O Que Eu Fiz Nas Ferias

Wally vai para Bucareste

Enfim, as passagens Lyon-Bucareste-Lyon foram emitidas com as minhas milhas.

Mais ou menos por aí.

Não foi fácil. Tive que amargar umas boas dezenas de minutos ao telefone e ainda tive que explicar para a atendente do Flying Blue que era, sim, possível pagar as taxas também com milhas.

Pelo menos a ligação era de graça e, no fim, deu tudo certo.

Dia 1º de abril, Rafael Britto partirá para a capital da terra do Drácula com as missões de descobrir o que ela tem de interessante, fotografar e mostrar tudo por aqui.

Photo: Gaspar Serrano (Flickr)

Será apenas um fim de semana, mas do jeito que o Rafa caminha, certamente vai ser o suficiente para cobrir toda Bucareste e arredores.

Photo: Gaspar Serrano (Flickr)

Enquanto isso, eu farei alguns posts sobre o destino dele, para que todos conheçam um pouco mais da história dos romenos.

Obrigado a todos pela participação nessa farra.

Cias. Aéreas

Wally vai ter que rebolar

Kiev ganhou a votação, mas não vai levar.

Nem Riga, a segunda colocada.

E nem Skopie, a terceira.

Como eu deveria ter imaginado, havia uma pegadinha do Mallandro na ferramenta de pesquisa de milhas do programa Flying Blue, da Air France-KLM.

Quando eu entro no site e digito Lyon-Kiev, olha a quantidade de milhas que ele diz que são necessárias para um bilhete de ida e volta:

Lyon-Kiev Return

Sim, 30 000. Como eu e minha mulher temos 29 851 cada, dá para emitir um trecho de 15 000 em cada conta e ainda sobra. Perfeito.

Mas quando eu acesso o site para valer, digito meus códigos e escolho a data da viagem (precisa ser na Páscoa ou em algum fim de semana), o que aparece é isto:

Lyon-Kiev real

Ele me pede 30 000 PARA CADA TRECHO.

Até é possível comprar cada trecho por 15 mil milhas, mas apenas alguns dias durante todo o mês. Nos outros (e em todas as sextas-feiras) são necessárias 30 000 milhas para fazer apenas Lyon-Kiev.

O mesmo aconteceu quando tentei emitir os bilhetes para as duas cidades mais votadas depois de Kiev. Todas até têm passagens de 15 000/trecho, mas justamente nas datas desejadas, eu preciso de 30 000/trecho.

Veja como é para fazer Lyon-Riga:

Lyon Riga: quase tudo é 30000

Ainda bem que a quarta colocada, Bucareste, tem muitos voos por 15 000 milhas cada trecho. E, segundo o site, eu posso pagar as taxas de embarque com outras 7 500 milhas por trecho - o que é fundamental porque ninguém aqui está esbanjando grana.

Aviso de que pode pagar as taxas com milhas

O problema agora é outro: para pagar as taxas (um total de 144 USD) é necessário ligar para a central Flying Blue, que só atende de segunda a sexta.

Então por enquanto é isso, meu povo. No fim das contas, a viagem do Rafael vai ser para Bucareste, capital da Romênia.

Photo: Gaspar Serrano (Flickr)

Photo: Gaspar Serrano (Flickr)

Isso, claro, se o Flying Blue não tiver mais nenhuma pegadinha e eu conseguir usar minhas milhas na segunda-feira - último dia de validade delas.

Torçam daí que eu corro daqui.

Europa

Aonde vai Wally?

ATUALIZAÇÃO às 23h56 de sexta-feira:

Acabou a votação.

Kiev, capital dos ucranianos ortodoxos, é a vencedora.

Photo: И. Максим (Flickr)

Já comecei a verificar a parte burocrática da brincadeira. Notícia ruim: brasileiros precisam de visto para entrar na Ucrânia. Isso é bem chato.

Estamos tomando as providências cabíveis para resolver esta adversidade e voltaremos com mais notícias assim que elas existirem.

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É o seguinte, meu povo viajante.

Apareceu uma ideia divertida para usar as minhas milhas moribundas da Air France-KLM.

Photo: Daniel Blok (Flickr)

Mas antes de explicar a sacanagem e pedir a cumplicidade de vocês, já aviso: não sei se vai dar certo.

É que eu demorei muito para me dar conta que minhas milhas estavam vencendo e agora tenho que correr. Por isso esta proposta está sendo anunciada antes de eu conseguir confirmar totalmente a sua realização. Não venham me xingar mais tarde, OK?

Photo: Chris Beckett (Flickr)

Enfim, depois que descobri que não posso “fazer muita coisa com 30 mil milhas no Brasil” (como disse a moça do call center da Flying Blue), a espertíssima Mari Campos me sugeriu emitir uma passagem para outra pessoa no exterior.

Logo pensei no meu irmão, Rafael, que está passando uma temporada de estudos na França.

Conversamos e ele veio com a ótima sugestão de que eu escolhesse o destino para ele ir, fotografar e contar aqui no blog. Algo inspirado na minha Anywhereways.

Anywhereways

Então fui mais além: resolvi deixar que vocês (sim, vocês!) escolham para onde o meu irmão vai, entre as capitais europeias pré-selecionadas aqui embaixo.

- Vilnius (correção: é “Vilna”, em português) - Lituânia

Photo: Flavijus (Flickr)

- Riga - Letônia

Photo: Desmond Kavanagh (Flickr)

- Skopie - Macedônia

Photo: Darko Hristov (Flickr)

- Kiev - Ucrânia

Photo: Matt Shalvatis (Flickr)

- Bucareste - Romênia

Photo: Panoramas (Flickr)

- Belgrado - Sérvia

Photo: Genial 23 (Flickr)

- Praga - República Tcheca (Coloquei Praga apenas para que nossa mãe não me acuse de querer me livrar do meu irmão mais velho enviando ele para lugares obscuros da Europa.)

Photo: Gabriel Prehn Britto (Flickr)

Importante: caso eu encontre problemas para emitir um bilhete para a cidade mais votada, passarei a vaga para a segunda colocada - e assim por diante.

Agora é com você. Em qual destas capitais você quer que o Rafael Britto passe um fim de semana ou feriado?

Diga aí na caixa de comentários. A votação termina amanhã à noite.

Cias. Aéreas

Miles away

Acabo de ser solenemente hu-mi-lha-do enquanto viajante.

Photo: Katie Harris (Flickr)

Liguei para o programa de milhagem da Air France-KLM (Flying Blue) perguntando como eu poderia usar minhas suadas milhas para pagar um quarto de hotel em São Paulo.

Além de descobrir que o Flying Blue não tem parceria com nenhum hotel no Brasil, tive que aguentar o tom de voz piedoso da atendente me consolando:

- Na verdade, com 30 mil milhas o senhor não conseguiria fazer muita coisa mesmo.

É.

Está certo que não fiz viagens internacionais nos últimos 2 anos. Mas, pô, voei 4 dias inteiros com a companhia em 2008 e mais 2 dias em 2009. E não consegui juntar o suficiente para praticamente nada?

Photo: Larry Johnson (Flickr)

Minhas milhas Flying Blue expiram no final deste mês.

Adieu, Air France-KLM.

Agora só me resta reler e por em prática o que aprendi no post de 4 de agosto de 2009 (com infos atualizadas).

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1) Conquistar uma passagem-prêmio para a Europa é absurdamente difícil. Um bilhete São Paulo-Paris-São Paulo, por exemplo, pede 80 mil milhas no Flying Blue. Levando em consideração as 5.000 milhas creditadas em um voo de ida e volta para a Europa, são necessárias 16 viagens para chegar neste montante. Se você viaja uma vez por ano, vai precisar de 16 anos de fidelidade para conquistar uma passagem que custa menos de R$ 2000. Será que vale?

Photo: Martin Naroznik (Flickr)

2) Utilizar as milhas para fazer upgrade não parecer ser uma opção melhor. Um bilhete executivo da Air France custaria aproximadamente R$ 6.000. Só que para fazer um upgrade de econômica para a executiva, eu precisaria de pornográficas 104 mil milhas!

Photo: lumierefl (Flickr)

3) Entender as regras para conseguir estes prêmios também não é bolinho. Para saber quantas milhas eu precisaria para o upgrade acima, precisei ligar para a companhia, porque no www.airfrance.com.br não existe essa informação. Se existe, não encontrei de forma fácil, como deveria ser.

4) Os programas de milhagem de outras companhias não parecem ser muito melhores. Star Alliance e One World são igualmente confusos. E ambos também pedem quantidades faraônicas de milhas para qualquer coisinha.

6) Usar suas milhas para viagens internas na Europa? É uma opção, claro, mas não é muito inteligente. Qualquer perninha por lá vai custar umas 20 mil milhas, o equivalente ao economizado em 4 viagens Brasil-Europa-Brasil. Porém, por pouquíssimos euros se compra uma passagem low cost entre países do continente.

Oferta Germanwings

7) A conquista de uma passagem gratuita está sujeita a mudanças de humor das companhias. As regras podem mudar a qualquer momento. Meu cálculo de hoje pode ser reduzido a pó amanhã.

8 ) Seu cartão de crédito pode ajudar a conquistar milhas. Mesmo assim, você vai precisar remar muito.

Photo: Elliott P. (Flickr)

Conclusões:

1) Se você costuma viajar apenas para a Europa, uma vez por ano e sempre de classe econômica, sua paciência vai precisar ter o tamanho do Oceano Atlântico para conquistar o tão sonhado bilhete grátis.

2) Vale a pena ser fiel? Vale, se o preço da sua companhia for sempre muito similar ao mais barato que você encontrar. Se for muito mais caro, desapegue e vá por outra, porque você está sendo traído por quem quer a sua fidelidade.

Photo: Iker Merodio (Flickr)

3) A melhor opção é voar para fora e transferir os pontos para os programas de milhagens das companhias brasileiras. Pelo menos você garante um fim de semana grátis pelo Brasil.

4) Obviamente, ignore tudo que eu escrevi se você é daqueles que viaja o mundo todo a trabalho e ganha mais milhas que salário. Aliás, não quer me dar umas, não?

Up In The Air

Burocracia

Burocracia: é ruim mas pode ser bom

Vistos são um pé no saco.

Exigem papelada, comprovação de vida inteira e, em alguns casos, até viagens e entrevistas constrangedoras.

Photo: Shockadelic (Flickr)

É tanta apurrinhação que muita gente não se importa de pagar caro pelos serviços de despachantes. Os gastos extras acabam sendo incorporados aos outros gastos da viagem.

Essa é uma maneira de encarar o problema, claro. Mas eu ainda prefiro fazer o contrário: incorporar a incomodação do visto à história da viagem.

Photo: Ars Electronica (Flickr)

Já passei por boas e sei de histórias ótimas de amigos - como um que recebeu seu passaporte com o visto russo apenas na noite anterior à viagem, depois de muito tempo sendo enrolado pelo pessoal da embaixada.

Mas desde que fui para o Vietnã e consegui o meu visto sozinho, ligando para a embaixada vietnamita em Brasília e enviando meu passaporte pelos Correios, economizando mais ou menos uns 300 reais, resolvi que sempre tentaria fazer por mim antes de entregar meu suado dinheirinho para um burocrata.

Planejando a próxima, percebi que eu estava até sentindo saudades disso. Quando vi tudo que vou precisar enviar para a embaixada iraniana em Brasília, confesso, deu uma felicidade. Encarar aquela papelada fazia parte da viagem.

Photo: Don Shall (Flickr)

Não sei como vai ser. Pode acontecer de eu acabar me irritando e pagando o que os despachantes pedem. Mas se todas as roubadas das viagens acabam virando histórias boas para contar depois, por que não encarar a roubada burocrática dos vistos?

Cultura

Viagens em quadrinhos

A última semana foi belíssima em papos viajantes.

Em um deles, o Gustavo Mini (a.k.a @conector) me sacaneou legal passando uma lista excelente de livros de viagens em quadrinhos.

(Aliás, vale ler os motivos que fizeram o Mini virar fã deste tipo de publicação. Concordo 100%.)

man-in-suitcase, by HikingArtist.com (Flickr)

Na maioria dos casos, são histórias vividas pelos autores em temporadas fora de casa, que acabam virando livros maravilhosos e superinspiradores de novas viagens.

Encomende os seus daí que eu encomendo os meus daqui.

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Shenzen (Guy Delisle) - Relato dos 3 meses em que o autor passou na “Cidade da Ambição”, o maior centro financeiro do sul da China. Um lugar onde as relações pessoais são frias e focadas unicamente em negócios.

Shenzhen - Guy Delisle

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Crônicas Birmanesas (Guy Delisle) - Os 14 meses que o autor passou em um dos países mais pobres do mundo, governado há décadas por uma ditadura militar.

Crônicas Birmanesas - Guy Delisle

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Pyongyang (Guy Delisle) - Sim, o cara é fodão. Ele também passou uma temporada na Coreia do Norte e só pôde publicar seus relatos depois que a empresa para a qual prestou serviço quebrou. Antes disso, ele tinha um contrato de confidencialidade.

Pyongyang - Guy Delisle

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New Orleans After the Deluge (Josh Neufeld) - Josh foi para New Orleans como voluntário da Cruz Vermelha e viu de perto tudo aquilo que só tomamos conhecimento pela TV.

New Orleans After the Deluge - Josh Neufeld

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French Milk (Lucy Knisley) - A experiência de um mês da autora em Paris, entre a adolescência e a adultice.

French Milk - Lucy Knisley

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Carnet de Voyage (Craig Thompson) - Um cartunista em um tour para promover um livro pela Europa e África, alguns momentos como pop star, outros como viajante solitário.

Carnet de Voyage - Craig Thompson

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Conejo de Viaje (Liniers) - Uma reunião de relatos de viagem do cartunista argentino Liniers pela América, pela Europa e pela Antártida.

Conejo de Viaje - Liniers

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Palestina - Uma Nação Ocupada (Joe Sacco) - Esse eu tenho! Joe Sacco passou um tempo perambulando pela Palestina e acabou escrevendo dois livros ótimos (este e o que vem logo abaixo).

Palestina - Uma Nação Ocupada (Joe Sacco)

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Palestina - Na Faixa de Gaza (Joe Sacco) - Continuação do livro anterior. Excelente.

Palestina - Na Faixa de Gaza (Joe Sacco)

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Área de Segurança: Gorazde (Joe Sacco) - Considerada a obra-prima do autor, mostra o horror que os bósnios da região de Gorazde enfrentaram durante a limpeza étnica praticada pelos soldados sérvios durante a guerra nas repúblicas da ex-Iugoslávia.

Área de Segurança: Gorazde (Joe Sacco)

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Uma História de Sarajevo (Joe Sacco) - O período do autor pela cidade mais famosa da Guerra da Bósnia, acompanhado por um morador local que ganhava a vida guiando jornalistas.

Uma História de Sarajevo (Joe Sacco)

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Ainda devem existir muitos outros relatos de viagem no mesmo estilo. Se você tiver algum para recomendar, fique à vontade para usar a caixa de comentários.

Mapas

Mapa de nomes

Um mapa-múndi onde os nomes dos países são substituídos pelos seus significados.

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Claro que a realidade não é assim tão simples, já que muitos nomes de países têm origem desconhecida e várias teorias sobre eles, mas vale pela diversão.

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Para ver a versão extra-grande, clique aqui.

Dica do @denybatista.

Experiências

Quinexistencialismo de Viagem

Esta semana tive o grande prazer de trocar algumas ideias viajantes com o meu guru internético Marcelo Quinan.

O cara acabou de voltar de 3 semanas em Cuba (duas exclusivamente em Havana) e anda meio bobo com o choque de realidade que levou na ilha do Fidel.

Photo: Marcelo Quinan (Flickr)

Papo vai e vem, começamos a teorizar sobre a influência das experiências culturais na vida do pobre viajante. Foi quando ele fez uma representação interessante, que resolvi chamar de Quinexistencialismo de Viagem.

(Desculpe pela tosquice dos desenhos. Juro que fiz o melhor dentro dos meus conhecimentos de programas gráficos.)

Segundo o Quinexistencialismo de Viagem, existe uma linha infinita onde cada milímetro representa uma forma diferente de nós percebermos o mundo e a vida.

1

Nossa atual percepção é marcada por uma bolinha sobre esta linha, que é o nosso ponto zero. É como nós encaramos tudo que está a nossa volta.

2

Essa bolinha muda de lugar várias vezes ao longo das nossas vidas, movimentando-se em qualquer direção, representando as nossas mudanças de pensamento.

3

Quando viajamos, dependendo do destino, a bolinha e a nossa percepção mudam de posição na linha.

Em viagens mais corriqueiras, simples ou para lugares muito parecidos com onde vivemos, a bolinha tende a se movimentar pouco. Ou seja: nossa percepção de mundo tende a permanecer quase a mesma.

4

Já em viagens diferentes, em momentos memoráveis e para destinos culturalmente muito estranhos a nós, a nossa percepção da realidade tende a mudar muito. É a bolinha correndo longe na linha.

5

Depois de uma viagem, lá está a bolinha em um novo lugar, estabelecendo um novo ponto zero de onde vai partir na sua próxima aventura.

6

Concorda? Ou bebemos cerveja demais?

Cultura

Oi, eu sou a História

O que você faria se estivesse de férias em um país no exato momento em que começasse uma revolução?

Photo: Nasser Nouri (Flickr)

Todos estes protestos na Tunísia, no Egito e no Iêmen têm me feito pensar sobre o assunto. E a conversa abaixo, no Cairo, transcrita pelo brasileiro Mamede Mustafá Jarouche e publicada na Folha de São Paulo, me atingiu em cheio:

(Mamede, no início dos protestos): “Vou-me embora, estou dando azar (…)”

(Amigo do Mamede): “Se quiser viver um momento histórico de verdade, fundamental para a história do mundo árabe e da região, fique e registre em português. (…)”

(Mamede): “Ok, mas tenho medo de morrer.”

(Amigo do Mamede): “E o que significa a porcaria da tua vida comparada a uma revolução?”

Photo: Ahmad Hammoud (Flickr)

A princípio, eu penso como o amigo do Mamede (digo “a princípio” porque nunca vivi nada parecido e não sei exatamente o tamanho do meu cagaço se vivesse.)

Mas hoje, e desde que eu me conheço por viajante, minha vontade de estar em lugar durante um momento histórico é gigantesca e acho que não perderia esta chance por nada.

Photo: Floris Van Cauwelaert (Flickr)

A gente procura “atrações fora do roteiro turístico” para ver a realidade e conhecer a fundo a cultura de um povo. Pede dicas de lugares onde os turistas não vão. Se emociona com as histórias nos livros lidos antes da viagem. Repete que um viajante precisa de vários dias em um lugar para sentir o seu clima.

Agora me diga: ver uma revolução não é a forma mais profunda, verdadeira e inesquecível para conseguir tudo isso sem ter que morar em um lugar por um tempo?

Photo: darkroom productions (Flickr)

Em que outro momento vemos um povo unido, enfrentando medos e perigos em comum, gritando frases de amor ao seu país e carregando bandeiras?

Photo: Nasser Nouri (Flickr)

Isso é legítimo, é fora do roteiro, é a cultura explícita. É a história acontecendo na sua cara.

Ver uma revolução ao vivo é o ápice do turismo. Mesmo que você não vá além da janela do hotel.

Irã

Ferdowsi, você. Você, Ferdowsi

Provavelmente você ouviu muito pouco ou nada sobre o poeta persa Ferdowsi.

Wikimedia Commons

Eu nunca havia visto mais barbudo, mas foi só ler algumas páginas sobre a história do Irã para este senhor entrar na minha vida.

Agora eu vou tentar fazer com que ele entre na sua também.

A Pérsia sempre foi uma região cobiçada por conquistadores e acabou sendo multi-invadida trocentas vezes ao longo dos seus milênios, o que fez com que os persas perdessem sua história, cultura e língua em diversos momentos.

Photo: Hamed Saber (Flickr)

Nestes períodos, os grandes guardiães da identidade do povo foram os escritores e os poetas que, por isso, são figuras idolatradas ainda hoje. Dizem até que os poemas são tão consultados por lá quanto o Corão.

Photo: Hamed Masoumi (Flickr)

Entre todos estes herois das palavras, nenhum é mais querido, amado e recitado pelos iranianos de todas as classes sociais quanto Abolqasem Ferdowsi (também escrito Ferdousi, Firdausi, Firdavsi e Firdowsï).

O sujeito viveu 85 anos entre os séculos 10 e 11. E dedicou 35 deles a escrever o épico persa Shahnameh - O Livro dos Reis.

Wikimedia Commons

Shahnameh, que é comparado à Ilíada de Homero, conta a história dos persas desde os primeiros reis e termina na conquista árabe que impôs o islamismo como religião.

Wikimedia Commons

O personagem mais famoso do livro é o cavaleiro Rostam que, segundo o tradutor do Shahnameh para o inglês, é a personificação mítica dos próprios persas.

Wikimedia Commons

Hoje, mil anos depois, ainda acontecem leituras publicas e conjuntas do livro nas ruas, nas residências e nas casas de chá iranianas (que são decoradas com ilustrações das histórias do Shahnameh), acompanhadas de música e comida.

Ferdowsi é considerado o grande salvador da língua e da história persa. Seu mausoléu fica na cidade de Tus, onde nasceu, e é visitadíssimo pelos iranianos.

Photo: Elias Pirasteh (Flickr)

Google Maps

Bom, tudo isso foi apenas para dizer que o meu exemplar do Shahnameh já chegou aqui em casa.

Meu Shahnameh

São 900 páginas de poemas traduzidos para o inglês. Provavelmente nunca vou ler tudo, mas já ganhou espaço nobre na minha biblioteca de viagem.