› 20 de julho de 2009

Guias

Guias X Web

IPhone? Só daqui a 50 anos, my lord. (Foto roubada do Google Images)

Tempos difíceis aqueles em que meu avô materno saía para desbravar o mundo. Tempos em que não havia nem 10% das barbadas que hoje nós encontramos antes de embarcar para algum lugar distante e desconhecido. Cartão de crédito internacional, por exemplo, não existia. Tinha que sair de casa com dólares escondidos por todos os bolsos, torcendo para não ser roubado nem encontrar nada muito maravilhoso e caro pela frente, porque não dava para comprar, não era possível saber se as notas durariam a viagem inteira. Procurar hoteis era uma epopeia. Era preciso correr atrás de guias e agentes de viagem, ver as dicas de lugares e ligar para tentar fazer uma reserva. Aliás, até a ligação era uma dificuldade, porque era cara pra cacete e os criadores do Skype nem sabiam fazer xixi sozinhos.

Foi impossível não lembrar das histórias do seu Walmor depois que escrevi o post sobre o valor (alto) dos guias de viagem frente à facilidade com que conseguimos informações hoje na internet. Logo depois de publicá-lo, pesquisei um pouco sobre o assunto e descobri, em casos mais extremos, neguinho viajando só com seu iPhone, procurando informações sobre os lugares apenas na hora em que chega lá ou pouco antes de ir. Pessoalmente, gosto muito de pesquisar/estudar os destinos antes de embarcar, mesmo assim achei sensacional essa ideia de sair sem nenhum planejamento, contando apenas com a boa vontade das pessoas e com um wi-fi gratuito.

(By the way, seria possível fazer uma viagem que dependesse de wi-fi gratuito no Brasil?)

A questão é que hoje é realmente muito fácil colocar o pé na estrada e o mercado de guias de viagem já anda preocupado com isso há tempos, como vi nessa matéria do londrino The Sunday Times, publicada há exatos dois anos. Nela, o editor do blog de viagens do jornal pergunta se o fim dos guias impressos está próximo e é rebatido por uma editora. Ambos têm argumentos fortes e, no fim das contas, tudo leva a crer que o fim ainda não está próximo.

Eu sou seu guia amanhã

Bem, isso foi há dois anos. De lá para cá as coisas mudaram pra caramba. Sabe-se lá quantos blogs de viagem surgiram (este que você está lendo foi um), quantos sites e redes sociais dedicados ao assunto foram criados, quantos países melhoraram suas redes de internet e agora disponibilizam wi-fi gratuito para todos, quantas cidades são cobertas pelo Google Street View e quantos aplicativos para iPhone foram desenvolvidos pensando nos viajantes. Este aqui embaixo, por exemplo, é recente e é uma maravilha:

Pois é. Se há dois anos a morte dos guias impressos ainda era incerta, hoje o caminho para o fim parece estar um pouco melhor pavimentado. Eu continuo gostando de ler e guardar meus guias e, como não tenho smartphones nem ao menos um iPod Touch, ainda dependo de papel para ter informações durante a viagem. Mas é uma questão de tempo para que os preços destes mimos caiam, as conexões livres aumentem e eles virem algo comum nas mochilas dos aventureiros. Mesmo enquanto isso não acontece, já é evidente que a fase de preparação foi facilitada e que não é preciso comprar livros para ela. O que faz os preços dos guias vendidos no Brasil parecerem ainda mais absurdos.

- Gabriel Prehn Britto

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