No capítulo mineiro anterior, eu disse que optei por passar mais tempo em Ouro Preto do que em Tiradentes, mas que hoje faria o contrário. É hora de dizer o motivo.

Antes de mais nada, não leve isso como uma crítica a Ouro Preto. É injusto comparar duas cidades tão diferentes. Ambas são lindas e têm seus atrativos. A preferência por uma ou por outra é questão de gosto pessoal mesmo.

Para mim, com ficha de 34 anos, casado, fã de restaurante e vinho com amigos, apreciador de lugares charmosos e procurando descansar e relaxar num feriado (a.k.a. “velhotinho”), Tiradentes é perfeita.

É menor, mais aconchegante e não tem todas as ladeiras de Ouro Preto. O calçamento (em pedra capistrana) é diferente e bonito. Os paredões da Serra de São José dão um toque europeu para a paisagem. Os restaurantes e as lojinhas parecem ser mais charmosos. O artesanato é mais criativo. Não tem toda aquela muvuca. As casas são quase todas baixas. Enfim, é aquela coisa que não dá para explicar.

Tiradentes é daqueles lugares onde você tem vontade de passar longas horas caminhando calmamente, se perdendo em ruelinhas e descobrindo cantinhos. Quando você menos espera, aparece uma capelinha ou uma rua bucólica na sua frente. É perfeita para simplesmente ver o tempo passar sem a menor pressa e comendo muito.

Além de tudo isso, Tiradentes tem um “segredo” que faz toda a diferença: o vilarejo de Bichinho.

Não é exagero dizer que é dos artesãos de Bichinho que sai a maior parte do artesanato vendido em Tiradentes e também em Ouro Preto. São várias lojinhas, uma ao lado da outra, em um ambiente calmo e lindo. A loja/atelier Oficina de Agosto é imperdível, praticamente um museu de obras de arte “rústicas”. Tudo é caro demais da conta, mas para olhar e se inspirar é de graça.

É preciso um pouco de paciência para chegar em Bichinho. A estrada até lá combina pedras e chão batido. Em compensação a paisagem é maravilhosa e no caminho você pode parar no restaurante mais famoso e com o nome mais pornográfico da cidade: Pau de Angu.

Acabei ficando apenas algumas horas em Tiradentes, num bate-volta cansativo desde Ouro Preto. Mas poderia ter ficado bem mais.
Digo até que, com tevê a cabo e internet banda larga, eu poderia viver lá.
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COMO CHEGUEI? De carro, 3 horas depois de sair de Ouro Preto. Evite viajar à noite, porque algumas partes são muito mal sinalizadas.
ONDE FIQUEI? Não fiquei. Foi só um bate-volta. Mas se fosse ficar hoje, procuraria alguma pousada que não ficasse exatamente na praça principal. Tentaria algo nas ruas ao redor dela.

ONDE COMI? Como eu tinha pouco tempo, não procurei restaurante e acabei comendo em um boteco qualquer sem nenhum atrativo. Não faça isso. Tiradentes é famosa por sua gastronomia. Vale a pena se esforçar mais do que eu.
CLIMA. Assim como em Ouro Preto, Tiradentes não me parece ser o melhor lugar para se estar no verão. Calorão pegando.

SEGURANÇA. Se não tem problema em Ouro Preto, acredito que deve ter menos ainda em Tiradentes. Ao menos durante o dia, é tudo numa boa.
O QUE EU MUDARIA? Teria ficado mais tempo na cidade. Algumas horas é muito, muito, muito pouco.

DICA DE BLOGUEIRO AMIGO 1. Não fique apenas nos arredores da praça principal de Tiradentes. Muita gente me disse que a cidade era apenas aquilo, mas ela é muito, muito, muito mais. Estacione seu carro e saia caminhando. Deve ter cantinhos incríveis para fotografar e casas lindas para babar.
DICA DE BLOGUEIRO AMIGO 2. Na verdade, é dica de uma amiga do blogueiro amigo, mas tá valendo: existem voos entre BH (aeroporto da Pampulha) e São João Del Rei a partir de 49,90 (preços em novembro 2010), pela Trip. Mais barbada que isso, só se servirem pão de queijo no avião.