› 16 de junho de 2011

Por Que Pra Lá?

Por Que Pra Lá? - Mongólia

A primeira vez que eu olhei para a Mongólia como um destino de viagem foi assistindo a um episódio do Planeta Solitário, apresentado pelo meu heroi Ian Wright, há uns 10 anos.

Lembro dele chegando em uma cidade que parecia deserta, a capital Ulan-Bator, carinhosamente chamada de UB (“u-bê”) pelos locais.

Michael Chu (CC BY-NC-ND 2.0)

A cidade era uma bela porcaria, só lembro de uns prédios velhos, com aquele estilão comunista. Mesmo assim, me apaixonei na hora. Vai entender.

Aos poucos descobri que a Mongólia tem muito mais atrações do que apenas aquela capital com nome estranho.

Duvida? Então lê.

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MONGÓLIA - POR QUE PRA LÁ?

Antes de mais nada, um esclarecimento sobre a origem do nome do país: não tenho ideia de como surgiu o termo “mongolão” e seus derivados usados popularmente para identificar pessoas com problemas de desenvolvimento mental, mas sei que o significado do nome “mongol” não tem relação nenhuma com isso.

 Wikimedia Commons

Segundo o livro A Origem dos Nomes dos Países, existem algumas possibilidades para ele:

- Mongólia vem da palavra “mong”, que significa “intrépido” em alguma língua local. Então seria “a terra dos intrépidos”.

- Vem do nome de uma tribo chamada Hmong, que significa “gente livre”, o que dá ao país o nome de “terra da gente livre”.

- Significa “centro do mundo”, segundo os próprios mongois, o que dá a eles o título de “gaúchos da Ásia”.

Esclarecido? Sigamos.

Wikimedia Commons

Desde os primeiros habitantes da região (lá por 400 a.C.), a Mongólia era mais ou menos como a casa da Mãe Joana. Todo mundo invadia, tomava conta, arranjava briga com os vizinhos e desaparecia.

Foi mais ou menos assim até que Gêngis Khan assumiu o poder e colocou ordem no recinto, unificando as várias tribos nômades que viviam na região e iniciando o temível e poderosíssimo Império Mongol. Olha o tamanho que ele alcançou:

filegenghis-khan-empire-at-his-death

Isso era lá por 1206. d.C.

Com a morte do grande líder, o caos voltou a reinar, o país foi dividido em vários clãs, os chineses invadiram, os russos correram os chineses e, em 11 de julho de 1921, a Mongólia foi oficialmente declarada e reconhecida como um país independente, apesar de viver sob as asas soviéticas até o fim da URSS.

Dave Gray (CC BY-NC-ND 2.0)

Hoje, a bandeira mongol é essa aqui embaixo (o símbolo estranho em amarelo representa o fogo, o sol, a lua, a terra, a água e o yin-yang).

erjkprunczyk (CC BY-NC-SA 2.0)

Mas vamos ao que interessa: por que passar férias na Mongólia?

1) Porque é a terra do Gêngis Khan, ora, bolas. O cara foi um dos maiores líderes e conquistadores da humanidade e construiu o maior império contínuo da história. Só pisar na terra dele já vale a viagem.

Andrew Becraft  (CC BY-NC-SA 2.0)

2) Para encontrar um descendente de Gêngis Khan (estudos indicam que 1 em cada 3 mongois é descendente dele).

Emilia Tjernström (CC BY-NC-SA 2.0)

3) Para conhecer Karakorum, a antiga capital do império mongol de Gêngis Khan (que foi destruída pelos chineses. Não sobrou muita coisa).

Nicolas Mirguet (CC BY-NC 2.0)

4) Para conhecer o país com a menor densidade demográfica do mundo: são apenas 1,7 pessoas por km2 (no Brasil são 23).

Mark Fischer (CC BY 2.0)

5) Se você prefere cheiro de cavalo do que cheiro de povo (FIGUEIREDO, João), para conhecer um país onde o quadrúpede é o animal mais querido e mais importante. Segundo um provérbio local: “Um mongol sem um cavalo é como um pássaro sem asas”.

Kit Seeborg (CC BY-NC-SA 2.0)

6) Para ir no inverno e experimentar a capital mais gelada do mundo. A temperatura máxima média no inverno, em Ulan-Bator, é de -16ºC. Para fugir do frio, faça um passeio pelos muitos museus da cidade.

Jargalsaikhan Dorjnamjil (CC BY-ND 2.0)

7) Para conhecer um dos poucos países realmente democráticos na Ásia, ao lado de Japão e Coreia do Sul.

NonviolentConflict (CC BY-NC-ND 2.0)

8 ) Para dormir em um ger, aquelas barracas onde os nômades locais vivem há milhares de anos. Eles são de feltro, com armacao de madeira e cobertos com uma lona branca, com uma chaminé bem no centro. No verao, a parte de baixo é dobrada para cima, deixando o lugar ventilado.

Emilia Tjernström (CC BY-NC-SA 2.0)

9) Porque dizem que as paisagens verdes pontilhadas de gers parecem “pérolas brancas sobre um tecido verde”.

Paulo Philippidis (CC BY 2.0)

10) Para conhecer a hospitalidade mongol.

11) Para aprender a gritar “nokhoi khorio!” quando estiver se aproximando de um ger e os cachorros do proprietário estiverem correndo em sua direção. A expressão significa “segure os cachorros” e dizem que é básica para a sobrevivência no interior do país, já que todos os gers são guardados por cães nada amistosos.

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12) Para experimentar airag, uma bebida levemente alcoólica feita com leite de égua fermentado. Delícia.

Todd Anderson (CC BY-SA 2.0)

13) Para conhecer o deserto de Gobi, do tamanho do estado do Amazonas, um dos mais quentes do mundo.

mysim photography (CC BY-NC-SA 2.0)

14) Para encontrar gelo no meio de um dos desertos mais quentes do mundo. Gobi tem cânions cuja base não pega sol nunca. Então o gelo do inverno não derrete no verão.

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15) Para tropeçar num fóssil de dinossauro enquanto estiver no deserto de Gobi. O local é considerado um dos maiores sítios paleontológicos do mundo. Dizem que tem fósseis a céu aberto.

Frédéric Gloor (CC BY-NC-SA 2.0)

16) Para tomar uma tempestade de areia na cara quanto estiver no deserto de Gobi.

17) Para ver de perto as dunas mais fantásticas do país, as Khongoryn Els, classificadas pelo Lonely Planet como um dos cinco melhores lugares do mundo para você ficar sozinho e longe de outros humanóides.

Radek Krol (CC BY-NC-ND 2.0)

18 ) Para se borrar todo quando o vento começar a soprar sobre Khongoryn Els e dar início às “duut mankhan” (dunas que cantam), um som fantasmagórico que acontece no local.

19) Para mergulhar no lago Khovsgol Nuur, enquanto acampa por suas paisagens lindas (ele é considerado a melhor atração do país, pelo Lonely Planet).

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20) Para conhecer parque Gurvan Saikhan, um lugar onde você pode encontrar desde camelos até leopardos-das-neves.

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21) Para ver o festival Naadam, o maior e mais tradicional do país, com aproximadamente 2 mil anos de história, onde os mongois se enfrentam em corridas de cavalos, torneios de arco-e-flecha e lutas de bokh (que parece uma luta greco-romana).

http://www.egonf.com

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22) Porque de lá você pode engatar uma viagem de trem pela Trans-siberiana para Moscou. São duas viagens de sonho em uma só.

Miguel Angel (CC BY-NC-SA 2.0)

23) Porque é impossível não querer ir para lá depois de ler todos os relatos do Egon Filter e ver as fotos no site dele (muitas estão nesse post).

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Agora vamos à piadinha infame e irresistível: tem que ser muito mongolão para não querer ir à Mongólia.

- Gabriel Prehn Britto

Comentários

  1. Clarissa Donda 29.6.2011, 10:50

    A primeira vez que soube mais sobre a Mongólia foi através do livro “A Terra de Deus”, de Taylor Caldwell, sobre a vida de Gengis Khan. A história contava um pouco de vários detalhes da sua vida e, embora certas partes fossem romanceadas (fruto, normal, da imaginação do autor), havia várias descrições dos rituais, da vida dos clãs, dos códigos de honra, das batalhas… A partir daí fui me apaixonando pelo local, pela história e pela força das pessoas de lá… E colocando o país na minha “to-go list” de países que quero ir, assim que conciliar dinheiro e, principalmente, tempo para ficar perambulando e conhecer direito - como viajante e não turista - as paisagens e o povo, ambos interessantíssimos.

    Por isso adorei o post. Rico, interessante, colorido… tomara que mostre para os outros esse país desconhecido - e que vale a pena - por um viés diferente.

    Parabéns!