2008 - Camboja, Vietnã e Laos

LUANG PRABANG

(Fotos no fim do texto)

Quando me vi diante de um guarda de fronteira sorridente me ensinado a dizer “olá” e “obrigado” em laosiano enquanto carimbava meu passaporte, percebi que chegava em um lugar diferente. Nunca havia visto um guarda de fronteira simpático. E quando ele soltou um animado “yeeesss!” depois que eu o agradeci na sua língua, tive certeza: Luang Prabang, no Laos, era realmente especial.

Muitos viajantes já haviam dito que eu e minha mulher adoraríamos Luang Prabang, uma das cidades mais preservadas do Sudeste Asiático. Com 26 mil habitantes, dezenas de templos budistas, ruas calmas, povo acolhedor e arquitetura que lhe deu o título de Patrimônio Histórico da Humanidade, o destino mais procurado do país deve ser vivido sem pressa. É preciso entrar no clima da cidade, que acorda cedo, antes das 6h, para alimentar seus monges em um ritual budista chamado de “coleta de almas”, quando os religiosos caminham pelas ruas carregando urnas onde os moradores colocam alimentos. Este desfile colorido é o início de um dia cheio de emoções, sorrisos e cumprimentos com o alegre “sabadii!”, a saudação local, aquela mesma que o guarda me ensinou no aeroporto. Uma saudação que se ouve em qualquer atração que você for. A mais importante é o Museu do Palácio Real, que fica no prédio onde viviam os reis da atual República Popular Democrática do Laos, governada por comunistas há 33 anos. Ali se tem uma aula de história e se conhece o verdadeiro luang prabang, ou o “Grande Buda” em laosiano, a estátua recebida dos kmers em 1512 e que deu nome à cidade. Não é possível fotografá-la, mas sobram belezas locais para registrar. O maravilhoso Wat Xieng Tong, templo budista construído em 1518, é um bom exemplo. Indo dele até o centro, passa-se por muitos outros, até se chegar à avenida Sisavangvong, uma via que não parece estar em uma cidadezinha perdida na Ásia. Cafés, restaurantes e lojas ocupam cada prédio da avenida, com atendentes fluentes em inglês. É o lugar perfeito para provar o café laosiano gelado e passar horas vendo os monges andando com sombrinhas para se proteger do sufocante verão local. Se você chegar lá no início de abril, vai poder se refrescar na divertida comemoração do ano-novo laosiano, onde as pessoas travam guerras de água pelas ruas. Outra pedida agradável, e mais seca, é caminhar ao longo do rio Mekong, o mais importante do Sudeste Asiático, e depois atravessá-lo para conhecer a outra margem, menos atraente e mais pobre, mas com moradores que tratam os estrangeiros com ainda mais atenção e, claro, vários “sabadii!”. Do alto dos seus morros tem-se uma vista maravilhosa da cidade, mas nenhuma bate a do cume do monte Phu Si, no centro de Luang Prabang. A subida é cansativa, mas vale para se encantar com uma visão de 360º dos morros cobertos por um verde deslumbrante, ruas repletas de palmeiras e templos de topos dourados. De lá também se tem o melhor ângulo do pôr-do-sol sobre o Mekong, lindo de fazer qualquer pessoa agradecer a Buda por estar ali.

Depois que o sol se vai, a noite laosiana mostra seu charme. Sem tanto calor, a pedida é admirar os casarios iluminados e comprar lembranças na grande feira que se forma na avenida Sisavangvong. Para terminar o dia, o melhor é escolher um bom restaurante, saborear os deliciosos pratos da culinária laosiana e voltar para o hotel cedo, já que a maioria dos estabelecimentos fecha às 21h. Afinal todos têm que estar descansados para o dia seguinte de oferendas, sorrisos, simpatia e muitos “sabadii!”.

(Texto publicado no caderno Viagem do jornal Zero Hora em 19 de agosto de 2008.)

COMO CHEGUEI: De avião, vindo de Hanói.

QUANTO TEMPO FIQUEI: Duas noites e três dias.

QUANTO TEMPO RECOMENDO: A cidade é pequena e pode ser conhecida em um dia. Mas vale a pena ficar mais para conhecer tudo que a região oferece. Três noites é o bastante para sair de lá com vontade de ficar muito mais.

(Espere todos os thumbnails aparecerem para ver o slideshow)

Vista geral de Luang Prabang, do alto do monte Phu Si.