Aeroportos

Mala suerte

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

No início bate um medão. Você está em um país estranho. Aquela esteira, que há pouco tempo estava repleta de malas, começa a ficar vazia e, de repente, para sem trazer sua bagagem. Você olha ao redor para ver se está na esteira certa, confirma que está, olha para os lados e não vê nem sinal da sua fiel companheira cheia de roupas.

Sim, a companhia aérea perdeu sua mala.

Jack, Kate, Sawyer, Ben, Locke, Rodrigo Santoro e a sua mala

Na verdade, ela provavelmente não perdeu, apenas colocou em um voo errado ou simplesmente esqueceu de colocar no seu voo naquela conexão anterior. Mesmo assim, na melhor das hipóteses, você vai levar um dia para recebê-la de volta. Levando em consideração que você já está há umas 24 horas com a mesma roupa, a mesma cueca/calcinha e as mesmas meias, isso é péssimo.

Respire fundo e relaxe, porque você não está sozinho. Segundo a Comissão Europeia dos Transportes, 90 mil malas são extraviadas por dia. Ou seja: se você fizer uma viagem de dois dias (tipo Porto Alegre - Bangcoc) você tem 180 mil chances de perder a bagagem.

(Tá, matematicamente não é bem isso, mas eu preciso criar um clima de medo para o que vem a seguir.)

Destas 90 mil, 30 nunca mais voltam para seus donos.

Graças a Alá, nunca passei por esta situação radical de nunca mais ver minha malinha, mas já passei pelo susto descrito ali no primeiro parágrafo. Foi no Marrocos. Desembarquei em Casablanca e fui para Marrakesh no mesmo dia. Passei um dia inteiro me sentindo podre, mas tudo terminou bem, apesar da podríssima Iberia ter me feito pagar um táxi até o aeroporto da cidade para pegar minhas coisas, ao invés de levá-las até o meu hotel.

Foi bom. Aprendi várias lições com aquela experiência e vivenciei outras que já tinha escutado:

- A regra básica de levar uma muda de roupa na bagagem de mão;

- Viajar de óculos, nunca com as lentes de contato;

- Colocar identificação fora e dentro das malas (a de dentro em cima de todas as roupas);

- Dividir o conteúdo das malas com alguém que for viajar com você (se perderem uma, ambos ainda terão roupas);

- Saber descrever as características das malas (isso é solicitado no guichê de bagagem extraviada do aeroporto);

- Ter à mão endereços de todos os hotéis da viagem, para o caso das malas demorarem mais tempo para chegar;

- Na volta, colocar os cartões de memória da máquina fotográfica sempre na bagagem de mão.

- Anotar todos os gastos causados pelo extravio, guardando notas fiscais, para que possam ser ressarcidos pela companhia aérea.

- Manter a calma, porque não há nada que possa ser feito e qualquer chilique só vai estragar a sua viagem. Deixe para execrar a companhia aérea depois.

My sweet love (Foto: wooferSTL - Flickr)

Gastronomia

Conaprole nuestro que estás en los cielos

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Domingo de Carnaval, saí de La Paloma, no litoral uruguaio, com a certeza de não voltar mais para lá. Foi a minha segunda vez na cidade, e eu deveria ter aprendido com a primeira.

Na virada de 2007 para 2008, escolhi ficar na praia Anaconda, que faz parte de La Paloma. Um lixo. Não dava nem para ir até o mar no réveillon, porque era preciso passar por um lodaçal cheio de mosquitos para alcançar a areia.

Mesmo com esta experiência, topei passar o carnaval de 2010 em outra praia da cidade: La Aguada. Outro lixo. Além da própria praia ser feia, a casa alugada pela internet era podre. Já fiquei em muitas casas como aquela quando eu tinha 18-20 anos, mas com 34 eu não me submeto mais a certas humilhações.

Mas graças aos deuses Conaprole e Lapataia (seres divinos uruguaios que se manifestam entre os mortais sob a forma de doce de leite), na mesma noite em que eu, minha mulher e meus amigos chegamos naquele muquifo, encontramos outros amigos que estavam em La Pedrera.

Amém. (Foto: blog Ariel Palacios)

A sorte começou a mudar.

Eles sabiam de uma casa para alugar ao lado da casa deles, na beira da praia. No dia seguinte, alegamos que a geladeira do muquifo não estava funcionando (o que era verdade) e pedimos metade do aluguel de volta. Com o dinheiro na mão, tocamos para La Pedrera, demos uma choradinha de 50 dólares e ficamos com a casa.

Só saí dela para fazer compras, comer sorvete Popi (outra divindade uruguaia), jantar em restaurantes excelentes e charmosíssimos (a/c Destemperados) e para passar umas poucas horas debaixo do guarda-sol na areia. De resto, minha rotina foliônica foi ler e dormir.

F-é-r-i-a-s.

Apenas 3 dias, mas f-é-r-i-a-s.

No fim, a grande dica para quem for para aqueles lados é o restaurante Perillán, na rua central de La Pedrera, quase esquina com o mar. Deus do céu, comi um salmão com purê com wasabi que me pegou no colo, me deitou no solo e me fez mulher. Ainda bebemos um belo vinho, comi uma entrada deliciosa e paguei 60 reais por tudo. Não é baratinho, mas para a qualidade oferecida, foi uma pechincha.

Fique com as poucas fotos que eu fiz nos poucos momentos em que movimentei meu corpo do sofá para a sacada.

No estacionar

No estacione 2

Let's go surfing now

Fumador

Frío

A Popi não poupa ninguém

Burocracia

Desacordo Cultural

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Amigos mais próximos sabem que eu sou a melhor pessoa (ou pior, depende do ponto de vista) com quem se aconselhar sobre pretensões de morar um tempo fora do Brasil. Quando alguém me pede opinião sobre este assunto, não importa a idade, o salário nem a situação profissional do possível viajante: minha resposta sempre varia entre “vai”, “demorô”, “te arranca”, “vaza, lôco” e outras expressões similares que signifiquem “compra a passagem logo e some já da minha frente”.

Digo isso porque sei que morar fora é uma das melhores experiências que se pode ter na vida. As lições que se vive no dia-a-dia com estranhos são únicas. E entre tantas que aprendi quando me aventurei em outro país, a melhor de todas foi também a mais óbvia: é fundamental respeitar as culturas de cada povo.

Este foi um aprendizado que uso até hoje em todo lugar que vou e que, salvo algum eventual Alzheimer, não esquecerei nunca mais.

Daí, na semana passada, comecei a ler o livro Desacordo Ortográfico (Não Editora), uma seleção de textos de escritores de língua portuguesa organizados por Reginaldo Pujol Filho.

Ali embaixo tem um link para comprar, ó, pá.

Já na introdução vi que a proposta do Desacordo era genial. Confesso que quase parei ali mesmo, porque eu, tiete en-lou-que-ci-da de José Saramago, concordei imediatamente com cada linha que o Reginaldo escreveu.

Desacordo Ortográfico é uma celebração à beleza que existe nas diferenças entre as várias línguas portuguesas ao redor do mundo. Uma pequeníssima e emocionante amostra de que são justamente as ortografias distintas que nos permitem criar maravilhas literárias, compreendidas por qualquer um capaz de ler este mísero post.

É uma celebração às diferenças culturais, portanto. As mesmas que o Acordo Ortográfico pretende eliminar ao unificar as ortografias.

Imagem retirada do blog http://pauloquerido.pt

Faz pouco mais de um ano que o Acordo foi implementado. Por força profissional, eu já me obrigo a escrever bizarrices como “pára” sem acento, mas os protestos contra as mudanças pipocam por todos os lados.

Se o chororô vai fazer efeito? Não sei. Só sei que os burocratas que assinaram o Acordo deveriam ter experimentado viver um tempo fora dos seus países.

Talvez assim eles tivessem aprendido como é bom respeitar as diferenças culturais.

Brasil

Pelo menos eu comprei meu Kit Kat

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Posto de fronteira Chuí-Chuy, sábado, 13 de fevereiro de 2010, ao redor de 14h.

Tiene aire acondicionado, señor otoridadji?

Centenas de turistas, sob um calor de 40 graus, suando como se um surto de hiperidrose tivesse tomado o mundo.

Uma hora inteira esperando que burocratas carimbem um papel completamente inútil, para passar 4 dias no Uruguai.

Filas e calor

E vou dizer: já passei por filas piores neste mesmíssimo posto.

Afinal, para que serve o Mercosul?

Brasil

Hoy es Carnaval

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Quem acompanha este humilde blogueiro no Twitter já sabe que eu ando com trabalho bem acima das CNTP. A consequência natural disso é um mau humor do cão, um sarcasmo feroz e um leve abandono deste estimado espaço.

Para tentar aliviar a cabeça, passarei o Carnaval em território uruguaio. Na quinta-feira, dia 18, volto à lida. Espero que com mais tempo para escrever.

Até a volta. E fiquem com uma foto do meu pré-carnaval de 2005, em Recife. Maracatu pegando forte.

Recife Antigo, alfaias e maracatu

Aeroportos

So exciting

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Pelada e perigosa

Lembra do scanner corporal, que eu defendi aqui?

Pois o bicho começou a gerar mais polêmica do que o esperado. Estão dizendo que os funcionários do aeroporto de Heathrow (Londres) andam imprimindo imagens de passageiros pelados.

Só para lembrar, as imagens tem a qualidade da foto acima.

Hello!

Ah, esses humor inglês!

(A matéria linkada acima foi uma dica da Mari Campos.)

UPDATE: Parece que a notícia é mentira.

Europa

Michelã

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Juro que imaginei que todo mundo já conhecesse o Via Michelin, o excelente site que a marca criou há tempos para quem viaja pela Europa e arredores. Mas quando desconfiei que a Marcie não conhecia este brinquedinho, me dei conta de que era preciso colocar a dica aqui no blog. Porque se ela não conhece, então um monte de gente nunca nem ouviu falar do Via Michelin.

Via Michellin

Pois bem, a referida maravilha do turismo rodoviário é um site que indica rotas, custos, tempos de viagem e até posições de radares para viajantes da Europa e de alguns países da África e da Ásia, além de hotéis, restaurantes e toda a cauda longa associada a este assunto.

Você vai lá, digita a cidade de saída e a de chegada e espera. Se souber, pode colocar até os endereços dos locais.

Início, meio e fim

Em segundos, ele aparece com o roteiro desenhado e explicado nos mínimos detalhes. Não gostou da sugestão da Michelin? Não tem problema: você também pode pedir as rotas mais rápidas, as mais curtas, as mais turísticas e as mais econômicas (aquelas que fogem de pedágios). E se você for totalmente tecno-hippie, também pode pedir sugestões para ir a pé ou de bicicleta.

Mas, tchê! Não tem a cavalo?

Para um teste ilustrativo, escolhi uma viagem bem longa: Lisboa-Moscou.

É légua pra dirigir

O Via Michelin me apresentou o mapa acima (que pode ser ampliado e impresso), a rota que ele considera a mais adequada, além das infomações de custos de combustível e pedágios, tempo de viagem e distância percorrida.

Raio-x da viagem

E como o negócio é para funcionar mesmo, há até uma planilha indicando cada mísera conversão que você precisar fazer, dentro das cidades e nas estradas.

Real time driving

Claro que com GPS no carro talvez você nem precise do roteiro da Michelin nas suas férias. Mas para planejar quanto vai custar a viagem, ainda não conheci nada melhor.

Cias. Aéreas

Sou pobre mas não tô amassado

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

A Veja desta semana (edição de 10 de fevereiro) apresenta um guia interessante para quem só tem condições de voar na classe gado e topa tudo para tentar aliviar as dores de 12 horas em uma poltrona apertada.

Ilustração da matéria "Classe econômica com um pouco mais de conforto", da Veja

Vale aparecer lá para dar uma lida.

Turismo Estranho

Pintou sujeira

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Aqui está uma lista para viajantes aventureiros e para viajantes que não querem se arriscar nem um pouquinho. São as 10 cidades mais poluídas do mundo e as 10 mais limpas, segundo uma pesquisa do Blacksmith Institute e da Green Cross da Suíça. A dica para ver esta belezura veio do Menezes.

Dá uma olhada nos mestres da poluição aqui embaixo.

10 - Kabwe, na Zâmbia.

Foto: Justin Qian - Flickr

Desde 1902, a cidade é conhecida pela alta quantidade de chumbo e cádmio no solo. E desde lá, pouco se fez para evitar a contaminação das pessoas.

9 - Sumgayit, no Azerbaijão.

Foto: aaklaus78 - Flickr

Apesar da maioria das empresas petroquímicas que poluíam a cidade já terem fechado, o mercúrio e os outros metais pesados extraídos de forma irresponsável ainda estão lá.

8 - Chernobyl, na Ucrânia.

Foto: blinkofaneye - Flickr

Minha mãe vai ficar puta comigo, mas eu pretendo conhecer Chernobyl. Afinal, apesar de ainda ser contaminada com radiação, já existem tours para lá - e eu imagino que isso signifique que é seguro visitar a cidade se alguns cuidados forem tomados.

7 - Norilsk, na Rússia.

Imagem: Google Earth, via born1945 (Flickr)

Mineradoras e processadoras de níquel e metais acabaram com o ar de Norilsk.

6 - Dzerzhinsk, também na Rússia.

Foto: Oleg aka Xtraboy - Flickr

O que esperar de uma cidade que abriga fábricas de armas químicas?

5 - La Oroya, no Peru.

Foto: Matthew Burpee - Flickr

A única representante da América do Sul conquistou seu lugar com a ajuda de mineradoras e processadoras de metais. É chumbo grosso no solo e na água.

4 - Vapi, na Índia.

Foto: duygukck - Flickr

Um copo d’água em Vapi contém mais de 100 vezes a quantidade máxima de mercúrio tolerada pela Organização Mundial de Saúde. Mérito das indústrias químicas da região.

3 - Sukinda, também na Índia.

sukinda__india

O nome do poluidor é pomposo: cromo hexavalente. E o estrago causado pelas minas que extraem essa maravilha também é grande.

2 - Tianying, China.

Tianying

Medalha de prata, Tyanying brinda a colocação com um belo copo de água contaminado com chumbo e metais pesados extraídos por empresas inescrupulosas.

1 - Linfen, China.

Foto: sheilaz413 - Flickr

Medalha de ouro também para a China, com sua Linfen repleta de carvão no ar, graças às minas legais e ilegais da região.

Agora morra de inveja das mas limpinhas. As características em comum a todas são os investimentos em transporte público eficiente e limpo e o cuidado com a limpeza para atrair turistas.

10 - Berna, na Suíça.

Foto: lone snapper - Flickr

9 - Katsuyama, no Japão.

Foto: Kurisu Kuupaa - Flickr

8 - Zurique, na Suíça.

Foto: Dreamer7112 - Flickr

7 - Estocolmo, na Suécia.

Foto: Claudio.Ar - Flickr

6 - Oslo, na Noruega.

Foto: Studio Troll I Ord - Flickr

5 - Minneapolis, nos Estados Unidos.

Foto: y entonces - Flickr

4 - Ottawa, no Canadá.

Foto: ViaMoi - Flickr

3 - Helsinque, na Finlândia.

Foto: Claudio.Ar - Flickr

2 - Honolulu, nos Estados Unidos.

Foto: garyhymes - Flickr

1 - Calgary, no Canadá.

Calgary

E aí? Vai pra onde?