República Tcheca

A origem dos nomes

Entre os livros que ganhei de presente de aniversário dos meus pais está um que eu já vinha namorando havia tempo: A Origem dos Nomes dos Países, escrito pelo argentino Edgardo Otero. Minha atenção por ele existia por dois motivos. O primeiro era porque eu sabia que ali havia, senão uma lista completa, ao menos uma boa lista de países existentes no mundo. Não me pergunte porque isso me atraía, eu não sei. Apenas me agradava a idéia de poder ter uma lista confiável de países para pesquisar. O segundo motivo é a curiosidade que me ataca sempre que eu decido viajar para algum lugar. Como eu procuro estudar o máximo possível a cultura do país escolhido, sempre tenho vontade de saber porque raios aquele lugar tem aquele nome. Logo, um livro explicando isso seria uma grande ajuda.

À primeira vista, gostei. Ele não explica a origem dos nomes simplesmente, mas coloca, também, um pouco da história do lugar, para que o leitor possa entender as idas e vindas das denominações.

Como a próxima viagem é praticamente inteira na República Tcheca, é óbvio que corri as páginas para lá, em busca das origem “gentílicas” dos tchecos. Minha primeira surpresa foi não encontrar nada depois de Portugal e antes de Romênia. Onde estava a República Tcheca, então?

Resposta: em Tchéquia.

Segundo o autor, em maio de 2004 os senadores tchecos assinaram um memorando sugerindo a difusão do nome Česko (pronuncia-se “tchesco”) dentro e fora do país. O memorando propunha que a República Tcheca passasse a ser chamada de Chequia em espanhol, Tchéquia em português, Czechia em inglês, Tchequie em francês e Tschechien em alemão. Apesar da proposta ainda não ter sido oficializada, ele resolveu acatá-la e a colocou assim no seu livro.

Passada a surpresa inicial, gostei da explicação da origem do nome tcheco. Ele deriva da alcunha de um guerreiro eslavo cuja história é pouco conhecida, que conseguiu solidificar a presença do seu povo na região da Boêmia. Seu nome era Tchék e, a partir dele, os habitantes da região pasaram a ser conhecidos por tchecos ou tcheques.

Se é verdade, não sei. Mas como até hoje não vi nenhuma outra história sobre o assunto, fico com essa.

Índia

Índia, em inglês, no STB Brasas

Para quem estiver acompanhando a nova novela das 20h da Globo, para quem estiver planejando uma viagem, para quem só tiver curiosidade mesmo ou para quem quiser ficar longe do Little Joy (como eu), nesta terça-feira, dia 27, acontece um Brasas Chat sobre a Índia, na STB Brasas. O apresentador é o mega-viajado Beto Conte.

O Brasas Chat começa às 19h30 e, vale lembrar, é todo em inglês.

O endereço da STB é Anita, 1515. E o telefone para reserva de lugares é 4001.3010.

Tentarei estar lá.

Asia

Os Gritos do Silêncio

Aproveitei essa notícia para escrever sobre um dos filmes que eu considero os mais importantes a serem vistos antes de viagens. Coincidentemente, ele passou domingo na tv (não lembro em qual canal) e eu tive a oportunidade de revê-lo pela primeira vez depois de voltar da jornada ao qual está ligado.

O filme é o impressionante Os Gritos do Silêncio. Ele conta a história real de Dith Pran um cambojano que trabalhou de assistente e intérprete de Sydney Schanberg, correspondente do The New York Times no país pouco antes da chegada do Khmer Vermelho ao poder. Como era cidadão cambojano, Dith Pran não conseguiu fugir junto com os últimos estrangeiros, apesar dos esforços de Schanberg, e foi enviado para os terríveis campos da morte criados por Pol Pot, o líder do Khmer Vermelho e o ditador mais sanguinário da História.

Depois de presenciar assassinatos brutais, fazer trabalhos forçados e viver na absurda miséria imposta pelos ditadores ao povo, Dith Pran, milagrosamente, conseguiu fugir para a Tailândia, onde reencontrou Schanberg (que, vale dizer, nunca parou de buscar informações sobre seu ex-assistente enquanto este estava no Camboja). Após migrar para os Estados Unidos, acabou se tornando um ativista importante pela queda do regime de Pol Pot e pelo desenvolvimento do seu país até a sua morte, em 2008. Aliás, coincidentemente também, Pran faleceu quando eu estava na Ásia. Vi a notícia no Le Monde, chocado, quando desembarquei em Paris, ainda no ônibus entre o Charles de Gaulle e o centro da cidade.

Quando assisti a esse filme, antes de ir para o Camboja, fiquei muito impressionado com a brutalidade do Khmer Vermelho. Isso me fez chegar lá com outra visão daquele povo. Em todos os contatos com pessoas mais velhas, era impossível não pensar que elas também tinham sobrevivido àquilo tudo. Elas também tinham perdido anos das suas vidas em campos de trabalho. Provavelmente também tinham parentes assassinados apenas porque sabiam escrever, calcular ou falar outra língua (o Khmer Vermelho considerava isso uma prova de que a pessoa era um burguês antes da tomada do poder, algo punido com a morte).

Ver este filme depois de entrar em contato com aquelas pessoas foi ainda mais impressionante e, principalmente, triste. Porque é impossível não lembrar que se trata de um povo completamente pacífico, gentil e simples, que cativa qualquer estrangeiro e que sorri o tempo inteiro para as milhares de câmeras fotográficas dos turistas, o que faz com que as atrocidades mostradas pareçam ainda piores. Mesmo assim, Os Gritos do Silêncio é obrigatório para antes e depois de uma viagem ao Camboja.

Espanha

Espanha? No, gracias.

Já faz um bom tempo que os nossos meios de comunicação vêm relatando casos de brasileiros barrados no aeroporto de Barajas, em Madri. Em 2008, fomos o povo com o maior número de pessoas impedidas de entrar na Espanha. Claro que muitas delas estavam, sim, indo para a Europa atrás de emprego ilegal ou coisa pior – o que torna legítima a ação da polícia de fronteira espanhola. Mas também já ficou evidente que muitas delas não tinham intenção nenhuma que não fosse passar férias, participar de algum evento por lá e gastar seus suados reais convertidos em euros (um exemplo, outro exemplo).

Nunca soube se é verdade, mas já escutei várias histórias que dizem que fiscais de fronteira não se contentam em barrar apenas aqueles que visivelmente estão em busca de imigrar clandestinamente. Por pura maldade e falta do que fazer, dizem as histórias, eles definem que vão barrar “o próximo que tiver cabelo comprido”, ou “o próximo que vier de bermudas”, por exemplo. E assim, a título de brincadeira, estragam o que pode ter sido um planejamento de meses (ou anos), causam um prejuízo financeiro enorme e frustram profundamente alguém que não pretendia fazer nada de ilegal.

E vou dizer: eu acredito muito nessas histórias.

Nunca fui barrado. Já tive que mostrar papéis, voucher de hotéis, passagens e essas coisas, mas sempre passei. Entretanto, na minha viagem à Espanha, não ganhei nem ao menos um carimbo dos oficiais em Algeciras (e olha que eu estava vindo do Marrocos). Na saída por Barcelona, ninguém, além da moça do guichê da Ibéria, viu meu passaporte. Não sei o que você pensa, mas para mim isso é um bom exemplo de que os fiscais espanhóis não têm esse rigor que eles mesmos alegam ter para impedir a entrada de brasileiros. Isso, junto com os exemplos que vimos ao longo de 2008, me deixa margem para pensar que, realmente, eles param as pessoas por pura diversão mórbida.

Ser barrado na fronteira é algo que pode acontecer em qualquer lugar. Sei que brasileiros também estão entre os mais impedidos de entrar em Portugal (onde um fiscal me parou muito depois do guichê da imigração, só porque viu o passaporte brasileiro na minha mão) e na Inglaterra - e também devem estar entre os mais barrados nos EUA, mesmo que eles facilitem a nossa vida e nos impeçam de viajar logo na hora de tirar o visto. Mas por tudo que vem acontecendo nos últimos anos em Madri, e ainda mais depois deste acontecimento aqui, já seria mais do que urgente que o governo tupiniquin tomassem alguma providência junto às autoridades espanholas.

Porém, todavia, contudo… todos sabemos que pedir ação para o governo brasileiro é o mesmo que pedir presente para o Papai Noel. Então, tá mais do que na hora dos próprios viajantes brasileiros tomarem duas atitudes: tirar a Espanha do mapa de roteiros e parar de voar para a Europa via Madri. Se os motivos expostos nos links que coloquei não forem motivos fortes o suficiente, vale dizer que a Ibéria é a pior companhia aérea que eu já conheci (veja esse exemplo) e a Espanha, apesar de ter lugares legais para se conhecer, não tem nada de muito melhor em relação a outros países onde os brasileiros não encontram (ou encontram menos) problemas para entrar.

Se, mesmo assim, você fizer questão de ir um dia, pelo menos coloque o país no final da sua lista. Talvez, até lá, os policiais espanhóis tenham aprendido a não brincar com a vida dos viajantes.

Asia

Um luxo de trem, um lixo de site

Quem gostou do filme Viagem a Darjeeling (The Darjeeling Limited - 2007) e curte aquele tipo de viagem onde o próprio hotel é uma das atrações vai gostar dessa notícia.

Hoje, 11 de janeiro, começa a operar o Royal Rajasthan on Wheels, um trem de alto luxo que promete mostrar o melhor da Índia a hospedes endinheirados e amantes da vida sobre os trilhos. Cada noite nos vagões chega a custar 2 mil doletas, uma bela grana.

A título de curiosidade, a Índia tem outros trens de luxo como esse. Um deles, o Palace on Wheels, está com lotação esgotada até 2010. Ao que parece, tá cheio de gente querendo conhecer a Índia sem ter que interagir muito com a população local.

Para terminar, dá um bico no site “provisório” do Royal Rajasthan on Wheels. Dispensa comentários.

UPDATE em 17/01: O site provisório já foi modificado. Uma pena, porque o outro era engraçadíssimo.

Sem categoria

Não foi desta vez

Depois do que se pode chamar de um feriadão prolongado à base de Lapataia e Freixenet, o blog ressurge das trevas para declarar que, ao contrário do que eu pretendia fazer, não fotografei e nem me dediquei o suficiente para colocar Punta del Este no mapa do O que Eu Fiz nas Férias. Aproveitei os dias para fazer exatamente o que eu nunca faço em férias: nada. Não me obriguei a fazer absolutamente nada, nem mesmo buscar informações para quem queira ir para lá. Ficarei devendo. Desculpaí. Qualquer coisa, me escreve.