(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)
Skatistas colecionam hematomas, raios-x de fraturas e coisa e tal.
Ricos colecionam o que quiserem, porque são ricos.
E viajantes colecionam o quê?
Fulano de Tal (nome fictício, para proteger a identidade do entrevistado), que já carimbou seu passaporte em russo, islandês, colombiano e muito mais, escolheu colecionar folhetos de segurança de companhias aéreas. Ao longo de duas décadas de voos, já arrecadou uma quantidade invejável de folhetos e segue em busca de mais.

Mas Fulano não está sozinho na sua cleptomania aérea. Este tipo de coleção tem muitos adeptos no mundo. Basta uma pesquisa na internet para encontrar uma penca de viajantes que fazem o mesmo, inclusive com grupos especializados no assunto e sites exibicionistas.

Com a condição de não ser exposto (para evitar as terríveis represálias de companhias aéreas), Fulano aceitou falar a O Que Eu Fiz Nas Férias com exclusividade, bebendo cerveja em sua cobertura com piscina em Porto Alegre. Uma entrevista bombástica, que também revela como funciona a sua rede de viajantes-colaboradores.
Vem comigo!
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OQEFNF: Por que colecionar folhetos de segurança de voos?
FULANO DE TAL: Porque gosto de ver como cada companhia aérea apresenta as mesmíssimas instruções. O roteiro de cada folheto é exatamente o mesmo, mas cada empresa pensa numa forma diferente de mostrar aquilo. É uma mistura de publicidade com informação.


OQEFNF: Como foi o início da coleção?
FULANO DE TAL: Peguei o primeiro folheto na minha primeira viagem. Mas a ideia de colecionar começou na segunda viagem. Também tenho alguns sacos de vômito - não usados, claro.

OQEFNF: Qual é o tamanho da coleção hoje?
FULANO DE TAL: Mais ou menos assim, ó. (Mostra uma pilha imaginária de aproximadamente 30 cm de altura.)
OQEFNF: É difícil manter a coleção?
FULANO DE TAL: É. Dependo muito de amigos que viajam para lugares exóticos. Às vezes passo mais de um ano sem receber nada. Mas tenho amigos que gostam muito de contribuir. Um amigo, por exemplo, sempre me envia um envelope com os folhetos que coleta nas viagens. Ele nem se identifica no envelope. Eu apenas recebo no trabalho e já sei que é dele.

OQEFNF: A coleção é apenas de folhetos de companhias aéreas diferentes ou você também tem folhetos de companhias repetidas, mas de tipos de aviões diferentes?
FULANO DE TAL: As duas coisas. Vale companhias estranhas, de países distantes, e folhetos de modelos de aviões diferentes, não importando a companhia.
OQEFNF: Qual a história mais bizarra destes folhetos?
FULANO DE TAL: Eu tenho um folheto de um avião que caiu. Era da West Caribbean, uma companhia aérea colombiana. Voei com eles, peguei o folheto e, alguns anos depois, vi que aquele avião, o único daquele modelo na companhia, havia caído. Dá para dizer que eu salvei a vida daquele folheto.

OQEFNF: Qual é o seu folheto preferido?
FULANO DE TAL: Um da Canadian Airlines. Não é o folheto de uma companhia aérea de um país remoto, mas é o favorito porque apresenta cada instrução com um personagem diferente, que não tem nada a ver com o contexto. É surreal. Tem uma bailarina, um palhaço, um pedreiro, um sujeito de fraque e cartola.



OQEFNF: Qual é o folheto mais tosco?
FULANO DE TAL: O folheto da Air Fiji. É um xerox plastificado.

OQEFNF: Você tem medo de represálias de companhias aéreas?
FULANO DE TAL: Sim. Tenho medo que eles cancelem minhas milhas ou sempre me coloquem no assento do meio.