Em um belo dia de 1971, geólogos soviéticos procuravam depósitos de gás natural nos desertos da Ásia Central, quando encontraram o que queriam.
Pena que não foi exatamente como planejaram.
O depósito de gás natural encontrado desmoronou de repente e virou um buraco de 70 metros de diâmetro por 20 metros de profundidade, jogando um monte de gás venenoso na atmosfera.
Sem ter como controlar aquele megavazamento os soviéticos não tiveram dúvida: tocaram fogo no buracão.
Eles achavam que o gás e o fogo acabariam em questão de dias, mas o que aconteceu foi que ele continou queimando, queimando, queimando.
E continua até hoje, quase 40 anos depois.
Se você for ao Turcomenistão, pode ver de perto esse buraco que se chama Darvaza e também é conhecido pela alcunha de Porta do Inferno.
Não mudei minha teoria de que qualquer lugar do mundo tem algo que faz valer uma viagem. Mas dia desses me peguei pensando nos lugares que ficariam no fim da minha lista de desejos, aqueles que eu deixaria para conhecer só depois de ter visitado praticamente todos os outros possíveis.
Acabei em um resultado que deve encontrar opositores ferrenhos, decepções com este pobre aprendiz de viajante, ameaças de morte e xingamentos pesados. Tudo bem, respeito opiniões diferentes e os amantes destes destinos podem me avacalhar à vontade. Só peço que deixem minha mãe de fora dos insultos, ok? Grato.
Oooh! Supremo sacrilégio! Sim, eu sei. A Itália é pura história e tem mais atrações do que gente bebendo espresso (com S, grafia italiana). Mesmo assim, não tenho esse fascínio todo pela bota. Talvez seja birra por não ter passaporte italiano, trauma pós-Copa 82 ou alguma repulsa ao sotaque do Tony Ramos na novela, não sei. Minha mulher tem muita vontade de ir, e eu já disse que podemos combinar uma viagem separados e nos encontrar em outro país. Enfim, scusa. Se ameniza a decepção, saiba que eu adoro pizza.
É uma pena, porque eu adoraria fazer o “Tourzão” (o passeio pelos países centro-asiáticos que terminam em ÃO). Mas o Paquistão não me apetece, ainda mais com os problemas de violência mais recentes. Para piorar, sempre me pareceu a cara do último colocado desta lista, o que não ajuda em nada.
Que os deuses hindus me perdoem pelas palavras a seguir: não tenho atração pela Índia. Um dia eu irei, claro, mas hoje a vontade de embarcar para Mumbai & Cia. é zero. Até me sinto atraído por alguns pontos do país, como Goa e Dharamsala, mas o resto não tem nenhum apelo sobre mim. Nem mesmo o curry. Nem o Taj Mahal. Nem mesmo o Ganges. Nem mesmo o meu querido Raj Koothrappali.
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Alguém se anima a fazer um Por Que Pra Lá? destes lugares para me convencer a ir antes de todos os outros?
Semana passada, um colega de trabalho voltou das férias. Passou 20 dias entre Europa e Marrocos. Disse que adorou o país africano, mas que a chegada em Marrakesh foi meio traumática. Quando ele falou isso, minha pergunta foi: você passou um tempo na Europa antes de ir para lá?
Sim. Ele fez o contrário do que eu fiz em 2006, então resolvi escrever um post sobre uma regrinha do meu Livro Pessoal de Sabedoria Viajante Pessoal:
“Art. 5º: Sempre que a viagem incluir um país rico e um país pobre, o país rico deve ficar no final do roteiro.”
Explico.
Passar um tempo em um lugar organizado, limpo, onde um pé na faixa de segurança significa carros parando nos deixa muito mal acostumados. Rapidamente começamos a amar toda aquela civilidade e desejamos ficar ali o resto da vida. Quem não fica pensando “Ah! Como eu queria que fosse assim no Brasil!”, enquanto caminha por cidadezinhas europeias? Impossível resistir.
Mas uma hora você tem que seguir o seu roteiro e sair de lá. E se o seu roteiro mandar você para um país pobre, o trauma da chegada vai ser inevitável.
Tomando como exemplo a viagem deste amigo, o Marrocos é lindíssimo, tem paisagens inesquecíveis, povo simpaticíssimo, querido e alegre e merece ser visitado por todos os viajantes do mundo. Mas é bagunçado, tem trânsito caótico, é sujo e os vendedores são o cúmulo da chatice. Encarar isso depois de um período na Europa pode arruinar as suas férias.
Claro que depois de um ou dois dias você se acostuma e passa a curtir toda aquela zorra. Mas essa curtição acaba chegando mais tarde do que se você tivesse feito o contrário e ido para lá antes da Europa. E quem quer perder um ou dois dias nas férias com medo do que existe da porta do hotel para fora? Ninguém.
Além do fator “trauma de chegada”, existe o fator “férias são feitas para descansar”, que pode ser ainda mais importante.
Explico também.
Os períodos nestes lugares menos desenvolvidos costumam consumir muito mais as suas energias. Você se cansa mais tentando entender mapas, línguas, cardápios e se estressa com trânsito caótico, buzinas e vendedores chatos.
Por mais que você esteja apaixonado pelo destino, uma hora a sua paciência vai acabar (veja o meu exemplo em Bangcoc) e tudo que você mais vai querer serão alguns dias de descanso em um lugar civilizado.
Aí, você vai agradecer a deus por ter deixado o país rico pro final.
Lá se vão mais de 6 anos sem tevê paga lá em casa. Nesse tempo, não me estressei com a incompetência reinante entre as empresas que fornecem esse serviço, mas, por outro lado, perdi muitos programas de viagem ótimos.
(Pausa para um suspiro de saudade do falecido Planeta Solitário, no tempo em que o People & Arts não era um canal de reality shows.)
…ai ai…
(Pronto, passou.)
Um deste programas ótimos eu acabei descobrindo esta semana, depois que um amigo me deu a dica. É o Não Conta Lá em Casa, que passa no Multishow.
Além de um nome genial, o Não Conta Lá em Casa tem uma ideia muito boa também. São 4 amigos, todos ali pelos 30 anos, que vão para países atualmente em conflito. Mianmar, Coreia do Norte e até o Iraque estão na lista.
Se você também é um sem-tv-a-cabo, dá para ver os episódios no site do programa. Infelizmente eles não estão reunidos em vídeos únicos e nem em uma ordem lógica. Mas como eu sou uma mãe para você, coloquei todos aqui, na ordem que eu suponho que seja a correta.
O primeiro é o de apresentação.
Os outros você vê clicando nos links para a Globo.com mesmo, que é melhor.
A temperatura média anual na capital tailandesa é de 28 graus. Mais: março, abril e maio são os piores meses, com temperatura média de 34 graus e humidade de 90%.
São imagens de uma campanha publicitária de algum produto que não consegui descobrir qual é, mas não importa. Aliás, nem precisa explicar. É só olhar e ter vontade de viajar - ou pelo menos vontade de ir para um restaurante de comidas típicas de cada um dos países abaixo.
Itália, a melhor bandeira de todas.
Brasil: caipirinha, abacaxi e uma fruta estranha (é um abacate?).
China. Não me pergunte, não sei o que é esse bolinho.
França. Esse blue cheese tá forçado, mas c’est la vie.
Grécia. Isso deve ser bom, hein?
“Que que esse hindu tá fazendo aqui?”
Indonésia. Arroz e pimenta, super-sofisticado.
Japão. Isso é carne de baleia?
Líbano. Muito bom, mas deve ter muita cebola.
Coreia. A do sul, porque a do norte não tem comida pra ser representada.
Nunca vi isso no Outback, mas dizem que é australiano.
Suíça. Sempre achei que falta uma vaca nessa bandeira. Pelo menos tem o queijo.
Vietnã. Não lembro de ter comido esse ouriço rosa. Ou comi? É cachorro?
E no meio de um dos desertos mais quentes do mundo, o Egon conseguiu encontrar gelo.
Bom, saber. Quando for para lá, levarei uma garrafinha de uísque.
EGON ENCONTRANDO GELO NO DESERTO
Eu estava caminhando dentro de um canion chamado Yolyn An (”Boca do Abutre”, em lingua local), dentro das Montanhas Zuun Saikhan Uul no Deserto de Gobi da Mongolia, quase divisa com a China. Fazia um calor de pelo menos 40 C, mas as paredes eram muito proximas - abertura variando de 50 m a apenas 1 metro! Eu olhava para cima e enxergava somente uma faixa de ceu azul acima das escarpas de ateh 300m de altura. Nos meus pes corria um filete de agua muito fria.
De repente, gelo. Sim, blocos de gelo de mais de 1 metro de altura se esgueirando pelo canion. Na verdade eh neve compactada, remanescente do inverno passado. Como nesta parte do desfiladeiro nao hah incidencia de raios solares, o gelo demora muitos meses para derreter - pois no inverno chega a acumular 20m de altura por mais de 10 km! E tirei foto para comprovar, pois gelo no Deserto de Gobi, um dos locais mais quentes e secos da Terra, parece estoria de pescador…
Montamos as barracas em um desfiladeiro proximo (Khautsgait), aproveitando a rara presenca de uma fonte de agua. As montanhas sao extremamente aridas, com cristas de rochas subindo em todas direcoes - esta regiao eh tambem resultado da colisao da placa tectonica da India com a da Eurasia (pode-se dizer que esta eh uma pre-pre-cordilheira do Himalaia). E se tem agua, lah vou eu: aa beira do pequeno curso dagua, peguei uma tigela de agua congelante e me esbaldei. Lavei a roupa (agua saiu marrom), lavei o cabelo (agua saiu marrom) e lavei o corpo (agua saiu marrom). Lavei tu-di-nho… e bati queixo de frio o tempo todo… brrrrrr. Ateh a barba eu fiz!!!. Renovado geral, nem me reconheci no improvisado espelho amarrado no tripeh (mais uma utilidade para o mesmo… hehehe).
E, no final da tarde (aui isto significa 21-22hs), subi por entre os paredoes de pedra ateh o topo, uns 300m acima do acampamento. E que visao fantastica de 360 graus eu tive lah de cima: as montanhas, os desfiladeiros e as rochas pintadas de laranja do por-do-sol - junto aas planicies secas do Deserto de Gobi.
Bayartai,
Egon
PS.: As mensagens de internet aqui vao de camelo…
PS2.: Tem gente me pedindo imagens - ainda nao tenho technologia para mandar durante a viagem. Se quiserem ver algumas fotinhos da viagem anterior deh uma olhada no sitezinho que estou iniciando: www.egonf.com - tem umas boazinhas. :)
Nova mensagem do Egon, direto da Mongólia. Desta vez a foto ilustrativa é meio chinelinha, desculpem. É que o Flickr tá baleiando aqui em casa e tive que buscar no Google Images mesmo.
EGON E O BUDISMO NA MONGÓLIA
No seculo XIII, enquanto que Gengis Khan era devoto do shamanismo, seu neto Klubai Khan jah tinha como seu principal conselheiro um lama tibetano. Mas no seculo XV, outro descendente, Altan Khan recebeu a visita do III Dalai Lama e, impressionado com a sabedoria dele, adotou o Budismo como o credo oficial da Mongolia.
Pois fui conhecer o centro do Budismo do Pais, o belissimo Monasterio de Gandan, em Ulaan Baatar. Construido em1838 e preservado pelos russos como “simbolo da liberdade religiosa” (sic), na realidade eh um complexo de predios. Com o ceremonial de oracoes jah em andamento, sentei-me junto a alguns monges com seus robes marrom-avermelhados. E, como sempre, os sorrisos deles traduzem a bondade que irradia do mundo budista. Muito boa esta sensacao. Um monge tibetano, que falava um pouco de ingles, contou-me que estah aqui para ajudar na escola deste centro budista.
Mas o templo principal eh de deixar maluco qualquer um que gosta de fotografia: do tamanho de um predio de 10 andares, telhados curvados sucessivos e cercado de stupas. Acho que tirei umas fotos bem boazinhas - ainda mais com o sol do inicio da manha… hehehe
E dentro dele, cercado de imagens do Buddha da Longevidade e rodas de oracoes, estah a enorme estatua de 27 m de altura do Buddha da Compaixao - de bronze e foleada a ouro - uma fantastica visao dourada. Muito D+. Om Mani Padme Hum…
Bayartai,
Egon
PS.: Tragicamente em 1937 o regime comunista da URSS destruiu os 700 monasterios budistas da Mongolia e cerca de 17.000 monges foram presos e nunca mais vistos. Desde a independencia do Pais, em 1990, mais de 100 jah foram reabertos - com suporte de sabios tibetanos e indianos.
Seguinte, estou montando uma exposição de fotos e objetos que trouxe da viagem para o Camboja, o Vietnã e o Laos. Vai ser um evento bonitão, com 15 dias de duração, divulgação e coisa e tal, no espaço mais nobre de um shopping classudo de Porto Alegre. Coisa chique, precisa ver.
Neste momento estou na fase de captação de recursos, procurando patrocinadores que queiram unir suas marcas a um evento cultural deste tipo. Então, se você tiver interesse, me escreve, me liga, me busca no Twitter (@gabebritto). Tenho o projeto explicado e detalhado em uma bela apresentação de Keynotes (que é muito melhor que PowerPoint), para você ver que o negócio é quente e vai bombar. É só a gente marcar um encontro que eu mostro tudo.
Ah, se você não tiver interesse, mas conhecer alguém que tenha, avisa pra ele, tá?