(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)
Segundo a Organização Mundial do Turismo, em 2009 o Brasil recebeu 4,8 milhões de turistas estrangeiros. Isso foi menos do que países como Ucrânia (20 mi), Tunísia (6,9 mi) e Síria (6 mi), o que nos coloca em sei lá que posição no ranking mundial, muitissississíssimo atrás dos 10 primeiros colocados.

Está certo que zilhões de fatores devem influenciar os números altos em países com muito menos atrativos do que o Brasil. Mas tenho certeza de que nenhum deles justifica nossos números ridículos.

Não sou expert em Brasil (nem em coisa nenhuma). Salvo algum lapso de memória, nunca planejei uma viagem pelo nosso país da mesma forma que planejo viagens no exterior, com reserva de hoteis, roteiro, aluguel de carros e coisa e tal. Sempre que fui para cidades brasileiras, fiquei em casas de amigos ou em hoteis reservados por outros (a trabalho), sem me preocupar com nada.

Mas agora resolvi passar o feriado de Finados em Minas Gerais. Pela primeira vez, estou montando uma viagem 100% made in Brazil e estou vendo alguns problemas que os turistas nacionais e estrangeiros enfrentam.
Sei que estes problemas não são exclusivamente tupiniquins (bom senso é um artigo em falta no mundo inteiro). Mesmo assim, resolvi listá-los aqui, numa tentativa ingênua de ajudar a melhorar as coisas.
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Problema 1: Carros sem garantia de capacidade para todos os passageiros e locadoras que fecham no feriado.

Eu precisava de um carro para 6 pessoas. Encontrei, na Unidas, uma categoria com veículos de até 7 passageiros. Entrei em contato e descobri que eu até poderia alugar um carro daquela categoria, mas ninguém me garantiria que eu teria um carro para 7, porque a categoria incluía carros com 5 lugares. Isso mesmo: eu poderia chegar em Belo Horizonte com 6 pessoas e encontrar um carro com capacidade para 5. Nem a ouvidoria resolveu. É impossível ter certeza de alugar um carro para 7 pessoas ali.

“Procure em outra empresa, Gabriel!”, foi o que você disse agora, certo? Pois eu procurei e encontrei carros com estas características no site da Hertz, por exemplo. Mas quando coloquei a data de devolução (02/11), uma mensagem pulou na minha cara, informando que é um feriado e a loja estaria fechada. O mesmo problema ocorreu no site da Avis, que nem tinha o carro para 6 pessoas.
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Problema 2: Obrigatório pagar 3 noites de hotel nas principais cidades.

Tiradentes deve ser lindíssima, mas é minúscula e, se você não estiver atrás de muito relax, não tem por que ficar mais do que uma noite e dois dias inteiros por lá. Mesmo assim, se quiser ficar em uma pousada bem localizada, sou obrigado a reservar 3 noites no feriado. O mesmo problema de Ouro Preto (onde eu imaginava ficar duas noites).

Resultado: escolhi garantir 3 noites em Ouro Preto e, se possível, fazer um bate-volta em Tiradentes. Vai ser um pé no saco (são 150 km), mas tentarei.
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Problema 3: Preços parisienses.

Em Ouro Preto e Tiradentes, não encontrei nenhum lugar minimamente charmoso que custasse menos de 600 reais por 3 noites. A média ficou entre 750 e 800 reais.

Seiscentos reais é o equivalente a mais de 250 euros. O hotel mais barato e bem localizado que encontrei em Paris em 2008 cobra, hoje, 90 euros pela diária. Três noites lá sairiam apenas 20 euros mais caras do que em Tiradentes/Ouro Preto. Mas veja bem: estamos falando de um hotel no Marais, em Paris, a cidade com o segundo metro quadrado mais caro do mundo (média de 14 mil reais). Duvido que isso não seja um valor alto para qualquer turista, nacional ou estrangeiro.
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Sei que ainda enfrentarei outros imprevistos e listarei cada um deles aqui. Pode ser ilusão minha, mas penso que divulgar os problemas ajuda a combatê-los.

Eliminando cada um, pouco a pouco, talvez um dia os gringos não troquem Angra dos Reis por Chernobyl e a gente consiga ter mais turistas de que a Ucrânia.
(Pê-Ésse: Gostou das fotos deste post? São todas do Brasil e todas minhas. Tem mais no meu Flickr.)