O Que Eu Fiz Nas Ferias

Všechno nejlepší, Valentina

Num primeiro momento, parece que comemorar o aniversário de um bebê não tem nada a ver com viagem e, portanto, não deveria estar nesse blog.

Mas neste caso é diferente. A aniversariante deste 31 de janeiro de 2010 tem muita relação com minhas viagens, sim.

Não foi para rever o castelo que eu voltei a Praga em 2009, 8 anos depois de ter saído de lá.

Não foi por Kafka que eu prometi que farei tudo para ficar ao menos uma noite na capital tcheca, sempre que passar pela Europa.

Não foi pela lembrança da cerveja, do queijo frito e da Kolonada que as viagens que passam pelo continente europeu ganharam prioridade nos meus vários planos aventureiros.

Dando gritos de alegria, ainda com 3 meses

Foi por causa deste bichinho desdentado aí em cima, a Valentina Vurmova, na foto ainda com 3 meses.

Então, nada mais justo que comemorar o primeiro ano dela num blog de viagens.

Všechno nejlepší, Valentina.

Europa

O mundo nas lentes do Piotr

Semana passada um amigo me indicou (mais) um site sensacional, daqueles de deixar qualquer viajante babando. Se você for viajante e curtir fotografia, então, sugiro segurar o desfibrilador na mão que não estiver no mouse.

O site é o World in My Lens, do polonês Piotr Kulczycki.

World in My Lens

Com míseros 24 anos de idade, Piotr já andou por grande parte da Europa, pela China e também pelos Estados Unidos. As fotos dele estão disponíveis para uso comercial na internet por apenas 10 doletas, e por preço a combinar para uso impresso. Segundo Piotr, é com essa grana que ele segue viajando e fazendo suas imagens.

Sensacional.

Como eu sou previsível pra caramba, aqui está alguma foto que ele fez em Praga, só para você ter um gostinho. O álbum inteiro (e todos os outros) você encontra lá no World in My Lens.

Foto: Piotr Kulczycki (World in My Lens)

Brasil

Me chama de Eike

Meu primeiro voo com a Azul tinha tudo para ser uma experiência ruim.

Eu sou claustrofóbico até o talo, do tipo que não consegue nem pegar carona no banco de trás de um carro duas portas. Imaginar que teria que passar uma hora dentro de algo menor que um Boeing ou um Airbus me fazia suar frio (para quem não sabe, a Azul voa com modelos Embraer 190 e 195).

Tá grandão por causa da perspectiva (Foto: fotoandreabernardes - Flickr)

Não bastasse o pânico de lugares apertados, eu ainda tinha um receio quanto ao avião de porte menor. Não me pergunte por que, mas eu relaciono a segurança do bicho com o tamanho dele. Quando maior, mais seguro.

O primeiro passo para minimizar essa expectativa foi conversar com um amigo que trabalha diretamente com a Embraer. Perguntei o que ele tinha para me dizer dos tais 190 e 195 e a resposta foi “são melhores do que todos os outros”. A tensão diminuiu, mas eu ainda estava com um pé atrás.

No dia do embarque, a Lei de Murphy me acordou com um temporal sobre Porto Alegre. Agora, além da claustrofobia e da imaginada insegurança de avião, eu ainda teria que enfrentar nuvens, turbulência, et cétera e tal.

Como eu disse lá em cima, aquilo tinha tudo para ser uma experiência ruim.

Chuva + avião = não bom (Foto: Yanez (i) / Ivan - Flickr

Mas para minha gratíssima surpresa, não foi.

A primeira sensação de alívio foi ver que os fingers do aeroporto seriam utilizados no embarque (juro que eu pensava que um avião menor teria que ter embarque pela pista).

Quando entrei no voo AD4165 (pontual, aliás), outro alívio: o Embraer 190 não era tão pequeno quanto eu imaginava. Na verdade, era até maior do que eu gostaria que fosse quando escolhi meu lugar achando que sentaria no fundão.

Dois pra lá, dois pra cá (Foto: Paulo Cunha/Outra Visão)

Acabei sentando bem no meio do avião. Não sei se o espaço entre as fileiras de poltronas é realmente maior como a Azul diz por aí. Mas certamente a sensação é de ter muito mais espaço, principalmente pelo fato de haver apenas duas poltronas de cada lado. A sensacão de não estar espremido era tão boa que, na volta, até arrisquei reservar uma janela para mim, coisa que nunca faço.

O serviço de bordo é feito sem aqueles malditos carrinhos que atravancam o corredor.

As aeromoças (que não têm nada de especial na atenção, são como todas as outras) passam de fileira em fileira perguntando o que você quer beber e anotando em uma folha. Em seguida, voltam trazendo os pedidos em bandejas. Um pouco depois, passam novamente com outra bandeja repleta de pacotes de salgadinhos e doces. Você escolhe o que quiser e pode até querer repetir, porque (dizem) ninguém olha com cara feia.

Salgadinho, moço? (Foto: Paulo Cunha/Outra Visão)

Mas a grande atração para o viajante “classe turista” (a.k.a. “pobre”)  são as poltronas em couro.

Faça as contas:

“Avião pequeno” + espaço + “atendimento cordial” + “rapidez no embarque/desembarque” + “poltrona de couro” = a sensação mais próxima do que é ser um milionário que voa em seu próprio jatinho.

Me senti quase um Eike Batista.

Eu sou você amanhã

Sei que foi apenas uma única e rápida experiência, mas voltei de Navegantes (SC) maravilhado com a companhia. Só fiquei triste quando vi que ela ainda não voa para Brasília, para onde já estou marcando uma viagem familiar em junho.

Pelo jeito terei que enfrentar minha claustrofobia naqueles aviões grandões, com três fileiras de poltronas, das outras companhias.

Europa

Pas facile d’être parisien

Até já tuitei isso, mas não resisti e coloquei aqui também.

Adorei muito o vídeo que a Carol Bensimon fez para mostrar aos leitores do Paris 75004 um pouco da difícil vida de estudante expatriado na capital francesa.

A parte da Diana na porta do vizinho é de se pisser de rire.

França

Paris, je t’aime (moi non plus)

Oui, je confesse: sempre fui meio relapso com relatos sobre Paris, onde estive por 3 vezes (99, 04 e 08). Na mais recente, eu até já tinha me metido a querer fazer fotos com um mínimo de beleza e escrever sobre os lugares por onde passava, ainda assim não me dediquei a buscar imagens da mesma forma que faço em outros lugares. Sei lá, acho que tenho algum freio em relação a cidades mega dissecadas e fotografadas.

Enfim.

A questão é que resolvi me redimir um pouco escrevendo sobre os meus lugares preferidos na capital francesa e colocando algumas fotos, mesmo que eu não goste tanto delas. Não espere nada especial ou fora do roteiro turístico. São apenas os meus pontos preferidos, onde eu fiz questão de passar em todas as visitas à cidade e que eu recomendo a todos que me pedem dicas.

Allons-y.

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Place des Vosges

Foto: Tamar Marie - Flickr

(A foto não é minha) Desde a primeira vez que li a descrição desta praça, decidi que seria um dos principais lugares que eu visitaria em Paris. Não tanto pela beleza (ela é considerada uma das mais belas do mundo - como tudo em Paris), mas por sua história. A Place des Vosges foi construída por Henrique IV, em 1605. É a primeira praça planejada de Paris, cercada por 36 prédios idênticos e simétricos. Foi palco de duelos e festas, como a do casamento de Luís XIII com Ana da Áustria. Hoje é um oásis de paz e tranquilidade no Marais.

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Sainte-Chapelle

(As fotos não são minhas) Lembro que fiquei bem bobão na fila para visitar a Sainte-Chapelle. Apesar de ter visto as fotos nos guias, eu não esperava nada além de mais uma igreja. Mas, quando entrei, me caiu a bunda. A Sainte-Chapelle virou atração imperdível para mim, mesmo que eu tenha que enfrentar filas enormes e milhares de revistas de segurança para chegar dentro dela.

A capela inferior, destinada aos plebeus, é exatamente como eu sempre havia imaginado uma construção medieval: pé-direito “baixo”, pouca luz, arcos e mais arcos. Apesar de ser sufocante, é incrívelmente bonita.

Foto: Christopher Chan - Flickr

A capela superior também é sufocante, desta vez não pela falta de espaço, mas pela beleza. Simplesmente não tem como descrever. Vá, enfrente a fila e veja ao vivo.

Foto: Uncle Buddha - Flickr

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Prefeitura de Paris (Hôtel de Ville)

Foto: racingsquirrel - Flickr

(A foto não é minha) Mais um lugar que me atrai mais pela história do que pela beleza. E desta vez, é por histórias mórbidas. A praça em frente à prefeitura, hoje chamada de Place de l’Hôtel de Ville, era o principal palco de execuções de Paris lá pelos anos 1300. Então adoro parar ali e ficar imaginando tudo que aconteceu naquele espaço.

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A cúpula da Catedral de Sacré-Coeur

Paris sem ninguém por perto

(Desta vez a foto é minha) Não acho a Sacré-Coeur grande coisa. Para mim, o sucesso dela se deve mais à Amelie Poulain e a sua localização (no alto do Montmartre) do que a sua beleza. Mesmo assim, sempre passei por lá para ver Paris de cima com certa tranquilidade. O segredo para isso é encarar os trocentos degraus até a cúpula. Justamente pela quantidade de degraus, poucos turistas se animam a subir, o que significa que é grande a chance de você ficar lá sozinho ou com dois ou três corajosos como você. Aproveite, porque não sei se existe outro lugar com aquela vista e aquela calma.

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A casa de Serge Gainsbourg

5 bis, Rue de Verneuil

(Outra foto minha) O cara é uma lenda francesa, do tipo que faz todo mundo lembrar onde estava no dia em que ficou sabendo da sua morte. Fez músicas maravilhosas. Gravou La Marseillese em ritmo de reggae, trocando o refrão por “et cétera”. Pegou uma mulherada cobiçadíssima. Fez Brigitte Bardot gemer de prazer em “Je T’Aime, Moi Non Plus”. Falou “I wanna fuck her” na cara da Whitney Huston, em plena TV e no auge do sucesso da moça. E ainda casou com a lindíssima Jane Birkin, com quem teve a talentosíssima Charlotte. Você nem precisa ser tão fã do Serge como eu, mas precisa ver onde esse cara viveu seus últimos dias e as homenagens que seus admiradores deixam por lá.

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Para terminar, fica aqui o link para uma série de vídeos fantásticos que mostram pontos de Paris em time-lapses maravilhosos (dica do excelente blog Obvious) e algumas parcas fotos que fiz por lá nestas andanças.

A torre

A torre de novo

Ah, o humor francês!

Operrá

Morangos franceses

Caribe

Por Que Pra Lá? - Especial Haiti

Isso não é nenhuma dica irresponsável mandando você ir para o Haiti neste momento. É óbvio que não é recomendado fazer turismo por lá agora. Mas como um dia o Haiti vai voltar a ser uma nação com um mínimo de infraestrutura (pode demorar, mas certamente vai) resolvi furar a fila do Por Que Pra Lá? e fazer uma edição especial mostrando as maiores atrações turísticas da meia-ilha caribenha. É para que você inclua o país na sua lista de destinos desejados e ajude os haitianos a se recuperar da forma que eu considero a mais prazerosa: viajando.

Todos já conhecem a parte triste do Haiti. É o país mais pobre das Américas, onde aproximadamente 80% da população está abaixo da linha de pobreza (vive com 1 dólar por dia) e todos têm expectativa de vida de míseros 60 anos. Nos jornais, Haiti vem sempre ligado a “violência”, “milícias”, “soldados”, “tropas” e “Onu”.

O que a maioria não sabe é que o Haiti (palavra que significa “terra montanhosa”) tem praias lindas, um parque considerado patrimônio da humanidade, muita história, potencial para rivalizar turisticamente com vizinhos peso-pesados do setor, como Cancún, Aruba e Bahamas, além de um povo receptivo e simpático.

Pegue sua agenda turística e anote aí: por que ir para o Haiti?

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1) Para conhecer a Cidadela Laferrière (conhecida como La Citadelle), o maior forte do ocidente. Ela foi construída pelos primeiros escravos livres, para proteger o país de um eventual ataque francês logo após a independência do país. Como La Citadelle fica no alto de uma montanha, a vista é maravilhosa. Em dias claros é possível enxergar Cuba.

Foto: arjencito - Flickr

Foto: stanleygee - Flickr

2) Para conhecer o Palácio de Sans-Souci, também construído por escravos, na mesma época e a 5 km da Citadelle. Antes de um terremoto que o destruiu em 1842, o Sans-Souci era conhecido como “Palácio de Versailles do Caribe”.

Foto: Beyond Travel - Flickr

3) Para conhecer o Parque Histórico Nacional, onde estão a Citadelle, o Palácio Sans-Souci e ainda os prédios de Ramiers. Justamente por abrigar estas três atrações (elas foram as primeiras construídas por ex-escravos e, por isso, são consideradas um monumento à liberdade), o Parque foi declarado Patrimônio Histórico da Humanidade, pela Unesco, em 1982.

4) Para visitar o segundo estado independente nas Américas, livre do seu colonizador em 28 de novembro de 1803 (os EUA se tornaram independentes em 1776).

5) Para visitar o único país americano independente (ao lado do Canadá) onde você pode falar francês e ainda aprender crioulo. Mas, ao contrário do que você pensa, não vai dar para escutar Cesária Évora depois, porque o crioulo haitiano é bem diferente do crioulo cabo-verdeano.

Mim não falar crioulo haitiano

6) Para descobrir porque o Lonely Planet, na edição sobre as Ilhas Caribenhas, declarou: “We believe that Haiti may just be one of the most exciting countries of the world in which to travel.”

7) Para comprar um legítimo boneco de vodu (ainda que eles sejam mais folclóricos do que realmente utilizados nos rituais religiosos).

Foto: apesara - Flickr

8 ) Para ver uma legítima sessão de vodu.

Foto: steffiekeith - Flickr

9) Se você não for um medroso como eu, para conhecer Cemitério da Cidade, em Porto Príncipe, famoso por suas histórias de fantasmas, zumbis e outras lendas ligados ao vodu.

Foto: BARBARA BARBARA - Flickr

10) Para conhecer Jacmel, uma cidadezinha calma ao sul do país, com praias lindíssimas, carnaval animado e o melhor artesanado do Haiti.

Baía de Jacmel. Foto: T R L - Flickr

Carnaval em Jacmel. Foto: melindayiti - Flickr

11) Para mergulhar em Bassin Bleu, a 12 km de Jacmel. São piscinas naturais profundas interligadas por cachoeiras e, diz a lenda, habitadas por ninfas que ninguém nunca viu porque fogem quando escutam passos de pessoas.

Bassin Bleu. Foto: melindayiti - Flickr

12) Para os amantes da natureza conhecerem o Étang Saumâtre, o maior lago do país e o melhor lugar para conhecer a fauna e a flora haitiana. E para aproveitar a viagem e conhecer o Plaine du Cul de Sac, uma depressão com cenários incríveis.

Foto: Carlos A. Objio Sarraff - Flickr

13) Para tentar visitar a surreal Labadie, praticamente um enclave turístico particular da Royal Caribbean, cercado e policiado, ao norte do país.

Labadie. Foto: schaefinvegas - Flickr

14) Para estar no único país onde uma revolução de escravos obteve sucesso, na história colonial.

15) Para conhecer a primeira “república negra” do mundo. Em 1804, logo depois da independência, o líder da revolução pegou uma bandeira francesa e rasgou fora a tira branca, dizendo que estava “expulsando os brancos do país”. O vermelho e o azul foram unidos, criando a bandeira haitiana.

A tricolor virou bicolor

16) Para conhecer a Île-a-Vache, uma linda ilha no sul do país. Um lugar cheio de praias paradisíacas, perfeito para mergulhar e para conhecer outras ilhas próximas, como Caye-a-l’Eau, Ilet-a-Bouee ou Saut-Mathurine (onde está a maior queda d’água do Haiti).

Île-a-Vache. Foto: bourgetelpierre - Flickr

Saut-Mathurine. Foto: KAFESUKRE - Flickr

Caye à l'Eau. Foto: patbenoiton - Flickr

17) Para fazer um tour na fábrica e comprar um originalíssimo rum Barbancourt, na cidade de Damiens, perto de Porto Príncipe.

O melhor rum do mundo

18) Para visitar o Marché de Fer, em Porto Príncipe, considerado um mercado extraordinário pelo Lonely Planet.

19) Para passar um tempo em Cap-Haïtien, explorando as praias da região, como Cormier Plage, e conhecendo a arquitetura colonial francesa local, que dizem ser igual à de Nova Orleans, nos EUA.

Cormier Plage. Foto: melindayiti - Flickr

20) Para beber uma Prestige gelada na beira da praia.

Foto: ZenDimz - Flickr

20) Porque “if you want to make local friends, play with kids, spend alot of time talking and mixing with people you will also love it”, como disse este viajante.

Foto: regularojoe - Flickr

21) Para andar nos coloridíssimos tap-taps.

Tap-tap. Foto: Jan Sochor - Flickr

22) Porque é impossível não achar o Haiti lindo depois de ver as fotos do Jan Sochor.

Foto: Jan Sochor - Flickr

23) Porque uma rápida voltinha no Flickr vai mostrar fotos maravilhosas do país, como esta aqui embaixo.

Foto: ajax8055 - Flickr

Fenômenos Naturais

Um outro mundo é possível

O blog Mundo Gump fez uma bela seleção para viajantes. São 10 lugares que parecem de outro planeta. Dá uma olhada em algumas fotos sensacionais do post.

Floresta de Pedra de Madagascar

Sangue de Dragão, na ilha de Socotra, Iêmen

Vale da Lua, na Chapada dos Veadeiros, Brasil

Lagos Plitvice, na Croácia

Para ver mais fotos e saber mais sobre estes lugares estranhos/maravilhosos, vá lá e leia os textos.

Hotéis

Finalmente neste blog: dica de onde ficar em Praga

Meu amigo Chester Santos é um cabra corajoso. Depois de encarar muitos testes bizarros na revista Void, ele resolveu enfrentar mais dois desafios: as minhas sugestões e o inverno tcheco. Foi, voltou vivo e ainda trouxe uma bela dica de lugar para ficar em Praga (coisa que eu sempre fiquei devendo aqui, porque nunca parei em hotel lá).

Anota aí: Hotel & Residence Vinoh.

Olha o que o Chester disse:

“O apto que alugamos era realmente muito bem localizado. Distante da muvuca dos turistas, com supermercado e estação de metrô próximos, parques lindos e o mais importante: foi o melhor custo/benefício em questões de moradia durante toda a viagem. Dá só uma olhada na vista do apto, que era completo: cozinha com tudo que se precisa, despensa, lavabo, sala grande com uma escada que levava ao segundo piso, onde ficava o quarto e o banheiro gigante com maquina de lavar. Curiosidade para a fechadura da porta em que a chave dava 4 voltas.”

Vista do apartamento do Chester no Vinoh

O Vinoh fica no bairro de Vinohrady, uma região excelente para quem quer fugir dos preços pornográficos dos bairros mais turísticos, mas a uma distância totalmente “caminhável” do centro. E o Chester ainda seguiu outra dica que eu sempre dou para quem quer conhecer um pouco mais do país: passou um dia na maravilhosa Český Krumlov.

“No terceiro dia pegamos nevasca no caminho para Krumlov, a melhor das dicas. Chegamos lá e tava tudo branquinho. Temperatura entre -5 e -8 graus. O lugar é lindo mesmo. Almoçamos, apreciamos as ruelas e a arquitetura das casas, tomamos um café no final do dia e voltamos a noite pra Praga, que estava toda branca.”

Český Krumlov vestida de branco

Ele ainda não falou nada das cervejas tchecas, mas eu aguardo ansiosamente por este teste.

Ah, as fotos aí em cima são dele.

Aeroportos

Atentado? Só contra a elegância

Se a vida dentro dos aeroportos já estava um porre de sidra, ficou pior depois da traquinagem do rapaz que tentou derrubar um avião americano no Natal. A bomba que Umar Farouk Abdulmutallab carregava na cueca (no joke intended) não explodiu, mas destruiu a sensação de relativo controle que vivíamos.

Em busca de mais segurança, os queridinhos da hora agora são os tais scanners corporais, que não deixam passar nenhum artefato suspeito, mas que mostram as vergonhas de todos os passageiros com riqueza de detalhes asquerosa ou sensual (depende do escaneado).

Pelada e perigosa

Obviamente isso tem gerado uma gritaria pelo direito das pessoas à privacidade de suas partes íntimas. A discussão promete se arrastar por um bom tempo, com protestos aqui e ali, confusão e o diabo a quatro. Mas tudo isso você já sabe.

O que você não sabe é a minha opinião e a minha proposta de solução para este problema.

Minha opinião: sou totalmente a favor da instalação destes brinquedinhos em aeroportos considerados de risco.

A lógica é simples. Todo mundo tem o direito de manter a privacidade do que esconde nas roupas de baixo (salvo no terrível banheiro da academia, você só mostra sua intimidade para quem você quiser) e todo mundo tem liberdade para optar qual meio de transporte vai usar nas suas viagens. Mas ninguém tem o “direito a voar de avião” (advogado, me corrija se eu estiver errado).

Então, como cruzar os céus não é um direito seu e como a segurança está exigindo mais rigidez, não tem saída: quem quer viajar de avião pre-ci-sa se submeter a um controle que vai vê-lo peladinho da Silva.

É chato, constrangedor e invasivo, sim. Mas você tem o direito inalienável e sagrado de optar entre manter sua privacidade ou ir de carro, trem, ônibus, navio, biga, cavalo, a pé ou de qualquer outra forma onde a sua nudez não seja exigida como condição para embarcar.

Minha proposta de solução para o problema:

Bomba, só se estiver muito bem escondida

Campanhas massivas para o pessoal perder a timidez e viajar peladão.

Os comandantes só teriam que prometer maneirar no ar-condicionado a bordo.

Amsterdã

This is real life

Para quem acha que viver em Amsterdã é pedalar com os cabelos ao vento todos os dias.

NETHERLANDS SNOW

Foto de Margriet Faber, gentilmente roubada por mim do belo blog ciclístico O Gregário, de Cleber Gomes.