O Que Eu Fiz Nas Ferias

Mais uma desculpa para viajar

Viajar estimula a criatividade?

Eu tinha certeza disso quando me propus a falar sobre o tema na palestra do CCCS, mas minha convicção era baseada exclusivamente em experiências pessoais. Sempre senti que voltava das viagens louco para fazer coisas novas, querendo mudar isso e aquilo. Porém, nunca havia encontrado (e nem procurado) nenhuma comprovação científica da minha pseudo-teoria. Era achismo brabo mesmo.

Praga

Então fui atrás de algo com mais credibilidade do que eu, para não passar por (tão) charlatão na frente dos criativos de Caxias do Sul. Pesquisa aqui, clica ali, acabei encontrando a prova que faltava para saber que eu estava certo.

Foi uma pesquisa, a primeira sobre o assunto, comandada pela Insead e pela Northwestern University, publicada na American Psychologist, em abril de 2008, com o título “Multicultural Experiences Enhances Creativity: The When and How”.

Tóquio

Deixando o cientifiquês fora deste post e indo direto ao que interessa: o resultado mostrou que as experiências multiculturais podem, sim, melhorar o desempenho criativo e a capacidade de resolver problemas que exijam ideias novas. Em números, segundo o artigo do Johan Lehrer publicado na The San Francisco Panorama, o estudo diz que pessoas que viveram fora do seu país têm 20% mais probabilidade de resolver um determinado teste criativo.

Por quê? Pelo óbvio. Viajantes vivem lidando com pontos de vista diferentes sobre assuntos idênticos, por isso percebem que existem formas diferentes de de interpretação dos problemas.

Sensacional, não? Mas o mais importante é que o mesmo estudo mostrou que a melhora no desempenho criativo está ligada ao grau de abertura do viajante às novas culturas com as quais entra em contato. Ou seja, pouco adianta você ir para a Cochinchina se insistir em ficar fechado no seu mundinho, sem procurar participar/entender a cultura local. Aliás, se for para isso, por que mesmo você viajou?

Nova York

Com a ciência me dando apoio, me achei o máximo e saí atrás também de uma opinião filosófica para o assunto. Encontrei no papa dos preguiçosos: Domenico de Masi. Olha o que ele diz no excelente livro O Ócio Criativo:

“Nós fomos primeiro nômades e depois nos tornamos sedentários. (…) Mas o antigo nômade que ainda vive dentro de nós não morre nunca, e, quando a gente menos espera, a sua inquietude neurótica desperta do sono para nos obrigar a sair pelo mundo. (…) O nômade (…) conserva um segredo de felicidade que o cidadão perdeu (…). Para reencontrar este segredo, os cidadãos são atiçados pelo demônio da viagem (…) usam como pretexto os negócios ou as férias. Fazem as malas e partem. (…) Mozart não fez outra coisa a não ser girar pelo mundo (…). Cada viagem contribuiu para enriquecer e refinar o seu espírito musical, até fazer dele o grande gênio que todos conhecemos.”

E a melhor parte do tio Domenico:

“Mudar de lugar estimula a criatividade.”

Um grand finale teórico perfeito para o que eu sempre senti na prática.

Nova York

Em tempo: não publicarei o Keynote da apresentação porque ele não faz muito sentido sem uma explicação oral (sou partidário das apresentações que apenas apoiam o que o apresentador fala). Se quiser ver o blablablá inteiro, me paga uma cerveja que eu mostro feliz da vida.

Crianças

Traveler Nanny

No meio das pesquisas sobre criatividade e viagem, encontrei um blog sensacional para viajantes com filhos.

Ao contrário do que deve ter vindo a sua cabeça, não é mais um blog de pais contando como viajam com seus rebentos. É melhor. É sob outro ponto de vista interessantíssimo: o de uma babá, Elizabeth, que cuida de um menino, Charles, cujos pais vivem viajando. E ela e seu pequeno cliente vão junto.

O nome é Tot ‘n Tow, definido por sua autora como “histórias e dicas para famílias viajantes modernas”.

Entre tantas ideias ótimas, uma me chamou a atenção pela simplicidade e pela beleza.

Ao longo de uma viagem para Milão, Paris e Amsterdã, Elizabeth pediu para que Charles desenhasse, em uma única folha, as coisas que ele mais gostou em cada dia. O resultado foi esse aqui:

Acho que aquilo lá em cima é a Torre Eiffel

Obviamente, o desenho não faz sentido algum para um adulto calejado pela vida e que simplesmente olha para ele no meio do trabalho. Mas não tenho dúvidas de que o Charles vai adorar ver isso quando crescer e, quem sabe, virar um viajante.

Recomendo também a seção Small Thoughts, onde Elizabeth conta as melhores frases que escutou na sua vida de babá.

“Eu sinto que a vida era muito mais fácil quando eu tinha 3 anos”, dito por uma criança de 5, é impagável.

O Que Eu Fiz Nas Ferias

Será que viajei?

Um dia, o pessoal do Clube de Criação de Caxias do Sul entrou em contato comigo para perguntar se eu gostaria de fazer uma palestra para estudantes e publicitários e coisa e tal. Perguntei qual seria o tema sugerido e a resposta foi:

- Pode escolher.

- Sério mesmo? Não preciso falar sobre propaganda? Posso falar sobre qualquer coisa?

Disseram que sim. E eu decidi na hora que falaria sobre viagens. Não simplesmente por gostar do assunto, óbvio, mas por acreditar que não existe nada mais inspirador do que viajar e ver coisas novas e diferentes lá fora. Em 2008, depois dois anos sem férias, até me fiz uma promessa profissional: nunca passar mais de um ano sem visitar um lugar criativo.

Convite aceito, tema decidido, lá vou eu na sexta-feira, dia 26, rumo à Serra Gaúcha testar a palestra/bate-papo “Viaje nas Ideias”.

Agora vai

O nome é uma referência ao livro que foi o estopim desta minha tara viajante, lá em 1998: o Viaje na Viagem. Uma singela (porém sincera) homenagem.

O conteúdo vai abordar motivos para escolher cidades criativas para passar férias, quais cidades são as mais criativas (segundo o Instituto Gabriel Prehn Britto de Pesquisas Turísticas), por que morar um tempo fora é a melhor coisa que se pode fazer pela própria criatividade e, claro, um pouco de publicidade misturada nessa massa toda.

Se vai dar certo e fazer sentido? Não sei. Mas o desafio foi topado e agora eu vou ter que encarar.

Tomara que a viagem até Caxias do Sul seja boa.

Europa

Vida no gelo

O Träsel deu a dica lá no Twitter dele e eu corri para publicar aqui.

Vida na Islândia

Vida na Islândia. Um ótimo blog de um brasileiro contando como é a vida na terra da Björk e do vulcão por onde o Dr. Lidenbrock chegou ao centro da terra. Dá para seguir no Twitter também.

Não consegui encontrar o nome do dono de tudo isso, mas já favoritei.

Aeroportos

Futricando no You Tube e aprendendo

Acabei de aprender que malas de zíper não são nem um pouco seguras.

Pet

O bicho de estimação do viajante

Bichinhos de estimação são bonitinhos, queridinhos, fofinhos e ótimos companheirinhos. Mas são um porrezinho quando o dono quer sair de férias para bem longe por um bom tempo.

Por mais que o bichinho dê retorno em afeto, é sempre chato ter que procurar um hotel para ele, apurrinhar alguém para cuidá-lo, et cétera e tal.

Pois agora as coisas mudaram. A Sony inventou o Eye Pet. O bicho de estimação perfeito para viajantes inveterados. Dá uma olhada:

Não é lindinho, engraçadinho e meiguinho? Pois é. E quando você viajar, é só apertar no botãozinho, desligar da tomadinha e embarcar sem preocupaçãozinha.

(Dica do @rafasbr)

O Que Eu Fiz Nas Ferias

Criatividade + Viagem

Marque seu X

Estou preparando uma palestra sobre férias criativas e preciso falar sobre cidades que estimulam a criatividade. Já tenho algumas em mente, mas achei que seria uma boa colocar o assunto aqui no OQEFNF para os estimados leitores me ajudarem nesta identificação.

Diz aqui nos comentários então, s’il vous plaît: quais cidades mais estimulam a criatividade para você? Por quê?

Obrigadão.

Aeroportos

Onde passar o fim do mundo?

Não preciso repetir os grandes desastres que aconteceram nos últimos anos no nosso rico planetinha, né?

Também não preciso explicar toda a lenda de que este rico planetinha vai pro beleléu no finalzinho de 2012, certo?

Agora pense em todas estas coisas que eu não precisei repetir e explicar e decida: você acha que o mundo vai acabar em breve?

D'ho!

Eu estou, gradualmente, entrando para o time dos que acreditam que, sim, vamos todos virar pó no fim do calendário maia.

Por um lado fico bem triste com isso, afinal, em quase 35 meses (e 90 dias de férias, portanto) não conseguirei conhecer nem um micronésimo dos lugares que cobiço nesta vida de viajante.

Por outro lado fico muito feliz. Um fim de mundo assim, avisado com tamanha antecedência, deve ser algo raro na história dos mundos. Pense bem: poderíamos ser atingidos por um asteróide descoberto poucas semanas antes de bater na Terra, o que não nos daria muito tempo para planejar uma morte em grande estilo. Poderia ser um Ahmadinejad apertando o botão de lançamento da sua bomba atômica, o que nos daria apenas algumas horas para procurar um camarote onde assistir ao grand finale.

O botão

Mas não. Nós somos sortudos como ninguém jamais foi. Teremos mais de 30 meses para decidir onde estaremos no fatídico 21/12/2012. E este é motivo deste post: dar dicas aos viajantes sobre onde assistir ao apocalipse para fazer as reservas logo. Porque se na virada de 2000 para 2001 já foi difícil arranjar vaga em hotel, no fim do mundo vai ser um caos.

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NOVA YORK

Não tenho dúvidas de que não haverá lugar mais grandioso no armagedom do que a Big Apple. Afinal, uma média de 9 entre 10 filmes sobre o assunto devem se passar por lá e Hollywood não pode estar tão errada.

Como será dezembro, não recomendo que você espere a catástrofe fazendo um bucólico piquenique no Central Park. Você correria o risco de morrer de frio antes da cena final.

Pelo menos o piquenique não vai ter formigas

Lugares não faltam: a loja da Apple, o alto do Empire State Building, a ponte do Brooklyn e muitos outros. Mas eu tenho algumas sugestões melhores.

Jingle bells

A Times Square ou junto da árvore do Rockfeller Center são boas pedidas. A decoração para o último Natal certamente será exuberante e você pode morrer em meio a um lindo festival de luzes coloridas.

Saque na Saks

Para consumistas inveterados, nada melhor do que a 5a Avenida, em frente às vitrines da Macy’s ou da Saks. Se der sorte, você pode até participar de um saque às duas lojas e morrer cheio de sacolas. Seria a glória para um brasileiro.

Mas minha sugestão preferida é mais cinematográfica. Vá para qualquer lugar de onde você tenha uma belíssima visão da Estátua da Liberdade. Depois, prepare-se para assistir, ao vivo e a cores, à cena clássica do monumento sendo destruído, a mesma cena repetida nos 9 entre 10 filmes de fim de mundo.

Clássico

Nossa, isso seria inesquecível se não fôssemos morrer logo em seguida.

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KIRIBATI

Levando em consideração que o dia 21/12/2012 foi previsto pelo calendário maia, que os maias viviam entre México e Guatemala e que o fuso horário lá é GMT-6, que tal ganhar um dia a mais de vida e enganar todas as previsões, morrendo apenas no dia 22/12/2012?

Gostou? Então reserve já seu lugar em algum hotel charmoso em Kiribati.

Kiribati (Foto: DS355 - Flickr)

A pequena república formada por 32 atois fica na borda da Linha da Data (fuso horário GMT+12) e é o primeiro lugar do mundo a ver o sol nascer.

Quem chega primeiro é o dono

Ou seja: enquanto o dia do juízo final estiver surgindo na região dos maias, você já estará na madrugada do dia seguinte. E até o final do fatídico 21 de dezembro no México, você terá aproveitado mais o dia 22 inteiro na beira das belíssimas praias da Polinésia. Vai ser como ter um dia a mais em um feriadão.

Dica de amigo: procure ficar hospedado na ilha de Kirimati, onde o dia chega primeiro nas Kiribati. Alguns minutos a mais de vida não fazem mal, né?

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USHUAIA

“El fin del mundo”. É assim que os próprios fueguinos definem sua querida Ushuaia, a cidade mais austral do nosso morimbundo planeta.

Foto: grace3737 - Flickr

Nunca fui, mas pelas fotos que vejo, dá para perceber que Ushuaia foi feita para quem quer assistir à catástrofe sem perder o charme a elegância. Além do apelido premonitório, a capital da Patagônia Argentina é uma cidadezinha linda, bucólica, com casinhas coloridas, barcos, bosques, cafés deliciosos, parrillas, doce de leite, alfajores Havanna, tango e dólar baixo, encravada entre belíssimas montanhas nevadas e o mar que a separa da Antártida.

Que belo lugar para morrer (Foto: bridgepix - Flickr)

Além de dar um toque de beleza ao derradeiro adeus da humanidade, Ushuaia ainda deve brindar seus visitantes com uma morte quase indolor.

Como fica entre o mar e as montanhas, você provavelmente será levado pelo tsunami gigante até as enormes paredes da Cordilheira dos Andes, sendo esmagado contra as pedras pela pressão do enorme volume de água. Porém, com a temperatura da água do Canal de Beagle entre 0ºC e 4ºC, você provavelmente não vai sentir dor, já que seu corpo estará amortecido pelo frio.

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TIMBUCTU

Oficial e geograficamente, o fim do mundo é Ushuaia. Mas psicologicamente, é Timbuctu, no Mali.

É longe

A cidade foi um centro comercial importantíssimo entre os séculos XV e XVI, onde mercadores se encontravam para fazer business e trocar camelos. Também foi o local de uma das primeiras universidades do mundo e suas contribuições para a História, o mundo islâmico e a arquitetura são reconhecidas até hoje como patrimônio da humanidade.

Melhores roupas para morrer

Não gostou? Pense duas vezes. Nesta vida, o importante não é “ser”, mas, sim, “parecer ser”. Então, nada é mais Revista Caras do que virar pó no lugar que todo mundo acha que é o mais distante e remoto do planeta.

Sub

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IRAQUE

Parece bizarro ver o apocalipse no Iraque. Mas se você acredita no que diz a Bíblia, viver este dia por lá é como apreciar o fim do mundo no lugar onde ele começou: o Jardim do Éden.

Todo mundo peladão na terra do Saddam

A localização do parque de diversões de Adão e Eva não é bem definido, porque Deus não deixou as coordenadas muito claras, apenas deu a pista de 4 rios e deixou o mistério para que nós resolvêssemos. Pelo que pesquisei na web, a teoria mais forte é a de que o Paraíso ficava entre os rios Tigre e Eufrates, bem no meio do Iraque.

Ali, no meio das linhas azuis

Talvez as coisas mudem nestes 30 meses. Mas a julgar pela situação atual, Bagdá e adjacências não parecem ser os locais mais seguros para o grande momento. Se bobear, você explode antes da Terra e não vê nada dos instantes finais da humanidade.

Sugiro que você vá para o Curdistão iraquiano, no norte do país, onde a paz reina e dá até para encher a cara de álcool. Tá certo que você não vai estar exatamente entre o Tigre e o Eufrates, mas pelo menos não correrá tantos riscos de morrer antes da hora e, mesmo assim, estará a apenas algumas centenas de quilômetros do berço da humanidade, segundo a Bíblia.

Curdistão. Sim, isso é Iraque (Foto: Kurdistan KURD - Flickr)

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ETIÓPIA

Se a menção à Bíblia fez seus cabelos de ateu convicto se arrepiarem, a pedida é ver o fim do mundo no lugar onde a ciência diz que a humanidade começou: na Etiópia.

Foi lá que arqueólogos encontraram os dois fósseis de hominídeos considerados os mais antigos até hoje. Lucy, a mais famosa, viveu há 3,2 milhões de anos e teria essa carinha de anjo aí embaixo.

Lucy in the sky

Ardi viveu bem antes, há 4,4 milhões de anos, mas ainda sofre desconfiança de cientistas que dizem que ele não é ligado aos nossos ancestrais.

Quem veio primeiro, não importa. Ambos foram encontrados na Etiópia que, além do significado científico, ainda tem outros atrativos para apreciar o fim de tudo.

Em Lalibela (Foto: Egon Filter - http://www.egonf.com)

Lalibela, as tribos do rio Omo, o Nilo Azul, montanhas cheias de espécies exóticas, tudo isso pode fazer parte do seu bye-bye-so-long. E se der sorte e pegar terremotos realmente grandes, você ainda pode ver a criação de um novo oceano, quando a fenda de Afar se abrir definitivamente, separando o Chifre da África do continente.

A fenda de Afar (Foto: http://www.apolo11.com)

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Para finalizar, uma dica básica que vale repetir sempre: evite marcar voos para o dia 20 de dezembro de 2012. Tente uma folga no trabalho e saia alguns dias antes.

Os aeroportos costumam parecer o fim do mundo em datas especiais.

Deus nos acuda

América do Sul

Por Que Pra Lá? - Ilhas Falkland/Malvinas

O governo inglês até já disse que os falklanders (ou malvinos, vá lá) são livres para decidir se querem ser argentinos ou ingleses. Como o pessoal não é bobo, obviamente já declarou que não têm a menor intenção de trocar os Windsor pelos Kirchner, muito menos as libras pelos pesos. Mesmo assim, los hermanos acabaram de nos lembrar que existem ilhas naquela região do Atlântico, entrando em um novo conflito de discursos com os britânicos.

Mapa das Falkland/Malvinas

Em homenagem a este revival dos anos 80, saboreie esta edição especial do Por Que Pra Lá?.

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ILHAS FALKLAND/MALVINAS - POR QUE PRA LÁ?

Falkland, o nome inglês, veio da homenagem que um capitão britânico fez ao seu protetor, Visconde de Falkland. Já o nome espanhol/argentino, Malvinas, tem muito mais charme: entre 1701 e 1720, uma penca de navegadores franceses saídos de Saint-Malo (les “malouins”, en Français) aportaram na região, que ficou conhecida como Malouinas. Daí para virar Malvinas foi só trocar “ou” por “v”. Lindo, não?

Rainha e ovelha

A população local é de míseras 3 mil pessoas, sendo que 80% delas vive em Port Stanley, a capital da região. O resto habita o que eles chamam de “o campo”, que significa as outras 700 ilhas que compõem o arquipélago de 12 mil km2.

O perrengue entre argentinos e ingleses vem de séculos e não vale colocar toda a história aqui. Do que li, deu para deduzir que as ilhas eram formalmente espanholas (e, consequentemente, argentinas depois da independência), mas os ingleses deram uma de João Sem Braço e acabaram tomando tudo numa época em que  a região do Prata estava meio bagunçada.

God Save the Queen!

Mas enfim, vamos ao que interessa: por que ir para as Ilhas Falkland/Malvinas?

1 - Para tentar entender por que raios argentinos e ingleses brigam tanto pelo arquipélago (além do motivo petrolífero).

Oro! Gold!

2 - Para conhecer um lugar com 400 km de ruas e estradas, mas absolutamente nenhum semáforo.

3 - Por que a NatGeo colocou as Falkland/Malvinas ao lado das ilhas Faroe na lista de ilhas mais interessantes do mundo e publicou que “é um privilegio” visitar o lugar.

4 - Para descobrir porque muitos cruzeiros de expedições turísticas à Antártida incluem o arquipélago no roteiro.

Gelo, gelo e pinguins

5 - Para conhecer um lugar cujo brasão oficial ostenta uma ovelha.

Béééé!

6 - Para conhecer um lugar que tem ovelha na moeda.

20 ovelhas (Foto: tigerweet - Flickr)

7 - Para conhecer um lugar com 3 mil habitantes e 700 mil ovelhas.

Nóis que manda aki, dusmeu. (Foto: Raphael Bick Travel Photography - Flickr)

8 - Para conhecer um lugar com apenas 50 km de estradas pavimentadas.

9 - Para voar de Figas - Falkland Islands Government Air Service - a companhia aérea para voos internos.

Que saudades da BRA

10 - Para dar um alô para o Brasil direto de uma legítima cabine telefônica inglesa, sem sair da América do Sul.

Hellô-ôu! (Foto: Peter Macdiarmid/Getty Images)

11 - Se você curte uma corridinha, para participar da Maratona de Stanley, a “maratona mais meridional do mundo”, segundo a AIMS (Association of International Marathons and Road Races)

12 - Para conhecer um lugar que inclui e divulga “Competição de Jardins” no seu calendário anual de eventos.

13 - Para conhecer um dos melhores lugares do mundo onde observar (e fotografar) vida selvagem.

Oi? (Foto: rrm998 - Flickr)

14 - Para relaxar em praias realmente desertas.

Mas a água deve ser gelada (Foto: f0rbe5 - Flickr)

15 - Ou para dividir praias com pinguins.

Foto: http://www.designinnature.com

16 - Para conhecer um lugar que se orgulha de ter a igreja anglicana mais meridional do mundo, que ainda tem um monumento com ossos de baleia em frente.

Igreja anglicana em Port Stanley (Foto: guettier - Flickr)

17 - Para conhecer uma ilha onde Charles Darwin passou um tempo, na sua viagem a bordo do Beagle.

18 - Para conhecer um lugar no mundo onde não existem desempregados.

19 - Para conhecer um lugar onde “ler um livro” está entre as atividades turísticas sugeridas. Fale a verdade: isso não é o paraíso para descansar

A emoção depende do seu livro

20 - Para ler Penguin News, o jornal semanal das Falkland/Malvinas.

Penguin News mente!

21 - Para conhecer um lugar que se considera um país, mas que tem apenas uma cidade, a capital Port Stanley.

23 - Como você deve ter percebido pelas atividades sugeridas, para passar um tempo em uma das ilhas mais isoladas do mundo. Isso porque nas Falkland/Malvinas só se chega de barco ou com dois voos. Um deles é um voo militar que parte da Inglaterra 6 vezes por mês, com apenas 28 lugares para civis. Outro é um voo semanal da Lan que parte de Punta Arenas, no Chile. Voos para lá sobrevoando a Argentina não são permitidos, por isso a Lan parte da Patagônia chilena. Voos da Argentina, então, nem sonham em ir naquela direção.

E aí? Bora lá coçar o saco com os pinguins?

Burocracia

As lições dos Griswolds*

Em meio a tantos terremotos, maremotos (a.k.a. tsunami) e coisa e tal, pesquei rapidamente algumas dicas para os viajantes que são surpreendidos por alguma catástrofe natural no meio das férias.

Férias Frustradas, um clássico

Em palavras do Ministério das Relações Exteriores:

“Em situações inesperadas, como desastres, catástrofes naturais, atentados, conflitos armados e revoluções, é de grande importância que o nacional entre em contato o mais cedo possível com autoridades consulares brasileiras a fim de solicitar orientação. É importante lembrar, entretanto, que nem os Consulados nem as Embaixadas do Brasil poderão alojar em seu interior cidadãos brasileiros.”

Em palavras compiladas pela internet, para antes de viajar:

“Faça uma pesquisa aprofundada sobre o país para o qual está indo - descubra alertas de viagem, problemas de segurança, acesso à Internet, informação sobre moeda e câmbio e leis e costumes locais.

“Deixe uma cópia do seu plano de viagem com algum familiar. Isso pode ajudar pessoas a encontrá-lo na ocorrência de uma emergência ou crise durante sua viagem.”

“Faça um seguro viagem internacional, para o caso de necessitar de cuidados médicos lá fora.”

Em palavras minhas:

-Não tente se virar sozinho nem tente bancar o machão. Você é forasteiro e não conhece lhufas por ali. Siga as instruções do hotel e/ou das autoridades.

- De qualquer maneira, pense que, se você sair vivo, aquilo vai ser uma experiência única. Viajar é bom até quando dá errado.

*NOTA: Não sabe quem são os Griswolds? Clique aqui e lembre.