› 17 de novembro de 2009

Brasileiros

Em bom português

Paris, entre setembro e outubro de 1999.

Desci do meu quarto louco para me jogar no petit déjeuner do hotel cujo nome esqueci mas sei que ficava perto da Place d’Italie. Havia poucos hóspedes além de mim e da minha esposa na época. Nos servimos e sentamos sem conversar. De repente, escutamos uma palavra conhecida. Era alguém falando português. Mais do que isso: era um casal brigando em português. Eles não faziam escândalo, mas o tom da conversa elevou o volume naturalmente. Ela era carioca. Ele era gringo, falava nossa língua com sotaque americano.

Não lembro bem o que a mulher dizia além de “acabou, chega, eu vou embora, não aguento mais”. Mas nunca vou esquecer do que o gringo repetia sem parar, com aquele sotaque carregado:

- Voce kagow in min. Voce kagow in min.

“Você cagou em mim.” Obviamente, nós ficamos quietinhos o café da manhã inteiro, segurando as risadas e suando frio para não mostrar que estávamos compreendendo tudo na briga que os dois achavam que estava apenas entre eles.

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Nova York, década de 90 do século 20.

Um amigo brasileiro estava em um restaurante conversando com outro amigo. Em determinado momento, repararam em uma figura estranha sentada na mesa ao lado. Achando que era um gringo, começaram a falar mal da figura em alto e bom som. Foi assim por muito tempo. Uma tiração de sarro sem igual.
A figura se levantou para ir embora. Mas não sem antes passar pela mesa do meu amigo e dizer, em português brasileiríssimo:

- Não vou responder como deveria porque sou mais educado que vocês.

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Onde eu enfio a minha cara, hein? (Foto: Brookezilla - Flickr)

Estas histórias são pequenos exemplos que lembrei depois que um amigo fez um tweet sobre o suposto ferrolho que encontramos na nossa língua no exterior.

Brasileiro parece que nasce em árvore. Estamos em todos os cantos do mundo. Não esqueça disso antes de acreditar que ninguém está entendendo seu português.

- Gabriel Prehn Britto

Comentários

  1. Melina 17.11.2009, 15:30

    Passei por 2 situações bem parecidas com essas, uma em 1999, a outra em 2000, ambas na Alemanha. Foi muito constrangedor. :(

  2. Gabriel Prehn Britto 17.11.2009, 15:41

    Conta aí, Mel! =)

  3. diogo 17.11.2009, 19:33

    hehehe, curto mto esses fragmentos de diálogo!!