Buenos Aires

› 5 de outubro de 2009

Bons Ares

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Em homenagem a Mercedes Sosa, resolvi publicar no blog o texto que fiz sobre Buenos Aires no fim de 2008. Era para ele estar na capa do OQFNF, como mais uma exclamação do mapa. Mas sei lá por que acabei não colocando.

Apesar do atraso de quase um ano, tirando algumas mudanças monetárias (devidamente identificadas no texto), ele é bem atual.

Ah, desta vez as fotos são minhas.

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2008 - Buenos Aires

Toldos em San Telmo

Pode parecer exagero o que eu vou escrever, afinal minhas férias oficiais de 2008 terminaram em abril e duraram mais de 30 dias. Mas a verdade é que depois de 8 meses em casa, eu estava louco para passar algum tempo fora, respirar outros ares, falar outra língua e fazer conversões na hora de pagar contas. Nesses momentos, o melhor que se pode fazer é uma viagem rápida e barata. Morando em Porto Alegre, isso significa ir para Buenos Aires.

Foram apenas 4 dias, mas deu para perceber claramente que aquela Buenos Aires que fazia os brasileiros se sentirem ricos acabou (pelo menos por enquanto). Com a alta do dólar, o real desvalorizou horrores frente ao peso e já não dá mais para pegar táxi para ir até a esquina, escolher pratos olhando apenas para o lado esquerdo do cardápio ou comprar regalitos a rodo sem calcular quanto vai sair a facada. (Esquece, já me disseram que voltou a ser uma barbada. Veja mais abaixo.) Mesmo assim, a capital argentina continua linda. Os prédios preservados e baixos, as casinhas antigas e a segurança (que tem diminuído, mas segue gigantesca em relação ao Brasil) ainda dão aquele ar europeu para a cidade. E bairros como San Telmo, Recoleta e todos os Palermos continuam perfeitos para se caminhar por várias horas e parar por outras várias em cafés maravilhosos.

Em resumo, Buenos Aires ainda é perfeita para esse tipo de férias rápidas e também para quem nunca teve a experiência de cruzar a fronteira e quer começar por um destino fácil. Como eu comecei.

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Quem são esses caras?

Recoleta: bom lugar para não fazer nada

Algumas informações sobre a Argentina e Buenos Aires, retiradas do site a Onu em 2008. É bom para saber sobre quem estamos falando.

População do país: 40 milhões

Renda per Capita (2006): US$ 5,528.

População de Buenos Aires: 13 milhões

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O roteiro desse filme

Portenhos não usam muito a faixa

Simplérrimo:

05 DEZ - Saída de Porto Alegre às 8h30 e chegada em Buenos Aires às 14h (tive que ir via São Paulo, por falta de vôos diretos)

08 DEZ - Saída de Buenos Aires às 23h30 e chegada em Porto Alegre a 0h30 (aí, sim, com vôo direto)

Tempo suficiente para descansar, dormir, caminhar pelos lugares mais legais, fazer comprar e jantar em ótimos restaurantes. E se nunca tivesse ido para lá, também teria sido um tempo bom para conhecer todas as principais atrações da cidade.

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Biblioteca básica

Tango everywhere

Mesmo para o viajante mais fanático por Buenos Aires, recomendo a compra da edição mais recente da revista Time Out sobre a cidade. É excelente para ver o que tem de novo em restaurantes, lojas e o que mais você quiser.

Para quem nunca foi, as livrarias brasileiras estão cheias de guias exclusivos para lá. Nunca li nenhum, mas, pela minha experiência, recomendo Lonely Planet e os guias da Publifolha. Vale também dar uma olhada em guias diferentes, do tipo “endereços curiosos”, e o guia da Wallpaper.

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Como se anda lá dentro?

Subte, também conhecido como metrô

A alternativa mais confortável para qualquer trajeto dentro da cidade é o táxi. Mesmo que já não existam mais os tempos em que eles eram ridiculamente baratos para os brasileiros, os velhos táxis portenhos ainda são a melhor opção para o turista. Se você puder, tente escolher um motorista com cara da responsável, porque os taxistas de lá são completamente loucos no trânsito. Isso não é garantia de uma viagem tranqüila (já peguei velhinhos completamente dementes na direção), mas aumenta as possibilidades.

O metrô também é bom e fácil, e vale a pena usá-lo se for possível, ainda mais para economizar os pesos do táxi.

Para ir do aeroporto até o seu hotel, existem várias opções. Você pode ir de ônibus comum (nunca tentei, então não vou escrever sobre isso), de ônibus de empresas especializadas, de transfer com motorista ou de táxi.

Os ônibus de empresas são a melhor alternativa para quem chega com tempo e em horários decentes. São baratos e deixam você no Centro, de onde é fácil pegar um táxi até o seu hotel.

Os transfers com motorista também são uma excelente opção, principalmente para quem chega tarde da noite ou em horários bizarros. Não são tão caros quanto se imagina (custariam um pouco mais do que eu paguei por um táxi) e têm o conforto de um carro com ar-condicionado e um motorista menos irresponsável que os taxistas, sem falar que você não corre o risco de ser enganado. Para alugar um destes, sugiro as companhias Manuel Tienda Leon, que também tem ônibus, e a Transfer System.

Os táxis só são uma opção se você pegar no lugar certo: em um quiosque fora do terminal de desembarque. Em hipótese alguma pegue um táxi oferecido no saguão por um desconhecido. No lugar certo, você entra no táxi com o valor já determinado e com todos os pedágios pagos. No saguão, você corre o risco de cair numa bela roubada.

Em caso de dúvidas, veja o site do aeroporto de Ezeiza.

UPDATE em 08/09: Ricardo Freire acabou de postar sobre isso lá no Viaje na Viagem. Confere.

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Turista Vs. Tours

Obelisco, mostrado em todos os tours

Em todas as vezes que fui para lá, só fiz um tour, quando resolvi conhecer o Delta do Rio Tigre. Não gostei e não recomendo. Desculpe a sinceridade.

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Mi hotel, su hotel

A flor de metal

Na verdade eu não fiquei em hotel. Fiquei em um apartamento alugado na Recoleta. Não é um puta apartamento, mas tem o básico para passar alguns dias e é uma opção mais barata que um hotel. Sem falar que é mais, digamos, “cool”, já que você se sente fazendo parte da cidade quando tem vizinhos locais e sai de manhã para comprar pão de miga na esquina. Minha corretora portenha é a simpática Ximena, que tem apartamentos de todos os tipos e preços. Mas se você quiser pesquisar, um amigo me indicou também a empresa BA4U.

Para quem prefere hotel, pode valer mais ir de pacote turístico, já que nesses casos o valor da diária cai bastante e você ainda tem o transfer aeroporto-hotel-aeroporto. Minha recomendação é analisar bem o estabelecimento oferecido pela operadora, porque os hotéis de Buenos Aires não seguem os mesmos padrões dos brasileiros. Traduzindo: muitas vezes, um 4 estrelas lá não chegaria a ter 3 aqui. O melhor é pesquisar na web. Jogue o nome do bicho no Google e veja o que aparece.

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Comer, comer

Luego volvemos

Prepare-se para voltar com alguns quilos a mais no corpinho, porque Buenos Aires e comida formam uma combinação mais que perfeita. É praticamente impossível resistir à quantidade de opções que se jogam aos seus pés a cada esquina: alfajores de todos os tipos e marcas, doces de leite pretos de tão açucarados, cafés, capuccinos, sorvetes do Freddo, sanduíche de pão de miga (um pão fininho e delicioso), restaurantes de todos os tipos e de todos os cantos do mundo.

Se você é um carnívoro convicto e quiser experimentar algo tipicamente argentino, a pedida é qualquer restaurante que sirva parrilla. A grosso modo, o boi inteiro é servido no seu prato, só que em pequenos pedaços. Dizem que é bom, mas eu nunca provei. Leve um sal de frutas na bagagem.

UPDATE: Post com dicas do André Takeda sobre restaurantes de lá.

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How much is this

Eu disse que La Recoleta era bom pra não fazer nada, não disse?

Buenos Aires não é mais o paraíso financeiro dos brasileiros, mas ir para lá ainda é relativamente barato. Se você se programar e comprar as passagens (ou o pacote) com antecedência, vai pagar uma merreca. Uma vez lá dentro, dá para se tratar muito bem sem estourar o orçamento. Não anotei todos os gastos, mas 40 dólares por dia, por pessoa (excluindo a hospedagem), dá para passar os dias sem preocupação e ainda comprar algumas coisinhas.

UPDATE: o dólar caiu no Brasil e já ouvi boatos de que a cidade voltou a ser uma pechincha.

Quanto à velha questão “É melhor levar reais ou dólares?”, eu sugiro a moeda brazuca mesmo. Primeiro porque é tão fácil trocá-la quanto o dólar. Segundo porque é mais provável que você perca dinheiro fazendo duas conversões (de real para dólar e de dólar para peso) do que apenas uma. E se perder dinheiro nessa conversão direta de real para peso, vai ser quase nada. Relaxe e divirta-se.

Dica boa: ao desembarcar no aeroporto de Buenos Aires, não troque seus ricos reais no quiosque que fica em frente às esteiras de bagagem. O preço que pagam ali é um roubo. Segure seus ímpetos, saia da sala e, assim que estiver no saguão, olhe bem para a sua direita. Ali você vai ver uma agência do Banco de la Nación Argentina. Foi a melhor cotação que eu encontrei na cidade.

UPDATE em 08/09: Ricardo Freire acabou de postar sobre isso também lá no Viaje na Viagem. Vai lá ver.

Ah, fique bem ligado na hora de trocar dinheiro e confira atentamente se as notas são verdadeiras. É barbada pegar umas notas falsas e ter que arcar com o prejuízo.

Moeda local: peso argentino

Para saber a cotação do peso argentino, vá em www.xe.com/ucc. Para saber onde tem ATM, vá em www.visa.com.br ou pergunte para o seu gerente.

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Burocracias básicas

Escuela de Derecho y Ciencias

Seguindo o esquema do Mercosul, brasileiros não precisam de visto para entrar na argentina e nem de passaporte. Basta levar a carteira de identidade, desde que ela tenha sido emitida há menos de 10 anos. Como estas informações podem mudar a qualquer momento, confirme tudo pelo site do Ministério das Relações Exteriores.

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Calor, hein?

Um calorão da morte e o cara vem me oferecer abrazos?

Nas outras 3 vezes em que fui para Buenos Aires, estava em estações amenas. O frio não era grande, mas nada de terrível (apesar do inverno ser bem rigoroso por lá). Somente desta vez fui no fim da primavera. E vou te contar, era um calor gigantesco. Por isso, recomendo: não vá em meses quentes. Buenos Aires não combina com altas temperaturas.

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Seguranças!

All You Need

Apesar da violência estar aumentando no país, Buenos Aires ainda é muito segura e é possível passear pelas ruas com calma e sem nenhum medo. Claro que convém não marcar bobeira, evitar caminhar com câmeras na mão tarde da noite e escolher ruas escuras para perambular. Durante o dia, o cuidado é o mesmo que se deve ter em qualquer lugar do mundo: prevenir que carteiras e bolsas sejam roubados por batedores em aglomerações. De resto, é só curtir, porque a capital portenha ainda nos permite fazer o que não é mais possível no Brasil.

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Quem tem boca vai

Toldos na Escuela de Derecho y Ciencias

No hablas español? Não se preocupe. Ataque de portunhol e fale devagar que a maioria das pessoas vai entender. Em restaurantes, dá para dizer que é possível falar português mesmo, de tão acostumados que os garçons estão.

- Gabriel Prehn Britto
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› 25 de agosto de 2009

10 restaurantes de Buenos Aires - por André Takeda

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Foto roubada do Flickr do André Takeda

André Takeda era redator publicitário em Porto Alegre antes de ir para São Paulo e virar escritor também. Hoje trabalha na Fox Latin America Channels, faz fotos sensacionais, escreve no Peixes Banana e - voilà! - vive em Buenos Aires há quase 5 anos.

Um brasileiro de extremo bom gosto que mora em BsAs. Fale a verdade: ninguém melhor para dar dicas de restaurantes na cidade, não é?

Pois o Takeda fez a gentileza de indicar os seus 10 restaurantes preferidos por lá. Veja a lista, clique para saber mais informações, anote e aproveite as passagens baratas para conferir todos.

1: Sudestada

2: Sarkis

3: La Cabrera

4: Brasserie Petanque

5: Palitos

6: Masamadre

7: Sirop Folie

8: Bengal

9: Nectarine

10: Brunch do Palacio Duhau

UPDATE: O Takeda acabou de enviar mais um. Agora você tem 11 motivos para viajar.

11: La vinería de Gualterio Bolívar

UPDATE 2: O pessoal do Destemperados gostou e enviou o link com a lista deles também. Mais do que nunca, preciso negociar um feriado no trabalho para pintar em BsAs.

- Gabriel Prehn Britto
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› 8 de julho de 2009

Mi Buenos A…tchim!

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

homer-simpson-porco-gripe-suina

Em tempos de pânico por causa de uma gripe, quando qualquer espirro dentro de um avião faz as pessoas perderem o senso do ridículo e quando 40% das viagens para a Argentina são canceladas, nada melhor do que viajar para… Buenos Aires!

Sim, é inverno, a melhor época para curtir a capital portenha, onde caminhar e comer são as maiores atrações (vá para lá no verão e você vai me entender). Então por que não aproveitar para descobrir a cidade sem milhares de brasileiros medrosos e, quem sabe?, aproveitar umas pechinchas por conta da falta de turistas?

Uma boa alternativa de estadia é alugar um apê. Fiz isso nas duas últimas vezes que fui e adorei a escolha. Mesmo tendo ido para apenas 3 ou 4 dias, me sentia como um habitante da cidade quando saía para comprar meu pão de miga na esquina pelas manhãs. E para quem pensa que alugar um apê sai caro, vale fazer as contas, porque para mim saiu mais barato que um hotel.

Entonces, se você não foi atingido pela paranóia suína e quiser seguir essa dica, existem muitas alternativas de aluguel no Google. Mas eu sempre contato a Ximena (Ximena de Tezanos Pinto, 54 911-007-3122), que tem fotos dos seus apartamentos aqui.

Faça sua pesquisa e arrume as malas. Se quiser andar de máscara, diga que é em homenagem póstuma ao Michael Jackson e tá liberado.

- Gabriel Prehn Britto

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