Brasil

› 18 de maio de 2011

Quando o clichê é bom

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

“O Brasil só é lembrado por futebol, praia e carnaval.”

Xavier Donat (CC BY-NC-ND 2.0)

Certamente você já falou ou escutou alguém dizendo isso de forma negativa. E é a pura verdade. Nenhum gringo dá bola para qualquer outra característica nossa.

Podemos fabricar aviões excelentes, votar em urnas eletrônicas, transformar mulheres ocidentais em japonesas, não importa: o mundo nos olha como um povo que só pensa em ziriguidum, balacobaco e telecoteco.

Então, semana passada, pedi para os leitores me ajudarem em uma pesquisa rápida. Eles responderam o que vem às suas cabeças quando pensam em alguns países. As características mais lembradas foram:

PERU: Machu Picchu - Lhamas - Ceviche - Incas

Guillermo Barrios del Valle (CC BY-NC-SA 2.0)

FRANÇA: Vinho - Torre Eiffel - Queijo - Paris

EUA: Compras/Consumismo - Fast food - Nova York - Povo convencido/Pessoas obesas

ÍNDIA: Temperos - Confusão - Sujeira - Religião

James Cridland (CC BY 2.0)

AFEGANISTÃO: Guerra - Deserto - Bin Laden - Terror/Medo - Poeira

Como você vê, os clichês foram os mais citados. Meus lindos leitores fizeram exatamente o que os gringos fazem com o Brasil e definiram tudo por estereótipos.

Não sei como surgem os estereótipos, mas tenho certeza de que eles são usados para definir superficialmente todos os lugares do mundo, de hemisférios a casinhas de cachorro.

Pat Kight (CC BY-NC-ND 2.0)

Não tem como evitar isso e nem adianta ficar reclamando. O mundo é assim e ponto. A preocupação em relação ao assunto tem que estar apenas no tipo de estereótipo nacional: é negativo ou positivo?

Mesmo que nenhum deles seja totalmente verdadeiro, os negativos fazem com que qualquer pessoa normal queira ficar bem longe do local. Já os positivos fazem o contrário e atraem todo mundo.

Na minha pesquisa tosca, França e Peru se deram bem, porque foram lembrados apenas por coisas boas (isso se você não sofre de gases quando come queijo).

Já EUA e Índia dividiram clichês positivos e negativos, enquanto o coitado do Afeganistão não se associou a nenhum estereótipo decente na mente da maioria.

mollystevens (CC BY-SA 2.0)

E estes estereótipos ligados ao Brasil são bons ou ruins? Depende.

Sob o ponto de vista empresarial, acho que são bem ruins. Porém, quem define um investimento é uma boa tabela de números positivos, não a imagem que um engravatado faz de um país. Então tudo bem.

Sob o ponto de vista turístico, enquanto a violência não entrar nesta lista, nossa imagem me parece absolutamente perfeita.

Afinal, a maioria dos mortais quer mais é enfiar o pé na jaca ou relaxar nas férias. E não existe lugar melhor que o Brasil para esse objetivo - ao menos na cabeça gringa.

Murilo Cardoso (CC BY-NC-SA 2.0)

Resta o óbvio: desencanar com o que pensam de nós e aproveitar tudo que for possível nessa fantasia.

- Gabriel Prehn Britto
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› 14 de abril de 2011

Índio quer turista

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Na falta de tempo para escrever, vai aí um post antigo, publicado numa época em que este blog tinha como únicos leitores eu e minha mãe (sim: nem minha mulher me lia. Pois é.)

O post é velho, mas (muito) útil e foi atualizado. Inclusive fiquei me coçando para fazer uma destas viagens.

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Que tal passar férias em uma aldeia indígena? Comer a mesma comida dos locais, dormir em rede e participar do dia-a-dia deles?

Photo: Pedro Biondi (Flickr) - Attribution-NonCommercial 2.0 Generic (CC BY-NC 2.0)

Tenho um amigo sortudo que já fez isso da forma mais real possível, convidado por um índio.

Ele teve a maravilhosa oportunidade de ir duas vezes a uma aldeia no litoral paulista e mais outra no Acre (nesta última, homens brancos só entram com autorização).

Mas se você é como eu, um cara normal sem nenhum cacique entre seus contatos no Facebook, ainda nos resta uma saída. Existem pacotes turísticos para quem quer viver alguns dias em uma tribo.

Photo: Cristina Leme (Flickr) - Attribution-NonCommercial-ShareAlike 2.0 Generic (CC BY-NC-SA 2.0)

Uma das indiadas acontece no litoral da Bahia, em reservas Pataxó. São 5 dias e 4 noites visitando as aldeias Coroa Vermelha, Reserva da Jaqueira, Aldeia Velha, Imbiriba e Barra Velha, com direito a duas noites dormindo em uma oca (as outras duas são em pousadas, afinal nenhum homem branco é de ferro).

Tudo por 799 brasileiríssimos reais (sem passagem aérea, claro).

Photo: Tiago Brandão (Flickr) - Attribution-NonCommercial-ShareAlike 2.0 Generic (CC BY-NC-SA 2.0)

A outra se passa no Mato Grosso, numa cidade chamada Feliz Natal, a 500 km de Cuiabá, na entrada do Parque Indígena do Xingu.

Map: http://www.amazonteam.org

Segundo a matéria de onde tirei as informações, são 4 dias de visitas às aldeias Waurá e Trumai, mas, aparentemente, hospedado em um hotel, sem dormir em oca nem fazer cocô no mato.

De quebra ainda renova a carteirinha da Funai.

- Gabriel Prehn Britto
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› 24 de janeiro de 2011

E se você não tivesse nascido no Brasil?

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Tuitei isso durante a semana passada, mas preciso registrar aqui também.

Olha que maravilha o site If It Where My Home.

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A proposta dele é comparar o país onde você nasceu com qualquer outro país do mundo, para você ter ideia de como seria sua vida se você tivesse nascido por lá.

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Além da comparação entre indicadores sociais e de consumo, o If It Where My Home ainda dá uma palavrinha sobre a história do país comparado e sugere livros para quem quiser ir mais fundo.

Veja o teste que eu fiz: e se eu tivesse nascido no Irã?

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Não é excelente para viajantes que gostam de estudar seus destinos turísticos?

- Gabriel Prehn Britto

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› 17 de novembro de 2010

E o angu, Sílvio?

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Na ida ou na volta de Ouro Preto para Belo Horizonte, pela BR 356 (Rodovia dos Inconfidentes), preste atenção quando você chegar em Itabirito.

É nesta cidade que fica um legítimo representante da, sei lá, “decoração surrealista brasileira”: o Pasté de Angu Jeca Tatu.

angu

Repara na loucura do lugar.

Angu

Dá para perder um bom tempo por ali, olhando as milhares de capas de discos antigos (muito antigos, afinal o lugar também é chamado de museu), os anúncios do tempo em que a propaganda tinha textos e o móveis de sei lá qual século.

Angu

E a parada ainda pode ser aproveitada com um belíssimo (e baratésimo) almoço bem caipira, com destaque para os excelentes pasteis de angu.

angu

Deixa de ser jeca e aproveita.

- Gabriel Prehn Britto
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De Ouro Preto para Tiradentes e vice-versa

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Segundo o Google Maps, o caminho de Ouro Preto a Tiradentes pode ser feito por duas estradas.

Em 2h28, pela BR 383:

Via BR 383

Ou em 2h48, pela BR 040:

Via BR 040

Mesmo sabendo que ir e voltar em um dia tinha tudo para ser muito cansativo, resolvi encarar a viagem para ver no que daria.

Valeu a pena, lógico, conheci Tiradentes. Mas foi beeem estressante.

O GPS me mandou ir pela BR 040. Nem me dei conta de ver se tinha outro caminho e saí de Ouro Preto mais ou menos às 8h30 da manhã.

O trecho até Ouro Branco é muito bonito, faz parte de uma das estradas reais (aliás, a impressão que se tem em Minas é de que todas as estradas são Estrada Real. Nossos monarcas viajavam, hein?). É cheio de curvas que chegam a enjoar os estômagos mais fracos, mas é muito bem cuidado e sinalizado, inclusive em casos de neblina.

Depois de Ouro Branco, o bicho começa a pegar. A estrada bucólica vira auto-estrada e você ganha a companhia de muitos caminhões. O asfalto é bom na maior parte, mas tem trechos ruinzinhos.

No final são exatamente 3 horas até o destino.

Enfim, minha dica é: se você conseguir se programar para sair bem cedo, dá para visitar a outra cidade em um dia. Mas evite (evite mesmo) pegar noite na estrada. Alguns trechos da BR 040 são muito mal sinalizados na escuridão.

O melhor ainda é dormir uma noite na cidade que você escolher.

- Gabriel Prehn Britto
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› 15 de novembro de 2010

Tiradentes de tirar o fôlego

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

No capítulo mineiro anterior, eu disse que optei por passar mais tempo em Ouro Preto do que em Tiradentes, mas que hoje faria o contrário. É hora de dizer o motivo.

Tiradentes

Antes de mais nada, não leve isso como uma crítica a Ouro Preto. É injusto comparar duas cidades tão diferentes. Ambas são lindas e têm seus atrativos. A preferência por uma ou por outra é questão de gosto pessoal mesmo.

Tiradentes

Para mim, com ficha de 34 anos, casado, fã de restaurante e vinho com amigos, apreciador de lugares charmosos e procurando descansar e relaxar num feriado (a.k.a. “velhotinho”), Tiradentes é perfeita.

Tiradentes

É menor, mais aconchegante e não tem todas as ladeiras de Ouro Preto. O calçamento (em pedra capistrana) é diferente e bonito. Os paredões da Serra de São José dão um toque europeu para a paisagem. Os restaurantes e as lojinhas parecem ser mais charmosos. O artesanato é mais criativo. Não tem toda aquela muvuca. As casas são quase todas baixas. Enfim, é aquela coisa que não dá para explicar.

Tiradentes

Tiradentes é daqueles lugares onde você tem vontade de passar longas horas caminhando calmamente, se perdendo em ruelinhas e descobrindo cantinhos. Quando você menos espera, aparece uma capelinha ou uma rua bucólica na sua frente. É perfeita para simplesmente ver o tempo passar sem a menor pressa e comendo muito.

Tiradentes

Além de tudo isso, Tiradentes tem um “segredo” que faz toda a diferença: o vilarejo de Bichinho.

Tiradentes

Não é exagero dizer que é dos artesãos de Bichinho que sai a maior parte do artesanato vendido em Tiradentes e também em Ouro Preto. São várias lojinhas, uma ao lado da outra, em um ambiente calmo e lindo. A loja/atelier Oficina de Agosto é imperdível, praticamente um museu de obras de arte “rústicas”. Tudo é caro demais da conta, mas para olhar e se inspirar é de graça.

Tiradentes

É preciso um pouco de paciência para chegar em Bichinho. A estrada até lá combina pedras e chão batido. Em compensação a paisagem é maravilhosa e no caminho você pode parar no restaurante mais famoso e com o nome mais pornográfico da cidade: Pau de Angu.

Tiradentes

Acabei ficando apenas algumas horas em Tiradentes, num bate-volta cansativo desde Ouro Preto. Mas poderia ter ficado bem mais.

Digo até que, com tevê a cabo e internet banda larga, eu poderia viver lá.

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COMO CHEGUEI? De carro, 3 horas depois de sair de Ouro Preto. Evite viajar à noite, porque algumas partes são muito mal sinalizadas.

ONDE FIQUEI? Não fiquei. Foi só um bate-volta. Mas se fosse ficar hoje, procuraria alguma pousada que não ficasse exatamente na praça principal. Tentaria algo nas ruas ao redor dela.

Tiradentes

ONDE COMI? Como eu tinha pouco tempo, não procurei restaurante e acabei comendo em um boteco qualquer sem nenhum atrativo. Não faça isso. Tiradentes é famosa por sua gastronomia. Vale a pena se esforçar mais do que eu.

CLIMA. Assim como em Ouro Preto, Tiradentes não me parece ser o melhor lugar para se estar no verão. Calorão pegando.

Tiradentes

SEGURANÇA. Se não tem problema em Ouro Preto, acredito que deve ter menos ainda em Tiradentes. Ao menos durante o dia, é tudo numa boa.

O QUE EU MUDARIA? Teria ficado mais tempo na cidade. Algumas horas é muito, muito, muito pouco.

Tiradentes

DICA DE BLOGUEIRO AMIGO 1. Não fique apenas nos arredores da praça principal de Tiradentes. Muita gente me disse que a cidade era apenas aquilo, mas ela é muito, muito, muito mais. Estacione seu carro e saia caminhando. Deve ter cantinhos incríveis para fotografar e casas lindas para babar.

DICA DE BLOGUEIRO AMIGO 2. Na verdade, é dica de uma amiga do blogueiro amigo, mas tá valendo: existem voos entre BH (aeroporto da Pampulha) e São João Del Rei a partir de 49,90 (preços em novembro 2010), pela Trip. Mais barbada que isso, só se servirem pão de queijo no avião.

- Gabriel Prehn Britto
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› 11 de novembro de 2010

É o ouro

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Quando ainda estava definindo o roteiro da viagem para Minas Gerais, fiquei na dúvida: deveria dedicar mais tempo a Ouro Preto ou a Tiradentes? Acabei escolhendo Ouro Preto, já que ela é maior, mais famosa e considerada Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco.

Ouro Preto

Cheguei lá à noite, depois de uma viagem cheia de aventuras desde Inhotim (falarei sobre esta viagem em outro post). Logo no início percebi que os dias de turismo seriam cansativos: as ladeiras de Ouro Preto são íngremes à beça e estão por todos os lados. É impossível passear a pé sem descer e subir alguma rua. Para piorar, o calor era senegalês.

Ouro Preto

Mas eu sabia que aquele esforço valeria a pena. O Brasil tem 12 patrimônios culturais da humanidade e, para mim, Ouro Preto sempre foi o sinônimo deste título no país. Nunca pensei em “patrimônio histórico” sem lembrar da cidade mineira, que foi a nossa primeira a ganhar essa “condecoração”, em 1980.

Ouro Preto

O cansaço e o suor foram recompensados. Ouro Preto é maravilhosa e deveria ser destino obrigatório de todos os brasileiros. Muito mais do que para ver aquele ambiente antigo, as igrejas centenárias, os restaurantes sensacionais e as paisagens e a beleza da serra, Ouro Preto merece ser visitada por orgulho nacional. Para ver de perto um estilo de arte lindíssimo com características totalmente brasileiras. Obra nossa mesmo, que você não vai encontrar em outros cantos do mundo.

Ouro Preto

Porém, recomendo ir logo. Eu me arrependi muito por não ter conhecido a cidade há pelo menos uns 10 anos. Segundo me disseram, naquela época ela era ainda mais charmosa e bonita, bem diferente da zoeira que eu conheci, com milhares de carros engarrafando as ruas históricas e casas que nada têm de atraentes penduradas em morros por todos os lados.

Se continuar assim, não vai demorar para Ouro Preto ir ladeira abaixo.

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COMO CHEGUEI? De carro, 2h30 depois de sair de Inhotim. Foram 108 km de estrada, mas conte 100 km se você sair de Belo Horizonte. Evite pegar a estrada à noite, porque ela tem trechos muito mal sinalizados.

Ouro Preto

ONDE FIQUEI? Na maravilhosa Pouso do Chico Rei, a pousada mais bem cotada da cidade no Trip Advisor. Café da manhã de se empanturrar, quartos históricos (eu dormi no mesmo onde Pablo Neruda se hospedou) e vistas inacreditáveis em um casarão tradicional, com mais de 200 anos de história e localização perfeita. Irretocável.

Se você preferir outro lugar e quiser algo calmo, evite a Praça Tiradentes e a Rua Direita. A noite acontece nestes endereços e pode ser bem difícil dormir.

Ouro Preto

QUANTO CUSTOU? O pacote de 3 noites no Pouso do Chico Rei custou 720 reais pelo quarto de casal. A parte gastronômica da viagem ficou ao redor de 40 reais por pessoa, por refeição (almoço e jantar), em lugares legais e recomendados, incluindo vinhos e sobremesas.

ONDE COMI? Lugares preferidos, em ordem: pizzaria O Passo, restaurante Café Geraes (desça ao subsolo, onde é melhor) e restaurante Bené da Flauta.

Ouro Preto

CLIMA. Não sei como é Ouro Preto em outras épocas do anos. Mas se na primavera era um calor infernal, imagino o terror que deve ser no verão. Eu evitaria, até porque os  bares e restaurantes não costumam ter ar-condicionado.

SEGURANÇA. Tudo numa boa na área central. Policiamento extensivo dia e noite. Dá para andar com a câmera pendurada no pescoço sem medo.

O QUE EU MUDARIA? Inverteria a prioridade do feriado: teria ficado mais tempo em Tiradentes e menos em Ouro Preto. Explicarei o motivo no próximo post.

Ouro Preto

1ª DICA DE BLOGUEIRO AMIGO. Se puder, evite feriados e finais de semana, quando o movimento aumenta e fica quase impossível fazer uma foto sem um monte de carros atrapalhando. Senti melhor o clima de Ouro Preto no último dia, quando boa parte dos turistas já havia picado a mula. E gostei muito mais.

2ª DICA DE BLOGUEIRO AMIGO. Não fiquei apenas nos arredores da Praça Tiradentes. Não tenha medo das ladeiras e vá para mais longe, onde Ouro Preto esconde áreas lindas e bem mais calmas. Aproveite para se perder nas ruelinhas e escadarias da cidade.

SE TENHO MAIS FOTOS? Como de praxe, no Flickr.

Ouro Preto no meu Flickr

- Gabriel Prehn Britto

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› 8 de novembro de 2010

Uai é uai, uai!

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Toda vez que alguém falava de Minas Gerais, eu tentava mudar de assunto ou sair de fininho para não precisar dizer que eu não conhecia as cidades históricas do estado. Sim, eu ficava envergonhado com isso. Como é que eu nunca havia ido para Ouro PretoTiradentes?

Mas hoje isso é passado. No feriadão de 2 de novembro de 2010, minha vida de viajante mudou e já posso encher o peito para dizer:

“Ah, Minas! Que saudade!”

Ouro Preto

Foram apenas 4 dias, mas muito bem divididos entre o museu de Inhotim, Ouro Preto e Tiradentes.

Ao longo desta semana (e da outra, se for preciso), pretendo colocar aqui os posts sobre essa aventura recheada de pão de queijo, que começa com Inhotim.

Fica ligadim.

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INHOTINHOSO DE BOM

Não vou me matar tentando explicar o que é Inhotim porque não vai adiantar. É impossível descrever. Vou simplesmente fazer um resumo do que eu percebi. Se quiser saber mais, vá ver ao vivo. E se não quiser saber mais, vá também, porque você vai gostar.

Minha definição rápida de Inhotim é: “um combo de atrações”, reunindo arte, natureza, paisagismo, gastronomia e arquitetura. Se você gosta de qualquer um destes assuntos, vai amar o passeio.

Gosta de arte? A imensa maioria das obras são lindíssimas e impressionam de uma forma ou de outra, mesmo que você seja completamente nulo no assunto. Como o Ricardo Freire definiu, “a curadoria busca obras que causem impacto também no público leigo”.

Arte e natureza

Curte natureza e paisagismo? Saiba que Inhotim é oficialmente considerado um jardim botânico. O paisagismo é embasbacante, inclusive com colaborações de Burle Marx. Ficar apenas passeando pelos caminhos ou curtindo a sombra das árvores é tão válido quanto entrar nas galerias para ver obras de arte.

Mato

Ama gastronomia? Inhotim tem ótimos restaurantes. Sim, no plural: res-tau-ran-tes. Buffet ou a la carte, almoção pegado ou chique, lanchinho básico ou drink, você pode escolher entre 8 opções. Dá para passar o dia experimentando delícias.

Restaurante Oiticica

Prefere arquitetura? Os prédios das galerias são lindíssimos e combinam perfeitamente com a natureza ao seu redor. “Meu Deus, eu quero morar aqui!” vai ser o seu pensamento mais recorrente em Inhotim.

Prédio lindão

Gosta de todos estes assuntos? Reserve, no mínimo, um dia inteiro de visita (das 9h30 às 17h3 nos fins de semana e às 16h30 durante a semana) e prepare-se para mijar suas calças a cada 10 minutos.

Som da Terra

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Agora vamos ao serviço:

Como eu cheguei? De carro. Inhotim fica a mais ou menos 60 km de Belo Horizonte. Reserve 1h30 de deslocamento, porque o caminho passa por dentro da cidade de Brumadinho e a velocidade diminui bastante por lá.

Onde eu dormi? Escolhi o Ibis Betim, por ser o mais barato e ficar no meio do caminho entre o aeroporto de Confins e Inhotim. Foi uma boa escolha e recomendo para quem for para lá para apenas um fim de semana. Passei pela pousada mais famosa de Brumadinho, mas achei distante e a estrada não é bem sinalizada. Porém, a vista é lindíssima e a pousada parece ser muito boa.

Quanto custou o parque? Comprei os ingressos pela internet e apenas retirei na bilheteria na entrada. O valor total ficou em 33 reais por pessoa, incluindo os 10 reais que dão direito a utilizar os carrinhos de golfe para ir às atrações mais distantes (recomendo).

Obras preferidas? Forty Part Motet (Janet Cardiff), Seção Diagonal (Marcius Galan - Galeria Mata) e Continente-Nuvem (Rivane Neuenschwander).

O que eu mudaria? Chegaria mais cedo (fiquei das 11h30 às 17h30). Mas foi difícil acordar às 8h, depois de ter ido dormir às 3h (obrigado, Unidas).

O que fazer depois de Inhotim? Dá para ir a Ouro Preto numa boa. Mas evite pegar a estrada à noite, porque ela tem trechos com sinalização bem ruim.

Para finalizar, estas são as empresas apoiadoras de Inhotim. Marecem destaque em qualquer texto sobre o lugar.

Parabéns, continuem assim

Se quiser ver mais fotos artê, dê uma olhada no meu Flickr.

- Gabriel Prehn Britto
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› 6 de novembro de 2010

Unidas (ou Desorganizadas?)

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Aterrissei em Belo Horizonte às 22h45 da sexta-feira do feriadão de Finados, cansado, louco para pegar meu carro (reservado quase um mês antes) e ir logo para o hotel. Mas quando cheguei no balcão da locadora Unidas, encontrei aproximadamente 7 pessoas desejando o mesmo na minha frente e apenas uma pobre funcionária atendendo a todos.

Prazer, meu nome é Unidas

Todo mundo sabe que feriadão pede planejamento. Qualquer adolescente indo para a praia sabe que a procura por turismo aumenta nestes dias. Todo mundo sabe disso e eu não preciso repetir.

Agora me diga: se você, pessoa física, assalariado ou estudante, consegue se programar para evitar qualquer chatisse causada pelo excesso de procura, por que uma empresa que trabalha com aluguel de carros, um dos setores mais procurados em feriadões, não consegue?

Unidas em uma só

Saí do aeroporto com o meu carro somente às 0h45. Foram exatamente duas horas de fila e burocracia. Mas, pensando bem, nem posso reclamar: o senhor que chegou logo depois de mim foi simplesmente avisado de que o balcão estava fechado e que ele ficaria sem carro, mesmo que o atraso tivesse sido causado pelo seu voo. Nem fiquei para ver no que aquilo ia dar. Fiquei com medo de que acabasse em sangue e fui embora.

Duas horas. É melhor você planejar esse tempo de espera quando for alugar seu carro com a Unidas em um feriadão. Porque, pelo que eu percebi, não dá para confiar que ela vá se planejar.

- Gabriel Prehn Britto

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› 11 de outubro de 2010

Chernobyl ou Angra dos Reis?

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Segundo a Organização Mundial do Turismo, em 2009 o Brasil recebeu 4,8 milhões de turistas estrangeiros. Isso foi menos do que países como Ucrânia (20 mi), Tunísia (6,9 mi) e Síria (6 mi), o que nos coloca em sei lá que posição no ranking mundial, muitissississíssimo atrás dos 10 primeiros colocados.

Gabriel Prehn Britto

Está certo que zilhões de fatores devem influenciar os números altos em países com muito menos atrativos do que o Brasil. Mas tenho certeza de que nenhum deles justifica nossos números ridículos.

Gabriel Prehn Britto

Não sou expert em Brasil (nem em coisa nenhuma). Salvo algum lapso de memória, nunca planejei uma viagem pelo nosso país da mesma forma que planejo viagens no exterior, com reserva de hoteis, roteiro, aluguel de carros e coisa e tal. Sempre que fui para cidades brasileiras, fiquei em casas de amigos ou em hoteis reservados por outros (a trabalho), sem me preocupar com nada.

Gabriel Prehn Britto

Mas agora resolvi passar o feriado de Finados em Minas Gerais. Pela primeira vez, estou montando uma viagem 100% made in Brazil e estou vendo alguns problemas que os turistas nacionais e estrangeiros enfrentam.

Sei que estes problemas não são exclusivamente tupiniquins (bom senso é um artigo em falta no mundo inteiro). Mesmo assim, resolvi listá-los aqui, numa tentativa ingênua de ajudar a melhorar as coisas.

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Problema 1: Carros sem garantia de capacidade para todos os passageiros e locadoras que fecham no feriado.

Gabriel Prehn Britto

Eu precisava de um carro para 6 pessoas. Encontrei, na Unidas, uma categoria com veículos de até 7 passageiros. Entrei em contato e descobri que eu até poderia alugar um carro daquela categoria, mas ninguém me garantiria que eu teria um carro para 7, porque a categoria incluía carros com 5 lugares. Isso mesmo: eu poderia chegar em Belo Horizonte com 6 pessoas e encontrar um carro com capacidade para 5. Nem a ouvidoria resolveu. É impossível ter certeza de alugar um carro para 7 pessoas ali.

Gabriel Prehn Britto

“Procure em outra empresa, Gabriel!”, foi o que você disse agora, certo? Pois eu procurei e encontrei carros com estas características no site da Hertz, por exemplo. Mas quando coloquei a data de devolução (02/11), uma mensagem pulou na minha cara, informando que é um feriado e a loja estaria fechada. O mesmo problema ocorreu no site da Avis, que nem tinha o carro para 6 pessoas.

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Problema 2: Obrigatório pagar 3 noites de hotel nas principais cidades.

Gabriel Prehn Britto

Tiradentes deve ser lindíssima, mas é minúscula e, se você não estiver atrás de muito relax, não tem por que ficar mais do que uma noite e dois dias inteiros por lá. Mesmo assim, se quiser ficar em uma pousada bem localizada, sou obrigado a reservar 3 noites no feriado. O mesmo problema de Ouro Preto (onde eu imaginava ficar duas noites).

Gabriel Prehn Britto

Resultado: escolhi garantir 3 noites em Ouro Preto e, se possível, fazer um bate-volta em Tiradentes. Vai ser um pé no saco (são 150 km), mas tentarei.

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Problema 3: Preços parisienses.

Gabriel Prehn Britto

Em Ouro Preto e Tiradentes, não encontrei nenhum lugar minimamente charmoso que custasse menos de 600 reais por 3 noites. A média ficou entre 750 e 800 reais.

Gabriel Prehn Britto

Seiscentos reais é o equivalente a mais de  250 euros. O hotel mais barato e bem localizado que encontrei em Paris em 2008 cobra, hoje, 90 euros pela diária. Três noites lá sairiam apenas 20 euros mais caras do que em Tiradentes/Ouro Preto. Mas veja bem: estamos falando de um hotel no Marais, em Paris, a cidade com o segundo metro quadrado mais caro do mundo (média de 14 mil reais). Duvido que isso não seja um valor alto para qualquer turista, nacional ou estrangeiro.

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Sei que ainda enfrentarei outros imprevistos e listarei cada um deles aqui. Pode ser ilusão minha, mas penso que divulgar os problemas ajuda a combatê-los.

Gabriel Prehn Britto

Eliminando cada um, pouco a pouco, talvez um dia os gringos não troquem Angra dos Reis por Chernobyl e a gente consiga ter mais turistas de que a Ucrânia.

(Pê-Ésse: Gostou das fotos deste post? São todas do Brasil e todas minhas. Tem mais no meu Flickr.)

- Gabriel Prehn Britto
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