na ocorrência de uma emergência ou crise durante sua viagem.”

“Faça um seguro viagem internacional, para o caso de necessitar de cuidados médicos lá fora.”

Em palavras minhas:

-Não tente se virar sozinho nem tente bancar o machão. Você é forasteiro e não conhece lhufas por ali. Siga as instruções do hotel e/ou das autoridades.

- De qualquer maneira, pense que, se você sair vivo, aquilo vai ser uma experiência única. Viajar é bom até quando dá errado.

*NOTA: Não sabe quem são os Griswolds? Clique aqui e lembre.

- Gabriel Prehn Britto
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› 26 de fevereiro de 2010

Mala suerte

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No início bate um medão. Você está em um país estranho. Aquela esteira, que há pouco tempo estava repleta de malas, começa a ficar vazia e, de repente, para sem trazer sua bagagem. Você olha ao redor para ver se está na esteira certa, confirma que está, olha para os lados e não vê nem sinal da sua fiel companheira cheia de roupas.

Sim, a companhia aérea perdeu sua mala.

Jack, Kate, Sawyer, Ben, Locke, Rodrigo Santoro e a sua mala

Na verdade, ela provavelmente não perdeu, apenas colocou em um voo errado ou simplesmente esqueceu de colocar no seu voo naquela conexão anterior. Mesmo assim, na melhor das hipóteses, você vai levar um dia para recebê-la de volta. Levando em consideração que você já está há umas 24 horas com a mesma roupa, a mesma cueca/calcinha e as mesmas meias, isso é péssimo.

Respire fundo e relaxe, porque você não está sozinho. Segundo a Comissão Europeia dos Transportes, 90 mil malas são extraviadas por dia. Ou seja: se você fizer uma viagem de dois dias (tipo Porto Alegre - Bangcoc) você tem 180 mil chances de perder a bagagem.

(Tá, matematicamente não é bem isso, mas eu preciso criar um clima de medo para o que vem a seguir.)

Destas 90 mil, 30 nunca mais voltam para seus donos.

Graças a Alá, nunca passei por esta situação radical de nunca mais ver minha malinha, mas já passei pelo susto descrito ali no primeiro parágrafo. Foi no Marrocos. Desembarquei em Casablanca e fui para Marrakesh no mesmo dia. Passei um dia inteiro me sentindo podre, mas tudo terminou bem, apesar da podríssima Iberia ter me feito pagar um táxi até o aeroporto da cidade para pegar minhas coisas, ao invés de levá-las até o meu hotel.

Foi bom. Aprendi várias lições com aquela experiência e vivenciei outras que já tinha escutado:

- A regra básica de levar uma muda de roupa na bagagem de mão;

- Viajar de óculos, nunca com as lentes de contato;

- Colocar identificação fora e dentro das malas (a de dentro em cima de todas as roupas);

- Dividir o conteúdo das malas com alguém que for viajar com você (se perderem uma, ambos ainda terão roupas);

- Saber descrever as características das malas (isso é solicitado no guichê de bagagem extraviada do aeroporto);

- Ter à mão endereços de todos os hotéis da viagem, para o caso das malas demorarem mais tempo para chegar;

- Na volta, colocar os cartões de memória da máquina fotográfica sempre na bagagem de mão.

- Anotar todos os gastos causados pelo extravio, guardando notas fiscais, para que possam ser ressarcidos pela companhia aérea.

- Manter a calma, porque não há nada que possa ser feito e qualquer chilique só vai estragar a sua viagem. Deixe para execrar a companhia aérea depois.

My sweet love (Foto: wooferSTL - Flickr)

- Gabriel Prehn Britto
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› 22 de fevereiro de 2010

Desacordo Cultural

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Amigos mais próximos sabem que eu sou a melhor pessoa (ou pior, depende do ponto de vista) com quem se aconselhar sobre pretensões de morar um tempo fora do Brasil. Quando alguém me pede opinião sobre este assunto, não importa a idade, o salário nem a situação profissional do possível viajante: minha resposta sempre varia entre “vai”, “demorô”, “te arranca”, “vaza, lôco” e outras expressões similares que signifiquem “compra a passagem logo e some já da minha frente”.

Digo isso porque sei que morar fora é uma das melhores experiências que se pode ter na vida. As lições que se vive no dia-a-dia com estranhos são únicas. E entre tantas que aprendi quando me aventurei em outro país, a melhor de todas foi também a mais óbvia: é fundamental respeitar as culturas de cada povo.

Este foi um aprendizado que uso até hoje em todo lugar que vou e que, salvo algum eventual Alzheimer, não esquecerei nunca mais.

Daí, na semana passada, comecei a ler o livro Desacordo Ortográfico (Não Editora), uma seleção de textos de escritores de língua portuguesa organizados por Reginaldo Pujol Filho.

Ali embaixo tem um link para comprar, ó, pá.

Já na introdução vi que a proposta do Desacordo era genial. Confesso que quase parei ali mesmo, porque eu, tiete en-lou-que-ci-da de José Saramago, concordei imediatamente com cada linha que o Reginaldo escreveu.

Desacordo Ortográfico é uma celebração à beleza que existe nas diferenças entre as várias línguas portuguesas ao redor do mundo. Uma pequeníssima e emocionante amostra de que são justamente as ortografias distintas que nos permitem criar maravilhas literárias, compreendidas por qualquer um capaz de ler este mísero post.

É uma celebração às diferenças culturais, portanto. As mesmas que o Acordo Ortográfico pretende eliminar ao unificar as ortografias.

Imagem retirada do blog http://pauloquerido.pt

Faz pouco mais de um ano que o Acordo foi implementado. Por força profissional, eu já me obrigo a escrever bizarrices como “pára” sem acento, mas os protestos contra as mudanças pipocam por todos os lados.

Se o chororô vai fazer efeito? Não sei. Só sei que os burocratas que assinaram o Acordo deveriam ter experimentado viver um tempo fora dos seus países.

Talvez assim eles tivessem aprendido como é bom respeitar as diferenças culturais.

- Gabriel Prehn Britto
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› 18 de fevereiro de 2010

Pelo menos eu comprei meu Kit Kat

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Posto de fronteira Chuí-Chuy, sábado, 13 de fevereiro de 2010, ao redor de 14h.

Tiene aire acondicionado, señor otoridadji?

Centenas de turistas, sob um calor de 40 graus, suando como se um surto de hiperidrose tivesse tomado o mundo.

Uma hora inteira esperando que burocratas carimbem um papel completamente inútil, para passar 4 dias no Uruguai.

Filas e calor

E vou dizer: já passei por filas piores neste mesmíssimo posto.

Afinal, para que serve o Mercosul?

- Gabriel Prehn Britto
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› 10 de fevereiro de 2010

So exciting

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Pelada e perigosa

Lembra do scanner corporal, que eu defendi aqui?

Pois o bicho começou a gerar mais polêmica do que o esperado. Estão dizendo que os funcionários do aeroporto de Heathrow (Londres) andam imprimindo imagens de passageiros pelados.

Só para lembrar, as imagens tem a qualidade da foto acima.

Hello!

Ah, esses humor inglês!

(A matéria linkada acima foi uma dica da Mari Campos.)

UPDATE: Parece que a notícia é mentira.

- Gabriel Prehn Britto
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› 11 de janeiro de 2010

Atentado? Só contra a elegância

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Se a vida dentro dos aeroportos já estava um porre de sidra, ficou pior depois da traquinagem do rapaz que tentou derrubar um avião americano no Natal. A bomba que Umar Farouk Abdulmutallab carregava na cueca (no joke intended) não explodiu, mas destruiu a sensação de relativo controle que vivíamos.

Em busca de mais segurança, os queridinhos da hora agora são os tais scanners corporais, que não deixam passar nenhum artefato suspeito, mas que mostram as vergonhas de todos os passageiros com riqueza de detalhes asquerosa ou sensual (depende do escaneado).

Pelada e perigosa

Obviamente isso tem gerado uma gritaria pelo direito das pessoas à privacidade de suas partes íntimas. A discussão promete se arrastar por um bom tempo, com protestos aqui e ali, confusão e o diabo a quatro. Mas tudo isso você já sabe.

O que você não sabe é a minha opinião e a minha proposta de solução para este problema.

Minha opinião: sou totalmente a favor da instalação destes brinquedinhos em aeroportos considerados de risco.

A lógica é simples. Todo mundo tem o direito de manter a privacidade do que esconde nas roupas de baixo (salvo no terrível banheiro da academia, você só mostra sua intimidade para quem você quiser) e todo mundo tem liberdade para optar qual meio de transporte vai usar nas suas viagens. Mas ninguém tem o “direito a voar de avião” (advogado, me corrija se eu estiver errado).

Então, como cruzar os céus não é um direito seu e como a segurança está exigindo mais rigidez, não tem saída: quem quer viajar de avião pre-ci-sa se submeter a um controle que vai vê-lo peladinho da Silva.

É chato, constrangedor e invasivo, sim. Mas você tem o direito inalienável e sagrado de optar entre manter sua privacidade ou ir de carro, trem, ônibus, navio, biga, cavalo, a pé ou de qualquer outra forma onde a sua nudez não seja exigida como condição para embarcar.

Minha proposta de solução para o problema:

Bomba, só se estiver muito bem escondida

Campanhas massivas para o pessoal perder a timidez e viajar peladão.

Os comandantes só teriam que prometer maneirar no ar-condicionado a bordo.

- Gabriel Prehn Britto
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› 25 de outubro de 2009

Baby you can drive my car

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

O G1 fez um guia bem bom para quem quer dirigir no exterior, seja um carro alugado, seja o seu próprio.

Baby you can drive my car

Mais informações direto lá.

- Gabriel Prehn Britto
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