› 29 de setembro de 2009

Guia de Organização

Personal Guia de Organização Turística

CAPÍTULO 2 - ORÇAMENTO SEM COMPROMISSO

No capítulo anterior, em um dos passos para a definição do destino das férias, eu dizia para você calcular quanto a brincadeira custaria. Chegou a hora de mostrar como eu faço isso.

Se você gosta de estudar os destinos, essa é uma etapa maravilhosa, porque é o momento em que você começa realmente a viver as férias. É quando você estabelece um roteiro inicial, vendo quantas cidades merecem ser visitadas e quantos dias ficar em cada uma delas, pesquisa alguns hoteis para saber os preços e descobre algumas maneiras de fazer os trajetos internos. O projeto começa a se tornar realidade na sua frente e você passa a falar sobre a viagem com propriedade de quem entende um mínimo do assunto.

Esse é o lado bom.

O lado ruim é que, se você não for a Mãe Dináh, vai ser impossível saber exatamente quanto a viagem vai custar. Infelizmente, tem coisas que estão além do seu alcance. Não dá para calcular quanto você vai gastar com comida, os hoteis podem mudar os preços na época em que você for, as passagens podem subir ou descer. O que dá para saber é um valor aproximado da conta.

Siga os passos abaixo e veja como fazer. Mas, para garantir que você não vai quebrar na volta, tenha sempre em mente que tudo vai custar um pouco mais do que o calculado. Seja pessimista agora para ser feliz depois.

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- O tempo voa

Fui!

Antes de mais nada, defina quando você vai. Claro que você ainda não precisa saber exatamente as datas em que vai tirar férias, mas apenas a época. Isso é importante para ver se você vai na alta, na média ou na baixa estação, o que é básico para verificar valores de hoteis e passagens, já que eles sobem ou descem de acordo com a temporada.

Para ver quais são as melhores épocas em cada lugar, dê uma lida nos guias nas livrarias, pesquise em fóruns, visite o Lonely Planet e o Routard, coloque “(nome do lugar) melhor época” no Google e dê uma passadinha nesse site que eu descobri há pouco tempo, o Travelika.

Importante: lembre-se de que a melhor época não depende apenas do clima, mas também de eventos religiosos, feriados, férias escolares e um caminhão de outras coisas. Por isso, é importante pesquisar bem antes de decidir.

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- Melhor roteiro original

Senta e escreve

Com a época de viajar decidida, comece a esboçar um roteiro fazendo uma lista de cidades e regiões interessantes nos lugar aonde você está indo. Isso é fundamental para determinar quantos dias você vai precisar e, consequentemente, quanto vai ter que investir para ser feliz.

O primeiro passo para isso é pesquisar em sites de agências de viagens. Como eu disse no Capítulo 1, estas empresas costumam incluir apenas os lugares imperdíveis em seus itinerários, o que é uma boa luz neste início de trabalhos. Como dica de agências pesquisáveis, recomendo a Highland Adventures para roteiros mais aventureiros.

O segundo passo é a boa e velha pesquisa em fóruns, blogs, Lonely Planet e Routard. Este último é ótimo, porque geralmente aconselha itinerários de acordo com o tempo que você tem disponível para tirar férias (clique e veja um exemplo com o Chile).

Depois desta pesquisa de cidades, abra aquele seu velho Atlas do colégio e trace um caminho para a sua viagem. Não existe uma regra para isso, mas se você for entrar e sair da região pelo mesmo aeroporto, a lógica é fazer um círculo, evitando idas e vindas em lugares já vistos. Se você for entrar por um lugar e sair por outro, a lógica é encaixar as cidades de acordo com as suas distâncias, evitando deslocamentos muito longos no meio das férias.

Veja o exemplo do meu roteiro no Sudeste Asiático:

É tosco mais é sincero

A chegada à região aconteceu por Bangcoc. A partir dali, desenhei um círculo que só foi interrompido por Sa Pa e pela Baía de Halong, onde não havia alternativa que evitasse a passagem repetida por Hanói. De resto, um único sentido, saindo da capital tailandesa até voltar a ela.

Lembre-se de que a lista de cidades que você tiver em mãos poderá ser alterada no final disso tudo. O motivo é simples: são grandes as chances de você encontrar outros lugares interessantes ou se desinteressar por algum ao longo da sua pesquisa. Lembre-se que isso é apenas um esboço.

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- Nem um dia perdido

Amor, sua barriga fez barulho...

Com a lista de cidades em mãos, hora de pesquisar cada uma para saber quantos dias de atenção ela merecem. De novo, abuse da internet. Mas desta vez use mais o Google. Coloque “quantos dias (nome da cidade)” e veja no que dá.

Se isso não der resultado, tente o equivalente em inglês (”how many days”) ou procure em blogs e sites. À medida que os resultados forem surgindo, vá anotando o que os outros viajantes recomendam e coloque sempre um dia a mais em cada um, para poder cortar no final, se for preciso.

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- Mi hotel, su casa

Hotel Home

Agora que você já sabe para onde vai e quantos dias precisa ficar em cada cidade, é hora de tirar uma febre dos preços dos hoteis. Ao contrário do que você pode estar pensando, ainda não chegou o momento de decidir em qual hotel você vai ficar, mas apenas ter uma ideia de quanto custa um hotel do seu agrado onde você vai.

Existem vários sites com dicas e opiniões de viajantes sobre hoteis, mas eu costumo utilizar o Trip Advisor.

Trip Advisor

Lá, é só colocar o nome da cidade desejada no espaço indicado e esperar a lista de estabelecimentos. Você pode ordenar alfabeticamente, por popularidade, por preço e por classe.

Uma alternativa é procurar algum site “oficial” da cidade, já que eles normalmente têm indicações de hoteis. Ou ainda colocar “hotel (nome da cidade)” no buscador de sua preferência e ver no que dá.

Depois de encontrar um hotel que pareça bom é só calcular quanto você vai gastar nele, multiplicando a tarifa pelo número de noites esperadas.

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- Falta muito, pai?

Em três dias a gente chega!

Descobrir a melhor forma de ir de uma cidade a outra nem sempre é fácil. Às vezes não há muito para pensar, a única alternativa é um avião e ponto. Mas em outras, é preciso um bocado de pesquisa e paciência, e, para isso, nada melhor que a velha web.

Basicão

As palavras-chave nessa busca são “como ir (nome da cidade)”, e “de (nome da cidade) para (nome da cidade)”, com as variações para o inglês. Depois, é enfiar a cara nos links para ver o que outros viajantes recomendam.

Quando encontrar a(s) melhor(es) forma(s) de se deslocar, aproveite para tentar descobrir quanto custam as passagens, usando a mesma pesquisa.

Importante: nesta etapa, lembre-se que comprar as passagens aéreas internas junto com as passagens internacionais pode significar uma grande economia. Vale fazer muitas simulações nos sites das companhias de cada país, até ver a melhor opção para colocar no seu orçamento. Como exemplo, minha pesquisa para o Peru apontou uma diferença de R$ 1.000 entre uma eventual compra dos trechos separadamente ou em conjunto, pela LAN. Uma economia gigantesca. Infelizmente, algumas companhias não oferecem a opção de ver trechos múltiplos pela internet. Nestes casos, apurrinhe o pessoal pelo telefone mesmo e faça todas as suas simulações com a ajuda do atendente. Além de garantir um orçamento mais fiel à realidade, você ainda colabora para que estas companhias tomem jeito e ofereçam a alternativa digital.

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- Guia não é só de papel

Posso ir, dona?

Se você estiver planejando férias em um lugar civilizado, não vai ser preciso o acompanhamento de um guia. Mas se seus planos incluírem algumas aventuras selvagens ou países menos organizados e seguros, é possível que você precise de uma companhia profissional em determinados momentos. Desbravar cavernas de caiaque na baía de Halong, no Vietnã, não é recomendado para leigos desacompanhados, por exemplo. Então não esqueça de incluir isso no seu pré-orçamento, porque um serviço destes pode custar bem caro.

Para saber se você precisa ou não de um guia, corra para o Google, o Bing ou o seu buscador preferido e pesquise.

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- Saco vazio não para em pé

Beber água pode dar sede

Esta é a parte mais “chute” do orçamento, porque simplesmente não dá para descobrir exatamente quanto custa comer em um determinado lugar. Mas dá para ter uma ideia de se é caro ou barato.

La dolorosa

O que eu faço normalmente é visitar o Lonely Planet e dar uma olhada na seção Practical Information do país pesquisado. Ali é possível saber se ele é considerado uma pechincha ou uma exorbitância. Dependendo da resposta, é só acrescentar um valor médio a cada dia.

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- Peça a conta

Pior que cálculo renal

Depois de toda essa epopeia, some tudo e veja quanto deve sair a sua viagem. Sugiro que você converta os valores para dólar ou euro, para não correr o risco de ver todo o trabalho ir para o lixo em caso de mudanças bruscas no câmbio. E não esqueça que isso é apenas uma estimativa. A única intenção aqui é saber se existe a chance de você realizar o sonho ou se é melhor trocar o destino por outro mais barato.

Aliás, para ver se o outro é realmente mais barato, volte lá para cima e faça tudo de novo.

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Próximo capítulo: depois eu digo, ainda não defini.

- Gabriel Prehn Britto

Comentários

  1. DeniX 23.1.2010, 18:39

    O seu Guia me deu a “luz” que faltava. Estou preparando o roteiro da nossa próxima viagem e não sabia por onde começar. Com suas orientações práticas e divertidas tudo ficou mais fácil. A viagem será em Setembro mais quero começar o planejamento já. Excelente guia!

  2. Gabriel Prehn Britto 23.1.2010, 18:40

    Êêêê! Que bom! Tomara que seja útil! Valeu! =)

  3. Janira Borja 17.11.2010, 14:34

    Gabriel! Seu blog é incrível, adorei! Divertido e informativo (epa, rimou!) Voltarei mil vezes mais… Tô querendo muito fazer um blog de viagem também, super inspiração o seu canto..

    Beijo grande!

  4. Gabriel Prehn Britto 17.11.2010, 14:37

    Brigadão! =)