Asia

› 27 de outubro de 2009

País Rico, País Pobre

Semana passada, um colega de trabalho voltou das férias. Passou 20 dias entre Europa e Marrocos. Disse que adorou o país africano, mas que a chegada em Marrakesh foi meio traumática. Quando ele falou isso, minha pergunta foi: você passou um tempo na Europa antes de ir para lá?

Sim. Ele fez o contrário do que eu fiz em 2006, então resolvi escrever um post sobre uma regrinha do meu Livro Pessoal de Sabedoria Viajante Pessoal:

“Art. 5º: Sempre que a viagem incluir um país rico e um país pobre, o país rico deve ficar no final do roteiro.”

Explico.

Passar um tempo em um lugar organizado, limpo, onde um pé na faixa de segurança significa carros parando nos deixa muito mal acostumados. Rapidamente começamos a amar toda aquela civilidade e desejamos ficar ali o resto da vida. Quem não fica pensando “Ah! Como eu queria que fosse assim no Brasil!”, enquanto caminha por cidadezinhas europeias? Impossível resistir.

Tá limpo, chefia.

Mas uma hora você tem que seguir o seu roteiro e sair de lá. E se o seu roteiro mandar você para um país pobre, o trauma da chegada vai ser inevitável.

Tomando como exemplo a viagem deste amigo, o Marrocos é lindíssimo, tem paisagens inesquecíveis, povo simpaticíssimo, querido e alegre e merece ser visitado por todos os viajantes do mundo. Mas é bagunçado, tem trânsito caótico, é sujo e os vendedores são o cúmulo da chatice. Encarar isso depois de um período na Europa pode arruinar as suas férias.

Claro que depois de um ou dois dias você se acostuma e passa a curtir toda aquela zorra. Mas essa curtição acaba chegando mais tarde do que se você tivesse feito o contrário e ido para lá antes da Europa. E quem quer perder um ou dois dias nas férias com medo do que existe da porta do hotel para fora? Ninguém.

Se no alto é assim, imagina no chão

Além do fator “trauma de chegada”, existe o fator “férias são feitas para descansar”, que pode ser ainda mais importante.

Explico também.

Os períodos nestes lugares menos desenvolvidos costumam consumir muito mais as suas energias. Você se cansa mais tentando entender mapas, línguas, cardápios e se estressa com trânsito caótico, buzinas e vendedores chatos.

Por mais que você esteja apaixonado pelo destino, uma hora a sua paciência vai acabar (veja o meu exemplo em Bangcoc) e tudo que você mais vai querer serão alguns dias de descanso em um lugar civilizado.

Aí, você vai agradecer a deus por ter deixado o país rico pro final.

- Gabriel Prehn Britto
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› 26 de outubro de 2009

Não Conta Que Não Tem Tv a Cabo Lá em Casa

Lá se vão mais de 6 anos sem tevê paga lá em casa. Nesse tempo, não me estressei com a incompetência reinante entre as empresas que fornecem esse serviço, mas, por outro lado, perdi muitos programas de viagem ótimos.

(Pausa para um suspiro de saudade do falecido Planeta Solitário, no tempo em que o People & Arts não era um canal de reality shows.)

…ai ai…

(Pronto, passou.)

Um deste programas ótimos eu acabei descobrindo esta semana, depois que um amigo me deu a dica. É o Não Conta Lá em Casa, que passa no Multishow.

Os 4 apresentadores do programa

Além de um nome genial, o Não Conta Lá em Casa tem uma ideia muito boa também. São 4 amigos, todos ali pelos 30 anos, que vão para países atualmente em conflito. Mianmar, Coreia do Norte e até o Iraque estão na lista.

Se você também é um sem-tv-a-cabo, dá para ver os episódios no site do programa. Infelizmente eles não estão reunidos em vídeos únicos e nem em uma ordem lógica. Mas como eu sou uma mãe para você, coloquei todos aqui, na ordem que eu suponho que seja a correta.

O primeiro é o de apresentação.

Os outros você vê clicando nos links para a Globo.com mesmo, que é melhor.

Vídeo 1 / Vídeo 2 / Vídeo 3 / Vídeo 4 / Vídeo 5 / Vídeo 6 / Vídeo 7 / Vídeo 8

Não Conta Lá em Casa.

Toda Quarta, 22:30, no Multishow.

Horários alternativos: Quinta - 04:30 ; Sexta - 09:30 ; Sábado - 12:30 ; Terça - 07:00 ; Terça - 14:00

- Gabriel Prehn Britto
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› 23 de outubro de 2009

Bangcoc 40 graus

Vai derreter...

Ontem, dando uma olhada no meu velho Blue List 2008, do Lonely Planet, descobri que Bangcoc é considerada a cidade mais quente do mundo, segundo a World Meteorological Organization.

A temperatura média anual na capital tailandesa é de 28 graus. Mais: março, abril e maio são os piores meses, com temperatura média de 34 graus e humidade de 90%.

Tem que ser zen para viver nesse calor

Só para lembrar: eu estive lá entre os dias 05 e 08 de abril. O pico do pico, portanto.

Não recomendo a ninguém fazer o mesmo.

- Gabriel Prehn Britto
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› 28 de setembro de 2009

Pátrias gastronômicas

Em homenagem aos Destemperados, um post sobre algo que descobri via @Kidids.

São imagens de uma campanha publicitária de algum produto que não consegui descobrir qual é, mas não importa. Aliás, nem precisa explicar. É só olhar e ter vontade de viajar - ou pelo menos vontade de ir para um restaurante de comidas típicas de cada um dos países abaixo.

Itália

Itália, a melhor bandeira de todas.

Brasil

Brasil: caipirinha, abacaxi e uma fruta estranha (é um abacate?).

China

China. Não me pergunte, não sei o que é esse bolinho.

França

França. Esse blue cheese tá forçado, mas c’est la vie.

Grécia

Grécia. Isso deve ser bom, hein?

Índia

“Que que esse hindu tá fazendo aqui?”

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Indonésia. Arroz e pimenta, super-sofisticado.

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Japão. Isso é carne de baleia?

Libano

Líbano. Muito bom, mas deve ter muita cebola.

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Coreia. A do sul, porque a do norte não tem comida pra ser representada.

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Nunca vi isso no Outback, mas dizem que é australiano.

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Suíça. Sempre achei que falta uma vaca nessa bandeira. Pelo menos tem o queijo.

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Vietnã. Não lembro de ter comido esse ouriço rosa. Ou comi? É cachorro?

- Gabriel Prehn Britto
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› 6 de agosto de 2009

Entre os Mongóis - 7

E no meio de um dos desertos mais quentes do mundo, o Egon conseguiu encontrar gelo.

Bom, saber. Quando for para lá, levarei uma garrafinha de uísque.

(Foto: www.dailytravelphotos.com - Flickr)

EGON ENCONTRANDO GELO NO DESERTO

Eu estava caminhando dentro de um canion chamado Yolyn An (”Boca do Abutre”, em lingua local), dentro das Montanhas Zuun Saikhan Uul no Deserto de Gobi da Mongolia, quase divisa com a China. Fazia um calor de pelo menos 40 C, mas as paredes eram muito proximas - abertura variando de 50 m a apenas 1 metro! Eu olhava para cima e enxergava somente uma faixa de ceu azul acima das escarpas de ateh 300m de altura. Nos meus pes corria um filete de agua muito fria.

De repente, gelo. Sim, blocos de gelo de mais de 1 metro de altura se esgueirando pelo canion. Na verdade eh neve compactada, remanescente do inverno passado. Como nesta parte do desfiladeiro nao hah incidencia de raios solares, o gelo demora muitos meses para derreter - pois no inverno chega a acumular 20m de altura por mais de 10 km! E tirei foto para comprovar, pois gelo no Deserto de Gobi, um dos locais mais quentes e secos da Terra, parece estoria de pescador…

Montamos as barracas em um desfiladeiro proximo (Khautsgait), aproveitando a rara presenca de uma fonte de agua. As montanhas sao extremamente aridas, com cristas de rochas subindo em todas direcoes - esta regiao eh tambem resultado da colisao da placa tectonica da India com a da Eurasia (pode-se dizer que esta eh uma pre-pre-cordilheira do Himalaia). E se tem agua, lah vou eu: aa beira do pequeno curso dagua, peguei uma tigela de agua congelante e me esbaldei. Lavei a roupa (agua saiu marrom), lavei o cabelo (agua saiu marrom) e lavei o corpo (agua saiu marrom). Lavei tu-di-nho… e bati queixo de frio o tempo todo… brrrrrr. Ateh a barba eu fiz!!!. Renovado geral, nem me reconheci no improvisado espelho amarrado no tripeh (mais uma utilidade para o mesmo… hehehe).

E, no final da tarde (aui isto significa 21-22hs), subi por entre os paredoes de pedra ateh o topo, uns 300m acima do acampamento. E que visao fantastica de 360 graus eu tive lah de cima: as montanhas, os desfiladeiros e as rochas pintadas de laranja do por-do-sol - junto aas planicies secas do Deserto de Gobi.

Bayartai,
Egon

PS.: As mensagens de internet aqui vao de camelo…

PS2.: Tem gente me pedindo imagens - ainda nao tenho technologia para mandar durante a viagem. Se quiserem ver algumas fotinhos da viagem anterior deh uma olhada no sitezinho que estou iniciando: www.egonf.com - tem umas boazinhas.  :)

- Gabriel Prehn Britto
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› 21 de julho de 2009

Entre os Mongóis - 4

Nova mensagem do Egon, direto da Mongólia. Desta vez a foto ilustrativa é meio chinelinha, desculpem. É que o Flickr tá baleiando aqui em casa e tive que buscar no Google Images mesmo.

Com esse outdoor no pé da foto, não preciso colocar os créditos aqui, né?

EGON E O BUDISMO NA MONGÓLIA

No seculo XIII, enquanto que Gengis Khan era devoto do shamanismo, seu neto Klubai Khan jah tinha como seu principal conselheiro um lama tibetano. Mas no seculo XV, outro descendente, Altan Khan recebeu a visita do III Dalai Lama e, impressionado com a sabedoria dele, adotou o Budismo como o credo oficial da Mongolia.

Pois fui conhecer o centro do Budismo do Pais, o belissimo Monasterio de Gandan, em Ulaan Baatar. Construido em1838 e preservado pelos russos como “simbolo da liberdade religiosa”  (sic), na realidade eh um complexo de predios. Com o ceremonial de oracoes jah em andamento, sentei-me junto a alguns monges com seus robes marrom-avermelhados. E, como sempre, os sorrisos deles traduzem a bondade que irradia do mundo budista. Muito boa esta sensacao. Um monge tibetano, que falava um pouco de ingles, contou-me que estah aqui para ajudar na escola deste centro budista.

Mas o templo principal eh de deixar maluco qualquer um que gosta de fotografia: do tamanho de um predio de 10 andares, telhados curvados sucessivos e cercado de stupas. Acho que tirei umas fotos bem boazinhas - ainda mais com o sol do inicio da manha… hehehe

E dentro dele, cercado de imagens do Buddha da Longevidade e rodas de oracoes, estah a enorme estatua de 27 m de altura do Buddha da Compaixao - de bronze e foleada a ouro - uma fantastica visao dourada. Muito D+. Om Mani Padme Hum…

Bayartai,
Egon

PS.: Tragicamente em 1937 o regime comunista da URSS destruiu os 700 monasterios budistas da Mongolia e cerca de 17.000 monges foram presos e nunca mais vistos. Desde a independencia do Pais, em 1990, mais de 100 jah foram reabertos - com suporte de sabios tibetanos e indianos.

- Gabriel Prehn Britto
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› 19 de julho de 2009

Passando o chapéu

Hora de usar esse blog em causa própria.

Seguinte, estou montando uma exposição de fotos e objetos que trouxe da viagem para o Camboja, o Vietnã e o Laos. Vai ser um evento bonitão, com 15 dias de duração, divulgação e coisa e tal, no espaço mais nobre de um shopping classudo de Porto Alegre. Coisa chique, precisa ver.

Eu podia tá matando, eu podia tá roubando, mas tô aqui procurando patrocinadores.

Neste momento estou na fase de captação de recursos, procurando patrocinadores que queiram unir suas marcas a um evento cultural deste tipo. Então, se você tiver interesse, me escreve, me liga, me busca no Twitter (@gabebritto). Tenho o projeto explicado e detalhado em uma bela apresentação de Keynotes (que é muito melhor que PowerPoint), para você ver que o negócio é quente e vai bombar. É só a gente marcar um encontro que eu mostro tudo.

Ah, se você não tiver interesse, mas conhecer alguém que tenha, avisa pra ele, tá?

Obrigado. Cam on. Aw kohn. Khawp jai.

- Gabriel Prehn Britto
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› 18 de julho de 2009

Angkor verde

Dica imperdível para quem anda sonhando com o Camboja: dê uma olhada na National Geographic de julho.

Versão americana da capa de julho/2009

A matéria de capa é Angkor (na foto, a versão americana). Os textos estão sensacionais e imperdíveis, os mapas que acompanham são ótimos e as fotos incríveis de Robert Clark me deixaram morrendo de inveja e saudade daquela terra. Aliás, as fotos me lembraram de algo que eu percebi quando fui mas que acabei nunca comentando aqui.

O período de chuvas da região pode não ser o mais indicado para o turismo, mas é o melhor para fotografar. Isso porque Angkor ganha a cor verde nessa época, graças às plantas que florescem e ao limo que surge nos templos, deixando tudo ainda mais lindo:

Angkor em tons de verde

Então não deixe de ir se suas férias caírem bem nessa época. Um cenário ainda mais belo pode estar esperando por você.

- Gabriel Prehn Britto
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› 17 de julho de 2009

Entre os Mongóis - 3

Momentos de tensão e coragem nos arredores de Ulaanbaatar. Leia a história de Egon Filter que chegou no meu e-mail hoje. Foto do Flickr.

Foto: Remmokov (Flickr)

EGON NA GRANDE CORRIDA DE CAVALOS DA MONGÓLIA

Saindo de Ulaan Baatar de manha cedinho logo se estah no vazio. E, de repente, em meio a estepe sem fim, um mar de carros: muitos milhares, talvez varias dezenas de milhares. E gente, muuuuuuuuiiita gente - talvez era assim que as hordas de guerreiros mongois de Gengis Khan apareciam no horizonte…

Sentei-me na grama com alguns nomades em uma coxilha, a convite deles. Apos um pouco de bate-papo em “mimiquez” (unica linguagem em comum), eles me ofereceram alegremente um poh muito estranho para cheirar. E lah fui eu - deu uma coceira louca no nariz… Eu me contorcia e eles riam. Papo vai, papo vem e um deles tirou um cachimbo muito suspeito de uma bolsinha - e aceitei de novo, sei lah, nao queria ofende-los. Quando parei de tossir e consegui abrir os olhos, lah estavam eles dando gargalhadas… mas me abracavam contentes, afinal o gringo atrapalhado era diversao garantida para eles… (e para mim, hehehe).

E a multidao era imensa, nao sei como a concentracao de pessoas pode ser tao grande em um lugar tao vazio (afinal a Mongolia eh o pais com a menor densidade demografica do mundo). De repente, no meio da confusao, escutei um pequeno estalo de elastico que me pareceu familiar: olhei para a minha pochete e a lente fotografica 28-70mm havia desaparecido. Quase que instintivamente identifiquei dois homens que pareciam suspeitos, mas pelo tamano eram lutadores de Bokh, enormes (uns 140kg cada)! Eu sou um homem ou um rato, afinal? Fiz cara de brabo e disse:

- Give it me back!

Se fizeram de surdos e eu, metendo a mao entre as barrigas deles, repeti firme:

- Give me back!

Com cara de bunda um deles me devolveu a lente…

E a torcida estava muito agitada. Apos cerca de 25km eles vinham se aproximando da linha de chegada. Joqueis se equilibrando precariamente nos cavalos, sem sela, sem nada, mas com uma enorme gana de vencer. Muita. Os cavalos estavam exaustos, encharcados de suor - e a torcida gritava em extase. Uma cena e tanto. E cruzaram a linha de chegada…

Mas, em seguida, tudo saiu do controle: as centenas de policiais nao seguraram mais a torcida, que invadiu tudo. Eu nao sabia, mas existe uma crenca popular na Mongolia que diz que quem passar a mao no suor dos 5 cavalos vencedores terah sucesso na vida… E a multidao enlouquecida cercou os vencedores, passavam a mao, os cavalos pulavam, coiceavam e disparavam. Os guardas, por sua vez, tentavam: chutavam, batiam e gritavam em alguns apenas dos milhares de invasores. A confusao soh passou quando os meninos se afastaram com seus animais. Vai entender isto…

Esta impressionante corrida anual de resistencia de cavalos eh uma tradicao antiga dos mongois, sempre ocorrendo no grande Naadam Festival - soh vendo para creer!!!

Abc,
Egon

PS.: Por incrivel que pareca, os joqueis tinham apenas 6 ou 8 anos de idade, alguns talvez 4 apenas! Tudo para reduzir o peso para a montaria…
PS2.: Valente, eu? Que nada, nem acredito que xinguei os brutamontes, eu estava eh muito borrado naquela hora…

- Gabriel Prehn Britto
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› 16 de julho de 2009

Entre os Mongóis - 2

Segundo e-mail do Egon Filter, direto da Mongólia.

Ah, como no e-mail anterior, a foto não é dele. É do Flickr.

Enjoy.

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EGON NO NAADAM FESTIVAL

O Naadam eh o grande evento nacional da Mongolia, o pais literalmente para. Eh uma especie de jogos olimpicos nacionais, que tem sua origem nas assembleias de nomades, vinda de cerca de 2000 anos - desde os Hunos (lembram de Atila?). O torneio consiste em tres esportes, ligados aa capacidade de guerrear dos homens: o Bokh (especie de luta greco-romana), o arco-e-flecha e a corrida de cavalos.

E lah estava eu na arquibancada. No Bokh os lutadores nao sao divididos em categorias de peso, como na luta greco-romana ocidental. Soh por aih jah dah para imaginar o tamanho dos competidores (incluindo barrigas enormes). O objetivo eh derrubar o adversario no chao, usando-se de forca e tecnica. O mais estranho eh que o vencedor deve celebrar com um ritual de danca que imita o delicado voar de um passaro (neste momento os brutamontes soltam a franga…). E a torcida vai ao delirio.

A roupa tambem eh bacana: grandes botas curvadas, sunguinha e um pano que cobre os bracos e ombros: o peito deve estar aa mostra (dizem que o motivo eh que, hah alguns seculos atras, uma mulher venceu o torneio - trazendo vergonha para os machoes, por isso o peito deve estar descoberto e desclassificar alguma mulher metida…).

Jah no arco-e-flecha ambos participam. Eh pura tecnica e concentracao. Esta arma de guerra eh uma das raizes da dominacao mongol iniciada por Gengis Khan por toda a Asia (junto com o dominio dos cavalos). Enquanto que os curtos e ageis arcos mongois compostos de camadas de osso e madeira atigiam alvos a 250 m de distancia, os outros povos mal alcancavam 100 m com seus longos e desajeitados arcos.

Peguei carona com 3 cinegrafistas da CNN e entrei como fotografo, mostrando como chachah a maquina fotografica com uma grande lente teleobjetiva… hehehe. Me diverti muito fotografando as caretas concentradas dos arqueiros - nao tem preco… soh vendo. A cena era muito legal ateh porque todos estavam vestidos com roupas tradicionais e seu belissimo chapeu conico. O unico problema lah dentro da area de tiro foi o medo de flecha-perdida - o impressionante zunido das flechas eh de arrepiar… brrrrrrr

Bayartai (ateh logo, em mongol),
Egon

PS.: Amanha vou assistir aa louca corrida de cavalos nas estepes mongois…

- Gabriel Prehn Britto
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