Espanha

Hoteis, futebol e marroquinos

(Atenção: este blog foi aposentado. No lugar dele, surgiu o Gabriel Quer Viajar. Vá lá. É muito mais bonito e tal.)

Normalmente eu dou sorte nos hoteis que escolho. Com exceção de pouquíssimos lugares onde tive problemas, sempre gostei de todos e em alguns até bati longos papos com os proprietários.

Lembrei disso neste sábado, quando revi algumas fotos das férias de 2006, no Marrocos e na Espanha. No meio de muitas imagens, encontrei esta:

Nada como um futebolzinho e um chazinho de menta

Sou eu assistindo a Real Madrid X Barcelona com os irmãos Ali e Youssef Oubassidi, e alguns empregados do seu hotel, o Ksar Bicha (o nome é estranho, mas não é o que você está pensando), em Merzouga, no Marrocos. A pequena cidade é na verdade um oásis no meio da parte marroquina do Saara e junto da região com as maiores dunas do país.

Neste dia, eu e minha mulher chegamos no hotel, depois de zilhões de horas de carro desde Marrakesh, e fomos recebidos com os sorrisos do pessoal do Ksar. Após o tradicional chá de menta de boas-vindas, fomos para o quarto, tomamos banho e coisa e tal, jantamos e estávamos descansando quando bateram na porta:

- Brasileiros, os Ronaldos estão jogando!

Na época, Ronaldo Nazário jogava no Real Madrid e Ronaldinho jogava no Barcelona. Os marroquinos, fanáticos por futebol, deduziram que os compatriotas não gostariam de perder aquele jogão e foram nos chamar. Apesar de não ser fã do esporte, não pude perder a oportunidade de assistir a uma partida daquelas junto de pessoas tão diferentes e no meio do Saara. Foi inesquecível.

Hoje, Ali Oubassidi é meu contato no Facebook e volta e meia pratico meu francês com ele. Foi ele quem me encontrou na rede, mais de dois anos depois da minha visita ao seu país. Foi a primeira vez que vi um dono de hotel fazer isso.

É, eu dou sorte com os hoteis que escolho.

Argentina

10 restaurantes de Buenos Aires - por André Takeda

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Foto roubada do Flickr do André Takeda

André Takeda era redator publicitário em Porto Alegre antes de ir para São Paulo e virar escritor também. Hoje trabalha na Fox Latin America Channels, faz fotos sensacionais, escreve no Peixes Banana e - voilà! - vive em Buenos Aires há quase 5 anos.

Um brasileiro de extremo bom gosto que mora em BsAs. Fale a verdade: ninguém melhor para dar dicas de restaurantes na cidade, não é?

Pois o Takeda fez a gentileza de indicar os seus 10 restaurantes preferidos por lá. Veja a lista, clique para saber mais informações, anote e aproveite as passagens baratas para conferir todos.

1: Sudestada

2: Sarkis

3: La Cabrera

4: Brasserie Petanque

5: Palitos

6: Masamadre

7: Sirop Folie

8: Bengal

9: Nectarine

10: Brunch do Palacio Duhau

UPDATE: O Takeda acabou de enviar mais um. Agora você tem 11 motivos para viajar.

11: La vinería de Gualterio Bolívar

UPDATE 2: O pessoal do Destemperados gostou e enviou o link com a lista deles também. Mais do que nunca, preciso negociar um feriado no trabalho para pintar em BsAs.

Mongólia

Não mais entre os mongóis

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Egon está de volta ao Brasil e a Porto Alegre. Aguardo ansiosamente pelas fotos e pelos relatos ao vivo, e comunicarei aqui as prováveis palestras que ele fará na STB.

Pra finalizar, uma foto com a cara do cara, pra quem não conhece e nunca visitou o site dele.

Bonito esse chapéu, hein?

Mongólia

Entre os Mongóis - 11

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Tá, eu sei que isso aqui tá parecendo o blog do Egon. Mas o que eu vou fazer se o cara tá na Mongólia e eu morro de vontade de ir para lá? Eu preciso mostrar o que ele escreve!

Desta vez não é nenhum lugar em especial dentro do país. É “apenas” um post sobre o companheiro das viagens por lá: o jipe. Fotos do site do fabricante do jipão.

Deve funcionar até com vodca

EGON SACOLEJANDO NO JIPE UAZ

Sain bainuu,

Tem gente me perguntando se estou andando de cavalo ou camelo nesta expedicao pelo interior da Mongolia, qual eh o meio de transporte. Utilizamos os valentes jipes russos UAZ - Ulyanovsky Automobilnt Zavoo, fabricados a 700 km de Moscou desde a 2a Guerra Mundial. O modelo continua o mesmo ateh hoje e eh conhecido como “THE BEST OFF-ROAD” em toda a Asia - nao tem Land Rover, Landcruiser ou Bandeirantes para competir, eh bom demais.

Nestas ultimas 6 semanas, a expedicao passou por “estradas”, trilhas, buracos, rios, areia, lama, etc - e os 3 UAZ modelo 2206 seguiram firmes. Eles se parecem com uma kombi, mas sao mais largos e muito altos do chao, 4×4, suspensao com feixes de molas 3 vezes maiores que os do Toyota Bandeirantes e motor entre o motorista e o carona. Se nao pegavam via ignicao/bateria bastava ir na frente e girar uma manivela para partir o motor.

Na verdade, deve funcionar MELHOR com vodca

Levavamos muitas bombonas com agua, combustivel, barracas, mochilas, mantimentos e pecas reserva - seguiamos sempre carregados prontos para as roubadas, afinal o clima na Mongolia eh imprevisivel. E um dos detalhes mais legais eh que eram estofados nas laterais e no teto - nao doia tanto as pancadas nos saltos nas trilhas… hehehe. E haja Dramin. Em cada jipe iamos em 3 ou 4 passageiros. Alias, para os passageiros de tras tambem tinha uma mesinha, acho que eh projetada para as rodadas de vodka…

Atolamos na lama (a ponto das portas nao abrirem mais, de tao fundo). Atolamos em areia. Um UAZ teve o motor fundido. Outro o motor de arranque queimado. Mas nada parava o trio - um rebocava o outro, motor era desmontado completamente no meio do deserto e arrumado aa base de martelada… diversao de marmanjo garantida… hehehe

Bayartai,
Egon

Guias

Amigos no mundo todo

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Adorei muito isso aqui que descobri na Folha Online de hoje:

Muy amigo

Rent a Local Friend. Um grupo de pessoas que se oferecem para acompanhar viajantes em terras estrangeiras. Não são guias, porque não levam você apenas para os pontos turísticos (a não ser que você queira). Eles levam você àqueles lugares que só quem vive nas cidades conhece, tudo de acordo com a sua preferência. Bem como um amigo faria mesmo.

Quando vivi em Praga, lá entre 2000 e 2001, pensei seriamente em trabalhar como guia particular para brasileiros. Cheguei a comprar livros de história para estudar tudo direitinho, mas depois desisti quando percebi que eu amava demais aquela cidade e que não conseguiria lidar com eventuais clientes que ficassem reclamando do humor “peculiar” dos tchecos.

Agora, essa ideia deles aí, de não ser apenas um guia, mas um “amigo”, é sensacional. Será que eles não querem um representante em Praga? Tô me candidatando.

Mongólia

Entre os Mongóis - 10

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Já imaginou encarar Gengis Khan na Mongólia? O Egon encarou e escreveu pra dizer como foi.

Como de praxe, fotos do Flickr.

Foto: Le Hub (Flickr)

EGON ENCONTRANDO GENGIS KHAN

Sim, ele estah muito vivo e bem, obrigado: em selos, dinheiro e outdoors, eh nome de bar, vodca, cerveja, avenida, restaurante, hotel, etc. Ele eh, na verdade, motivo de orgulho nacional da Mongolia.

Apesar da imagem que outros paises fazem dele (cruel e sanguinario), os habitantes locais reverenciam Gengis Khan por simbolizar forca, unidade, ordem e lei. Quando nasceu, em 1162, os mongois nada mais eram do que uma confederacao de clans rivais. Aos 20 anos recebeu este nome, que significa “ Rei Universal”.

Uniu os mongois sob sua lideranca, cavalgou sobre a China e a Russia. Quando estava voltando para casa, soube do assassinato de seus embaixadores na Asia Central. Voltou-se com furia, marchando sobre o Kasakhistan - onde pessoalmente derramou prata fundida nos olhos do sultao local.

Os mongois eram mestres na guerra psicologica: cidades que se rendiam sem lutar eram poupadas, as que resistiam nao sobrava nada nem ninguem (para induzir a rendicao nas proximas…). E a chave para o sucesso de sua maquina de guerra eram os cavalos e seus arco-e-flecha muito superiores aos dos outros povos (as flechas alcancavam 250m e os rivais apenas 100m). Gengis Khan conquistou da China ateh o Mar Caspio, incluindo boa parte da Russia. Seus filho e neto continuaram sua “obra”, avancando ateh o Egito, Polonia e Hungria. Foi, simplesmente, o maior imperio continuo jah visto na face da terra!

Mas foi um general chines que sentenciou: “Um imperio conquistado sobre o cavalo nao pode ser assim governado…”. E tudo acabou no seculo XIV - para alivio generalizado da Europa, Africa e Japao…

Pois estavamos sacolejando no interior do rustico jipe russo pela estrada quando, inesperadamente, lah esta ele: com cerca de 30 m de altura, sobre seu cavalo, Gengis Khan fitava as estepes sob seu dominio. Toda de aco-inox, polido e brilhando, esta estatua simboliza o orgulho dos habitantes atuais da Mongolia. Imponente e impressionante.

Foto: theOriginalLimey (Flickr)

Descobri que se podia subir no interior do mesmo, chegando ateh a cabeca do cavalo. E lah estava eu, cara-a-cara com Gengis Khan!!! No meio das estepes gramadas a perder de vista, confesso que foi meio magico o momento.

Bayartai,
Egon  www.egonf.com

Mongólia

Entre os Mongóis - 9

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A hospitalidade local em mais um relato do Egon na Mongólia. A primeira foto é da maravilhosa Lucie Debelkova. As outras são de outros fotógrafos do Flickr.

Um ger

EGON E OS GERS

Sain bainu (ola, como vai - em mongol),

Por ser essencialmente nomade, estima-se que mais da metade da populacao da Mongolia viva em Gers, aas vezes conhecidos como yurts (palavra de origem russa). Consiste essencialmente em uma tenda de formato circular e teto baixo, arquitetura excelente para resistir aos fortes ventos invernais das estepes. Sao feitos de feltro, com armacao em trelicas de madeira e cobertos com uma lona branca, com a chamine saindo pelo centro (aqui faz -40 C no inverno!). No verao, a parte de baixo eh dobrada para cima, permitindo assim uma boa ventilacao.

Pois eu estava caminhando por entre montanhas e vales gramados de manha cedinho, quando avistei um rebanho de cabras e uns cavalos junto a um Ger, possivelmente de uma familia de nomades. Mas, chegando a uns 300m, os 2 cachorros acoaram e correram em minha direcao - com cara de poucos amigos. Todos Gers tem seus cao-de-guarda, cachorros pretos grandes, maiores que o pastor-alemao, e com cara de brabos. Eu? Bem, apos cristalizar por alguns segundos com o frio da espinha, gritei:

- Nokhoi khorio! (segura os buldogues, em mongol - frase essencial para a sua integridade fisica no interior da Mongolia).

E veio o dono gritando algo para os cachorros (eu acho), e eles pararam, para meu alivio - ufa!

A hospitalidade eh ponto caracteristico da cultura nomade e, entrando na seguranca do Ger, o dono jah encheu a tigela e me deu, para tomar como drinque de boas-vindas, o airag - leite de egua fermentado (tem uns 3% de alcool). E tomei tu-di-nho…

Foto: alastairslade (Flickr)

Por dentro, o Ger me pareceu realmente confortavel. A porta de madeira, sempre colocada para o lado sul (considerado auspicioso), era toda pintada de laranja, com desenhos geometricos coloridos. No lado oposto estah um pequeno altar budista, inclusive com a imagem de Dalai-Lama. A parte da esquerda eh da mulher, com objetos da cozinha e carne seca pendurada (para o inverno), sendo que o fogao ocupa a parte central do Ger - o fogo eh considerado sagrado. Tudo muito simples, minimalista como devem ser os bens materiais de nomades.

Foto: Arriving at the horizon (Flickr)

Papo vai e papo vem, em mimiquez, entendi que vivem ali criando cabras - cavalos sao para o leite e o transporte. A filha pequena soh me entreolhava, desconfiada, das cobertas…

E assim tomei meu cafe-da-manha: queijo de leite de cabra (amargo e duro como pedra), mais airag (jah estou ateh gostando, hehehe…) e buuz (parece com enormes capeletes, recheados com carne ?, mergulhados em chah de leite de cabra salgado). Hmmmmm…

Retruibui a hospitalidade com as barras de chocolate (era o que eu tinha na mochila) e, entre muitos sorrisos, me despedi da familia (nokhoi khorio!).

Bayartai,
Egon   www.egonf.com

PS.: Em alguns dias eu tive a oportunidade de dormir em Gers: dormi bem e profundamente. Dizem que devido aa sua forma redonda, nao tem cantos, o mesmo nao acumula energias negativas. Desta maneira, dormir em um Ger rapidamente remove a agitacao das pessoas…

PS2.: A paisagem aqui na Mongolia eh, principalmente, de campos e coxilhas. Em uma visao romantica, dizem que os Gers sao como perolas brancas colocadas sobre um tecido de seda verde…

Foto: n0madical (Flickr)

Mongólia

Entre os Mongóis - 8

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A vontade de conhecer a Mongólia aumenta a cada e-mail do Egon. Fotos do Flickr.

Foto: Gimbo (Flickr)

EGON NO INCRÍVEL LAGO KHOVSGOL NUUR (Siberia)

Sain bainu (olah, como vai - em mongol)!

O Lago Khovsgol Nuur fica no extremo norte da Mongolia, junto aa divisa com a Siberia/Russia. Eh uma entrada do territorio mongol dentro da Siberia, onde a vegetacao eh formada pela taiga, a floresta  boreal de pinheiros. Na verdade, a maior parte da Siberia pertencia aa Mongolia - incluindo o famoso Lago Baikal, que fica somente a cerca de 100km a leste do Lago Khovsgol Nuur.

Esta regiao eh, possivelmente, a mais bonita do pais. Um lago de agua cristalina (com tom azul-turquesa) e limpissima, em um ambiente alpino da floresta de pinheiros verde-claros, com flores explodindo em cores por entre a grama, ceu azul e montanhas com 3000m de altitude na sua volta. Cena de cartao-postal.

Mas eh frio, mesmo agora no verao. Aa noite a temperatura cai a quase zero, ficando em agradaveis 15 C durante o dia (mas, no inverno, tudo congela com os -50 C…). Aqui o solo eh classificado como “permafrost”, ou seja, o solo estah permanentemente congelado por pelo menos 5m de profundidade.

Com a barraca montada a 3m da agua, acordei com o nascer-do-sol. Jah saih com a maquina fotografica na mao, pois as mudancas de cores do ceu no alvorecer foram espetaculares. E o contraste do encontro da floresta de pinheiros com o lago alpino azul-turquesa, separados apenas por uma estreita faixa de praia de pedrinhas arredondadas brancas eh uma imagem-show, ainda mais com a baixa luz do inicio da manha.

Cheio de energia, subi uma montanha chamada Tsatai Ekh Uul (levei 4 horas para subir os 1000m…). Parecia que eu estava caminhando em um jardim florido, com flores de todas as cores - em alguns momentos o verde da grama desaparecia… E, lah no topo, que visao fantastica: o azul Lago Khovsgol Nuur com seus 140×40km, montanhas (algumas somente de rochedos, outras com a floresta de taiga) cercando o mesmo e, lah ao longe, o pico nevado que faz divisa com a Siberia/Russia. Desci for um desfiladeiro, escorregando ateh 3m a cada passo nas pedras soltas - confesso que foi “meio” emocionante esta descida (o angulo era de 60 graus, talvez 70…). E, apos cerca de 2 horas, cheguei aa beira do lago novamente: me deitei na prainha e dormi pelo menos 30 mim - eu estava exausto.

Quando pretendia reiniciar a caminhada de volta ao acampamento, um enorme arco-iris se formou sobre o lago - cena digna de se guardar na memoria (e fotografar, afinal nao confio muito na minha… hehehe).

Bayartai,
Egon www.egonf.com

PS.: Mas as 3horas restantes de caminhada para chegar ao acampamento foram bem dificieis - nem uma carona com algum nomade a cavalo apareceu. Mas cheguei - foram 14 horas de caminhada puxada, acho que estou meio fora de forma…

PS2.: Suado, nao tive alternativa: me joguei na agua congelante (3 graus), dei umas bracadas e saih rapidinho, tremendo de frio… brrrrrrrr. Me sequei, coloquei roupas limpas, sentei aa beira da fogueira, comi alguma coisa e curti a magia do lugar… e desmaiei de exaustao/sono na barraca!

Foto: gremillot (Flickr)

Asia

Entre os Mongóis - 7

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E no meio de um dos desertos mais quentes do mundo, o Egon conseguiu encontrar gelo.

Bom, saber. Quando for para lá, levarei uma garrafinha de uísque.

(Foto: www.dailytravelphotos.com - Flickr)

EGON ENCONTRANDO GELO NO DESERTO

Eu estava caminhando dentro de um canion chamado Yolyn An (”Boca do Abutre”, em lingua local), dentro das Montanhas Zuun Saikhan Uul no Deserto de Gobi da Mongolia, quase divisa com a China. Fazia um calor de pelo menos 40 C, mas as paredes eram muito proximas - abertura variando de 50 m a apenas 1 metro! Eu olhava para cima e enxergava somente uma faixa de ceu azul acima das escarpas de ateh 300m de altura. Nos meus pes corria um filete de agua muito fria.

De repente, gelo. Sim, blocos de gelo de mais de 1 metro de altura se esgueirando pelo canion. Na verdade eh neve compactada, remanescente do inverno passado. Como nesta parte do desfiladeiro nao hah incidencia de raios solares, o gelo demora muitos meses para derreter - pois no inverno chega a acumular 20m de altura por mais de 10 km! E tirei foto para comprovar, pois gelo no Deserto de Gobi, um dos locais mais quentes e secos da Terra, parece estoria de pescador…

Montamos as barracas em um desfiladeiro proximo (Khautsgait), aproveitando a rara presenca de uma fonte de agua. As montanhas sao extremamente aridas, com cristas de rochas subindo em todas direcoes - esta regiao eh tambem resultado da colisao da placa tectonica da India com a da Eurasia (pode-se dizer que esta eh uma pre-pre-cordilheira do Himalaia). E se tem agua, lah vou eu: aa beira do pequeno curso dagua, peguei uma tigela de agua congelante e me esbaldei. Lavei a roupa (agua saiu marrom), lavei o cabelo (agua saiu marrom) e lavei o corpo (agua saiu marrom). Lavei tu-di-nho… e bati queixo de frio o tempo todo… brrrrrr. Ateh a barba eu fiz!!!. Renovado geral, nem me reconheci no improvisado espelho amarrado no tripeh (mais uma utilidade para o mesmo… hehehe).

E, no final da tarde (aui isto significa 21-22hs), subi por entre os paredoes de pedra ateh o topo, uns 300m acima do acampamento. E que visao fantastica de 360 graus eu tive lah de cima: as montanhas, os desfiladeiros e as rochas pintadas de laranja do por-do-sol - junto aas planicies secas do Deserto de Gobi.

Bayartai,
Egon

PS.: As mensagens de internet aqui vao de camelo…

PS2.: Tem gente me pedindo imagens - ainda nao tenho technologia para mandar durante a viagem. Se quiserem ver algumas fotinhos da viagem anterior deh uma olhada no sitezinho que estou iniciando: www.egonf.com - tem umas boazinhas.  :)

Cias. Aéreas

Milhas e milhas distante das milhas

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Eu estava caminhando por um bosque em uma cidadezinha perto de Praga, conversando com meu amigo Martin, o pai da Valentina, quando ele me colocou uma dúvida na cabeça. Falávamos sobre programas de milhagem de companhias aéreas e eu perguntava como estavam suas milhas, já que ele e Guiga costumam vir muito ao Brasil. Martin respondeu que eles não concentram milhas em nenhum lugar, simplesmente compram as passagens mais baratas que encontram.

Num primeiro instante, fiquei pasmo. Perguntei por que e sua justificativa foi simples.

Martin acha que o preço pago para se manter em uma determinada companhia aérea acaba sendo alto demais e que as condições impostas para se conseguir um bilhete gratuito ou um upgrade de classe praticamente impedem a conquista do prêmio ou adiam a barbada por muito tempo. Por isso, ele prefere comprar nas empresas mais baratas, guardar a diferença e, depois de algum tempo, usar essa economia para comprar um bilhete “grátis” de econômica ou executiva.

No início achei que era um exagero, mas fiquei tentado a concordar quando comecei a pesquisar preços de passagens para a falecida viagem ao Irã e encontrei uma mensagem no site da KLM. Era uma mensagem bem clara: o bilhete que eu tinha escolhido não permitia upgrade de categoria. Foi a primeira vez que vi aquilo.

Resolvi ir mais fundo na história e fazer os cálculos para confirmar ou não a tese dele. Mesmo sem muita intimidade com a matemática, percebi algumas coisas.

Com quem serei fiel desta vez? (Foto: Globalist360 - Flickr)

1) Conquistar uma passagem-prêmio para a Europa é absurdamente difícil. Um bilhete São Paulo-Paris-São Paulo, por exemplo, pede incríveis 80 mil milhas no Flying Blue, da Air France-KLM. Levando em consideração as 5.000 milhas creditadas neste ano nos voos para a Europa, ainda vou precisar fazer umas 10 viagens similares para chegar neste montante. Ou seja, lá por 2020, depois de 12 anos de fidelidade, conseguirei uma passagem que me custaria hoje R$ 1.821. E olha que eu ganhei 24 mil milhas na viagem para a Ásia, porque, se dependesse de viagens pra Europa, eu precisaria de 16 anos de férias. É mais ou menos um prêmio de 113 reais por ano para ser fiel à companhia.

2) Utilizar as milhas para fazer upgrade não parecer ser uma opção melhor. No exemplo acima, o bilhete executivo da Air France custaria R$ 6.430. Só que para fazer um upgrade de econômica para a executiva, eu precisaria de pornográficas 104 mil milhas, ou mais 15 viagens para a Europa.

3) Entender as regras para conseguir estes prêmios também não é bolinho. Para saber quantas milhas eu precisaria para o upgrade acima, precisei ligar para a companhia, porque no www.airfrance.com.br não existe essa informação. Lá, a conclusão que se chega é que eu não posso voar do Brasil para a Europa usando apenas milhas.

4) Os programas de milhagem de outras companhias não parecem ser muito melhores. Pelo site da Star Alliance (Lufthansa, Tap, South African, entre outras) também se conclui que não é possível ir do Brasil para a Europa free of charge. O site da One World (British, Iberia, Lan, entre outras), é igualmente confuso. E ambos também pedem quantidades faraônicas de milhas para qualquer coisinha.

6) Usar suas milhas para viagens internas na Europa? É uma opção, claro, mas não é muito inteligente. Qualquer perninha por lá vai custar umas 20 mil milhas, o equivalente ao economizado em 4 viagens Brasil-Europa-Brasil, sendo que por pouquíssimos euros se compra uma passagem low cost entre países do continente.

7) Recentemente o Flying Blue mudou suas regras e deixou tudo mais difícil para os clientes. Ou seja: a conquista de uma passagem gratuita está sujeita a mudanças de humor das companhias. Meu cálculo de hoje pode ser reduzido a pó amanhã e os 12 anos previstos podem se transformar em muitos mais.

8 ) Seu cartão de crédito pode ajudar a conquistar milhas. Mas com a taxa de conversão de gastos para pontos praticada hoje, e se você for um brasileiro assalariado como eu, você precisa concentrar absolutamente todos os seus gastos nele. Pode ser fácil, sei lá.

Sim, suas milhas podem levar você longe, mas vai demorar...

Com todo esse megaestudo científico, cheguei a algumas conclusões:

1) Se você costuma viajar apenas para a Europa, uma vez por ano e sempre de classe econômica, sua paciência vai precisar ter o tamanho do Oceano Atlântico para conquistar o tão sonhado bilhete grátis. Como eu disse ali em cima, levando em consideração as milhas dos meus últimos vôos entre cá e lá, serão necessárias 16 viagens.

2) Vale a pena ser fiel? Vale, se o preço da sua companhia for sempre muito similar ao mais barato que você encontrar. Se for muito mais caro, desapegue e vá por outra, porque você está sendo corneado por quem quer a sua fidelidade.

3) Talvez a melhor opção mesmo seja voar e logo transferir os pontos acumulados em voos com companhias estrangeiras para os programas de milhagens das suas parceiras brasileiras. Nunca tentei conseguir um bilhete grátis da Tam, mas amigos já me disseram que é fácil. Sei que o Smiles da Gol é bem simples, pelo menos durante essa promoção Milhas Reduzidas. Se for sempre assim, seria uma ótima ter milhas sobrando para viajar pelo Brasil durante o ano todo.

4) Obviamente, ignore tudo que eu escrevi se você é daqueles que viaja o mundo todo a trabalho e ganha mais milhas que salário. Aliás, não quer me dar umas, não?