(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)
Momentos de tensão e coragem nos arredores de Ulaanbaatar. Leia a história de Egon Filter que chegou no meu e-mail hoje. Foto do Flickr.

EGON NA GRANDE CORRIDA DE CAVALOS DA MONGÓLIA
Saindo de Ulaan Baatar de manha cedinho logo se estah no vazio. E, de repente, em meio a estepe sem fim, um mar de carros: muitos milhares, talvez varias dezenas de milhares. E gente, muuuuuuuuiiita gente - talvez era assim que as hordas de guerreiros mongois de Gengis Khan apareciam no horizonte…
Sentei-me na grama com alguns nomades em uma coxilha, a convite deles. Apos um pouco de bate-papo em “mimiquez” (unica linguagem em comum), eles me ofereceram alegremente um poh muito estranho para cheirar. E lah fui eu - deu uma coceira louca no nariz… Eu me contorcia e eles riam. Papo vai, papo vem e um deles tirou um cachimbo muito suspeito de uma bolsinha - e aceitei de novo, sei lah, nao queria ofende-los. Quando parei de tossir e consegui abrir os olhos, lah estavam eles dando gargalhadas… mas me abracavam contentes, afinal o gringo atrapalhado era diversao garantida para eles… (e para mim, hehehe).
E a multidao era imensa, nao sei como a concentracao de pessoas pode ser tao grande em um lugar tao vazio (afinal a Mongolia eh o pais com a menor densidade demografica do mundo). De repente, no meio da confusao, escutei um pequeno estalo de elastico que me pareceu familiar: olhei para a minha pochete e a lente fotografica 28-70mm havia desaparecido. Quase que instintivamente identifiquei dois homens que pareciam suspeitos, mas pelo tamano eram lutadores de Bokh, enormes (uns 140kg cada)! Eu sou um homem ou um rato, afinal? Fiz cara de brabo e disse:
- Give it me back!
Se fizeram de surdos e eu, metendo a mao entre as barrigas deles, repeti firme:
- Give me back!
Com cara de bunda um deles me devolveu a lente…
E a torcida estava muito agitada. Apos cerca de 25km eles vinham se aproximando da linha de chegada. Joqueis se equilibrando precariamente nos cavalos, sem sela, sem nada, mas com uma enorme gana de vencer. Muita. Os cavalos estavam exaustos, encharcados de suor - e a torcida gritava em extase. Uma cena e tanto. E cruzaram a linha de chegada…
Mas, em seguida, tudo saiu do controle: as centenas de policiais nao seguraram mais a torcida, que invadiu tudo. Eu nao sabia, mas existe uma crenca popular na Mongolia que diz que quem passar a mao no suor dos 5 cavalos vencedores terah sucesso na vida… E a multidao enlouquecida cercou os vencedores, passavam a mao, os cavalos pulavam, coiceavam e disparavam. Os guardas, por sua vez, tentavam: chutavam, batiam e gritavam em alguns apenas dos milhares de invasores. A confusao soh passou quando os meninos se afastaram com seus animais. Vai entender isto…
Esta impressionante corrida anual de resistencia de cavalos eh uma tradicao antiga dos mongois, sempre ocorrendo no grande Naadam Festival - soh vendo para creer!!!
Abc,
Egon
PS.: Por incrivel que pareca, os joqueis tinham apenas 6 ou 8 anos de idade, alguns talvez 4 apenas! Tudo para reduzir o peso para a montaria…
PS2.: Valente, eu? Que nada, nem acredito que xinguei os brutamontes, eu estava eh muito borrado naquela hora…
- Gabriel Prehn Britto