País Rico, País Pobre
Semana passada, um colega de trabalho voltou das férias. Passou 20 dias entre Europa e Marrocos. Disse que adorou o país africano, mas que a chegada em Marrakesh foi meio traumática. Quando ele falou isso, minha pergunta foi: você passou um tempo na Europa antes de ir para lá?
Sim. Ele fez o contrário do que eu fiz em 2006, então resolvi escrever um post sobre uma regrinha do meu Livro Pessoal de Sabedoria Viajante Pessoal:
“Art. 5º: Sempre que a viagem incluir um país rico e um país pobre, o país rico deve ficar no final do roteiro.”Explico.
Passar um tempo em um lugar organizado, limpo, onde um pé na faixa de segurança significa carros parando nos deixa muito mal acostumados. Rapidamente começamos a amar toda aquela civilidade e desejamos ficar ali o resto da vida. Quem não fica pensando “Ah! Como eu queria que fosse assim no Brasil!”, enquanto caminha por cidadezinhas europeias? Impossível resistir.

Mas uma hora você tem que seguir o seu roteiro e sair de lá. E se o seu roteiro mandar você para um país pobre, o trauma da chegada vai ser inevitável.
Tomando como exemplo a viagem deste amigo, o Marrocos é lindíssimo, tem paisagens inesquecíveis, povo simpaticíssimo, querido e alegre e merece ser visitado por todos os viajantes do mundo. Mas é bagunçado, tem trânsito caótico, é sujo e os vendedores são o cúmulo da chatice. Encarar isso depois de um período na Europa pode arruinar as suas férias.
Claro que depois de um ou dois dias você se acostuma e passa a curtir toda aquela zorra. Mas essa curtição acaba chegando mais tarde do que se você tivesse feito o contrário e ido para lá antes da Europa. E quem quer perder um ou dois dias nas férias com medo do que existe da porta do hotel para fora? Ninguém.

Além do fator “trauma de chegada”, existe o fator “férias são feitas para descansar”, que pode ser ainda mais importante.
Explico também.
Os períodos nestes lugares menos desenvolvidos costumam consumir muito mais as suas energias. Você se cansa mais tentando entender mapas, línguas, cardápios e se estressa com trânsito caótico, buzinas e vendedores chatos.
Por mais que você esteja apaixonado pelo destino, uma hora a sua paciência vai acabar (veja o meu exemplo em Bangcoc) e tudo que você mais vai querer serão alguns dias de descanso em um lugar civilizado.
Aí, você vai agradecer a deus por ter deixado o país rico pro final.
- Gabriel Prehn Britto
























