Europa

Mapeando estereótipos

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Coloquei isso no Twitter, mas tive que repetir no blog para o deleite de quem não me segue por lá.

Yanko Tsvetkov é um designer búlgaro que vive na Inglaterra e teve uma ideia ótima: fazer mapas da Europa de acordo com os estereótipos que vários povos e grupos sociais têm sobre o continente.

Olha no que deu.

A Europa segundo com os americanos:

Europe According to the United States of America - Yanko Tsvetkov

A Europa segundo os gays:

Europe According to Gay Men - Yanko Tsvetkov

A Itália segundo os italianos ricos e finos:

Italy According to Posh Italians - Yanko Tsvetkov

Gostou? Estes desenhos são apenas alguns. Dê uma olhada nos outros e aproveite para comprar uma camiseta com a sua ilustração preferida. Não sei se o Yanko entrega no Brasil.

A dica destas maravilhas veio do ligadíssimo Brain Pickings.

Brasil

A Copa do Mundo é nossa. Mas é melhor devolver.

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Posso falar?

Virei pró-cancelamento da Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

Oi?

Não me leve a mal. Não é anti-patriotismo nem secação. Tudo que eu mais quero (além de viajar) é que o Brasil se transforme em um país desenvolvido, cheio de turistas e com passaporte aceito sem restrições no mundo inteiro. Não tenho dúvidas de que uma Copa vai ajudar nesse sentido, portanto sou completamente a favor de sediarmos o evento.

Mas não em 2014.

Explico.

Daqui a um mês, em 30 de outubro, comemoraremos 3 anos desde o grande anúncio da Fifa.

É nóis, mano!

De hoje até junho de 2014 são aproximadamente 3 anos e 9 meses. Considerando que temos eleições, Natal, réveillon, e que o ano só começa depois do Carnaval, restam praticamente 3 anos e 3 meses.

Ou seja: quase nada a mais do que tivemos desde aquele festivo outubro de 2007.

Então eu pergunto: com 50% do prazo extinto, o que você já viu de mudanças concretas na sua cidade até hoje? O que você já viu de obras de infraestrutura realmente relevantes?

Hmmm...

Perdemos 3 anos nomeando “Secretários da Copa” em todos os estados, sambando para impressionar jurados da Fifa e vendo animações em 3D de projetos dos estádios. Mas mão na massa, tijolo e obras, vimos muito pouco ou nada.

Confesso que eu ainda acreditava que as obras seriam realizadas. Teríamos superfaturamentos a esmo, roubalheira desenfreada, claro, mas veríamos 12 cidades melhorando, ganhando padrões primeiro-mundistas. Ao menos, ganharíamos qualidade de vida e projetaríamos uma imagem excelente do Brasil para o mundo, com todas as suas consequências positivas. Finalmente faríamos jus ao nosso potencial turístico, que hoje tem números risíveis.

Huahuahua!

La mano de Diós

Infelizmente, essa crença infantil acabou quando li a notícia de que a reforma de um túnel em Porto Alegre tem previsão de duração de 18 meses.

Sério?

Repito: re-for-ma. Não é a construção de um túnel novo, é reformar um túnel velho.

Dezoito meses é praticamente a metade do tempo que temos daqui até a Copa 2014. E sabe quanto tempo levou entre a realização do orçamento e o início da execução da obra? Dez anos. Sim, a reforma de um túnel precisou de 10 anos para ser iniciada.

Agora me diga: se precisamos de 11 anos e 6 meses para reformar um buraco, precisaremos de quantos para abrir avenidas, criar ciclovias, reformar e ampliar hospitais, construir hotéis, fazer calçadas com acessibilidade universal, organizar transporte coletivo, modernizar aeroportos, duplicar estradas, expandir metrôs et cétera e tal?

Err...

Porto Alegre continua a mesma de 3 anos atrás. Para não ser injusto, alguns semáforos até foram substituídos por novos e já me surpreendi com 2 semáforos de pedestres com sistema para auxiliar deficientes visuais. Mas isso é só perfumaria e exemplos de falta de estrutura na cidade dão em árvores.

A própria candidata Dilma deu a morta em uma entrevista ao Bom Dia Brasil: “Os estados e as prefeituras levam em média 65 meses para concluir o processo de investimento, entre fazer o projeto executivo, fazer o projeto básico, fazer a licença ambiental e contratar a obra.”

Sessenta e cinco meses são mais de 5 anos.

É?

Tudo bem. Para não ser tão pessimista (ou realista) admito que até podemos não fazer feio na frente dos gringos. Mas vai ser tudo na base da maquiagem, que vai durar um mês e escorrer na primeira tempestade. Um teatrinho apenas nas principais áreas das cidades, deixando o caos fora da região da Copa.

É isso que você quer? Roubalheira e superfaturamentos por uma maquiagem temporária?

Pelas barbas do profeta!

Minha proposta é a seguinte: vamos abrir mão da Copa 2014 e nos concentrar nas Olimpíadas do Rio, em 2016.

Depois de um choque inicial pela notícia, o mundo tem grandes chances de admirar a nossa capacidade de assumir nossas fraquezas e a responsabilidade por parar tudo a tempo de uma mudança segura de país-sede. Podemos fazer o mea-culpa no Twitter - está na moda reconhecer erros via web. Assim, o provável calote que daríamos em 2014 terá se transformado em um exemplo de maturidade nacional. Seremos aplaudidos. Clap, clap, clap!

Oh, yeah, babe!

Com foco em reformar apenas uma cidade (o Rio), teremos muito mais forças para dar um show em 2016. Com doses cavalares de otimismo e uma parcela paquidérmica de ingenuidade, é possível acreditar que o choque nacional vai se transformar em mobilização por um evento inesquecível, na cidade mais linda do planeta. Teremos, enfim, uma cidade de primeiro mundo no Brasil.

Aí, então, estaremos prontos para sonhar mais alto, para realmente sediar uma Copa e espalhar as obras por todo o país, com segurança e responsabilidade.

Hihihihi!

Mas precisamos ser rápidos.

O cancelamento da Copa 2014 no Brasil deve ser feito imediatamente. A demonstração de responsabilidade depende disso. Não podemos deixar para a véspera da cerimônia de abertura.

Que, aliás, ainda nem tem cidade definida.

Cias. Aéreas

É bobagem, mas eu me divirto

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O Smiles segue me chamando de King Leonidas of Sparta.

Ou King, para os íntimos.

Call me King

Me divirto.

O Que Eu Fiz Nas Ferias

Roteiros fora do roteiro

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O mundo do turismo está com overbooking de temas de viagem manjados. Um único tiro em uma árvore é suficiente para derrubar dezenas de “Terra dos Marajás”, “Rota dos Castelos”, “Ferrovia Transiberiana”, “Europa Latina” e coisa e tal.

Daí resolvi me divertir olhando o mapa-múndi e pensando em novos temas, sem me preocupar com valores de eventuais viagens. Fingi que era o Eike Batista e embarquei. Veja o resultado.

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ROTEIRO CADÊ MEU UÍSQUE? Um passeio gelado pelo parte grisalha do mapa, apenas em regiões acima do Círculo Polar Ártico: EUA (Alasca), Canadá, Groenlândia, Islândia, Suécia, Noruega, Finlândia e Rússia (Sibéria). Recomendo fortemente fazer no verão.

É na linha azul

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ROTEIRO MUNDOLÂNDIA. Países terminados em “ândia”: Finlândia, Islândia, Groenlândia, Nova Zelândia, Somalilândia, Suazilândia, Tailândia e, óbvio, Disneylândia, o reino da magia.

Ratinho

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ROTEIRO MUNDÃO. Não vou escrever de novo para que não me tirem para louco. Clique aqui e leia.

mundao

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ROTEIRO 300. Prepare for glory. Depile o peito, vista seu melhor saiote grego e vá para a Esparta original, na Grécia. Depois, voe para os EUA e passeie por todas as cidades americanas chamadas Sparta. Segundo a Wikipedia, tem Sparta na Geórgia, em Illinois, no Kentucky, em Michigan, no Missouri, em Ohio, no Tennessee e no Wiscosin. Para finalizar o périplo como um guerreiro de Leônidas, jante no inferno: reserve uma mesa no Hell’s Kitchen, em Nova York.

Spartaaa!!!

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ROTEIRO LINHA DO EQUADOR. Uma viagem quente por todos os países por onde passa a Linha do Equador. Comece no ponto mais perto do 0 X 0 (Linha do Equador X Meridiano de Greenwich) e siga em frente: São Tomé e Príncipe, Gabão, Congo, República Democrática do Congo, Uganda, Quênia, Somália, Ilhas Maldivas, Indonésia, Kiribati, Equador (incluindo as ilhas Galápagos), Colômbia e, claro, o Brasil.

Equador

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ROTEIRO PAGUE 1, LEVE 2. Brasileiro adora uma promoção. Então que tal fazer uma viagem por países que são (ou parecem ser) dois? Você paga uma viagem e leva dois destinos! Confira e corra para aproveitar! Ofertas válidas até a próxima revolução separatista! Anote aí: Antígua e Barbuda, Bósnia-Herzegovina, São Vicente e Granadinas, São Tomé e Príncipe e  Trinidad e Tobago.

Não PERDA!

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Enfim, a lista é gigantesca. Para sair dos roteiros mais manjados, basta um pouco de imaginação e muito dinheiro.

Só isso.

Estados Unidos

Itsy Bitsy

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A radiação das bombas atômicas já deixou todo mundo careca de saber que o nome do traje oficial das praias brasileiras foi inspirado no atol de Bikini, um paraíso perdido no meio do oceano Pacífico. E todo mundo já sabe que o atol de Bikini foi usado como base de testes nucleares entre 1946 e 1958.

O original

Cabum!

O que poucos sabem é a origem do nome do atol, que acabou de entrar para a lista de Patrimônios da Humanidade da Unesco.

Pois bem. Bikini, na língua local, significa “terra de muitos cocos”.

Coconuts

Faça as piadinhas que quiser com isso agora.

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Para chegar em Bikini:

- Voe até as Ilhas Marshall com a Continental ou com a JAL (pouso em Delap-Uliga-Darrit, no atol de Majuro).

- De Majuro, informe-se sobre como ir até Bikini.

Cinema

Hollywood ensinando geografia

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114 países em 100 filmes.

Trabalho paciente da Whirled Interactive.

Espanha

Quando a piada vira história

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Para quem não costuma repetir destinos, as viagens são períodos pontuados por vários momentos únicos, que você aproveita ali, na hora, ou provavelmente não vai aproveitar nunca mais.

Em casos assim, algo que parece ser apenas uma piada bobinha pode se tornar uma boa história (ou pelo menos uma história bobinha e divertidinha) para contar pelo resto da vida.

Em 2006, quando montei o roteiro da viagem Marrocos/Espanha e incluí a Andaluzia, percebi que viveria um momento destes, bobo mas único. Não tive dúvidas: depois de passar a infância vendo o Pica-Pau cantar “Il Barbiere di Siviglia”, eu decidi que faria a barba com um barbeiro de Sevilha.

Aproveitei que os primeiros dias da viagem eram no Marrocos e deixei a barba crescer para me misturar aos árabes. Mas quando cheguei em Sevilha, logo perguntei ao dono do hotel onde eu poderia cortar aquele monte de pelos coçantes.

A primeira indicação foi a rede de lojas El Corte Inglés, que eu não conhecia, mas fui atrás e vi que era um lugar modernete demais.

Modernete

Voltei ao hotel e fui mais claro: eu precisava de um lugar clássico, antigo, de rua, porque eu queria me barbear com um legítimo barbeiro de Sevilha.

O velhinho me olhou com cara de quem achou aquilo meio ridículo, mas eu ignorei. Pegou meu mapa e apontou a rua onde ele se lembrava que havia uma barbearia.

Aqui, ó

No dia seguinte, fui até lá. Apesar do ambiente ser ótimo, o barbeiro não era o gordo bigodudo com quem eu sonhava, não se chamava Fígaro e a plaquinha “english spoken” na vitrine dava um ar cosmopolita demais para o que eu queria. Mas me conformei. Nos anos 2000 não deveria haver muitas barbearias clássicas numa cidade moderna como Sevilha. Era melhor aproveitar o que aquela me oferecia, que já era bastante.

O resultado foi o ensaio sensual abaixo.

Barbearia Melado. O nome não ajuda em nada

Um Fígaro moderninho

Olhar 43

English spoken here

A brincadeira toda me custou 17 euros (mais ou menos uns 60 reais na época) e algumas horas de turismo perdidas na busca pelo endereço.

Foi bem salgado para um corte a zero e uma barba. Mas baratinho para uma boa história para contar.