Brasil
Quando o clichê é bom
(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)
“O Brasil só é lembrado por futebol, praia e carnaval.”

Certamente você já falou ou escutou alguém dizendo isso de forma negativa. E é a pura verdade. Nenhum gringo dá bola para qualquer outra característica nossa.
Podemos fabricar aviões excelentes, votar em urnas eletrônicas, transformar mulheres ocidentais em japonesas, não importa: o mundo nos olha como um povo que só pensa em ziriguidum, balacobaco e telecoteco.
Então, semana passada, pedi para os leitores me ajudarem em uma pesquisa rápida. Eles responderam o que vem às suas cabeças quando pensam em alguns países. As características mais lembradas foram:
PERU: Machu Picchu - Lhamas - Ceviche - Incas

FRANÇA: Vinho - Torre Eiffel - Queijo - Paris
EUA: Compras/Consumismo - Fast food - Nova York - Povo convencido/Pessoas obesas
ÍNDIA: Temperos - Confusão - Sujeira - Religião

AFEGANISTÃO: Guerra - Deserto - Bin Laden - Terror/Medo - Poeira
Como você vê, os clichês foram os mais citados. Meus lindos leitores fizeram exatamente o que os gringos fazem com o Brasil e definiram tudo por estereótipos.
Não sei como surgem os estereótipos, mas tenho certeza de que eles são usados para definir superficialmente todos os lugares do mundo, de hemisférios a casinhas de cachorro.

Não tem como evitar isso e nem adianta ficar reclamando. O mundo é assim e ponto. A preocupação em relação ao assunto tem que estar apenas no tipo de estereótipo nacional: é negativo ou positivo?
Mesmo que nenhum deles seja totalmente verdadeiro, os negativos fazem com que qualquer pessoa normal queira ficar bem longe do local. Já os positivos fazem o contrário e atraem todo mundo.
Na minha pesquisa tosca, França e Peru se deram bem, porque foram lembrados apenas por coisas boas (isso se você não sofre de gases quando come queijo).
Já EUA e Índia dividiram clichês positivos e negativos, enquanto o coitado do Afeganistão não se associou a nenhum estereótipo decente na mente da maioria.

E estes estereótipos ligados ao Brasil são bons ou ruins? Depende.
Sob o ponto de vista empresarial, acho que são bem ruins. Porém, quem define um investimento é uma boa tabela de números positivos, não a imagem que um engravatado faz de um país. Então tudo bem.
Sob o ponto de vista turístico, enquanto a violência não entrar nesta lista, nossa imagem me parece absolutamente perfeita.
Afinal, a maioria dos mortais quer mais é enfiar o pé na jaca ou relaxar nas férias. E não existe lugar melhor que o Brasil para esse objetivo - ao menos na cabeça gringa.

Resta o óbvio: desencanar com o que pensam de nós e aproveitar tudo que for possível nessa fantasia.
- Gabriel Prehn Britto


Juliana 18.5.2011, 15:01
Eu ♥ este blog!
Gabriel Prehn Britto 18.5.2011, 15:10
=D
Thais 18.5.2011, 17:41
Tem um tumble que tenta quebrar esses estereótipos, é bem legal: http://yes-butno.tumblr.com/
Gabriel Prehn Britto 18.5.2011, 17:54
Que massa esse Tumblr.
Janira Borja 18.5.2011, 17:58
Andei um tempo sumida, mas é sempre bom voltar aqui!
Teu post me lembrou de umas discussões sobre estereótipo feita por um intelectual indo-britânico, o Homi Babha (um sujeito “hifenizado”, como ele mesmo gostava de dizer). Tomara que eu não esteja matando as idéias do cara, mas me lembro da idéia de estereótipo como uma espécie de mão dupla, que restringe, mas que também pode ser uma arma de reafirmação identitária (mais ou menos o que acontece nas paradas gays, em que se reafirma os estereótipos associados ao gay, mas de forma lúdica, para positivá-los…). Que oprime, mas que também pode ser estratégico para o estereotipado… Enfim… Faz tempo que li, acho que é por aí… Mas a idéia, que concordo, é que esse estereótipo brasileiro tem sido largamente reforçado, inclusive por nossa indústria turística, numa forma de instrumentalizar essas idéias que seriam “restritas” sobre nosso país… Concordo que, para o turismo, é ótimo! Afinal, é isso que a gente quer numa viagem né?