2006 - Marrocos e Espanha
Como se anda lá dentro?
Taí um capítulo que deve ser longo. Primeiro vamos falar do Marrocos.
Andar pelo Marrocos não é nada fácil. As distâncias são longas e algumas ficam piores porque é necessário atravessar o Atlas, a cadeia de montanhas que separa o Marrocos atlântico do saariano. As linhas de trem são escassas e os próprios trens não são dos mais rápidos. As linhas aéreas também são meio complicadas, já que todos os vôos passam por Casablanca, o que transforma uma viagem rápida em uma maratona que, às vezes, não termina muito antes do que terminaria se o mesmo trajeto fosse feito de carro ou de trem. Alugar um carro é uma boa opção, mas pode sair bem cara se tiver que ser com motorista. E, por fim, os ônibus não são um primor de conforto. Então, antes de decidir como ir de um lugar para outro, é preciso fazer muitos cálculos.
No meu caso, o avião só foi usado para chegar no Marrocos. Todo o resto foi dividido entre ônibus, trens e grand taxis.
Avião. A companhia aérea mais confiável de lá é a Royal Air Maroc. Como eu não cheguei a comprar nenhum trecho interno, não sei como são os serviços nem qual é o nível de dificuldade de se comprar bilhetes pela internet. Mas seu agente de viagens deve saber. Minha dica nesse quesito é: para ir e/ou voltar de Merzouga, use o avião. Não dá para voar direto até a cidade, mas dá para ir até Er Rachidia e de lá pegar um grand taxi. Digo isso porque o trecho Ait Benhaddou-Merzouga de táxi foi muito cansativo, apesar de ser interessante ver a paisagem. E se esse trecho foi cansativo, o trecho Merzouga-Fes de ônibus foi para matar. Veja o parágrafo seguinte para entender o drama.
Ônibus. A dica mais quente que eu tinha sobre os ônibus do Marrocos era pegar apenas os da Supratours. Segundo a lenda, eles seriam os mais confortáveis, os mais pontuais e os melhores. Usei a companhia para a viagem entre Marrakesh e Essaouíra e foi tudo bem. O ônibus não era grande coisa, mas a viagem durava apenas 2h30, então não deu para sentir. Porém, o trecho entre Rissani (a cidade mais próxima de Merzouga, de onde se pegam os ônibus) e Fes foi um inferno. O trajeto duraria 10 horas, saindo às 20h e chegando às 6h. Quando sentei na minha poltrona, imediatamente procurei a alavanca para deitar o encosto. Foi quando eu percebi que a jornada seria longa: os bancos simplesmente não deitavam. Fui sentado e dormindo do jeito que dava até às 6h.
Trem. Um bom meio de transporte por lá, mas restrito ao Marrocos atlântico, já que não existem linhas do lado saariano. Utilizei trens para ir de Casablanca a Marrakesh, de Fes a Meknes e de Fes a Tanger. Eles são relativamente confortáveis na segunda classe para trechos pequenos. Mas para trechos maiores, escolha a primeira. Os trajetos que utilizei demoraram 3h30 (Casablanca-Marrakesh), 6h (Fes-Tanger) e quase nada entre Fes e Meknes. Para informações a respeito de horários e valores, tente o site do Office National des Chemins de Fer Marocain ou o Seat 61, um site para inglês ver, mas com informações preciosas sobre como se locomover no país.
Grand Taxi. Antes de falar sobre eles, é necessário explicar o que são. Vamos lá. Nas cidades marroquinas, existem dois tipos de táxis: os petit taxis e os grand taxis. Os primeiros são carros pequenos que só podem transitar dentro das cidades, sendo proibidos de viajar entre dois municípios. Já os segundos são veículos maiores, geralmente Mercedes antigos, que fazem trajetos mais longos e que ficam em determinados pontos das cidades anunciando seus destinos, vendendo seus lugares e aguardando que fiquem cheios. Um grand taxi normalmente leva 6 passageiros e não costuma ir muito longe, apenas até cidades próximas. Se você estiver em um grupo com menos de 6 pessoas e quiser privacidade, deve pagar os valores de todos os outros assentos vagos. Caso contrário, prepare-se para esperar o carro encher antes de sair.
Utilizei grand taxis para ir de Marrakesh a Merzouga, com pernoite em Ait Benhaddou, e para ir de Meknes a Volubilis (veja: Fes). Encontrei alguém para fazer o trecho Marrakesh-Merzouga com facilidade, mas tive sorte, porque não são todos os taxistas que topam ir tão longe como o senhor Mehdi (Grand Taxi Nº 151 - 068 56 17 58), por 200 dólares. O que previa era ter que ir de cidade em cidade trocando de grand taxis até o destino final, o que definitivamente seria bem mais cansativo. Já no passeio a Volubilis e Moulay Idriss, encontrei um taxista negociando com um casal de franceses e acabamos dividindo o valor. Foi uma corrida rápida. O taxista nos esperou em Volubilis e, na volta, fez uma parada em Moulay Idriss.
Em resumo, o grand taxi é uma boa alternativa, bem mais barata que o aluguel de carros, mas pode não dar tão certo quanto deu nessa viagem.
Aluguel de carro. Acabei não usando essa alternativa, mas me pareceu que poderia ter usado. As estradas por lá são boas e bem sinalizadas, e a liberdade de parar onde quiser ou pegar o caminho que escolher parece ser bem melhor do que ter que se entender com o motorista do grand taxi e seu francês cheio de sotaque marroquino. Para quem não quiser dirigir, uma alternativa é o aluguel de carro com motorista. Uma alternativa cara, claro, mas considerável se você tiver dirhams em caixa. Antes de ir, uma amiga indicou o senhor Braim (fones 061 60 18 01 e 044 38 62 22). Ele tinha uma caminhonete Toyota que deveria ser superconfortável, mas infelizmente era cara demais para mim.
Ferry. De Tanger a Algeciras, cruzei o estreito de Gibraltar em um confortável ferry boat. Para pegá-los é fácil. Existem muitas empresas que fazem o trajeto e tudo que você tem que fazer é escolher qual prefere e esperar até o barco sair. Mais fácil que isso, só se locomover pela Espanha. Veja abaixo.



