O Que Eu Fiz Nas Ferias

Direto de Bucareste, Rafael Britto

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Finalmente o primeiro e único enviado especial deste blog arranjou um tempo para escrever para o primeiro e único destino para onde este blog já enviou alguém.

Bucareste, a capital do conde Drácula e da Romênia, foi dissecada em fotos e caminhadas em um fim de semana de primavera. Vamos aos relatos. As fotos são dele próprio.

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BUCARESTE, POR RAFAEL BRITTO

Não sei bem por onde começar a escrever sobre Bucareste, então vamos pela pergunta que mais escutei: “Eu voltaria para lá?”

Acho que não. Gostei bastante da cidade, mas me parece que uma vez é suficiente.

Photo: Rafael Britto  - All rights reserved

Vale a pena ir? Penso que vale conhecer qualquer lugar ao menos uma vez, então aqui eu respondo “sim”. Mas não recomendo que seja o destino principal de uma viagem de férias. O ideal é colocar Bucareste como um destino a mais, junto com outros.

Photo: Rafael Britto  - All rights reserved

Eu não sabia antes de ir para lá, mas Bucareste ja foi conhecida como “little Paris” (Nota do Editor: desconfio que toda capital europeia se autodenomina “blablablá Paris”), no inicio do século XX, mas a Segunda Guerra e dois terremotos destruíram muito da cidade, que hoje está repleta de obras de restauração para resgatar um pouco do charme de antigamente.

Photo: Rafael Britto  - All rights reserved

A arquitetura é muito rica, mas tem bastante coisa mal conservada. Uma das atrações principais é o Palácio do Parlamento (Palatul Parlamentului), simbolo da era comunista. É o segundo maior prédio do mundo em área, só perde para o Pentágono.

A visita guiada dentro dele dura pouco menos de uma hora e percorre apenas 4% do prédio. Vale a pena fazer a visita.

Photo: Rafael Britto  - All rights reserved

O prédio foi finalizado em 1984 e, para abrir espaço para a construção, cerca de 1/6 da população da cidade foi removida. A avenida em frente ao palacio foi construida com meio metro a mais de largura do que a Champs Elysées, em Paris.

Outra coisa que me chamou a atenção foi a fiação elétrica e de telecomunicações nas ruas. É uma bagunça total. Desconfio que não deve existir nenhum tipo de regulamentação, porque tem fio de todo lugar para todo lugar! De um prédio ao outro, do poste para o telhado, do poste direto para o apartamento, uma confusão geral.

Photo: Rafael Britto  - All rights reserved

A língua parece uma mistura de grego com italiano ao escutar, mas tem muita palavra que a gente consegue entender especialmente na escrita. Não é fácil encontrar pessoas que falem inglês na cidade. Quem for para lá pode esperar dificuldade de comunicação.

Photo: Rafael Britto  - All rights reserved

Na “gastronomia”, é o lugar mais barato que eu fui, até agora, na Europa. Com 10€ dá pra comer muito bem em restaurantes, digamos, “normais”. Com uns 20€ dá pra esbanjar!

Como referência, o número 1 do McDonald’s custa 3,50€.

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So você gostou e se interessou por Bucareste, fique ligado na Dri Miller também. Ela andou por lá neste fim de semana e logo deve publicar outra visão.

Enquanto isso, veja as outras fotos que selecionei e o álbum completo. Se o Rafael não fosse meu irmão mais velho, eu diria que ele puxou de mim o olho bom para a fotografia.

Photo: Rafael Britto  - All rights reserved

Photo: Rafael Britto  - All rights reserved

Photo: Rafael Britto  - All rights reserved

Photo: Rafael Britto  - All rights reserved

Photo: Rafael Britto  - All rights reserved

Photo: Rafael Britto  - All rights reserved

Photo: Rafael Britto  - All rights reserved

Photo: Rafael Britto  - All rights reserved

Photo: Rafael Britto  - All rights reserved

O Que Eu Fiz Nas Ferias

Desculpe o transtorno

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Este blog ficará fechado até o dia 30 de maio de 2011.

Fui atrás do meu próprio exemplar do carimbo abaixo.

Colombia, by @peresin

Até lá, estarei atendendo parcialmente no @gabebritto.

Obrigado pela compreensão.

Volte sempre. Beijo.

Estados Unidos

Sou pobre mas sou rico

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Acredito que os Estados Unidos não estejam entre os países mais procurados por quem gosta de lugares estranhos. Do mesmo jeito, acredito que esse pessoal deveria começar a olhar para os americanos com outros olhos.

Veja o exemplo do protagonista deste post.

Kiryas Joel, é um vilarejo com pouco mais de 21 mil habitantes e conhecido carinhosamente como KJ. Seria um lugar normalérrimo se não tivesse duas características bem peculiares:

1) É a cidade mais pobre dos EUA - 70% dos moradores vivem abaixo da linha de pobreza nacional, contra 56% da segunda colocada.

2) Mesmo assim, ninguém passa fome, não existem favelas, nem pessoas sem ter onde morar e quase nada de violência.

Kiryas Joel é a pobre mais chique dos EUA. Veja algumas fotos do New York Times e do Kiryas Joel Voice:

Richard Perry/The New York Times

Copyright @ kjvoice.com

Copyright @ kjvoice.com

Copyright @ kjvoice.com

Dizem que o segredo para essa mistura de pobreza e bem-estar está na religião.

Praticamente todos os moradores de KJ são judeus ultra-ortodoxos, que vivem de trabalhos religiosos e informais. Como se dedicam quase que exclusivamente à comunidade, os moradores que têm mais dinheiro ajudam os outros, mantendo a qualidade de vida da cidade.

Junte a isso a quantidade de gente em cada casa (6, a maior média dos EUA) e feche a conta: eles gastam tudo em necessidades básicas.

Richard Perry/The New York Times

Copyright @ kjvoice.com

Se você quiser conhecer esse lugar, não precisa quebrar a cabeça para saber como chegar lá. Kiryas Joel fica a apenas 70 km da cidade mais cosmopolita do mundo.

Sim, essa ilha de hábitos comunitários difíceis de encontrar hoje em dia fica pertinho de Nova York.

(Obrigado, @acarlucci, pela dica.)

Brasil

Quando o clichê é bom

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

“O Brasil só é lembrado por futebol, praia e carnaval.”

Xavier Donat (CC BY-NC-ND 2.0)

Certamente você já falou ou escutou alguém dizendo isso de forma negativa. E é a pura verdade. Nenhum gringo dá bola para qualquer outra característica nossa.

Podemos fabricar aviões excelentes, votar em urnas eletrônicas, transformar mulheres ocidentais em japonesas, não importa: o mundo nos olha como um povo que só pensa em ziriguidum, balacobaco e telecoteco.

Então, semana passada, pedi para os leitores me ajudarem em uma pesquisa rápida. Eles responderam o que vem às suas cabeças quando pensam em alguns países. As características mais lembradas foram:

PERU: Machu Picchu - Lhamas - Ceviche - Incas

Guillermo Barrios del Valle (CC BY-NC-SA 2.0)

FRANÇA: Vinho - Torre Eiffel - Queijo - Paris

EUA: Compras/Consumismo - Fast food - Nova York - Povo convencido/Pessoas obesas

ÍNDIA: Temperos - Confusão - Sujeira - Religião

James Cridland (CC BY 2.0)

AFEGANISTÃO: Guerra - Deserto - Bin Laden - Terror/Medo - Poeira

Como você vê, os clichês foram os mais citados. Meus lindos leitores fizeram exatamente o que os gringos fazem com o Brasil e definiram tudo por estereótipos.

Não sei como surgem os estereótipos, mas tenho certeza de que eles são usados para definir superficialmente todos os lugares do mundo, de hemisférios a casinhas de cachorro.

Pat Kight (CC BY-NC-ND 2.0)

Não tem como evitar isso e nem adianta ficar reclamando. O mundo é assim e ponto. A preocupação em relação ao assunto tem que estar apenas no tipo de estereótipo nacional: é negativo ou positivo?

Mesmo que nenhum deles seja totalmente verdadeiro, os negativos fazem com que qualquer pessoa normal queira ficar bem longe do local. Já os positivos fazem o contrário e atraem todo mundo.

Na minha pesquisa tosca, França e Peru se deram bem, porque foram lembrados apenas por coisas boas (isso se você não sofre de gases quando come queijo).

Já EUA e Índia dividiram clichês positivos e negativos, enquanto o coitado do Afeganistão não se associou a nenhum estereótipo decente na mente da maioria.

mollystevens (CC BY-SA 2.0)

E estes estereótipos ligados ao Brasil são bons ou ruins? Depende.

Sob o ponto de vista empresarial, acho que são bem ruins. Porém, quem define um investimento é uma boa tabela de números positivos, não a imagem que um engravatado faz de um país. Então tudo bem.

Sob o ponto de vista turístico, enquanto a violência não entrar nesta lista, nossa imagem me parece absolutamente perfeita.

Afinal, a maioria dos mortais quer mais é enfiar o pé na jaca ou relaxar nas férias. E não existe lugar melhor que o Brasil para esse objetivo - ao menos na cabeça gringa.

Murilo Cardoso (CC BY-NC-SA 2.0)

Resta o óbvio: desencanar com o que pensam de nós e aproveitar tudo que for possível nessa fantasia.

Estados Unidos

Uma cidade mono-habitada

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Monowi, estado de Nebraska, EUA.

População: 1 habitante.

Photo: marco antonio torres (CC BY-SA 2.0)

Esse habitante solitário se chama Elsie Eiler, uma senhora de 77 anos que, até 2004, vivia com o marido. Naquela época, Monowi tinha o dobro da população atual: 2 habitantes (conforme mostra a antiga placa, abaixo).

Photo: marco antonio torres (CC BY-SA 2.0)

Hoje Elsie é a “prefeita” e única eleitora da cidade. Ela também gerencia uma taberna e a Biblioteca do Rudy, com 5000 livros, criada em homenagem ao seu falecido marido.

Photo: Overduebook (CC BY-NC 2.0)

Porém, um dia, lá na década de 30, Monowi chegou a ser uma megalópole: tinha 150 habitantes. Então foi perdendo moradores, com a falência dos seus pequenos agricultores, e acabou sendo quase abandonada.

Se você quiser ir até lá dar um alô para a dona Elsie, pode fazer 3 caminhos:

- Voar até Lincoln, a capital de Nebraska, e dirigir por 4 horas.

- Voar até Pierre, capital da Dakota do Sul e dirigir por 3h30.

- Voar até Sioux City, no estado de Iowa, e dirigir por 2h30.

Photo: Mike Welfl (CC BY-NC-ND 2.0)

Segundo a reportagem do UOL, a dona Elsie adora receber visitas.

O Que Eu Fiz Nas Ferias

Pesquisota

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Povo querido, por favor, diz aí: o que vocês lembram quando pensam nos países listados logo abaixo?

• Peru

• França

• Estados Unidos

• Índia

• Afeganistão

Agradeço imensamente a quem responder na caixa de comentários. É jogo rápido, pode listar só palavras-chave e pode fazer com quantos países e lembranças você quiser.

Fique à vontade. O blog é seu. Quer um cigarrinho?

Spyros Petrogiannis (CC BY-NC-ND 2.0)

Colômbia

Bogotô curioso

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Curiosidades rápidas sobre Bogotá, o próximo destino deste que vos escreve:

• Quem nasce em Bogotá é bogotano.

• 7 milhões de pessoas vivem lá (pouco mais do que na cidade do Rio de Janeiro).

• É a 4ª maior cidade da América do Sul (atrás de São Paulo, Buenos Aires e Rio).

Photo: Candor (CC BY-NC-ND 2.0)

• É a 3ª capital mais alta da América do Sul (atrás de La Paz e Quito), com 2640 metros de altitude.

• Tem a maior malha de ciclovias da América do Sul (nos finais de semana, 122km de ruas são exclusivas para os ciclistas).

Photo: Eduardo Zárate (CC BY-ND 2.0)

• Foi fundada em 1538.

• O nome vem da tribo Bacatá, que vivia por ali antes dos espanhois chegarem. Dizem que significa “o final dos campos”.

• Tem temperatura média anual entre 7º e 19º.

• O lema da cidade é “2.600 metros más cerca de las estrellas” (Putz, que porcaria de lema).

• Nos últimos 3 séculos, a cidade teve 7 terremotos. O último foi em 1967.

• É possível beber água da torneira - o que é um orgulho dos bogotanos.

Oriente Medio

Islã com classe

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Um homem que viaja apenas com cuecas e meias velhas (para poder se desfazer delas durante a viagem) não deveria falar de moda em seu blog. Mas eu vou falar.

Você é uma mulher ocidental acostumada a andar por aí balançando os cabelos como num comercial de xampu. Num belo dia, aparece aquela vontade de passar umas férias em algum país islâmico que exige roupas “adequadas” dos seus visitantes.

Então você se pergunta: como raios eu me visto lá? E onde eu compro umas roupinhas antes de chegar?

Falastin Zarruk, brasileira de origem palestina e italiana, pensou em você (e em muitas brasileiras muçulmanas) e lançou a FayHejab, sua marca de “moda islâmica”.

Photo: http://fayhejab.blogspot.com

Além de vender as peças que cria, Falastin dá dicas (inclusive em vídeo) sobre como se vestir e usar o hijab de forma elegante e criativa em várias situações.

Photo: http://fayhejab.blogspot.com

Sei que sou apenas um homem careca mal vestido, mas achei ótima a ideia da Falastin.