É normal escutar pessoas dizendo que fogem de McDonald’s quando estão no exterior. Parece que comer nas lanchonetes americanas é uma vergonha, uma mancha no currículo de um verdadeiro viajante, aquele cara que aproveita o mundo de forma mais intensa do que os simples turistas (bobagem sobre a qual escreverei em outro post). Mesmo que seja apenas para chegar na França e pedir um “royale with cheese” ou um “le Big Mac”, só para botar banca de personagem do Tarantino, entrar em um McDonald’s é, teoricamente, proibido para quem quer viver a viagem. Nem em último caso se deve fazer isso.
Eu tenho outro percepção do assunto, desenvolvida entre 2000 e 2001, quando viajava pela Europa Central. Para mim, o McDonald’s é a melhor primeira refeição que se pode fazer quando se chega em algum país.
Explicarei.
O momento da chegada é sempre confuso. A gente não sabe direito o valor das coisas, não tem ideia de quanto se paga por uma refeição decente, não tá muito por dentro da culinária local e, mais importante, está morrendo de fome (pelo menos eu estou sempre faminto). Até onde eu sei, os lanches do McDonald’s têm mais ou menos o mesmo nível de valor dentro da economia local no mundo todo. Eles nunca são extremamente caros nem ridiculamente baratos. Ou seja, são uma refeição de valor médio. Tá aí o primeiro motivo para se escolher um restaurante da rede: matar a fome com a certeza de não estar sendo totalmente enganado pelo preço por não ter noção dos valores dos restaurantes locais. Assim, consegue-se um prazo para se adaptar à moeda local antes de escolher um restaurante diferente.
Tirando o motivo econômico de lado, vem o motivo cultural. Ao contrário do que o pessoal mais radical pensa, o McDonald’s não é uma ameaça às cozinhas típicas e nem uma pasteurização dos pratos mundo afora. Em todos os lugares onde tive a oportunidade de visitar uma filial da loja do Ronald, encontrei pratos bem diferentes dos que temos no Brasil. Claro que os Big Macs e os campeões de vendas estão sempre lá, mas ao lado deles estão opções criadas de acordo com a preferência local, sem falar nas bebidas e nas sobremesas. Por isso o Mac de Fes, no Marrocos, vende sanduíche feito com pão árabe. Por isso, os restaurantes da rede em Viena oferecem doces maravilhosos. Por isso, comi um belo pastel de nata num Mac em Lisboa. E por aí vai. Por mais que soe como uma heresia para alguns, comer em um McDonald’s é também uma forma de conhecer algumas preferências da cozinha local.
Obviamente, eu não como Mac em todas as refeições em viagens, porque faço questão de experimentar pratos típicos (sem bizarrices). Mas se eu enxergar aquele M amarelo gigantesco na cidade e se eu ainda não tiver ido em outra loja deles no país, pode ter certeza de que vou lá ver o que tem de diferente para mim.