Índia

Nos deixem sós

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Dizem que o Brasil é o lugar com a maior quantidade de tribos indígenas isoladas no mundo, seguido por Papua-Nova Guiné.

Independente de quem é o campeão em quantidade, vai ser difícil alguém tirar da Índia o título de “Dona da Tribo Mais Antissocial e Famosa do Mundo”.

É lá, no arquipélago de Andamã e Nicobar, em uma ilha chamada Sentinela do Norte, que vivem os sentinelenses, um povinho do capeta.

Wikimedia Commons

Google Maps

Não se sabe exatamente quantos sentinelenses existem e ninguém tem coragem de aparecer para fazer a contagem certa: os poucos aventureiros e pesquisadores que se atreveram a pisar na ilha foram mortos sem misericórdia.

Por este histórico, é óbvio que os sentinelenses nunca tiveram contato prolongado e direto com a nossa civilização. Não se sabe nada sobre seus hábitos, cultura ou língua e não existem imagens do interior da ilha.

Os caras são considerados um dos povos mais isolados do mundo.

christian caron (CC BY-NC-SA 2.0)

Fui atrás de algumas histórias desse pessoal enfezado e encontrei coisas incríveis.

- Desde o século X os sentinelenses são descritos como selvagens ao extremo, inclusive com lendas de que devoram os intrusos.

christian caron (CC BY-NC-SA 2.0)

- Em 1986, um homem escapou de um presídio em uma ilha vizinha e parou em Sentinela do Norte. Virou peneira: dias depois, seu corpo foi visto na praia crivado de flechas e degolado.

- Em 1996, o governo indiano proibiu o acesso à ilha e resolveu deixar os sentinelenses em paz. As águas ao redor são patrulhadas para que nenhum Joselito se aproxime.

- A ilha foi atingida pelo tsunami de 2004. O governo indiano ficou preocupado com o povo e enviou uma missão de ajuda para lá. O helicóptero foi recebido por flechadas e pedradas.

Mr Minton (CC BY 2.0)

- As últimas notícias são de janeiro de 2006. Dois pescadores bêbados pararam na ilha com sua canoa. Foram recebidos como bois em um matadouro e acabaram em picadinho.

É, os sentinelenses não estão para brincadeira. Mas se mesmo depois destas histórias você também tem vontade de (no máximo) enxergar a Sentinela do Norte de longe, fique feliz porque existe essa possibilidade.

Não é fácil, mas existe.

christian caron (CC BY-NC-SA 2.0)

Vá até Port Blair, a capital das ilhas Andamã e Nicobar e procure algum pescador que tope levar você até o mais próximo possível da Sentinela do Norte.

Importante: cogite que isso pode ser ilegal (não consegui confirmar, mas há boatos). Não diga que não avisei.

christian caron (CC BY-NC-SA 2.0)

Enquanto não consegue chegar lá, fique com eles em vídeo. É dos anos 70 e mostra bem a simpatia dos caras.

Estados Unidos

Simply the Best

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Lá vamos nós de novo para uma cidadezinha bizarra dos Estados Unidos. E pelo que diz o nome, é a melhor de todas.

Best (sim “Best”, “melhor”) é um vilarejo no Texas. Nasceu em 1924 como uma estação de serviços no meio de uma ferrovia, logo depois que descobriram petróleo na área.

Wikimedia Commons

A cidade chegou a ter 3500 habitantes em 1925, mas acabou atraindo um monte de maus elementos atrás de petróleo e virou um péssimo lugar para se viver.

Eram tantos assassinatos, tiroteios e brigas que Best acabou sendo chamada de “a cidade com o melhor nome do mundo e a pior reputação”.

Em 1945, só restavam 300 pessoas na zona. Depois ficaram apenas duas famílias. Então ficaram 25 pessoas até que, em 2000, nada mais que duas almas viviam por lá.

Hoje eu não sei se vive alguém (não encontrei essa informação).

Sozinha ou com quase ninguém, Best segue lá, esperando por você para fazer uma foto ao lado de uma placa na estrada.

Wayfinder_73 (CC BY-NC-ND 2.0)

A propósito, o nome da cidade não foi escolhido em um rompante de megalomania dos primeiros habitantes. Ele foi uma homenagem a Tom Best, um figurão inglês da companhia ferroviária que construiu a estação que deu origem à cidade.

Dica: para ir até Best, vá para o Condado de Reagan, a 480 km de Austin (TX).

Entrevista

Viajar sem ver

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Já pensou se você ficasse cego? Certamente pensou, mas nem quer falar disso. Ficar cego deve ser uma das principais tragédias que podem acontecer com alguém, ainda mais com quem gosta de viajar e ver paisagens diferentes.

Pois foi o que aconteceu com Tony Gilles, um inglês de 32 anos.

Ele nasceu com problemas e foi perdendo a visão ao longo da vida. Com 10 anos de idade, foi estudar em uma instituição para deficientes visuais - e lá aprendeu que poderia ser independente mesmo sem enxergar.

Image: http://www.tonythetraveller.com

Hoje, Tony tem 3 passaportes preenchidos por vistos de 56 países, a maioria visitado de forma independente.

(E você aí com medinho de “não conseguir se comunicar em outra língua”, hein?)

Em novembro de 2010, Tony lançou o livro Seeing The World My Way, onde conta suas aventuras por tantos lugares. O livro ainda não tem versão em português, mas você pode ter uma ideia de como ele deve ser incrível no papo que a Superinteressante teve com o autor (publicado na edição 292 - jun/2011).

seeing_the_world_my_way

Veja uma palhinha:

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Super: Como você faz para conhecer os locais que visita?

Tony: Não consigo enxergar sequer sombras. Isso significa que preciso de todos os outros sentidos para absorver a cidade de acordo com o tipo de superfície, as músicas e vozes, as comidas, os aromas. Tenho um senso único em relação aos outros turistas, porque uso todos os meus sentidos em conjunto, algo raramente feito por quem enxerga.

Image: http://www.tonythetraveller.com

Super: Como esses sentidos ajudam a diferenciar os lugares?

Tony: Pelo ar sei se estou perto da praia, como quando sinto o ar salgado de Seattle ou Bodrum, na Turquia. Ou se a cidade é poluída. De Yerevan, na Armênia, minha lembrança é uma combinação de fumaça de escapamentos, chaminés de fábrica e cigarro. Também aprendo sobre a cultura. Sei que estou em Chicago logo ao sair da estação de ônibus por causa do cheiro da carne e do jazz e do blues que ouço. Já Buenos Aires e Lima me dão a sensação de caminhar por cidades interioranas, em vez de grandes megalópoles, pois consigo ouvir o som de pássaros e cachorros.

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O resto do papo está aqui. Não deixe de ler.

Ah, esqueci de dizer: além de cego, Tony tem problemas sérios de audição (precisa usar aparelho o tempo todo) e já fez um transplante de rim.

E, repito, tem 56 carimbos no passaporte.

Djibuti

Por Que Pra Lá? - Djibuti

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Me emocionei tanto com o visto que recebi do Marcelo Siegmann lá no Fuck Yeah Passport Stamps que resolvi fazer um Por Que Pra Lá? especial do Djibuti.

Wikimedia Commons

Vamos começar pelo nome.

No meu primeiro tweet sobre o país, escrevi Djbouti, com “O” no meio. Mas depois de algumas pesquisas, me convenci de que o correto em português é Djibuti.

O nome é estranho e o significado é engraçado e baseado em uma lenda.

Rolam boatos de que naquela região vivia uma mulher-ogro (Fiona?) chamada Buti. A mulher não era flor que se cheirasse e era a responsável por todas as mortes, desonras e fraticídios nas bandas. Um dia, um grupo nômade acreditou ter matado Buti e passaram a chamar as terras locais de “djibuti”, que significa “a derrota de Buti”.

Rei-artur Cc-by-sa-2.5,2.0,1.0

A bandeira do Djibuti é essa aqui embaixo e quem nasce no país é djibutiano.

Travlr (CC BY-NC 2.0)

Agora vamos ao que interessa: por que passar férias no Djibuti?

Stéphane POUYLLAU (CC BY-NC-SA 2.0)

1) Para visitar um país com quase nada de turistas e um dos mais desconhecidos da África.

2) Para conhecer um país chamado de “um paraíso de estabilidade e neutralidade” em uma área meio conflituosa do mundo.

G. A. Hussein (CC BY-NC-SA 2.0)

3) Para experimentar o país mais quente do mundo, com média de temperatura anual de 30ºC (239 dias por ano acima de 29ºC e 96 dias acima de 35ºC).

djib (CC BY-NC-ND 2.0)

4) Se você costuma atacar de DJ, para tentar registrar um domínio de internet com o seu nome e a extensão .dj (a oficial do país).

5) Para visitar a vulcões na Depressão de Danakil (ou Depressão de Afar ou Triângulo de Afar), uma região de atividade sísmica feroz, onde dizem que deve surgir um novo oceano daqui a uma penca de anos.

Charles Roffey (CC BY-NC-SA 2.0)

6) Para ver paisagens lunares nos arredores do lago Abbé (Não encontrei nada de fotos de lá em Creative Commons, mas aqui tem.)

7) Para conhecer o ponto oposto ao Kilimanjaro. O lugar mais baixo da África e o terceiro mais baixo do mundo: o lago Assal.

Stéphane POUYLLAU (CC BY-NC-SA 2.0)

8) Para conhecer as montanhas Goda, o ponto mais verde do país. (Mesmo problema do lago Abbé: nada de fotos liberadas. Mas aqui tem algumas que mostram como o lugar é lindo.)

9) Para mergulhar no golfo de Tadjoura, um ótimo lugar para mergulhar. (De novo: aqui tem imagens.)

10) Porque o Djibuti é chamado de “o paraíso do Mar Vermelho”.

11) Porque os djibutianos foram um dos primeiros povos islâmicos da África (o país fica a poucos quilômetros da Península Arábica.

aurelio candido (CC BY-NC-SA 2.0)

12) Para mascar qat (ou khat), a droga mais popular (e liberada) da região.

Charles Roffey (CC BY-NC-SA 2.0)

G. A. Hussein (CC BY-NC-SA 2.0)

13) Para aproveitar que está por lá e dar uma banda na Etiópia.

14) Para conhecer as ilhas Maskali e Moucha, duas belezuras na Terra (que não aparecem na Wikipedia!)

aurelio candido (CC BY-NC-SA 2.0)

E por último:

15) Porque esse foi o Por Que Pra Lá mais difícil para encontrar fotos em Creative Commons. Alguém precisa ir para lá e liberar tudo para o povo.

Indonésia

Pongo

Nunca vou me esquecer daquele dia. Era início de janeiro de 2001 e eu estava em Berlim. Fazia um frio da morte e o programa do roteiro era visitar o Zoologischer Garten Berlin, o zoológico da cidade.

Tudo ia bem. Um elefante aqui, um urso polar ali (não, o Knut não existia naquela época) até que entrei na área abrigada onde os macacos são colocados durante o inverno. Foi lá dentro que nos encontramos e eu me apaixonei à primeira vista.

O nome da minha paixão: orangotangos.

Marina & Enrique (CC BY-NC-ND 2.0)

Não sei exatamente o que me atraiu neles, mas adorei aqueles bichos e passei a desejar uma viagem onde eu pudesse ver aquela macacada toda em seu ambiente selvagem e natural.

Erwin Bolwidt (CC BY-NC-SA 2.0)

Se você quiser fazer isso também, mire seus dólares para a Indonésia e a Malásia, onde ficam Sumatra e Bornéu, as ilhas tropicais naturais dos orangotangos (na verdade, Bornéu é dividida entre os dois países e também com Brunei).

Sumatra and Borneo - LocationIndonesia.svg (CC BY-SA 3.0)

É possível entrar em contato com os bichinhos nos dois destinos. Mas antes de escolher qual você prefere, precisa decidir o tipo de viagem que quer.

Segundo o que pesquisei, o “orangoturismo” é mais desenvolvido na Malásia, que oferece mais infraestrutura para os viajantes. O lado ruim é que ela é mais cara e você pode cair na tentação de ver os orangotangos em um dos muitos centros de reabilitação da espécie no país. Dizem que ali os bichos não são realmente selvagens porque dependem dos humanos, apesar de viverem nas florestas.

Tim Parkinson (CC BY 2.0)

Já a Indonésia é o destino perfeito para quem tem mais espírito aventureiro, menos dinheiro e prefere encontrar os orangotangos em áreas realmente selvagens (apesar de existirem centros de reabilitação por lá também - bem caros, por sinal). E rolam boatos de que as paisagens em Sumatra são muito mais bonitas.

Jack Dyson (CC BY-NC-ND 2.0)

Enfim, o importante é embarcar logo para Jacarta ou Kuala Lampur. Os orangotangos estão em risco sério de extinção, por causa da destruição das florestas onde vivem. Se nada mudar, em breve, esse lindo macaco ruivo que já tentou fazer coisinha com a Julia Roberts vai virar lenda.

Antártida

D ou C?

OK, OK, eu confesso: andava em dúvida se o nome correto do continente gelado é Antártica ou Antártida.

Sempre usei Antártida porque era assim que eu via escrito em todo lugar. Mas de uns tempos para cá, tenho visto o nome Antártica sendo usado cada vez mais, inclusive por jornalões, então a dúvida cresceu e eu resolvi ir atrás de ajuda especializada.

Acabei descobrindo coisas interessantes sobre os dois nomes.

Martha de Jong-Lantink (CC BY-NC-ND 2.0)

A Antártida só foi descoberta oficialmente em 1603. Antes disso, o único lugar ultragelado conhecido no mundo era o norte. Como o norte ficava embaixo da estrela Polar, (que faz parte da constelação Ursa Menor), acabou sendo batizado de Ártico, uma palavra que vem do grego “arktos”, que significa “urso”.

Beleza, Ártico é “urso”. Mas e a maldita Antártida, veio de onde?

Simplérrimo. “Antártida” vem de “Antártica”, que significa “anti-Ártico”.

É o oposto do Ártico, sacou?

StormPetrel1 (CC BY-NC 2.0)

Tentei encontrar o momento em que Antártica perdeu o C e virou Antártida, mas não achei nada. Só descobri que a forma com D é a única usada em documentos oficiais brasileiros e a única aceita em Portugal (pelo menos até antes do último Acordo Ortográfico). “Antártica” só como adjetivo, do mesmo jeito que “antártico”.

Em resumo, seguirei deixando Antártica para a cerveja e para o guaraná e usando Antártida para o continente.

Por Que Pra Lá?

Por Que Pra Lá? - Mongólia

A primeira vez que eu olhei para a Mongólia como um destino de viagem foi assistindo a um episódio do Planeta Solitário, apresentado pelo meu heroi Ian Wright, há uns 10 anos.

Lembro dele chegando em uma cidade que parecia deserta, a capital Ulan-Bator, carinhosamente chamada de UB (“u-bê”) pelos locais.

Michael Chu (CC BY-NC-ND 2.0)

A cidade era uma bela porcaria, só lembro de uns prédios velhos, com aquele estilão comunista. Mesmo assim, me apaixonei na hora. Vai entender.

Aos poucos descobri que a Mongólia tem muito mais atrações do que apenas aquela capital com nome estranho.

Duvida? Então lê.

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MONGÓLIA - POR QUE PRA LÁ?

Antes de mais nada, um esclarecimento sobre a origem do nome do país: não tenho ideia de como surgiu o termo “mongolão” e seus derivados usados popularmente para identificar pessoas com problemas de desenvolvimento mental, mas sei que o significado do nome “mongol” não tem relação nenhuma com isso.

 Wikimedia Commons

Segundo o livro A Origem dos Nomes dos Países, existem algumas possibilidades para ele:

- Mongólia vem da palavra “mong”, que significa “intrépido” em alguma língua local. Então seria “a terra dos intrépidos”.

- Vem do nome de uma tribo chamada Hmong, que significa “gente livre”, o que dá ao país o nome de “terra da gente livre”.

- Significa “centro do mundo”, segundo os próprios mongois, o que dá a eles o título de “gaúchos da Ásia”.

Esclarecido? Sigamos.

Wikimedia Commons

Desde os primeiros habitantes da região (lá por 400 a.C.), a Mongólia era mais ou menos como a casa da Mãe Joana. Todo mundo invadia, tomava conta, arranjava briga com os vizinhos e desaparecia.

Foi mais ou menos assim até que Gêngis Khan assumiu o poder e colocou ordem no recinto, unificando as várias tribos nômades que viviam na região e iniciando o temível e poderosíssimo Império Mongol. Olha o tamanho que ele alcançou:

filegenghis-khan-empire-at-his-death

Isso era lá por 1206. d.C.

Com a morte do grande líder, o caos voltou a reinar, o país foi dividido em vários clãs, os chineses invadiram, os russos correram os chineses e, em 11 de julho de 1921, a Mongólia foi oficialmente declarada e reconhecida como um país independente, apesar de viver sob as asas soviéticas até o fim da URSS.

Dave Gray (CC BY-NC-ND 2.0)

Hoje, a bandeira mongol é essa aqui embaixo (o símbolo estranho em amarelo representa o fogo, o sol, a lua, a terra, a água e o yin-yang).

erjkprunczyk (CC BY-NC-SA 2.0)

Mas vamos ao que interessa: por que passar férias na Mongólia?

1) Porque é a terra do Gêngis Khan, ora, bolas. O cara foi um dos maiores líderes e conquistadores da humanidade e construiu o maior império contínuo da história. Só pisar na terra dele já vale a viagem.

Andrew Becraft  (CC BY-NC-SA 2.0)

2) Para encontrar um descendente de Gêngis Khan (estudos indicam que 1 em cada 3 mongois é descendente dele).

Emilia Tjernström (CC BY-NC-SA 2.0)

3) Para conhecer Karakorum, a antiga capital do império mongol de Gêngis Khan (que foi destruída pelos chineses. Não sobrou muita coisa).

Nicolas Mirguet (CC BY-NC 2.0)

4) Para conhecer o país com a menor densidade demográfica do mundo: são apenas 1,7 pessoas por km2 (no Brasil são 23).

Mark Fischer (CC BY 2.0)

5) Se você prefere cheiro de cavalo do que cheiro de povo (FIGUEIREDO, João), para conhecer um país onde o quadrúpede é o animal mais querido e mais importante. Segundo um provérbio local: “Um mongol sem um cavalo é como um pássaro sem asas”.

Kit Seeborg (CC BY-NC-SA 2.0)

6) Para ir no inverno e experimentar a capital mais gelada do mundo. A temperatura máxima média no inverno, em Ulan-Bator, é de -16ºC. Para fugir do frio, faça um passeio pelos muitos museus da cidade.

Jargalsaikhan Dorjnamjil (CC BY-ND 2.0)

7) Para conhecer um dos poucos países realmente democráticos na Ásia, ao lado de Japão e Coreia do Sul.

NonviolentConflict (CC BY-NC-ND 2.0)

8 ) Para dormir em um ger, aquelas barracas onde os nômades locais vivem há milhares de anos. Eles são de feltro, com armacao de madeira e cobertos com uma lona branca, com uma chaminé bem no centro. No verao, a parte de baixo é dobrada para cima, deixando o lugar ventilado.

Emilia Tjernström (CC BY-NC-SA 2.0)

9) Porque dizem que as paisagens verdes pontilhadas de gers parecem “pérolas brancas sobre um tecido verde”.

Paulo Philippidis (CC BY 2.0)

10) Para conhecer a hospitalidade mongol.

11) Para aprender a gritar “nokhoi khorio!” quando estiver se aproximando de um ger e os cachorros do proprietário estiverem correndo em sua direção. A expressão significa “segure os cachorros” e dizem que é básica para a sobrevivência no interior do país, já que todos os gers são guardados por cães nada amistosos.

http://www.egonf.com

12) Para experimentar airag, uma bebida levemente alcoólica feita com leite de égua fermentado. Delícia.

Todd Anderson (CC BY-SA 2.0)

13) Para conhecer o deserto de Gobi, do tamanho do estado do Amazonas, um dos mais quentes do mundo.

mysim photography (CC BY-NC-SA 2.0)

14) Para encontrar gelo no meio de um dos desertos mais quentes do mundo. Gobi tem cânions cuja base não pega sol nunca. Então o gelo do inverno não derrete no verão.

http://www.egonf.com

15) Para tropeçar num fóssil de dinossauro enquanto estiver no deserto de Gobi. O local é considerado um dos maiores sítios paleontológicos do mundo. Dizem que tem fósseis a céu aberto.

Frédéric Gloor (CC BY-NC-SA 2.0)

16) Para tomar uma tempestade de areia na cara quanto estiver no deserto de Gobi.

17) Para ver de perto as dunas mais fantásticas do país, as Khongoryn Els, classificadas pelo Lonely Planet como um dos cinco melhores lugares do mundo para você ficar sozinho e longe de outros humanóides.

Radek Krol (CC BY-NC-ND 2.0)

18 ) Para se borrar todo quando o vento começar a soprar sobre Khongoryn Els e dar início às “duut mankhan” (dunas que cantam), um som fantasmagórico que acontece no local.

19) Para mergulhar no lago Khovsgol Nuur, enquanto acampa por suas paisagens lindas (ele é considerado a melhor atração do país, pelo Lonely Planet).

http://www.egonf.com

http://www.egonf.com

20) Para conhecer parque Gurvan Saikhan, um lugar onde você pode encontrar desde camelos até leopardos-das-neves.

http://www.egonf.com

21) Para ver o festival Naadam, o maior e mais tradicional do país, com aproximadamente 2 mil anos de história, onde os mongois se enfrentam em corridas de cavalos, torneios de arco-e-flecha e lutas de bokh (que parece uma luta greco-romana).

http://www.egonf.com

http://www.egonf.com

22) Porque de lá você pode engatar uma viagem de trem pela Trans-siberiana para Moscou. São duas viagens de sonho em uma só.

Miguel Angel (CC BY-NC-SA 2.0)

23) Porque é impossível não querer ir para lá depois de ler todos os relatos do Egon Filter e ver as fotos no site dele (muitas estão nesse post).

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Agora vamos à piadinha infame e irresistível: tem que ser muito mongolão para não querer ir à Mongólia.

Colômbia

Bogotá de barbada

Anote aí outra dica de Bogotá que não encontrei nos guias de viagem: prepare-se para encontrar produtos Apple com preços similares aos dos Estados Unidos.

Brad Smith (CC BY-NC-ND 2.0)

Pesquisei o motivo disso, mas não encontrei nada claro e concreto. A única pista que tenho veio da própria vendedora da loja Mac Center no Centro Comercial Andino, que respondeu “Isso não paga impostos” quando perguntei se eu poderia aproveitar o Tax Free depois de comprar meu iPad.

Também não sei se a mesma barbada se aplica a outros produtos eletrônicos, porque não fui para lá com esta intenção e não pesquisei nada. Mas a lógica indica que sim.

Para você ter uma ideia, um iPad 16GB Wi-Fi custa menos de R$ 999 por lá. Aqui no Brasil, sai pela bagatela de R$ 1.649. Uma diferença de pornográficos 60%.

Asim Bharwani (CC BY-NC-ND 2.0)

Outro exemplo: um MacBook Air de 11 polegadas, o menor e mais lindo Mac do mundo, custa menos de R$ 1.999 em Bogotá. Aqui no Brasil, o preço dele começa em R$ 3.099.

Quer mais notícias boas? Segura aí:

1) Como eu sou metido a correto, declarei meu iPad novo na chegada em Guarulhos, mas a moça da Polícia Federal me surpreendeu e me deixou passar. Aparentemente, ela tem mais bom senso do que os nossos governantes.

2) Ir para a Colômbia com milhas é beeem mais fácil do que ir para os EUA. E nem precisa de visto.

Para finalizar, alguns lugares onde você encontra Apple em Bogotá:

- Lojas Falabella

- Mac Center (Centro Comercial Andino)

- Lojas Exito

- Lojas Alkosto

Boa sorte.

Colômbia

Bogotá enquadrada

Finalmente: Bogotá em fotos.

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-ND 2.0)

A imagem acima é uma das que mais gosto. Para ver as outras, é só clicar aqui.

Brasil

A Volta ao Mundo com Paulo Maluf

Paulo Maluf é aquele senhor que todos nós conhecemos muito bem e dispensa apresentações.

Pois na semana passada, lendo a coluna do Ricardo Setti, na Veja digital, descobri um fato novo sobre este senhor.

http://www.interpol.int/public/Data/Wanted/Notices/Data/2009/08/2009_13608.asp

Descobri que ele é procurado pela Interpol e que, por isso, não pode pisar no solo de nenhum dos 181 países-membros da polícia internacional.

No início até deu uma peninha, mas depois passou.

Mesmo assim, imbuído do meu espírito misericordioso, resolvi dar uma ajudinha a este nobre político brasileiro e listei as principais atrações dos 7 países que não são membros da Interpol e, portanto, onde ele pode carimbar seu passaporte sem precisar fazer um cursinho compulsório de canário.

Doutor Paulo, anote aê.

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Kiribati

erjkprunczyk (CC BY-NC-SA 2.0)

O país, cujo nome significa “perfume do mar”, é o primeiro a mudar de ano a cada réveillon, já que fica bem juntinho da linha internacional da data. Lá, Maluf poderá ver o sol nascer antes de todo o planeta. E o melhor: ele vai nascer redondinho. Nada de sol quadrado.

jopolopy (CC BY-NC 2.0)

Kiribati é formado por 33 ilhas e atois, mas é pequeno em extensão de terra, com apenas 810 km2 (provavelmente, menor do que o total de terras do referido político).

jopolopy (CC BY-NC 2.0)

Mas o doutor Paulo precisa ser rápido se quiser ir a este paraíso do Pacífico. Como suas ilhas estão praticamente no nível do mar, tudo está ameaçado de inundação com o aquecimento global.

jopolopy (CC BY-NC 2.0)

Então restarão apenas 6 países para o nobre senhor visitar.

Estados Federados da Micronésia

Micronésia é um nome que vem do grego e significa “pequenas ilhas”. Como o doutor Paulo é expert em “pequenas ilhas” (exemplo: Ilhas Jersey), a Micronésia, um país do Pacífico também, tem tudo para ser um ótimo destino.

erjkprunczyk (CC BY-NC-SA 2.0)

Mas prepare o snorkel, caro Maluf. O lance por lá é mergulho, mergulho e mergulho. E não é mergulho em acusações de falcatruas. É no mar mesmo.

Na ilha Chuuk, por exemplo, estão os destroços de 60 navios de guerra japoneses, a maior concentração do tipo no mundo. Dizem que é lindo de se ver.

Matt Kieffer (CC BY-SA 2.0)

Matt Kieffer (CC BY-SA 2.0)

Matt Kieffer (CC BY-SA 2.0)

Se procurar direito, Maluf periga até encontrar alguma relíquia valiosa em um navio, para aumentar o seu patrimônio conquistado com trabalho honesto.

Ilhas Salomão

Maluf vai se ouriçar todo lendo o nome deste destino que, obviamente, lembra as minas de Salomão. Mas não é nada disso. As minas de Salomão ficavam na África, enquanto as Ilhas Salomão ficam no Pacífico.

erjkprunczyk (CC BY-NC-SA 2.0)

Apesar de um passado violento - até os anos 1930, o canibalismo fazia parte da rotina dos seus habitantes, e no fim da década de 90 aconteceram conflitos pesados - as Ilhas Salomão são um lugar calmo para se visitar.

whl.travel (CC BY-NC-SA 2.0)

Michael Porter (CC BY-NC-ND 2.0)

citron_smurf (CC BY-NC 2.0)

É recomendável apenas evitar a ilha de Guadalcanal, onde o bicho pode pegar.

Será que, se a gente pagar a passagem, o Maluf vai para Guadalcanal?

Coreia do Norte

Agora eu fiquei com inveja do Maluf. Eu votaria no Pitta (#RIP) se isso me garantisse uma viagem de férias à terra do Kim Jong-Il.

Borut Peterlin (CC BY-NC 2.0)

A questão é: quem daria ao outro as melhores dicas de como ignorar a população e seguir a vida? Kim Jong-Il ou Paulo Maluf?

Difícil dizer.

Palau

Mark Kenworthy (CC BY-NC-ND 2.0)

Nick Lucey (CC BY-NC-ND 2.0)

Existem várias versões para a origem do nome deste país composto por 343 ilhas. Mas uma delas tem um significado interessante, com o qual o doutor Paulo Maluf vai se identificar prontamente.

Segundo a lenda, “Palau” deriva da palavra “aibebelao”, que significa “respostas indiretas”.

Não nasceram um para o outro?

tobze (CC BY-NC-ND 2.0)

Lá, Palau Maluf, ops, Paulo Maluf poderá fazer basicamente o mesmo que em todos os destinos liberados para ele (com exceção da Coreia do Norte): mergulhar. Dizem que a região é uma das melhores do mundo para a prática.

Tuvalu

Outro país que corre o risco de desaparecer por causa do aquecimento global. Se isso acontecer, serão apenas 5 para Maluf conhecer. A coisa está ficando preta.

ssr ist4u (CC BY-SA 2.0)

Enquanto não acontece, Maluf poderá se esbaldar em cada uma das 30 ilhas que formam Tuvalu, das quais apenas 8 são habitadas.

ssr ist4u (CC BY-SA 2.0)

Uma dica ao doutor Paulo: em Tuvalu, o senhor vai poder aproveitar para registrar o domínio de um eventual canal de vídeos na internet, o maluf.tv. Sim, é de lá a extensão .tv.

Vanuatu

Chegamos ao final da nossa “volta ao mundo do Maluf”.

Vanuatu significa “nossa terra para sempre” e, segundo o Lonely Planet, é um paraíso no nosso planetinha solitário.

São muitas as atrações por lá: o vulcão ativo mais acessível do mundo, mergulho ao redor de um navio do tamanho do Titanic, cachoeiras, vilas primitivas, praias perfeitas e um povo que não apurrinha o turista atrás de dólares.

Adrien Cretin (CC BY-NC-SA 2.0)

Paul Stein (CC BY-SA 2.0)

Graham Crumb (CC BY-SA 2.0)

Perfeito para descansar dessa gente que vive perguntando de onde o senhor tirou tanta grana, né, doutor Paulo?

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Para finalizar, a má notícia disso tudo.

Nenhum destes destinos tem voo direto do Brasil. Para ir até eles, Maluf vai ter que gastar uma boa grana fretando um jato que o leve sem escalas e torcer para que não aconteça nada com o avião.

Porque, se precisar parar em algum lugar no meio do caminho, a casa cai.