› 1 de junho de 2011

Colômbia

Seguridad bogotana

Vou começar pelo que mais me chamou a atenção em Bogotá: a segurança.

Minha pousada ficava em La Candelária, o bairro colonial e histórico da cidade. Ele tem as principais atrações bogotanas, mas não é o local mais indicado para quem gosta de caminhar à noite, vendo a movimentação e escolhendo restaurantes.

Photo: Gabriel Prehn Britto

Talvez isso seja a principal razão de todas as indicações de segurança que o atendente da pousada me deu logo que cheguei:

- Ande apenas com a cópia do passaporte.

- Nunca carregue muito dinheiro.

- Deixe suas coisas de valor no cofre do quarto.

- Não coloque mochila nas costas.

- Não ande com a câmera à vista.

- Não use seu iPhone na rua.

- Nunca, jamais!, pegue táxi na rua. Sempre chame por telefone. Se não estiver em algum estabelecimento comercial, entre em qualquer padaria e peça para que façam isso por você. Quando veem que você é turista, os taxistas fazem a “corrida millonária”, passando em bancos para sacar dinheiro do seu cartão.

- Quando chamar um táxi por telefone, confira se a placa do carro que chegou é a mesma indicada pelo telefone. Alguns malandros ficam de olho nos turistas e aparecem logo depois que eles entram em algum lugar para chamar um táxi, prontos para a corrida millonaria.

- À noite, não ande por La Candelária, nem por nenhum outro lugar que não seja a Zona Rosa, a Zona T ou a Zona G (as mais seguras da cidade).

Claro que algumas destas indicações são normais em qualquer lugar, mas eu nunca havia recebido elas de alguém realmente preocupado.

Photo: Gabriel Prehn Britto

Os avisos foram tão sérios que a primeira noite foi meio estranha. Fui apenas a um restaurante a uma quadra do hotel e, como estava cansado da viagem, aproveitei a desculpa e voltei logo para o meu quarto.

Esse clima não durou o tempo todo, mas não foi embora totalmente.

Se você lê algo antes de desembarcar na cidade, chega lá sabendo que o país avançou muito, muito, muitíssimo na guerra contra as drogas e as Farc. Mas também chega ciente de que a briga não acabou - e isso fica evidente em todo lugar.

Photo: Gabriel Prehn Britto

As casas são tomadas por aqueles arames farpados casca-grossa, usados em quarteis de exércitos.

O policiamento está em cada esquina e praticamente todas as lojas e restaurantes decentes têm um vigia privado na porta. Muitos seguranças andam com cachorros, alguns para atacar, outros para farejar explosivos em lixeiras e similares (até tive a minha mochila revistada antes de entrar em um shopping).

Photo: Gabriel Prehn Britto

A região dos prédios governamentais é total e ostensivamente vigiada e você só anda por aquelas ruas depois de uma revista. Carros com autoridades circulam atrolhados de seguranças encarando todo mundo e mostrando suas armas.

Photo: Gabriel Prehn Britto

Tudo isso deixa qualquer um tenso. Mas uma hora você percebe que as pessoas estão vivendo normalmente e tenta fazer igual.

Então, a câmera fotográfica, que saiu do hotel no primeiro dia dentro da minha mochila, logo estava na minha mão (mas bem amarrada no pulso).

O iPhone foi usado numa boa, com um pouco de cautela.

Peguei 4 táxis na rua, com precaução, escolhendo bem os motoristas velhinhos e indefesos.

Até caminhei por La Candelária no início da noite, mas apenas por ruas movimentadas.

Photo: Gabriel Prehn Britto

No fim das contas, o dia-a-dia na capital colombiana acabou sendo de atenção e relaxamento intercalados. Às vezes eu ficava alerta, às vezes me sentia totalmente à vontade.

Nada muito diferente do que uma rotina em uma cidade grande do Brasil.

- Gabriel Prehn Britto

Comentários

  1. Mari Campos 1.6.2011, 15:57

    Pois é; todo gringo escuta as mesmas orientações no hotel quando chega em qualquer cidade do Brasil, né? A gente sabe que o Brasil tá longe de ser um país seguro, mas que dá pra passear bastante mesmo pelas cidades taxadas de perigosas. Curti o post.

  2. Geraldo Figueras 1.6.2011, 16:05

    É sempre relativo esse lance de segurança, porque é uma mistura de estatística com comportamento. Eu sou um cara que pego onibus bebado as 4h da manhã sozinho falando no Iphone em Buenos Aires e nada acontece, enquanto tem gente que reclama que leva golpe toda hora.

    É aquela história de um pouco de common sense que, infelizmente, hoje tá virando luxo…

    Invejei a trip, cara! Não vejo a hora de embarcar pra algum lugar.

  3. Denise 1.6.2011, 23:45

    É um clima tenso e, ao mesmo tempo, seguro: segurança dentro da redoma, mas muuuito melhor do que antes de tomarem essas medidas. Que, aliás, a população aprova.
    Tu vais ver o que é clima duro quando fores a El Salvador (recomendo como viagem cultural), onde na zona rosa(sim, lá tbem tem) diante de cada casa há uma espécie de ” barricada móvel” de arame farpado, que as famílias usam para protegerem as casas à noite. Pânico.

  4. karine 20.6.2011, 10:17

    Estive em Bogota esse mês e nossos amigos que moram lá também avisaram muito do tal passeio milionário dos taxis. Eu já andava com a bolsa pronta para ser aberta e revistada em todos os lugares que entramos, mas não achei inconveniente, é a vida como ela é (na Colombia). Quando os carros vão entrar no estacionamento do shopping tem que abrir a mala do carro e os cachorros cheiram tudo.
    Anyway, eu achei Bogotá uma delícia, limpinha, organizada.

    Na Guatemala, as cidades grandes também tem essa segurança toda, aliás, achei que lá era um pouco mais exagerada que na Colombia. Em Coban estavamos procurando hotel e todos tinham grades e estavam trancados, pareceiam fechados. Para entrar tinha que responder umas 10 perguntas do segurança armado (só faltava ter senha secreta). E mesmo assim não senti nenhum perigo nas ruas (e nem nas estradas).

    Bacana esse blog! (fiquei com vontade de conhecer a Mongólia)

  5. Gabriel Prehn Britto 20.6.2011, 10:24

    Seja bem-vinda, Karine! =)