República Tcheca
Voltar 8 anos depois
É um sentimento estranho voltar para Praga mais de 8 anos depois de ter vivido aqui. Eu estava com uma expectativa enorme em relação a esse sentimento e não sabia como reagiria ao rever meus lugares preferidos. Tinha medo que a sensação fosse de perda quando percebesse que tudo o que passei pertence agora ao passado e não tem mais como acontecer de novo.
Mas não foi nada disso. Nada de emoções avassaladoras. Nem mesmo passar na minha ex-rua e ver o meu ex-prédio me arrepiou. A impressão que tive era de que simplesmente estava voltando para um lugar que eu gosto muito e conheço muito bem. Não que seja ruim, mas, como eu disse, minha expectativa era de uma enxurrada de emoções e no entanto revi alguns marcos da cidade e parecia que a última vez que eu tinha visto eles havia sido na semana passada. É isso: parece que eu fui embora de Praga na semana passada.
Também foi estranho ter a impressão de que Praga é menor do que eu lembrava. Acho que isso aconteceu por ter passado 8 anos olhando apenas fotos, que sempre dão essa sensação de que tudo é menor e mais distante do que é na realidade. O Castelo de Praga, por exemplo, é logo ali, depois do Vltava, e não lá longe. As ruas não são tão largas e nem a Vaclavské Námestí é tão longa.
Mas o campeão do bizarro foi ir ao meu restaurante preferido, o Potrefena Husa. Ele continua igualzinho, idêntico, sem absolutamente nenhuma mesa em lugar diferente. Até o pato empalhado e pendurado no teto está lá, bem mais sujo por 8 anos de fumaça de cigarro sendo jogada sobre ele, mas está lá, na mesma posição, “voando” para o mesmo lugar. Tudo perfeito para um revival histórico, um encontro memorável entre eu e o meu prato preferido: o gulash vienense. Fiz o pedido sem nem olhar o cardápio. Ele chegou na mesa, olhei, abri, cheirei, enchi a colher e… putz, nem o reencontro com o meu prato foi o que eu esperava. Muita cebola, tempero muito forte. Parece que nestes 8 anos os meus gostos culinários também mudaram.
Foi estranho mesmo. Me senti um pouco frio, ingrato com a cidade. Queria ter sentido mais emoções, mas não aconteceu. Cheguei à conclusão de que minha estadia aqui vai ser quase uma continuação do tempo em que morei, com algumas modificações (a minha melhor amiga como moradora e a lindíssima Valentina são as melhores delas).
Será que Praga nunca mais vai ser diferente para mim?
- Gabriel Prehn Britto


carol 7.5.2009, 10:32
oioioi…. puts, eu passei por isso com amsterdam. 8 anos depois cheia de emoção e medo de me reencontrar lá. e foi tudo assim, igual e menos romântico do que eu esperava. nós é que mudamos amigo. crescemos e temos uma vida ótima - mesmo que inacreditavelmente - em porto alegre.
e praga agora faz parte de ti sem fantasias, né? saudade de vcs. aproveitem.
carmela 10.5.2009, 19:37
não foi praga quem mudou! foi tu!