Clima

Hérna kemur sólin

No meio de tantas notícias sobre o vulcão-palavrão, um tweet do blog Vida na Islândia me chamou a atenção na semana passada:

@vidanaislândia

Como assim, “primeiro dia de verão na Islândia”? Estamos em abril. Não é início de verão em lugar nenhum no mundo. Foi quando o excelente (não canso de repetir) This is Iceland deu o link para a explicação do mistério.

@thisisiceland

Sim, 22 de abril foi mesmo o primeiro dia de verão na Islândia. Mas isso de acordo com o calendário antigo islandês, o “misseratal”, criado praticamente junto com a ocupação da ilha, lá pela segunda metade do século IX.

Neste calendário, o ano só tem duas estações: inverno e verão. E o verão inicia no dia em que as temperaturas passam de “abaixo da média” para “acima da média”.

Pode parecer uma besteira, mas segundo os islandeses, nos últimos 30 anos os dias de início de verão e de inverno caíram muito próximos dos períodos em que estas mudanças aconteceram.

Até os cientistas comprovam a eficiencia do “misseratal” (que significa “calendário de meio ano” na mesma língua que inventou de chamar um vulcão de Eyjafjallajokull). Segundo eles, os ventos que caracterizam o inverno por lá diminuem neste período, além de acontecer uma mudança na circulação na atmosfera, responsável pelas tempestades islandesas.

Então se você anda com saudades do verão, demorou para embarcar para a Islândia. Tá rolando mó praião por lá.

Bjork e seus vulcões islandeses

A propósito, a moça desinibida da foto acima é a Björk e “hérna kemur sólin” significa “Here Comes the Sun” em islandês (de acordo com o Google Translate).

Dinheiro

A nova cara da Padroeira dos Viajantes

A apresentação da nova nota de 100 USD foi feita no meio da semana. Mas não custa nada deixar a querida exposta aqui para quem ainda não viu.

A cor muda, mas a cara de cu do Benjamin Franklin nãoVista de ré

Austrália

Ilha, continente ou pegadinha?

Lá estava eu, em casa, no feriado, me informando sobre a Groenlândia, quando apareceram as interrogações: a Groenlândia é a maior ilha do mundo? Ou a Austrália é considerada uma ilha e, portanto, é a maior?

I don't know

Google para cá, Google para lá, encontrei um site especializado em ilhas que ajuda a formar uma opinião sobre o assunto, mas não resolve a questão.

Segundo o World Island Info, as características que formam um continente são:

1) Áreas geologicamente estáveis de crosta continental, tectonicamente independentes de outros continentes;

2) Distinção biológica, com fauna e flora únicas;

3) Distinção cultural;

4) Crença local de que se vive em um continente.

Colocando as características lado a lado, ele montou a tabela abaixo.

Tabela

- A Austrália é separada de outros continentes. A Groenlândia é geologicamente parte da América do Norte.

- A Austrália tem uma quantidade grande de animais e plantas originais. Já a fauna e a flora da Groenlândia são iguais às da América do Norte.

- A Austrália tem culturas próprias. A cultura da Groenlândia se mistura com a cultura ártica da América do Norte.

- Os próprios australianos dizem viver na maior ilha e no menor continente do mundo.

Em resumo, tudo indica que a Austrália é um continente. Mas por que não fica claro? Porque se analisarmos outros lugares utilizando os mesmos critérios, teremos respostas diferentes do que acreditamos hoje. Olha só:

- Por critérios científicos, Madagascar e muitas outras ilhas são continentes, porque são tectonicamente independentes e têm fauna e flora próprias.

Uuuuuuuuuuh!

- A Europa é apenas um monte de penínsulas da Asia Ocidental. A divisão só existe na cultura e no senso-comum.

- A África é ligada ao Sudoeste Asiático, o que caracterizaria os dois como um único continente.

Conclusão: chamar a Austrália de ilha é tão certo quando chamar de continente. Anyway, fica aí o guia para você se confundir um pouco sobre o destino das próximas férias.

Cicloturismo

Só no pedalzinho

Ciclista? Fã de ciclismo? Viajante? Aventureiro? Rico?

Rapaz, você tem sorte. Pode fazer uma das viagens do Trek Travel, uma companhia de cicloturismo que veio parar aqui no meu navegador.

Rico pedalando

Como o nome indica, a Trek Travel é intimamente ligada à Trek, uma das melhores fabricantes de bicicletas do mundo. Isso significa que as magrelas fornecidas para os clientes são muito boas, assim como o equipamento e, em alguns casos, até mesmo a companhia. Lance Armstrong, por exemplo, multi-campeão da Tour de France, aparece em alguns roteiros.

Babei muito em várias opções, mas obviamente tive uma queda maior pelo tour Praga-Viena, via Český Krumlov (3.295,00 doletas por pessoa).

Caminho

E ainda dá para beber cerveja e dirigir bicicleta.

TV

As Cidades Mais Hostis do Mundo?

Já falei isso, mas vale repetir: admiro muito (a.k.a. “invejo”) quem tem ideias ótimas para programas de tevê envolvendo viagens.

WOW

Quando vi a chamada para “MacIntyre: As Cidades Mais Hostis do Mundo”, nova atração do canal TruTV, achei que tinha encontrado mais um integrante da minha galeria “Como Foi Que Eu Não Pensei Nisso Antes?” e decidi que não podia perder aquela estreia.

Mas perdi. E quando procurei pelos horários de reprises, achei que foi melhor não ter visto mesmo.

Fale a verdade: um programa com esse nome remete a quê? Cidades perigosíssimas, com altíssima criminalidade, brigas de gangues, fanatismo religioso, códigos de conduta rígidos, enfim, aquela parte da cultura de um país que quase ninguém quer ver ao vivo.

Qualé, dusmeu?

E que cidades guardam o que existe de mais radical nesse quesito, segundo Donal MacIntyre, o jornalista que apresenta o programa?

Istambul, Cidade do México, Paris, Praga e Nápoles.

Repetindo o nome do programa: “MacIntyre: As Cidades Mais Hostis do Mundo”.

Repetindo as cidades apresentadas: Istambul, Cidade do México, Paris, Praga e Nápoles.

Tudo bem que estes lugares têm seus lados violentos. Cidade do México e Istambul não estão em países ricos e certamente têm seus recantos extremamente perigosos. Mas me parece que o nosso amigo Donal precisa mudar alguns conceitos antes de dizer que seu programa mostra “as cidades mais hostis do planeta”.

Recomendo viver em algum país subdesenvolvido antes de produzir a segunda temporada.

Fenômenos Naturais

As 10 melhores fotos do Eyjafjallajökull

Segundo a minha opinião e de acordo com a minha pesquisa, estas são as fotos mais bonitas do fenômeno natural mais bonito que me lembro nos últimos anos.

Créditos embaixo de cada uma.

Ulrich Latzenhofer / CC BY-SA

Foto: Ulrich Latzenhofer / CC BY-SA

AFP/Getty Images

Foto: AFP/Getty Images

AP Photo/Icelandic Coastguard

AP Photo/Icelandic Coastguard

ARCTIC IMAGES / CORBIS

Foto: Artic Images / Corbis

baldvinh - Flickr

Foto: baldvinh - Flickr

HALLDOR KOLBEINS/AFP/Getty Images

Foto: Halldor Kolbeins /AFP/Getty Images - Tirada entre a primeira e a segunda erupção (mais forte)

Marco Fulle

A mais linda de todas. Foto: Marco Fulle

RAGNAR AXELSSON/AFP/Getty Images)

Foto: Ragnar Axelsson/AFP/Getty Images

REUTERS/Olafur Eggertsson

Tirada com uma máquina amadora. Foto: Reuters/Olafur Eggertsson

Vida na Islândia

Não sei o nome do autor, peguei lá no Vida na Islândia. Estas são as crateras do vulcão, embaixo de todo o gelo e fumaça. Creepy.

UPDATE em 19/04: Esqueça. As melhores, como sempre, estão no Big Picture.

Aeroportos

Quando a viagem vira cinzas (de vulcão)

Para os viajantes que não entenderam por que os aviões não podem sair do chão quando existe fumaça de vulcão no ar, uma brevíssima explicação que pesquei do Telegraph:

“Cinzas vulcânicas, que consistem em rocha e vidro pulverizado pelas erupções, podem danificar os motores dos aviões se eles entrarem na nuvem, causando o desligamento dos aparelhos. As cinzas também podem ser sugadas para dentro da cabine, contaminando o ambiente dos passageiros e danificando o sistema elétrico do avião.”

MÊ-DÔ!

Aqui embaixo, alguns exemplos de situações de perigo vividas em encontros de aviões com fumaça de vulcões:

“Em 1989, um Boeing 747 da KLM entrou na nuvem de fumaça do vulcão Redoubt, no Alasca, e perdeu toda a sua potência, caindo de 7,5 mil para 3,6 mil quilômetros de altura, antes que a equipe conseguisse religar os motores. O avião pousou com segurança.”

“Nos anos 80, um 747 da British Airways entrou em uma nuvem de cinzas que grudou na janela da cabine. O piloto teve que colocar a cabeça para fora por uma janela lateral para pousar em segurança.”

Quer que eu desenhe?

E para terminar, uma boa notícia:

“O Instituto de Pesquisas Geológicas dos EUA dizem que, entre 1983 e 2000, já ocorreram aproximadamente 100 encontros de aviões com cinzas vulcânicas. Em alguns casos, os motores pararam por algum tempo depois do encontro, mas não aconteceram acidentes fatais.”

Captou?

Ricos

Me chama de Eike de novo

Primeiro veio o Gilles Lipovetsky dizendo que “sensações” é o principal produto comprado pelos ultra-ricos. Segundo a teoria do filósofo francês, estes pobre ultra-endinheirados já passaram pela chinelagem de ser ricos e hoje não querem mais ostentar suas posses. Querem apenas viver experiências. Como, por exemplo, ficar uma semana no espaço ao custo de 30 milhões de dólares norte-americanos.

Muito rico

“Sua riqueza é tanta que ela procura na busca pelo produto uma experiência, algo de excepcional, que a faça vibrar, não necessariamente para se exibir.”, disse ele nesta entrevista para Fernando Eichenberg, em 2008.

Agora vem essa pesquisa, feita por psicólogos da Cornell University, dizendo que “gastar dinheiro em experiências, como férias ou festas, faz as pessoas mais felizes que a compra de bens materiais”.

Shinny Happy People

Então eu olho para os meus escassos bens e para a minha poupança mirrada e penso: eu sou feliz e podre de chique, porque gasto todo o meu parco salário em viagens.

Se você é assim também, passa lá em casa para tomar um chá e trocar ideias de novas sensações, chéri.

Por Que Pra Lá?

Por Que Pra Lá? - Uzbequistão

Depois de um (bom) tempo parado, voltamos ao Por Que Pra Lá? com o pedido do telespectador André, lá no primeiro post da série. Aliás quando ele me pediu para listar motivos para ir para o Uzbequistão, logo pensei “Putz, isso vai dar trabalho”.

Já andei namorando uma viagem para a ex-república soviética e sei que sobram motivos para conhecer aquele canto do mundo, muito mais do que os euros que atraíram Felipão e Zico, entre outros boleiros brasileiros.

Vamos a eles.

_____________________________________________________

UZBEQUISTÃO - POR QUE PRA LÁ?

O Uzbequistão (ou Usbequistão, com S, em alguns lugares) fica no meio daquela região asiática cheia de países terminados em “ão” e faz fronteira com uma porção deles: Casaquistão (a terra do Borat), Turcomenistão, Afeganistão, Quirguistão e Tajiquistão.

Bandeira e formato

Cada um dos seus 27 milhões de habitantes produz em média 700 dólares por ano e todos se espalham por uma área que corresponde a um pouco menos do que a Bahia -com a desvantagem de só ter praias no Mar de Aral.

O significado do nome do país é irônico para uma região que foi dominada por britânicos, persas, hunos, árabes, tártaros (aqueles do molho) e outros, além de Alexandre (O Grande), Gêngis Khan e, por último, os bolcheviques russos. “Uzbeque”, que vem a ser o nome dos habitantes da região, quer dizer “dono de si mesmo”, ou “independente”. Logo, Uzbequistão pode ser traduzido como “o país dos independentes”.

E então, por que ir de férias para o Uzbequistão?

1 - Para ver o Felipão berrando em uzbeque na casamata do estádio do Bunyodkor. (PÉÉÉ!!! Motivo gongado! Quem viu, viu. Quem não viu, agora só no Palmeiras.)

Vaaaaaaaaaai!

2 - Para conhecer uma região que, de tão bela, geograficamente estratégica e cheia de riquezas, já foi disputada por todos os povos que eu citei ali em cima.

3 - Porque o Uzbequistão tem 4 patrimônios da humanidade, segundo a Unesco: o centro histórico de Bukhara, o centro histórico de Shakhrisabz, a cidade de Itchan Kala e a cidade de Samarcanda.

4 - Porque o Lonely Planet diz que, “se houvesse um Hall da Fama das cidades da Ásia Central, o Uzbequistão teria os 3 primeiros lugares”, com Samarcanda, Bukhara e Khiva.

5 - Para conhecer o Mar de Aral, entre o Uzbequistão e o Casaquistão, antes que ele suma.

Bye bye, Aral

6 - Para fotografar um cemitério de barcos a quilômetros do Mar de Aral (que encalharam porque o mar secou). Se der sorte, você pega até um camelo ao lado deles.

Olha, mãe! Um barquinho e um camelinho!

7 - Para conhecer a capital Tashkent, a maior da Ásia Central. Tashkent foi quase totalmente destruída por um terremoto em 1966 e reconstruída logo depois com padrões arquitetônicos soviéticos. Hoje, o contraste entre o lado novo, com sua imponência e monumentos comunistas, contrasta com o lado pobre, com casas de barro e os poucos prédios antigos que restaram em pé.

Hotel Uzbekistan

8 - Para conhecer a vida noturna de Tashkent, considerada a melhor do mundo islâmico a leste de Beirute.

Party time

9 - Para conhecer a escola corânica (madrasa) Kukeltash, em Tashkent, construída no século XVI.

Kukeltash

10 - Para conhecer o Chorsu Bazaar, perto da Kukeltash. Pode até não ser uma feira interessante, mas deve render belas fotos.

Bazaar!

11 - Para ver de perto o azul da água do Lago Charvak, na província de Tashkent.

Tudo azul...

12 - Para conhecer a mesquita Khast Imam, onde está o corão de Uthman, considerado o mais antigo manuscrito do corão do mundo.

Khast Imam

13 - Para conhecer Samarcanda, uma das cidades mais antigas do mundo, fundada em 700 a.C. e ponto importantíssimo da Rota da Seda, entre o Oriente e a Europa. Imagina a quantidade de gente diferente que já passou por lá e o que cada um contribuiu para a história/arquitetura da cidade.

Samarkand by M.Bob / © All rights reserved (http://is.gd/bglkw)

14 - Para ver de perto porque Samarcanda é considerada privilegiada na arte islâmica da Ásia Central.

(C) Copyright 2009 Ivan Safyan Abrams. All rights reserved. (http://is.gd/bgl11)

15 - Porque eu desisti de colocar todos os mausoléus, mesquitas e madrasas que encontrei nas pesquisas sobre o país. É muita coisa linda. Clica aqui e dá uma olhadinha na pesquisa do Flickr, para ter uma ideia da quantidade de prédios maravilhosos. E depois, chora.

16 - Para voar de Uzbequistan Airways, também conhecida como O‛zbekiston havo yo‛llari, em uzbeque.

Azul-Calcinha Airways

17 - Para conhecer um país que se orgulha de ter o “turismo dentário” entre suas atrações. Sim, tá lá no verbete Tourism in Uzbekistan, na Wikipedia.

18 - Para encher o bucho de pão, porque o alimento está presente em 100% das refeições uzbeques e nenhum anfitrião deixa o convidade ir embora sem um pedaço. Aliás, até o pão é bonito lá.

Foto: Kelly Cheng - Flickr

19 - Para prestigiar um país que, desde 1994, vem mudando o seu alfabeto do cirílico para o latino, só para que você, ocidental, consiga ler os nomes das ruas.

welcome-to-tashkent-by-uzbek2bek

20 - Para ver o inacreditável: bancos funcionando aos sábados.

_____________________________________________________

Cansei, André. Tá bom assim de motivos uzbeques?

Guias

A Batalha Final

Graças ao History Channel, descobri outro lugar para conhecer e, melhor ainda, para passar o fim do mundo.

Escolham seus lugares, porque a luta vai começar

É Megiddo, em Israel, que já foi uma cidade-estado importante nos tempos (muito) antigos, mas hoje é “apenas” uma colina repleta de ruínas, tombada como Patrimônio Histórico da Humanidade, pela Unesco.

O que tem de tão legal lá? Foi o que descobri assistindo ao History: além de ter sido palco de acontecimentos históricos da humanidade, Megiddo é o lugar onde, segundo a Bíblia, vai acontecer o combate final entre Deus e o Coisa-Ruim.

Jesus e Satã: a batalha final

Será a batalha do Armagedon, palavra que deriva de “Har Megiddo” e que significa “Monte Megiddo”, em hebraico.

Reserve já o seu assento, porque essa luta não vai passar no pay-per-view.