› 29 de setembro de 2010

Burocracia

As águas é que são felizes…

“…não têm que ter visto para entrar no país.”

É isso que diz a maravilhosa letra de “Estamos Adorando Tókio”, do fantástico Karnak. Para as águas, as fronteiras são mesmo mamão com açúcar, já para os humanóides costumam ser um pé no saco, mas não reclame, porque essa apurrinhação já foi bem pior.

La migra

Antigamente, o pobre viajante não podia sair do seu país sem um salvo-conduto concedido pelo seu soberano. Segundo o Wikipedia, um dos registros mais antigos da burocracia alfandegária está na Bíblia. O Livro de Neemias, de 450 a.C., mostra o personagem pedindo cartas de apresentação para o rei persa Artaxerxes, com a intenção de chegar a salvo em Judá. Ganhou uma requisição de segurança destinada “aos governantes da província do outro lado do rio”.

A coisa só começou a ficar menos casca-grossa, no século 19, na Revolução Industrial. A melhoria nos transportes estimulou a migração e o povo começou a se movimentar mais livremente. Naquela época (que devia ser ótima) o passaporte não era exigido, mas facilitava a entrada do viajante nos países.

Beto Carrero

Então veio a Primeira Guerra e tudo começou a tomar a forma atual. O passaporte passou a ser exigido por questões de segurança e, depois do conflito, a Liga das Nações realizou a Conferência Internacional sobre Passaportes, Formalidades de Alfândega e Bilhetes de Passagem e padronizou o documento, que só então ganhou foto (antes vinha com descrições físicas do viajante).

O nome “passaporte” não tem origem garantida, mas vem de muito tempo e do francês. Pode ser derivado de “passe port” (referente a “porto”) ou “passe porte” (dos portões nos muros das cidades medievais).

Passaporte antigo

Hoje, muitos países sequer reconhecem passaportes de determinadas nações, porque não aceitam a existência delas. É o caso do passaporte israelense e dos passaportes britânicos emitidos em Gibraltar, por exemplo, que não são reconhecidos por muitos países árabes e pela Espanha, respectivamente.

Mesmo assim, os ingleses são os cidadãos mais invejados pelos viajantes. Eles não precisam de visto para entrar em 166 paises, enquanto nós estamos “liberados” em 130 nações.

Legal. Mas livre, livre, mesmo, só as águas.

- Gabriel Prehn Britto

Comentários

  1. Viajante barrigudo. 29.9.2010, 12:12

    Meu primeiro passaporte fiz na hora, numa agência da Caixa Federal.
    O segundo foi na PF e demorou dois dias.
    O terceiro, na PF, demorou 10.
    O atual, totalmente informatizado, já está demorando 35 dias e contando.

    É a evolução, da incompetência, no caso.